Uma família. Uma ditadura. Uma memória que resiste.
O livro que o Brasil tentou esquecer — e que vai cair na sua prova.
Publicado em 2015, "Ainda Estou Aqui" é um livro de memórias no qual Marcelo Rubens Paiva reconstrói a história de sua família durante e após a ditadura militar brasileira. No centro da narrativa estão dois eixos que se entrelaçam: o desaparecimento do pai, Rubens Paiva, e o Alzheimer que aos poucos apagou a memória da mãe, Eunice.
A UERJ escolheu esta obra porque ela cruza literatura, história e política de forma que exige do aluno muito mais do que resumir o enredo. Exige interpretar, contextualizar e argumentar.
Indivíduos considerados de interesse para o regime. 1964–1985.
Rubens Paiva é o centro ausente do livro. Sua morte nunca é encenada diretamente — é sentida pelo silêncio, pela espera e pelo que nunca foi dito. A UERJ pode cobrar como o autor constrói a figura do pai a partir da falta e da memória fragmentada.
Eunice é a verdadeira protagonista do livro. Sua trajetória — de mãe silenciada a advogada combativa, até o Alzheimer que apaga sua memória — é o fio condutor da narrativa. A UERJ pode explorar a ironia trágica: a mulher que lutou para que nada fosse esquecido perde a própria memória.
Marcelo é o narrador-personagem: ao mesmo tempo quem viveu e quem escreve. A UERJ pode cobrar a instância narrativa, o ponto de vista, e como a subjetividade do narrador constrói a versão dos fatos que o regime tentou apagar.
Vera é símbolo do impacto da ditadura nas gerações seguintes. Sua detenção aos 15 anos ao lado da mãe evidencia que a violência do regime não distinguia idade. A UERJ pode explorar como o livro trata os efeitos transgeracionais do trauma político.
Os marcos reais da família Paiva cruzados com a história do Brasil.
A família começa a viver sob vigilância. Rubens vai para o exílio na Inglaterra. A vida como era conhecida acaba em uma manhã.
Eunice e Vera são detidas junto. Rubens desaparece. Nunca mais é visto. O silêncio começa.
Eunice retoma os estudos. Torna-se advogada. Começa a luta pelos direitos indígenas. A resistência muda de forma, mas não de intensidade.
O país abre. A família ainda não tem resposta oficial sobre o paradeiro de Rubens. A democracia chega, mas a verdade continua escondida.
25 anos depois da prisão. A morte sem corpo. O Estado reconhece o crime, mas não entrega o culpado. O luto sem fim ganha um documento.
Documentos revelam o que aconteceu. A família finalmente acessa os arquivos. Marcelo começa a escrever. A memória vira literatura.
Marcelo Rubens Paiva transforma a memória em literatura. A obra sai quando a mãe já luta contra o Alzheimer. O livro se torna memória de quem não pode mais lembrar.
Fernanda Torres e Fernanda Montenegro interpretam Eunice. Indicação ao Oscar. O Brasil redescobre a história. A memória que resiste vira cultura.
O Prof. Sérgio comenta cada tema central da obra.
O Alzheimer de Eunice funciona como espelho da amnésia coletiva que o regime queria impor. Enquanto o Estado apagava documentos e silenciava testemunhas, a doença apagava as lembranças da mulher que mais lutou para preservá-las. Marcelo escreve contra dois esquecimentos: o político e o neurológico.
A relação entre memória individual e memória coletiva. Como o Alzheimer de Eunice funciona como metáfora do apagamento histórico promovido pela ditadura. A escrita como ato de resistência contra o esquecimento.
Eunice é a figura de força que não chora na frente das câmeras. Detida com a filha adolescente, interrogada durante 12 dias, ela transforma a dor em ação. Torna-se advogada, luta pelos direitos indígenas, cria cinco filhos sozinha. A ditadura não a destruiu — ela se reconstruiu a partir dos escombros.
A construção da identidade feminina em contexto de repressão. Como Eunice se transforma ao longo da narrativa: de esposa a protagonista de sua própria história. O contraste entre a força pública e a fragilidade privada revelada pelo Alzheimer.
O desaparecimento de Rubens Paiva é o crime que o Brasil demorou décadas para reconhecer. Preso em casa, diante da família, levado ao DOI-CODI — e nunca mais visto. O livro não narra a tortura diretamente, mas a violência está em cada silêncio, em cada documento que falta, em cada resposta que o Estado se recusa a dar.
A violência de Estado como tema literário. Como o autor representa a tortura e o desaparecimento sem narrá-los explicitamente. O papel do silêncio institucional na construção do trauma coletivo.
Por que Marcelo escreve? Porque o que foi silenciado precisa ser dito. A escrita não é apenas terapia ou registro — é resistência. Ao narrar o que o regime tentou apagar, o autor transforma a memória pessoal em documento público. Escrever é o oposto de desaparecer.
A metalinguagem no livro: por que e como Marcelo decide narrar. A função política da literatura de testemunho. A relação entre escrita, memória e verdade em contextos de repressão.
O livro não é ficção nem reportagem — é memória. Isso tem consequências para a leitura crítica: o narrador não é onisciente, ele lembra. E lembrar é selecionar, distorcer, reconstruir. O gênero memorialista exige do leitor que entenda a diferença entre fato e verdade narrada.
As características do gênero memorialista e como se diferencia do romance. A confiabilidade do narrador em primeira pessoa. Como a subjetividade da memória afeta a construção da narrativa. A fronteira entre documento histórico e literatura.
O Prof. Sérgio comenta todos os eixos em vídeo
Ver playlist no YouTubeCada ponto do mapa é um lugar onde a história realmente aconteceu.
Questão elaborada pelo Prof. Sérgio Monteiro no estilo do 1º Exame de Qualificação.
No livro "Ainda Estou Aqui", Marcelo Rubens Paiva constrói uma narrativa em que dois processos de apagamento se entrelaçam: o desaparecimento forçado de Rubens Paiva pela ditadura militar e a perda progressiva de memória de Eunice Paiva pelo Alzheimer. Considerando essa dupla dimensão do esquecimento na obra, é correto afirmar que:
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