Os tipos de sujeito estão entre os conteúdos mais cobrados em questões de análise sintática, e a boa notícia é que existe um caminho único para resolver todos eles: olhar para o verbo. O Prof. Monteiro repete isso em toda aula porque funciona. É o verbo que revela quem pratica a ação, quantos núcleos existem e até se há sujeito na oração.
Neste post você vai aprender a identificar os cinco tipos de sujeito, reconhecer as pegadinhas de ordem inversa e entender o que a banca da UERJ costuma explorar nesse tema.
O que é sujeito e como identificá-lo
Sujeito é o termo sobre o qual se fala na oração. Junto com o predicado, forma os termos essenciais da oração. Você pode pensar nele de três formas equivalentes:
- É o assunto da oração, aquilo sobre o que se dá uma informação.
- É o referente do verbo.
- É quem pratica ou sofre a ação verbal.
Para classificar o sujeito, é preciso encontrar o seu núcleo. E apenas duas classes gramaticais funcionam como núcleo do sujeito: o substantivo e o pronome.
O procedimento é sempre o mesmo:
- Localize o verbo da oração.
- Pergunte ao verbo sobre quem ele está informando.
- Identifique o núcleo da resposta e conte quantos núcleos existem.
Um detalhe que ajuda muito: o artigo funciona como um dedo-duro. Sempre que houver um artigo, o núcleo do sujeito vem logo em seguida. Em “o tempo da infância é inesquecível”, o artigo “o” aponta para “tempo”, que é o núcleo. “Da infância” é apenas um adjunto que especifica esse núcleo.
Sujeito simples
O sujeito simples apresenta um único núcleo.
- “O tempo da infância é inesquecível.” (núcleo: tempo)
- “Paulo tinha comprado a casa.” (núcleo: Paulo)
Algumas gramáticas atuais preferem chamá-lo de sujeito determinado ou sujeito expresso, mas a lógica é a mesma: há um núcleo identificável.
Sujeito composto
O sujeito composto apresenta dois ou mais núcleos.
- “A alegria e a dor são amigas.” (núcleos: alegria, dor)
- “Descartamos a casa velha eu e Ana.” (núcleos: eu, Ana)
Repare no segundo exemplo: o sujeito aparece depois do predicado. Isso não muda a classificação, e é justamente esse deslocamento que a banca usa para confundir o candidato.
Sujeito desinencial
O sujeito desinencial é o antigo sujeito oculto, também chamado de elíptico ou de sujeito simples desinencial. Ele não está escrito, mas a desinência do verbo permite identificar com precisão quem pratica a ação.
- “Tenho tudo de que preciso.” (a desinência de “tenho” indica eu)
- “Acreditamos na proposta.” (a desinência de “acreditamos” indica nós)
- “Vieste na hora exata.” (a desinência de “vieste” indica tu)
O ponto essencial é este: o sujeito desinencial é determinado. Ele está subentendido, não indeterminado. Confundir os dois é o erro mais comum nesse conteúdo.
Sujeito indeterminado
O sujeito é indeterminado quando existe alguém praticando a ação, mas não é possível dizer quem. Há apenas duas construções que produzem isso:
1. Verbo na terceira pessoa do plural, sem nome que o determine
- “Falaram mal do professor.”
- “Rasgaram o meu caderno.”
Alguém falou e alguém rasgou, mas o texto não permite determinar quem.
2. Verbo na terceira pessoa do singular acompanhado do “se”
Nesse caso, o “se” funciona como índice de indeterminação do sujeito, o famoso PIS.
- “Come-se bem aqui.”
- “Precisa-se de engenheiros competentes.”
Guarde a diferença de número, porque ela é decisiva: indeterminado por plural usa a terceira pessoa do plural; indeterminado com “se” usa sempre a terceira pessoa do singular.
Oração sem sujeito
Aqui não há sujeito algum, nem expresso, nem subentendido, nem indeterminado. O verbo é impessoal. São cinco os casos clássicos:
| Caso | Exemplo | Observação |
|---|---|---|
| Verbo haver com sentido de existir | ”Havia muitas pessoas ali.” | Nunca vai para o plural |
| Verbo fazer indicando tempo decorrido | ”Faz anos que não a vejo.” | Também fica no singular |
| Fenômenos da natureza | ”Neva no sul.” | Chover, ventar, amanhecer |
| Ser e estar em referência temporal | ”São três horas da manhã.” | Concorda com a hora |
| Bastar e chegar com ideia de limite | ”Basta de reclamações!” | Sentido de “pare” |
O caso do verbo haver merece atenção especial, porque é o que mais aparece em prova e o que mais gera erro na fala. Quando haver significa existir, ele é impessoal e não tem plural. Portanto:
- Correto: “Havia muitas pessoas na sala.”
- Errado: “Haviam muitas pessoas na sala.”
A pegadinha da ordem inversa
A ordem natural do português é sujeito seguido de predicado, chamada de ordem direta. Quando a banca inverte essa ordem, muitos candidatos deixam de reconhecer o sujeito.
- Ordem direta: “Os velhinhos da rua falavam da vida.”
- Ordem inversa: “Falavam da vida os velhinhos da rua.”
Nas duas frases, o sujeito é “os velhinhos da rua”, sujeito simples com núcleo “velhinhos”. A inversão é apenas estilística. Se você desconfiar de sujeito indeterminado só porque o verbo está no plural e no início da frase, cai na armadilha: procure o nome que determina a ação antes de classificar.
O que cai na UERJ
A UERJ raramente pede a classificação pura e simples. O tema aparece de duas formas:
- Efeito de sentido da indeterminação. A banca apresenta um trecho em que o autor apaga o agente e pergunta o que isso produz no texto: generalização, distanciamento crítico, isenção de responsabilidade. Reconhecer a construção é o primeiro passo; interpretar o efeito é o que vale a questão.
- Reescrita e concordância. O trecho traz uma construção com haver impessoal ou com voz passiva sintética, e o candidato precisa reescrevê-lo ou julgar se a concordância está correta. É aqui que a distinção entre “se” índice de indeterminação e “se” partícula apassivadora decide a resposta.
Na redação, o sujeito indeterminado é um recurso útil para generalizar sem se comprometer, mas usado em excesso enfraquece a argumentação. A banca valoriza posicionamento claro.
Aula completa no YouTube
Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:
Questões comentadas
Questão 1 (Estilo UERJ)
Assinale a alternativa em que a oração apresenta sujeito indeterminado:
a) “Chegaram os convidados atrasados.” b) “Precisa-se de profissionais qualificados.” c) “Faz dois anos que não o encontro.” d) “Havia poucos livros na estante.” e) “Compramos o material ontem.”
Gabarito: b
Comentário: Em b, o verbo está na terceira pessoa do singular acompanhado do “se”, índice de indeterminação do sujeito. Em a, o sujeito é simples e está invertido (“os convidados atrasados”). Em c e d, temos orações sem sujeito, com fazer indicando tempo decorrido e haver com sentido de existir. Em e, o sujeito é desinencial, pois a desinência de “compramos” indica nós.
Questão 2 (Estilo UERJ)
Leia o período:
“Não havia razões para tanto alarde, embora insistissem no contrário.”
Sobre os sujeitos das orações do período, é correto afirmar que:
a) ambas as orações têm sujeito indeterminado. b) a primeira tem sujeito simples e a segunda, sujeito oculto. c) a primeira é oração sem sujeito e a segunda tem sujeito indeterminado. d) a primeira tem sujeito indeterminado e a segunda, sujeito simples. e) ambas as orações são orações sem sujeito.
Gabarito: c
Comentário: Em “não havia razões”, o verbo haver está empregado com sentido de existir, o que caracteriza oração sem sujeito. “Razões” é objeto direto, não sujeito, motivo pelo qual o verbo permanece no singular. Já em “insistissem no contrário”, o verbo está na terceira pessoa do plural sem nome que determine o agente, configurando sujeito indeterminado.
Questão 3 (Estilo UERJ)
No trecho “Vendem-se apartamentos na região”, a análise sintática correta indica que:
a) o sujeito é indeterminado e o “se” é índice de indeterminação. b) o sujeito é “apartamentos” e o “se” é partícula apassivadora. c) trata-se de oração sem sujeito. d) o sujeito é desinencial, referente a eles. e) o “se” é pronome reflexivo e o sujeito é simples.
Gabarito: b
Comentário: O verbo está no plural concordando com “apartamentos”, o que revela que esse termo é o sujeito da oração, não um complemento. Trata-se de voz passiva sintética, equivalente a “apartamentos são vendidos na região”, e o “se” é partícula apassivadora. O teste é direto: se a frase pode ser reescrita na voz passiva analítica com o verbo ser, o “se” é apassivador e há sujeito. Se não pode, como em “precisa-se de engenheiros”, o “se” indetermina o sujeito e o verbo fica no singular.
Revisão rápida
- Para achar o sujeito, olhe primeiro para o verbo e pergunte sobre quem ele informa.
- Só substantivo e pronome funcionam como núcleo do sujeito, e o artigo indica onde ele está.
- Sujeito simples tem um núcleo; composto tem dois ou mais; desinencial é identificado pela desinência verbal.
- Indeterminado ocorre com verbo na terceira pessoa do plural ou na terceira do singular com o “se”.
- Oração sem sujeito aparece com haver significando existir, fazer de tempo, fenômenos da natureza, ser e estar temporais e bastar e chegar de limite.
- Se o verbo concorda no plural com o termo que vem depois do “se”, esse termo é sujeito e o “se” é partícula apassivadora.
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