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Tipos de Sujeito: os 5 casos que caem na UERJ

Tipos de sujeito explicados com o macete de olhar para o verbo. Simples, composto, desinencial, indeterminado e oração sem sujeito com exemplos da UERJ.

Capa do artigo: Tipos de Sujeito: os 5 casos que caem na UERJ

Os tipos de sujeito estão entre os conteúdos mais cobrados em questões de análise sintática, e a boa notícia é que existe um caminho único para resolver todos eles: olhar para o verbo. O Prof. Monteiro repete isso em toda aula porque funciona. É o verbo que revela quem pratica a ação, quantos núcleos existem e até se há sujeito na oração.

Neste post você vai aprender a identificar os cinco tipos de sujeito, reconhecer as pegadinhas de ordem inversa e entender o que a banca da UERJ costuma explorar nesse tema.

O que é sujeito e como identificá-lo

Sujeito é o termo sobre o qual se fala na oração. Junto com o predicado, forma os termos essenciais da oração. Você pode pensar nele de três formas equivalentes:

  • É o assunto da oração, aquilo sobre o que se dá uma informação.
  • É o referente do verbo.
  • É quem pratica ou sofre a ação verbal.

Para classificar o sujeito, é preciso encontrar o seu núcleo. E apenas duas classes gramaticais funcionam como núcleo do sujeito: o substantivo e o pronome.

O procedimento é sempre o mesmo:

  1. Localize o verbo da oração.
  2. Pergunte ao verbo sobre quem ele está informando.
  3. Identifique o núcleo da resposta e conte quantos núcleos existem.

Um detalhe que ajuda muito: o artigo funciona como um dedo-duro. Sempre que houver um artigo, o núcleo do sujeito vem logo em seguida. Em “o tempo da infância é inesquecível”, o artigo “o” aponta para “tempo”, que é o núcleo. “Da infância” é apenas um adjunto que especifica esse núcleo.

Sujeito simples

O sujeito simples apresenta um único núcleo.

  • O tempo da infância é inesquecível.” (núcleo: tempo)
  • Paulo tinha comprado a casa.” (núcleo: Paulo)

Algumas gramáticas atuais preferem chamá-lo de sujeito determinado ou sujeito expresso, mas a lógica é a mesma: há um núcleo identificável.

Sujeito composto

O sujeito composto apresenta dois ou mais núcleos.

  • A alegria e a dor são amigas.” (núcleos: alegria, dor)
  • “Descartamos a casa velha eu e Ana.” (núcleos: eu, Ana)

Repare no segundo exemplo: o sujeito aparece depois do predicado. Isso não muda a classificação, e é justamente esse deslocamento que a banca usa para confundir o candidato.

Sujeito desinencial

O sujeito desinencial é o antigo sujeito oculto, também chamado de elíptico ou de sujeito simples desinencial. Ele não está escrito, mas a desinência do verbo permite identificar com precisão quem pratica a ação.

  • Tenho tudo de que preciso.” (a desinência de “tenho” indica eu)
  • Acreditamos na proposta.” (a desinência de “acreditamos” indica nós)
  • Vieste na hora exata.” (a desinência de “vieste” indica tu)

O ponto essencial é este: o sujeito desinencial é determinado. Ele está subentendido, não indeterminado. Confundir os dois é o erro mais comum nesse conteúdo.

Sujeito indeterminado

O sujeito é indeterminado quando existe alguém praticando a ação, mas não é possível dizer quem. Há apenas duas construções que produzem isso:

1. Verbo na terceira pessoa do plural, sem nome que o determine

  • Falaram mal do professor.”
  • Rasgaram o meu caderno.”

Alguém falou e alguém rasgou, mas o texto não permite determinar quem.

2. Verbo na terceira pessoa do singular acompanhado do “se”

Nesse caso, o “se” funciona como índice de indeterminação do sujeito, o famoso PIS.

  • Come-se bem aqui.”
  • Precisa-se de engenheiros competentes.”

Guarde a diferença de número, porque ela é decisiva: indeterminado por plural usa a terceira pessoa do plural; indeterminado com “se” usa sempre a terceira pessoa do singular.

Oração sem sujeito

Aqui não há sujeito algum, nem expresso, nem subentendido, nem indeterminado. O verbo é impessoal. São cinco os casos clássicos:

CasoExemploObservação
Verbo haver com sentido de existirHavia muitas pessoas ali.”Nunca vai para o plural
Verbo fazer indicando tempo decorridoFaz anos que não a vejo.”Também fica no singular
Fenômenos da naturezaNeva no sul.”Chover, ventar, amanhecer
Ser e estar em referência temporalSão três horas da manhã.”Concorda com a hora
Bastar e chegar com ideia de limiteBasta de reclamações!”Sentido de “pare”

O caso do verbo haver merece atenção especial, porque é o que mais aparece em prova e o que mais gera erro na fala. Quando haver significa existir, ele é impessoal e não tem plural. Portanto:

  • Correto: “Havia muitas pessoas na sala.”
  • Errado: “Haviam muitas pessoas na sala.”

A pegadinha da ordem inversa

A ordem natural do português é sujeito seguido de predicado, chamada de ordem direta. Quando a banca inverte essa ordem, muitos candidatos deixam de reconhecer o sujeito.

  • Ordem direta: “Os velhinhos da rua falavam da vida.”
  • Ordem inversa: “Falavam da vida os velhinhos da rua.”

Nas duas frases, o sujeito é “os velhinhos da rua”, sujeito simples com núcleo “velhinhos”. A inversão é apenas estilística. Se você desconfiar de sujeito indeterminado só porque o verbo está no plural e no início da frase, cai na armadilha: procure o nome que determina a ação antes de classificar.

O que cai na UERJ

A UERJ raramente pede a classificação pura e simples. O tema aparece de duas formas:

  • Efeito de sentido da indeterminação. A banca apresenta um trecho em que o autor apaga o agente e pergunta o que isso produz no texto: generalização, distanciamento crítico, isenção de responsabilidade. Reconhecer a construção é o primeiro passo; interpretar o efeito é o que vale a questão.
  • Reescrita e concordância. O trecho traz uma construção com haver impessoal ou com voz passiva sintética, e o candidato precisa reescrevê-lo ou julgar se a concordância está correta. É aqui que a distinção entre “se” índice de indeterminação e “se” partícula apassivadora decide a resposta.

Na redação, o sujeito indeterminado é um recurso útil para generalizar sem se comprometer, mas usado em excesso enfraquece a argumentação. A banca valoriza posicionamento claro.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

Assinale a alternativa em que a oração apresenta sujeito indeterminado:

a) “Chegaram os convidados atrasados.” b) “Precisa-se de profissionais qualificados.” c) “Faz dois anos que não o encontro.” d) “Havia poucos livros na estante.” e) “Compramos o material ontem.”

Gabarito: b

Comentário: Em b, o verbo está na terceira pessoa do singular acompanhado do “se”, índice de indeterminação do sujeito. Em a, o sujeito é simples e está invertido (“os convidados atrasados”). Em c e d, temos orações sem sujeito, com fazer indicando tempo decorrido e haver com sentido de existir. Em e, o sujeito é desinencial, pois a desinência de “compramos” indica nós.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Leia o período:

“Não havia razões para tanto alarde, embora insistissem no contrário.”

Sobre os sujeitos das orações do período, é correto afirmar que:

a) ambas as orações têm sujeito indeterminado. b) a primeira tem sujeito simples e a segunda, sujeito oculto. c) a primeira é oração sem sujeito e a segunda tem sujeito indeterminado. d) a primeira tem sujeito indeterminado e a segunda, sujeito simples. e) ambas as orações são orações sem sujeito.

Gabarito: c

Comentário: Em “não havia razões”, o verbo haver está empregado com sentido de existir, o que caracteriza oração sem sujeito. “Razões” é objeto direto, não sujeito, motivo pelo qual o verbo permanece no singular. Já em “insistissem no contrário”, o verbo está na terceira pessoa do plural sem nome que determine o agente, configurando sujeito indeterminado.


Questão 3 (Estilo UERJ)

No trecho “Vendem-se apartamentos na região”, a análise sintática correta indica que:

a) o sujeito é indeterminado e o “se” é índice de indeterminação. b) o sujeito é “apartamentos” e o “se” é partícula apassivadora. c) trata-se de oração sem sujeito. d) o sujeito é desinencial, referente a eles. e) o “se” é pronome reflexivo e o sujeito é simples.

Gabarito: b

Comentário: O verbo está no plural concordando com “apartamentos”, o que revela que esse termo é o sujeito da oração, não um complemento. Trata-se de voz passiva sintética, equivalente a “apartamentos são vendidos na região”, e o “se” é partícula apassivadora. O teste é direto: se a frase pode ser reescrita na voz passiva analítica com o verbo ser, o “se” é apassivador e há sujeito. Se não pode, como em “precisa-se de engenheiros”, o “se” indetermina o sujeito e o verbo fica no singular.

Revisão rápida

  • Para achar o sujeito, olhe primeiro para o verbo e pergunte sobre quem ele informa.
  • Só substantivo e pronome funcionam como núcleo do sujeito, e o artigo indica onde ele está.
  • Sujeito simples tem um núcleo; composto tem dois ou mais; desinencial é identificado pela desinência verbal.
  • Indeterminado ocorre com verbo na terceira pessoa do plural ou na terceira do singular com o “se”.
  • Oração sem sujeito aparece com haver significando existir, fazer de tempo, fenômenos da natureza, ser e estar temporais e bastar e chegar de limite.
  • Se o verbo concorda no plural com o termo que vem depois do “se”, esse termo é sujeito e o “se” é partícula apassivadora.

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