A crase é um dos temas que mais geram dúvidas na redação e nas questões de gramática do vestibular. Mas ela tem uma lógica simples: a crase é a fusão de dois sons “a”, a preposição “a” com o artigo definido feminino “a”. O acento grave (à) é apenas a marcação gráfica dessa fusão.
O Prof. Monteiro organiza o tema em cinco casos práticos. Dominar esses cinco casos é suficiente para não errar crase nem na redação nem nas questões objetivas da UERJ.
O macete do masculino
Este é o teste mais clássico e eficaz para palavras femininas. Substitua a palavra em dúvida por uma equivalente no masculino:
- Se aparecer “ao” na substituição, a palavra feminina recebe crase.
- Se aparecer apenas “a” (sem artigo), não há crase.
Exemplo: “Fui à padaria.” Substitua: “Fui ao mercado.” Apareceu “ao”, então há crase em “à padaria”.
Esse teste funciona para a maioria dos casos e deve ser o primeiro recurso quando a dúvida surgir.
A regra dos lugares: “vou a, venho de…”
Indicar destino para cidades e países é uma das maiores fontes de erro. O macete do Prof. Monteiro é testar o verbo de retorno:
- “Vou a, venho da”: há crase.
- “Vou a, venho de”: não há crase.
Exemplos:
- “Vou à Bahia.” (Porque venho da Bahia.)
- “Vou a Roma.” (Porque venho de Roma.)
Atenção para um detalhe importante da UERJ: se o lugar estiver especificado ou caracterizado por um adjunto, a crase aparece mesmo em nomes que normalmente não a recebem.
- “Vou à Roma das belas fontes.” (Porque venho da Roma das belas fontes.)
Pronomes demonstrativos: àquele, àquela, àquilo
A crase ocorre quando a preposição “a” se junta ao “a” inicial dos pronomes demonstrativos aquele, aquela e aquilo, formando as contrações àquele, àquela e àquilo.
Exemplos:
- “Refiro-me àquela situação.” (a + aquela)
- “Isso equivale àquilo que discutimos.” (a + aquilo)
Sempre que o verbo ou o nome exigir a preposição “a” e o termo seguinte for um desses pronomes, a crase é obrigatória.
Indicação de horas
Para horas exatas, a crase é sempre obrigatória, pois a preposição “a” se combina com o artigo feminino implícito antes de “horas”.
Exemplos:
- “Saio às 20 horas.”
- “A reunião começa às 14h.”
Atenção à pegadinha clássica: a estrutura muda conforme a preposição usada.
| Estrutura | Exemplo | Crase? |
|---|---|---|
| das… às… | “das 8 às 18 horas” | Sim |
| de… a… | “de 8 a 18 horas” | Não |
A lógica é a mesma: a crase só ocorre quando há fusão de preposição com artigo. Na estrutura “de… a…”, o “a” final é apenas preposição, sem artigo junto.
Locuções femininas
A crase é obrigatória em locuções adverbiais, conjuntivas e prepositivas com núcleo feminino. Essas locuções são fixas e devem ser memorizadas:
- Adverbiais: à noite, à tarde, às vezes, à vontade, às pressas.
- Conjuntivas: à medida que, à proporção que.
- Prepositivas: à beira de, à frente de, à espera de.
Um caso especial que a UERJ gosta de cobrar é a locução “à moda de”. Mesmo quando a palavra “moda” está implícita, a crase ocorre:
- “Escrita à Machado de Assis.” (= à moda de Machado de Assis)
Esse tipo de construção aparece frequentemente em análises de estilo literário, exatamente o tipo de texto que a banca da UERJ usa nas questões de interpretação.
O que cai na UERJ
A UERJ cobra crase em duas frentes. Na redação, o uso incorreto demonstra falta de domínio da norma culta e penaliza a nota. Nas questões objetivas, a banca costuma explorar:
- Frases em que a presença ou ausência da crase altera o sentido do enunciado.
- Contextos com locuções femininas menos comuns, como “à moda de” em textos literários.
- Nomes de lugares especificados por adjuntos, que recebem crase mesmo quando o nome base não receberia.
- A distinção entre “de… a…” e “das… às…” em indicações de tempo.
O domínio da crase é também um sinal de autoria na redação: um candidato que emprega o acento grave com segurança demonstra controle sobre a norma culta, o que a banca valoriza.
Aula completa no YouTube
Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:
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Questões comentadas
Questão 1 (Estilo UERJ)
Assinale a alternativa em que o uso da crase está correto:
a) “Ele foi à São Paulo resolver um problema.” b) “Refiro-me a aquela decisão tomada ontem.” c) “A reunião vai das 9 às 18 horas.” d) “Vou entregar o relatório à você amanhã.” e) “Cheguei a tarde cansado.”
Gabarito: c
Comentário: A alternativa c está correta porque a estrutura “das… às…” exige crase no segundo elemento, pois há fusão da preposição “a” com o artigo feminino antes de “horas”. A alternativa a está errada: São Paulo é nome masculino e não recebe artigo, portanto não há crase. A alternativa b está errada: a forma correta é “àquela” (contração de a + aquela). A alternativa d está errada: não se usa crase antes de pronomes pessoais. A alternativa e está errada: o correto é “à tarde”, locução adverbial que exige crase.
Questão 2 (Estilo UERJ)
Leia o trecho abaixo:
“O cronista escrevia a maneira dos folhetinistas do século XIX, misturando ironia e lirismo.”
Para que o trecho esteja gramaticalmente correto de acordo com a norma culta, o termo sublinhado deve ser reescrito como:
a) a maneira b) à maneira c) às maneiras d) de maneira e) na maneira
Gabarito: b
Comentário: “À maneira de” é uma locução prepositiva com núcleo feminino que exige crase obrigatória. Trata-se do mesmo mecanismo da locução “à moda de”: a preposição “a” se combina com o artigo definido feminino “a” antes do substantivo “maneira”. Esse tipo de questão é representativo do estilo da UERJ, que testa a crase em contextos literários e argumentativos, não apenas em frases didáticas.
Revisão rápida
- A crase é a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”, marcada pelo acento grave (à).
- O macete do masculino é o teste mais eficiente: se a substituição gerar “ao”, há crase.
- Para lugares, o verbo de retorno revela se há crase: “venho da” indica crase, “venho de” indica ausência.
- Antes de aquele, aquela e aquilo, a crase é sempre obrigatória.
- Para horas, use crase com “às” e na estrutura “das… às…”; na estrutura “de… a…”, não há crase.
- Locuções femininas fixas como “à noite”, “à tarde” e “à maneira de” sempre recebem crase.
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