Tudo o que você precisa saber sobre os livros obrigatórios do Vestibular UERJ 2027. Resumo, análise, contexto histórico, videoaulas e exercícios, reunidos em um só lugar.
Memória, ditadura e resistência: a história de uma família que nunca desistiu.
Estudar esta obra →
O naturalismo brasileiro em sua forma mais crua e atual: como o meio molda o ser humano.
Estudar esta obra →
Imigração, identidade e pertencimento: uma viagem entre dois mundos.
Estudar esta obra →
Sátira política com humor e ironia: o retrato do político brasileiro que nunca saiu de cena.
Estudar esta obra →Cada obra está associada a uma etapa específica do vestibular. Você não precisa estudar todas ao mesmo tempo.
Para o 1º EQ, foque em "Ainda Estou Aqui". Para o 2º EQ, em "O Cortiço". Para o Discursivo, prepare os dois livros restantes.
As videoaulas são gratuitas no YouTube. Exercícios resolvidos e material aprofundado fazem parte dos Projetos.
Uma história de família, ditadura e memória que atravessou décadas e chegou ao Oscar. E que vai cair no seu vestibular.
Marcelo Rubens Paiva nasceu em São Paulo em 1959. É filho do deputado federal Rubens Paiva, preso, torturado e assassinado pela ditadura militar em 1971. Em 1981, sofreu um acidente que o deixou tetraplégico, experiência narrada em seu primeiro livro, Feliz Ano Velho (1982), um dos maiores fenômenos editoriais da literatura brasileira.
Ainda Estou Aqui foi publicado em 2015 e ganhou enorme projeção internacional quando o filme homônimo, com Fernanda Torres no papel de Eunice Paiva, recebeu três indicações ao Oscar 2025, incluindo Melhor Filme. A obra une jornalismo, memória afetiva e denúncia histórica.
O livro narra a história de Eunice Paiva, mãe de Marcelo Rubens Paiva e esposa de Rubens Paiva, deputado cassado e exilado após o golpe de 1964. Em 1971, Rubens foi preso por agentes da ditadura, levado ao quartel da Polícia do Exército na Tijuca, submetido a torturas e morto sob custódia. O regime construiu uma narrativa falsa de que ele teria fugido. Décadas depois, documentos vieram a público e confirmaram o assassinato.
A narrativa segue dois eixos paralelos: o desaparecimento de Rubens e suas consequências políticas e jurídicas, e o Alzheimer que, décadas mais tarde, vai apagando a memória de Eunice. Marcelo Rubens Paiva constrói uma obra sobre o paradoxo cruel entre memória e esquecimento: enquanto o regime tentou apagar a história de seu pai, o Alzheimer agora apaga a memória da mulher que nunca parou de lutar pela verdade.
Eunice, que perdeu o marido e ficou viúva com cinco filhos pequenos, reinventou-se: voltou a estudar, tornou-se advogada e defensora dos direitos indígenas. Sua figura é o centro emocional do livro.
A ditadura como apagamento sistemático e o Alzheimer como apagamento pessoal
O desaparecimento forçado como prática de Estado
A trajetória de Eunice como modelo de resiliência
Como a ausência de um pai redefine uma família inteira
A luta de décadas para reconhecimento oficial do assassinato
Esta obra é estudada com profundidade no Projeto UERJ 2027: 1º Exame de Qualificação e no E-book: 101 Questões Inéditas. Simulados comentados, mapa de erros e trilha semanal com o Prof. Sérgio Monteiro.
Conhecer o Projeto 1º EQ →
Publicado em 1890, ainda hoje é um espelho do Brasil. O naturalismo de Aluísio Azevedo não envelhece, e a UERJ sabe disso.
Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís do Maranhão em 1857. Foi escritor, jornalista, caricaturista e diplomata. Introduziu o Naturalismo na literatura brasileira com O Mulato (1881), tornando-se a principal referência do movimento no país. É membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Faleceu em Buenos Aires, em 1913.
Sua obra de maior prestígio, O Cortiço (1890), é considerada o melhor representante do Naturalismo brasileiro e foi fortemente influenciada por L'Assommoir (1877), de Émile Zola. O romance é leitura obrigatória constante nos mais exigentes vestibulares do país.
O romance acompanha a ascensão econômica de João Romão, um português ambicioso e sem escrúpulos que constrói sua fortuna explorando os trabalhadores e a amante Bertoleza, uma escrava que acredita ter sido alforriada por ele. João Romão é dono de uma venda, de uma pedreira e do cortiço que cresce organicamente no Rio de Janeiro do século XIX.
O segundo eixo narrativo segue Jerônimo, um imigrante português honesto que trabalha na pedreira e é transformado radicalmente pela influência do meio: ao se apaixonar por Rita Baiana, uma mestiça sensual moradora do cortiço, abandona a esposa Piedade e mergulha na degradação moral.
O cortiço em si funciona como personagem coletivo: é descrito com vida própria, abrindo os "olhos" (janelas) ao amanhecer, respirando, crescendo. Os moradores são individualizados apenas para ilustrar as teses naturalistas sobre determinismo, raça e meio.
O desfecho é brutal: João Romão entrega Bertoleza aos seus antigos donos para se casar com Zulmira, filha do burguês Miranda, e subir na escala social. Bertoleza, ao perceber a traição, suicida-se com uma faca.
O ambiente molda o caráter dos personagens, anulando o livre-arbítrio
Cortiço x sobrado como símbolo de classes antagônicas
João Romão como metáfora do capitalismo selvagem
Retratada sob a ótica naturalista da época (leitura crítica necessária)
O cortiço como organismo coletivo que supera os indivíduos
Esta obra é estudada com profundidade no Projeto UERJ 2027: 2º Exame de Qualificação. Simulados comentados, mapa de erros e trilha semanal com o Prof. Sérgio Monteiro.
Conhecer o Projeto 2º EQ →
Um pai e um filho deixam Angola rumo a Portugal em busca de cura. O que encontram é muito mais complexo do que qualquer doença.
Djaimilia Pereira de Almeida nasceu em Luanda, Angola, em 1982, e mudou-se para Portugal ainda criança. Possui doutorado em Teoria da Literatura pela Universidade Católica Portuguesa. É considerada uma das vozes mais importantes da literatura contemporânea de língua portuguesa, reconhecida por sua prosa densa e poética, que transita entre a ficção e o ensaio.
Luanda, Lisboa, Paraíso (2018) foi seu segundo romance e vencedor do Prêmio Oceanos 2019, o mais importante para a literatura lusófona. A obra tem conexão temática com seu livro de estreia, Esse Cabelo (2015). Almeida escreve frequentemente sobre identidade, diáspora e o legado colonial entre Portugal e Angola.
Aquiles nasce em Luanda com uma má-formação no calcanhar esquerdo. O pai, Cartola, escolhe o nome helénico na tentativa de resolver o destino com a tradição. A cura exige uma cirurgia que só pode ser realizada em Portugal, antes que o menino complete quinze anos.
Em 1980, pai e filho partem para Lisboa convictos de que serão bem-vindos como cidadãos portugueses e de que voltarão rapidamente. Não voltam. Em Portugal, Cartola passa de parteiro a operário da construção civil. Eles vão parar na periferia de Lisboa, em um bairro chamado, ironicamente, "Quinta do Paraíso". Aquiles cresce entre duas culturas sem pertencer a nenhuma. Cartola afunda em isolamento e depressão. A mãe, Glória, ficou em Luanda imobilizada por complicações do parto e nunca atravessou o oceano.
O livro é sobre a impossibilidade do regresso e a crueldade silenciosa do não pertencimento. Cartola e Aquiles não são mais angolanos, mas também não são portugueses. Vivem no espaço fronteiriço entre duas identidades, dois mundos, duas línguas.
O deslocamento forçado pela busca de saúde e oportunidade
Não ser de lugar nenhum como condição existencial
A relação assimétrica entre Angola e Portugal após a descolonização
O preconceito silencioso que define o lugar do outro na sociedade
Os laços que resistem mesmo com o oceano entre eles
O que não pode ser dito, o que é dito nas entrelinhas
Esta obra é estudada com profundidade no Projeto Específica UERJ 2027. Simulados comentados, mapa de erros e trilha semanal com o Prof. Sérgio Monteiro.
Conhecer o Projeto Específica →
Escrita em 1962, a peça parece ter sido escrita ontem. Odorico Paraguaçu segue vivo na política brasileira, e a UERJ vai te pedir para reconhecê-lo.
Alfredo de Freitas Dias Gomes nasceu em Salvador, Bahia, em 1922, e faleceu no Rio de Janeiro em 1999. É um dos dramaturgos mais importantes da história do teatro brasileiro. Sua obra mistura crítica social, humor e política com uma precisão que resistiu ao tempo. Entre suas peças mais célebres estão O Pagador de Promessas (1959), que virou filme premiado em Cannes, e O Bem-Amado (1962).
O Bem-Amado foi encenado profissionalmente nos anos 1960-70 e ganhou projeção nacional ao ser adaptado para a televisão em 1973 pela Rede Globo, tornando-se a primeira telenovela em cores do Brasil. O personagem Odorico Paraguaçu, interpretado pelo ator Paulo Gracindo, tornou-se um ícone cultural.
Sucupira é uma pequena cidade fictícia no litoral da Bahia. Quando um pescador morre e precisa ser transportado para enterrar em cidade vizinha, pois Sucupira não tem cemitério, o então candidato Odorico Paraguaçu enxerga a oportunidade perfeita: faz campanha com o slogan "Vote em um homem sério e ganhe um cemitério" e se elege prefeito.
O problema é que, depois de construir o cemitério, ninguém morre para inaugurá-lo. E Odorico começa uma série de manobras cada vez mais absurdas para conseguir um "defunto necessário", chegando ao ponto de trazer de volta à cidade o cangaceiro Zeca Diabo, na esperança de que ele mate alguém. Mas Zeca chegou convertido e decidido a nunca mais matar ninguém.
A peça é dividida em 9 quadros e o subtítulo oficial é "farsa sociopolítico-patológica". Odorico usa um vocabulário pomposo e repleto de palavras inventadas ("prafrentemente", "agoramente") para dar pompa vazia a seus discursos, parodiando a retórica política demagoga. Ao final, pela ironia do destino, o próprio Odorico morre e se torna o primeiro "defunto" a inaugurar o cemitério que mandou construir.
O discurso político como instrumento de manipulação
O uso da máquina pública para interesses pessoais
A estrutura de poder local no interior do Brasil
As Irmãs Cajazeiras como símbolo da moral de fachada
O jornal A Trombeta como contraponto ao discurso oficial
Odorico morre vítima de seus próprios esquemas
Esta obra é estudada com profundidade no Projeto Específica UERJ 2027. Simulados comentados, mapa de erros e trilha semanal com o Prof. Sérgio Monteiro.
Conhecer o Projeto Específica →