Os conceitos de novilíngua e duplipensar, centrais em *1984*, relacionam-se, sobretudo, com:
a) o desenvolvimento tecnológico como forma exclusiva de progresso social.
b) o controle da linguagem e do pensamento como instrumentos de dominação, que restringem a própria capacidade de formular ideias contrárias ao regime.
c) a valorização da diversidade linguística promovida pelo Partido.
d) a defesa da liberdade de expressão como princípio fundamental do regime de Oceania.
e) uma crítica exclusiva a questões econômicas, sem relação com controle ideológico.
Gabarito: B
A novilíngua reduz o vocabulário disponível para dificultar a formulação de pensamentos contrários à ideologia oficial, enquanto o duplipensar permite sustentar crenças contraditórias sem conflito lógico. Juntos, os dois mecanismos evidenciam como o controle da linguagem e do próprio raciocínio funciona como instrumento central de dominação no regime totalitário retratado por Orwell.
O conceito de "crime de pensamento", apresentado na obra, pode ser utilizado como repertório para discutir, na redação, temas relacionados a:
a) a defesa da censura como prática socialmente positiva.
b) a liberdade de expressão e a pressão social que constrange posicionamentos contrários ao consenso vigente.
c) a valorização exclusiva do silêncio como estratégia política.
d) a ausência total de conflitos ideológicos na sociedade contemporânea.
e) a incentivo governamental à diversidade de opiniões.
Gabarito: B
Ao criminalizar o simples ato de pensar de forma divergente, a obra oferece repertório rico para discutir, na atualidade, situações em que a liberdade de expressão é cerceada e em que a pressão social intimida quem discorda publicamente de discursos dominantes, aproximando a ficção de debates contemporâneos sobre censura e polarização.
Sobre a lógica da guerra permanente descrita no suposto manual lido por Winston, é correto afirmar que:
a) seu objetivo é garantir a paz definitiva entre os três superestados.
b) funciona como mecanismo de controle social, mantendo a população em estado de alerta e sustentando a estrutura de poder do Partido.
c) representa uma crítica do Partido à própria guerra, defendendo seu fim imediato.
d) é irrelevante para a manutenção do regime totalitário retratado.
e) beneficia exclusivamente os cidadãos comuns de Oceania.
Gabarito: B
A guerra permanente contra um inimigo externo mantém a população em estado constante de medo e alerta, justifica o sacrifício individual em nome de um suposto bem coletivo e sustenta a estrutura piramidal de poder que organiza Oceania, funcionando como peça central da engenharia de controle social construída pelo Partido.
Assinale a alternativa em que todas as palavras são acentuadas pela mesma regra:
a) sábado, caráter, também
b) ônibus, álibi, médico
c) café, lápis, órfã
d) herói, ideia, voo
e) saúde, coco, júri
Gabarito: B
As três palavras da alternativa b são proparoxítonas, tendo a sílaba tônica na antepenúltima posição, e todas as proparoxítonas da língua portuguesa recebem acento. Na alternativa a, temos respectivamente proparoxítona, paroxítona terminada em R e oxítona terminada em EM. Na alternativa e, "coco" sequer é acentuada, pois é paroxítona terminada em vogal.
As palavras *rainha* e *moinho* não recebem acento porque:
a) não apresentam hiato em sua estrutura silábica.
b) o I não é tônico nessas palavras.
c) o I tônico em hiato é seguido de NH, o que constitui exceção à regra.
d) são paroxítonas terminadas em vogal.
e) o Acordo Ortográfico eliminou o acento nesses casos.
Gabarito: C
Nas duas palavras há hiato e o I é de fato tônico, o que afastaria as alternativas a e b e, pela regra geral, exigiria acento, como ocorre em "saída" e "egoísmo". A exceção específica determina que o I ou U tônico em hiato não recebe acento quando seguido de NH. A alternativa e é incorreta porque essa exceção é anterior ao Acordo Ortográfico.
Assinale a alternativa que apresenta erro de acentuação de acordo com a norma vigente:
a) ideia
b) heróico
c) herói
d) voo
e) assembleia
Gabarito: B
O Acordo Ortográfico eliminou o acento dos ditongos abertos EI e OI em palavras paroxítonas, motivo pelo qual "heroico" passou a ser escrito sem acento, assim como "ideia" e "assembleia". A regra, porém, não se aplica às oxítonas, e por isso "herói" mantém o acento, o que torna correta a alternativa c. A palavra "voo" perdeu o acento circunflexo do hiato OO pela mesma reforma.
Em *"Os alunos chegaram à escola muito cedo"*, os termos destacados classificam-se, respectivamente, como:
a) objeto indireto e adjunto adverbial
b) adjunto adverbial de lugar e adjunto adverbial de tempo
c) complemento nominal e predicativo
d) objeto direto e adjunto adnominal
e) adjunto adverbial de modo e objeto indireto
Gabarito: B
O verbo *chegar* é intransitivo e não pede complemento, o que já afasta as alternativas que classificam "à escola" como objeto. O termo indica o lugar da chegada, sendo adjunto adverbial de lugar, enquanto "muito cedo" indica o momento, sendo adjunto adverbial de tempo. O teste da retirada confirma: sem os dois termos, "os alunos chegaram" permanece uma oração completa.
Considere as ocorrências do verbo *ficar*: I. "O documento ficou sobre a mesa." II. "O documento ficou pronto." Os termos destacados são, respectivamente:
a) predicativo do sujeito e adjunto adverbial
b) adjunto adverbial de lugar e predicativo do sujeito
c) ambos adjuntos adverbiais
d) ambos predicativos do sujeito
e) objeto indireto e predicativo do objeto
Gabarito: B
Em I, "sobre a mesa" situa o documento no espaço e não lhe atribui qualidade, funcionando como adjunto adverbial de lugar, com o verbo intransitivo. Em II, *pronto* é adjetivo que caracteriza o núcleo do sujeito, o que torna *ficar* verbo de ligação e o termo, predicativo do sujeito. O mesmo verbo assume comportamentos distintos conforme a natureza do termo que o acompanha.
Sobre o emprego da vírgula em adjuntos adverbiais deslocados, é correto afirmar que:
a) a vírgula é sempre proibida, independentemente da extensão do termo.
b) a vírgula é obrigatória em adjuntos longos e facultativa em adjuntos curtos.
c) a vírgula é obrigatória em qualquer caso de deslocamento.
d) o adjunto adverbial não admite deslocamento na frase.
e) a vírgula só é usada quando o adjunto indica tempo.
Gabarito: B
O deslocamento do adjunto adverbial para o início do período rompe a ordem natural, e a vírgula sinaliza essa inversão. A norma culta torna a marcação obrigatória em adjuntos extensos, como locuções e expressões de várias palavras, e facultativa em adjuntos curtos, de uma ou duas palavras. Assim, tanto "Ontem cheguei tarde" quanto "Ontem, cheguei tarde" são aceitáveis.
Assinale a alternativa em que o emprego de *afim* ou *a fim* está correto:
a) "Os dois têm interesses a fins."
b) "Estudou bastante afim de ser aprovado."
c) "As disciplinas afins foram agrupadas no mesmo bloco."
d) "Trabalhou muito afim de comprar o carro."
e) "Encontrou pessoas a fins de suas ideias."
Gabarito: C
Em c, o adjetivo *afins* significa semelhantes ou correlatas, concordando em número com o substantivo *disciplinas*, e por isso se escreve junto. Nas alternativas b e d, o sentido é de finalidade, o que exige a locução separada "a fim de". Nas alternativas a e e, o sentido de semelhança exigiria a forma junta.
Na frase *"Reuniram-se a fim de discutir a proposta"*, a locução destacada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
a) porque
b) embora
c) para
d) enquanto
e) portanto
Gabarito: C
A locução "a fim de" expressa finalidade, indicando o objetivo que motivou a reunião, e admite substituição direta por *para*, que estabelece a mesma relação lógica. As demais alternativas alterariam o sentido do período, introduzindo respectivamente causa, concessão, tempo e conclusão, relações distintas daquela efetivamente estabelecida no enunciado.
O emprego da expressão *"estar a fim"*, com sentido de estar interessado, em uma redação de vestibular:
a) é adequado, pois a grafia separada está correta.
b) é inadequado por erro de grafia, que deveria ser junta.
c) é inadequado ao registro formal exigido pelo gênero, embora a grafia esteja correta.
d) é obrigatório para demonstrar domínio da variedade coloquial.
e) configura desvio de concordância nominal.
Gabarito: C
A grafia separada está de fato correta nesse emprego, o que afasta a alternativa b. O problema é de outra ordem: trata-se de expressão do registro coloquial, incompatível com a formalidade exigida pelo texto dissertativo-argumentativo. Em uma redação, o adequado seria recorrer a formulações como "pretende", "tem interesse em" ou "deseja".
Em *"O relatório foi assinado pelo diretor na segunda-feira"*, os termos destacados são, respectivamente:
a) adjunto adverbial e agente da passiva
b) agente da passiva e adjunto adverbial de tempo
c) sujeito e objeto indireto
d) objeto indireto e adjunto adnominal
e) agente da passiva e complemento nominal
Gabarito: B
O teste consiste em transpor para a voz ativa: "O diretor assinou o relatório na segunda-feira". O primeiro termo torna-se sujeito, o que confirma tratar-se de agente da passiva. O segundo permanece indicando circunstância de tempo, sem converter-se em sujeito, o que o caracteriza como adjunto adverbial. Ambos vêm preposicionados, e é por isso que o teste da transposição é necessário.
Um texto jornalístico afirma: *"Foram cometidos erros na condução do processo."* A escolha por essa construção produz o efeito de:
a) enfatizar a responsabilidade dos envolvidos.
b) apagar o agente da ação, tornando indeterminado quem cometeu os erros.
c) indicar que os erros não ocorreram de fato.
d) atribuir os erros ao próprio processo.
e) caracterizar a construção como agramatical.
Gabarito: B
A construção está na voz passiva analítica e omite o agente, o que é gramaticalmente correto e, por isso, afasta a alternativa e. O efeito da omissão é justamente o inverso do descrito em a: os erros são reconhecidos, mas quem os cometeu permanece invisível. Trata-se de recurso frequente em comunicados institucionais, por permitir admitir a falha sem atribuir responsabilidade.
Na frase *"A cantora era admirada de todos"*, o termo destacado:
a) é adjunto adverbial de companhia.
b) é agente da passiva, introduzido pela preposição *de*.
c) é objeto indireto do verbo *admirar*.
d) é complemento nominal do adjetivo *admirada*.
e) configura desvio de regência, pois o correto seria *por todos*.
Gabarito: B
Embora *por* seja a preposição predominante, o agente da passiva também admite *de*, construção que ocorre sobretudo com verbos que expressam sentimento, como *admirar*, *amar*, *temer* e *conhecer*. A transposição para a voz ativa confirma a análise: "Todos admiravam a cantora". A alternativa e é incorreta, pois a construção é plenamente aceita pela norma culta e tem registro literário consagrado.
O acontecimento que desencadeia a crise vivida por Ana no conto *Amor* é:
a) uma discussão familiar grave em seu jantar.
b) a visão de um cego mascando chicletes dentro do bonde.
c) uma notícia trágica recebida por carta.
d) um acidente automobilístico presenciado por ela.
e) uma conversa com o marido sobre o futuro do casamento.
Gabarito: B
A cena do cego, aparentemente banal e que passaria despercebida para a maioria das pessoas, provoca em Ana um impacto desproporcional, levando-a a deixar cair os ovos que carregava e a perder o ponto do bonde. É esse instante trivial que desencadeia a epifania central do conto, característica recorrente na obra de Clarice Lispector.
A técnica narrativa do fluxo de consciência, empregada por Clarice Lispector, caracteriza-se por:
a) apresentar os fatos em ordem cronológica rigorosa e objetiva.
b) tentar reproduzir o pensamento da personagem, com raciocínio lógico entremeado por impressões e associações momentâneas.
c) eliminar completamente a subjetividade da narrativa.
d) narrar exclusivamente diálogos entre personagens.
e) empregar linguagem denotativa e impessoal, típica de textos jornalísticos.
Gabarito: B
O fluxo de consciência busca simular o funcionamento real do pensamento, que não segue uma lógica linear e organizada, misturando raciocínio com sensações e associações de ideias momentâneas. Essa técnica exige do leitor uma atenção mais lenta e cuidadosa, características que tornam a leitura de Clarice Lispector particularmente desafiadora e recompensadora.
A epifania vivida por Ana no Jardim Botânico pode ser interpretada como:
a) um momento de distração sem qualquer relevância para a narrativa.
b) uma ruptura na estabilidade e na ordem doméstica em que Ana vivia, revelando sua fragilidade existencial.
c) uma crítica direta e panfletária ao casamento como instituição.
d) um episódio isolado sem qualquer conexão com o restante da vida de Ana.
e) uma comprovação de que Ana estava plenamente satisfeita com sua rotina.
Gabarito: B
A epifania rompe a segurança da vida doméstica ordenada de Ana, expondo, ainda que sem explicação direta no texto, a fragilidade e talvez a artificialidade dessa estabilidade. O conto não faz uma crítica explícita ou panfletária, o que descarta a alternativa c: a construção é sutil, deixando ao leitor o trabalho de interpretar o que exatamente mudou em Ana após o episódio.
Leia a frase abaixo: *"Os alunos dedicados passaram em todas as provas."* Qual é o sujeito da oração?
a) "dedicados"
b) "todas as provas"
c) "Os alunos dedicados"
d) "passaram em todas as provas"
e) "em todas as provas"
Gabarito: C
O sujeito é o termo sobre o qual recai a afirmação do predicado. Perguntando "quem passou em todas as provas?", a resposta é "os alunos dedicados", incluindo o adjunto adnominal "dedicados", que integra o núcleo do sujeito. A alternativa d é o predicado completo. A alternativa e é apenas o adjunto adverbial. A alternativa a é um adjetivo que modifica o núcleo do sujeito, mas não é o sujeito por si só.
Analise o trecho: *"Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, recebe turistas o ano todo."* O termo "cidade maravilhosa" exerce a função de:
a) Sujeito
b) Predicativo do sujeito
c) Adjunto adnominal
d) Aposto
e) Complemento nominal
Gabarito: D
"Cidade maravilhosa" explica e caracteriza o termo anterior "Rio de Janeiro", estando isolado por vírgulas. Essa é a função clássica do aposto explicativo: retomar um termo já mencionado para acrescentar uma qualificação. Não se trata de predicativo, porque não há verbo de ligação conectando os dois termos. Não é adjunto adnominal, porque o aposto tem autonomia sintática maior e é separado por vírgulas. Questões assim exigem atenção ao isolamento por vírgulas como pista estrutural.
O foco narrativo em primeira pessoa do conto "Meu Tio", conduzido pela perspectiva de uma criança, tem como efeito:
a) garantir ao leitor acesso total e objetivo aos fatos narrados.
b) limitar a informação disponível às hipóteses e suposições da narradora, exigindo que o leitor distinga percepção infantil de realidade dos fatos.
c) eliminar qualquer ambiguidade da narrativa.
d) tornar o conto incompreensível sem narrador onisciente.
e) indicar que a narradora sempre compreende corretamente as situações que presencia.
Gabarito: B
Como narradora personagem, a menina relata apenas o que percebe e supõe sobre as ações e sentimentos dos adultos ao seu redor, sem garantia de que suas interpretações correspondam à realidade completa dos fatos. Essa limitação de perspectiva exige do leitor atenção ao que fica subentendido no texto, distinguindo a leitura infantil da situação do que pode estar de fato ocorrendo entre os personagens adultos.
A referência a Clarice Lispector no conto "Para Clarice com Candura" constitui um exemplo de:
a) coincidência sem qualquer intenção do autor.
b) intertextualidade, que situa a narrativa em diálogo com a autora e o período histórico e literário evocado.
c) plágio da obra de Clarice Lispector.
d) crítica direta e hostil à escritora.
e) recurso irrelevante para a interpretação do conto.
Gabarito: B
Ao nomear uma personagem como Clarice e situar a narrativa nas décadas de 1960 e 1970, período de intensa produção da escritora, o conto estabelece diálogo intertextual que enriquece a leitura para quem reconhece essa referência, ancorando a narrativa em um contexto cultural e literário específico da época evocada.
O conto que dá título à coletânea, "Anos de Chumbo", posicionado como último texto do livro, sugere em seu próprio nome:
a) uma referência exclusivamente meteorológica, sem dimensão histórica.
b) um diálogo com o período de repressão da ditadura militar brasileira, associado historicamente à expressão "anos de chumbo".
c) ausência total de relação com o contexto histórico brasileiro.
d) uma comédia leve sem qualquer reflexão política.
e) uma crítica exclusiva à literatura contemporânea, sem relação histórica.
Gabarito: B
A expressão "anos de chumbo" é historicamente associada a períodos de repressão política e censura, sobretudo ao contexto da ditadura militar brasileira. Ao emprestar esse título tanto ao conto final quanto à coletânea inteira, Chico Buarque sinaliza uma camada de reflexão histórica e política que atravessa, de forma mais ou menos explícita, o conjunto dos oito contos do livro.
A decisão de Silvestre Vitalício de migrar para o interior de Moçambique, na contramão do movimento da população em direção às cidades, pode ser lida como uma inversão do ideal característico de qual escola literária?
a) Realismo
b) Arcadismo
c) Naturalismo
d) Simbolismo
e) Parnasianismo
Gabarito: B
O Arcadismo idealiza a fuga da cidade corrompida em direção ao campo, espaço de paz e simplicidade. No romance de Mia Couto, porém, é o campo que abriga o conflito armado, e a fuga da população se dá em direção à cidade. Silvestre inverte essa lógica ao migrar para o interior, o que subverte o ideal arcádico clássico de refúgio pastoral, criando um contraponto irônico com a tradição literária.
A presença de poemas de autoria feminina abrindo cada capítulo do primeiro livro, em contraste com a misoginia expressa por Silvestre Vitalício ao longo da narrativa, constitui:
a) mero recurso decorativo, sem função interpretativa.
b) contraste estrutural que reforça a crítica à visão pejorativa do patriarca em relação às mulheres.
c) elemento que anula qualquer leitura crítica sobre gênero na obra.
d) prova de que o narrador compartilha da visão dos poemas.
e) recurso irrelevante para a compreensão do enredo.
Gabarito: B
A escolha de abrir cada capítulo com vozes femininas em poesia, justapostas ao conteúdo em que Silvestre trata as mulheres de forma pejorativa, cria um contraste deliberado que amplia a crítica social presente na obra. Esse recurso estrutural convida o leitor a perceber a tensão entre a voz poética feminina e a autoridade misógina do narrador central da trama.
Sobre a negação do passado por Silvestre Vitalício, é correto afirmar que ela se diferencia da idealização romântica do passado porque:
a) Silvestre também idealiza o passado, tal como os autores românticos.
b) o Romantismo nega o passado, assim como Silvestre.
c) enquanto o Romantismo idealiza o passado como refúgio, Silvestre nega ativamente qualquer memória de sua própria história.
d) não há qualquer relação entre a postura de Silvestre e o Romantismo.
e) Silvestre e o Romantismo compartilham exatamente a mesma relação com o tempo.
Gabarito: C
O Romantismo tradicionalmente idealiza o passado como tempo pleno e refúgio diante de um presente insatisfatório. Silvestre Vitalício, ao contrário, rejeita ativamente qualquer lembrança de sua vida anterior, numa negação radical da própria história, o que constrói um contraste interessante com a tradição literária romântica, e não uma simples repetição dela.
Na frase *"Doutor, o paciente do quarto 12 piorou"*, o termo destacado é:
a) aposto explicativo
b) vocativo
c) sujeito
d) adjunto adnominal
e) aposto especificativo
Gabarito: B
O termo é usado para chamar o interlocutor a quem a informação se dirige, e não para explicar outro nome do enunciado. Trata-se, portanto, de vocativo. O teste da interjeição confirma: "Ó doutor, o paciente piorou" mantém-se natural. Fosse aposto, o termo estaria retomando e esclarecendo algum substantivo previamente mencionado.
Assinale a alternativa em que há aposto especificativo:
a) "Brasília, capital do país, foi planejada."
b) "A cidade de Ouro Preto atrai turistas."
c) "Trouxe tudo: livros, cadernos e canetas."
d) "Meninos, prestem atenção na aula."
e) "Seus olhos, duas jabuticabas, encantavam."
Gabarito: B
O aposto especificativo é o único que dispensa pontuação, e nele os dois termos designam a mesma entidade: Ouro Preto é a cidade, e não algo que a ela pertence. Em a há aposto explicativo, em c enumerativo e em e comparativo, todos com pontuação. A alternativa d apresenta vocativo, termo de chamamento e não de explicação.
No período *"O ministro, homem de poucas palavras, encerrou a coletiva sem responder"*, o aposto:
a) apenas identifica o cargo ocupado pelo ministro.
b) caracteriza o ministro e, no contexto, reforça a leitura do encerramento abrupto.
c) exerce função de sujeito da oração.
d) poderia ser retirado sem qualquer alteração de sentido.
e) constitui vocativo, pois interpela o leitor.
Gabarito: B
O aposto explicativo não se limita a identificar: ao descrever o ministro como homem de poucas palavras, ele antecipa e justifica o comportamento relatado na sequência. Sua retirada preservaria a gramaticalidade do período, mas eliminaria essa articulação de sentido, o que torna a alternativa d imprecisa. É justamente esse efeito interpretativo que a banca costuma cobrar.
A expressão *fugere urbem*, característica do Arcadismo, refere-se:
a) ao aproveitamento do momento presente diante da brevidade da vida.
b) à fuga da cidade em direção ao campo, visto como espaço de pureza.
c) ao corte de todo elemento supérfluo no poema.
d) ao elogio da vida equilibrada e sem excessos.
e) à retomada da mitologia greco-latina.
Gabarito: B
*Fugere urbem* significa literalmente fugir da cidade, movimento central da poesia árcade, que opõe a corrupção e o artifício urbanos à pureza do ambiente campestre. As demais alternativas descrevem outros ideais do mesmo movimento: *carpe diem* em a, *inutilia truncat* em c e *aurea mediocritas* em d, todos legítimos, mas correspondentes a expressões distintas.
O Arcadismo brasileiro é indissociável de um episódio histórico específico, a saber:
a) a Independência do Brasil
b) a Proclamação da República
c) a Inconfidência Mineira
d) a Revolução Pernambucana
e) a Abolição da Escravatura
Gabarito: C
O Arcadismo brasileiro se desenvolve no século XVIII sob influência do pensamento iluminista, o mesmo que inspirou a Inconfidência Mineira. A ligação não é apenas temporal: poetas árcades como Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa participaram diretamente do movimento inconfidente. A Independência, mencionada em a, associa-se ao Romantismo, escola do século seguinte.
Sobre a relação entre Barroco e Arcadismo, é correto afirmar que:
a) o Arcadismo aprofunda o rebuscamento formal característico do Barroco.
b) o Arcadismo mantém a religiosidade católica como eixo temático.
c) o Arcadismo rompe com o Barroco ao adotar linguagem simples, equilíbrio e referências à mitologia pagã.
d) as duas escolas são contemporâneas e compartilham os mesmos ideais estéticos.
e) o Barroco sucede o Arcadismo na literatura brasileira.
Gabarito: C
O Arcadismo se define largamente por oposição ao Barroco: substitui o rebuscamento pela clareza, o dualismo angustiado pela serenidade e a religiosidade católica pela mitologia greco-latina. A alternativa e inverte a cronologia, pois o Barroco é do século XVII e o Arcadismo, do XVIII. Vale registrar que o barroco arquitetônico mineiro é contemporâneo do Arcadismo literário, o que costuma gerar confusão.
Uma campanha de doação exibe imagens de crianças em situação de fome, acompanhadas de música melancólica. A principal estratégia de convencimento empregada é:
a) argumento de autoridade
b) comoção
c) intimidação
d) raciocínio lógico
e) argumento por evidência
Gabarito: B
A campanha não apresenta dados nem constrói raciocínio lógico sobre insegurança alimentar: ela mobiliza a compaixão do espectador por meio de recursos visuais e sonoros que provocam resposta emocional. Trata-se de comoção, estratégia persuasiva por excelência. As alternativas d e e descreveriam uma abordagem argumentativa, apoiada em razão e evidência, que não é a adotada.
Leia as afirmações: I. "A taxa de evasão no ensino médio cresceu nos últimos períodos." II. "A evasão escolar é o problema mais grave da educação brasileira." Sobre as afirmações, é correto dizer que:
a) I e II são fatos.
b) I e II são opiniões.
c) I é fato e II é opinião.
d) I é opinião e II é fato.
e) I é tese e II é fato.
Gabarito: C
A afirmação I enuncia um acontecimento verificável por meio de dados, o que a caracteriza como fato, independentemente de o número ser ou não fornecido. A afirmação II hierarquiza problemas educacionais, e essa hierarquização depende de critérios de valor: trata-se de avaliação pessoal, portanto opinião. Se fosse sustentada por argumentos ao longo de um texto, passaria a funcionar como tese.
Um candidato insere em sua redação a frase *"Como dizia o filósofo, o homem é o lobo do homem"*, sem relacioná-la ao raciocínio desenvolvido no parágrafo. Essa ocorrência caracteriza:
a) argumento de autoridade bem empregado, pois recorre a pensador consagrado.
b) argumento de exemplificação.
c) uso inadequado do argumento de autoridade, que não sustenta a tese defendida.
d) estratégia de comoção.
e) raciocínio lógico dedutivo.
Gabarito: C
O argumento de autoridade só cumpre função quando a voz invocada dialoga com a tese e reforça o raciocínio em curso. Aqui a citação aparece isolada, sem articulação com o que se argumenta, e ainda com atribuição imprecisa ao autor. O resultado é um enunciado decorativo que não sustenta nada. Em bancas que avaliam marcas de autoria, esse tipo de inserção evidencia repertório decorado em vez de conhecimento incorporado.
O uso do humor, da ironia e do sarcasmo nas crônicas de Luís Fernando Veríssimo cumpre principalmente a função de:
a) tornar os textos apenas leves e sem qualquer intenção crítica.
b) funcionar como instrumento de observação e crítica das contradições e mazelas da sociedade cotidiana.
c) eliminar qualquer possibilidade de reflexão social por parte do leitor.
d) afastar o autor de qualquer relação com o cotidiano brasileiro.
e) tornar as crônicas incompreensíveis para o público em geral.
Gabarito: B
O humor em Veríssimo não é apenas recurso de entretenimento, mas ferramenta central de observação crítica: ao rir das mazelas sociais, sejam elas relacionadas a homens, mulheres, casados ou solteiros, o autor expõe contradições do comportamento humano que uma abordagem inteiramente séria dificilmente alcançaria com a mesma eficácia.
Na crônica "A Verdade", a mentira inicial da donzela sobre o roubo do anel desencadeia:
a) a resolução rápida e pacífica do conflito familiar.
b) uma sequência de consequências trágicas, já que a mentira original exige novas mentiras para se sustentar, ampliando progressivamente o dano provocado.
c) a total indiferença do pai e dos irmãos da moça.
d) a incapacidade do leitor de compreender qualquer desfecho para a história.
e) a valorização da sinceridade como princípio absoluto de todos os personagens.
Gabarito: B
A crônica constrói, em estrutura de fábula, o efeito bola de neve da mentira: para sustentar a primeira invenção, a donzela precisa inventar novos elementos, levando à morte de inocentes, até que a verdade emerge de forma trágica e tardia, ilustrando como mentiras contadas para evitar pequenos constrangimentos podem gerar consequências desproporcionalmente graves.
A crônica "Lar Desfeito", ao narrar a inveja de Vera pela amizade conturbada de Nora com os pais, constrói uma crítica a:
a) a valorização excessiva da estabilidade e harmonia nos relacionamentos familiares contemporâneos.
b) a tendência de romantizar o conflito e a instabilidade como sinônimos de intensidade emocional, em detrimento da harmonia genuína.
c) a incapacidade total dos jovens de estabelecer qualquer relação afetiva significativa.
d) a defesa explícita do divórcio como solução para todos os conflitos familiares.
e) a ausência completa de crítica social na crônica.
Gabarito: B
Ao construir a inveja de Vera por uma amiga cujos pais vivem em conflito, a crônica ironiza a tendência contemporânea de associar drama e instabilidade a uma vida emocional mais interessante, sugerindo, pelo contrário, que a harmonia duradoura de José e Maria é a verdadeira exceção, incompreendida por quem nunca a vivenciou de perto.
O conflito que estrutura a estética barroca é o embate entre:
a) racionalismo iluminista e sentimentalismo romântico.
b) teocentrismo da Contrarreforma e antropocentrismo renascentista.
c) nacionalismo e cosmopolitismo.
d) determinismo científico e livre-arbítrio.
e) classicismo e vanguardismo.
Gabarito: B
O Barroco surge no momento em que a Contrarreforma reage ao Renascimento, recolocando Deus no centro depois de o Humanismo ter colocado o homem nessa posição. O homem barroco vive dividido entre o desejo terreno e o temor da condenação, e esse dualismo se traduz em antíteses e paradoxos. As alternativas a e d referem-se a conflitos de períodos posteriores.
A diferença entre cultismo e conceptismo pode ser assim caracterizada:
a) o cultismo é jogo de ideias e o conceptismo, jogo de palavras.
b) o cultismo predomina na prosa e o conceptismo, na poesia.
c) o cultismo é jogo de palavras, com excesso de figuras, e o conceptismo é jogo de ideias, com encadeamento lógico.
d) o cultismo caracteriza o Barroco e o conceptismo, o Arcadismo.
e) ambos são sinônimos, referindo-se ao mesmo recurso estilístico.
Gabarito: C
O cultismo, derivado de Góngora, investe na sofisticação formal, com metáforas complexas, inversões sintáticas e elaboração sonora, predominando na poesia. O conceptismo, derivado de Quevedo, organiza-se pela argumentação rigorosa e pelo raciocínio encadeado, predominando na prosa, sobretudo nos sermões. A alternativa a inverte exatamente as definições.
Sobre a localização histórica e geográfica do Barroco brasileiro, é correto afirmar que:
a) o Barroco literário desenvolveu-se em Minas Gerais no século XVIII, ligado ao ciclo do ouro.
b) o Barroco literário é do século XVII, com produção associada a Salvador, então capital do país.
c) Barroco literário e barroco arquitetônico mineiro são fenômenos do mesmo período.
d) o Barroco brasileiro inicia-se com a obra de Gregório de Matos, no século XVIII.
e) não houve produção barroca no Brasil, apenas em Portugal.
Gabarito: B
O Barroco literário brasileiro pertence ao século XVII, período em que Salvador era a capital e concentrava a produção cultural. A confusão descrita na alternativa a é frequente: o barroco mineiro, com suas igrejas e a obra do Aleijadinho, é do século XVIII e constitui fenômeno principalmente arquitetônico e escultórico. Na literatura, o século XVIII brasileiro corresponde ao Arcadismo.
Assinale a alternativa em que o emprego de *bastante* está de acordo com a norma culta:
a) "Elas estão bastantes cansadas após o treino."
b) "Havia bastante motivos para a reclamação."
c) "Ela correu bastantes rápido na prova."
d) "Existiam bastantes vagas disponíveis no curso."
e) "Ele ficou bastantes irritado com a demora."
Gabarito: D
Em d, *bastantes* funciona como pronome indefinido equivalente a "muitas" e concorda corretamente com o substantivo "vagas". Nas demais alternativas, a palavra modifica adjetivo ou verbo, funcionando como advérbio invariável equivalente a "muito", e por isso não deveria receber a flexão de plural: "bastante cansadas", "bastante irritado".
Na frase *"Os motivos para a decisão eram bastante"*, a forma correta seria:
a) manter "bastante", pois o termo é sempre invariável.
b) usar "bastantes", pois a palavra funciona como pronome e concorda com "motivos".
c) usar "bastantemente", forma mais adequada à norma culta.
d) substituir por "muita", mantendo o singular.
e) eliminar a palavra, pois é redundante.
Gabarito: B
A palavra acompanha o substantivo "motivos", equivalendo a "muitos motivos", o que caracteriza pronome indefinido e exige concordância em número: "os motivos eram bastantes". A alternativa a generaliza incorretamente a invariabilidade, que se aplica apenas ao uso adverbial da palavra.
Sobre a dupla função de *bastante*, é correto afirmar que:
a) a palavra é sempre invariável, independentemente do contexto.
b) a palavra é sempre variável, concordando com o termo mais próximo.
c) funciona como pronome, variável, quando acompanha substantivo, e como advérbio, invariável, quando modifica verbo, adjetivo ou advérbio.
d) só admite a forma no plural em textos formais.
e) constitui erro de português em qualquer emprego no plural.
Gabarito: C
O comportamento de *bastante* depende exclusivamente da função sintática que exerce na frase. Como pronome indefinido, ao lado de substantivo, equivale a "muitos" e concorda em número. Como advérbio, modificando verbo, adjetivo ou outro advérbio, equivale a "muito" e permanece invariável. Reconhecer essa dupla natureza é o que evita o erro de concordância.
O recurso narrativo central que estrutura *Caim*, de José Saramago, é:
a) a narração linear e cronológica dos episódios bíblicos.
b) a capacidade do protagonista de viajar livremente pelo tempo, testemunhando episódios do Antigo Testamento fora de ordem cronológica.
c) a ausência total de referências bíblicas na obra.
d) um narrador onisciente que nunca interage com os episódios narrados.
e) uma estrutura epistolar, composta por cartas entre personagens bíblicos.
Gabarito: B
A viagem errática de Caim pelo tempo bíblico é o que permite ao romance justapor diferentes episódios do Antigo Testamento, muitas vezes gerando confusões cronológicas para o próprio protagonista, como o reencontro com um Abraão anterior ao que já conhecera. Esse recurso estrutural sustenta o projeto crítico da obra, ao acumular episódios de violência e arbitrariedade divina ao longo da narrativa.
A explicação divina para a morte de trinta e seis soldados israelitas na tomada de Jericó, descrita como "lição pedagógica" por terem se apropriado de despojos que pertenceriam a Deus, ilustra:
a) a benevolência incondicional de Deus para com o povo israelita.
b) a crítica de Saramago à arbitrariedade e à crueldade atribuídas às ações divinas no relato bíblico.
c) uma defesa da guerra como instrumento pedagógico legítimo.
d) a ausência de qualquer conflito moral na obra.
e) a exaltação do heroísmo militar de Josué.
Gabarito: B
Ao apresentar a morte de soldados como punição pedagógica por uma falta relativamente menor, a narrativa evidencia o projeto crítico de Saramago de questionar a proporcionalidade e a justiça das ações atribuídas a Deus nos relatos bíblicos, construindo um painel acumulativo de episódios que expõem essa crueldade como arbitrária.
A reação de indignação de Caim diante da aposta entre Deus e Satã envolvendo o sofrimento de Jó resume:
a) a aceitação plena, por parte de Caim, da autoridade divina em qualquer circunstância.
b) o projeto crítico central da obra, que questiona a legitimidade moral de um poder divino que trata vidas humanas como objeto de capricho.
c) um episódio isolado sem relação com o restante da narrativa.
d) a defesa, por Saramago, da tradição bíblica sem qualquer reinterpretação.
e) a total indiferença de Caim perante o sofrimento alheio.
Gabarito: B
Ao reagir com indignação à aposta que trata a vida e os bens de Jó como mero objeto de teste entre Deus e Satã, Caim expressa a crítica central que sustenta toda a obra: a denúncia de uma divindade que age de forma arbitrária e cruel, características que Saramago acumula ao longo dos diversos episódios reescritos ao longo do romance.
Assinale a alternativa em que as três palavras estão grafadas corretamente:
a) A sessão de compras incluiu a cessão do imóvel e a seção de brinquedos.
b) A cessão de compras incluiu a sessão do imóvel e a seção de brinquedos.
c) A seção de compras incluiu a cessão do imóvel e a sessão de brinquedos.
d) A sessão de compras incluiu a seção do imóvel e a cessão de brinquedos.
e) A cessão de compras incluiu a seção do imóvel e a sessão de brinquedos.
Gabarito: A
"Sessão de compras" indica um período dedicado à atividade, o que exige a forma com dois esses. "Cessão do imóvel" refere-se à transferência de posse, exigindo a forma com ç derivada de ceder. "Seção de brinquedos" indica um setor dentro de um espaço maior, exigindo a forma mais curta. Cada contexto ativa um sentido distinto, e apenas a alternativa a atende aos três simultaneamente.
Na frase *"A empresa aprovou a ___ dos direitos autorais da obra"*, a forma correta a preencher a lacuna é:
a) sessão
b) seção
c) cessão
d) secção apenas em Portugal
e) qualquer uma das três formas
Gabarito: C
O contexto indica transferência de direitos, sentido diretamente associado ao verbo *ceder*, o que exige a forma "cessão". As alternativas a e b corresponderiam a sentidos distintos, de período de tempo e de divisão, respectivamente, incompatíveis com a ideia de transferência presente no enunciado.
Sobre as palavras *sessão* e *seção*, é correto afirmar que:
a) são grafias alternativas da mesma palavra, sem distinção de sentido.
b) sessão indica período de tempo determinado, enquanto seção indica divisão ou setor.
c) sessão é a forma preferencial no Brasil e seção, em Portugal.
d) apenas seção admite uso no plural.
e) sessão deriva do verbo ceder, tal como cessão.
Gabarito: B
As duas palavras têm sentidos distintos e não são intercambiáveis: sessão refere-se a um intervalo com começo e fim, como uma sessão de cinema ou de terapia, enquanto seção designa uma parte ou setor de um conjunto maior, como a seção de frios do supermercado. A alternativa e é incorreta, pois é a palavra *cessão*, não *sessão*, que deriva do verbo ceder.
A principal diferença entre charge e tirinha está no fato de que:
a) a charge é sempre colorida e a tirinha, em preto e branco.
b) a charge critica um fato específico da atualidade, enquanto a tirinha trata de temas mais atemporais ou comportamentais.
c) a tirinha usa balões e a charge, não.
d) apenas a tirinha apresenta humor.
e) a charge é narrativa e a tirinha, descritiva.
Gabarito: B
A charge nasce do noticiário e comenta um acontecimento datado, o que a torna dependente do contexto em que foi publicada. A tirinha, ao contrário, trabalha com personagens fixos e temas de comportamento, o que explica sua permanência ao longo de décadas. As alternativas a e c descrevem aspectos formais que variam em ambos os gêneros e não servem como critério de distinção.
Em uma tirinha, a personagem afirma estar tranquila, enquanto o desenho a mostra suando, com as mãos trêmulas e olhos arregalados. Esse recurso caracteriza:
a) redundância entre texto e imagem.
b) contradição entre verbal e visual, produzindo ironia.
c) metalinguagem.
d) intertextualidade com outra obra.
e) ausência de relação entre os códigos.
Gabarito: B
A fala e a imagem apontam para sentidos opostos: uma afirma tranquilidade, a outra evidencia nervosismo. Essa contradição deliberada entre os dois códigos produz ironia, pois o leitor percebe que o dito não corresponde ao mostrado. Em textos multimodais, esse é um dos recursos mais explorados, e reconhecê-lo costuma ser a chave para responder à questão.
Ao interpretar uma charge publicada na imprensa, é fundamental considerar:
a) apenas o texto verbal presente nos balões.
b) exclusivamente os traços do desenho.
c) o fato da atualidade a que a charge se refere, além da relação entre verbal e visual.
d) a biografia do chargista.
e) o número de quadros utilizados.
Gabarito: C
A charge é gênero de circulação jornalística que comenta criticamente um acontecimento específico, e sem o reconhecimento desse acontecimento a leitura permanece incompleta. A interpretação exige, portanto, articular três camadas: o contexto do fato comentado, o texto verbal e os elementos visuais. As alternativas a e b isolam indevidamente um dos códigos de um gênero definido pela integração entre eles.
O retorno aos modelos estéticos da Antiguidade greco-romana, com valorização da razão e do equilíbrio formal, caracteriza a escola literária conhecida como:
a) Barroco
b) Classicismo
c) Arcadismo
d) Romantismo
e) Realismo
Gabarito: B
O Classicismo corresponde ao movimento renascentista em Portugal, e sua marca definidora é justamente o retorno consciente à mitologia e à estética clássicas, associado à busca de mensura e equilíbrio formal. O Barroco, mencionado em a, sucede o Classicismo e se caracteriza pelo conflito e pelo rebuscamento, exatamente o oposto do ideal de contenção classicista.
Sobre a poesia lírica de Camões, é correto afirmar que:
a) rejeita completamente qualquer recurso que antecipe o Barroco.
b) já emprega antítese e paradoxo na tentativa de captar as contradições do sentimento amoroso.
c) trata exclusivamente de temas religiosos católicos.
d) abandona a forma do soneto em favor do verso livre.
e) não apresenta qualquer influência da mitologia clássica.
Gabarito: B
Versos como "amor é fogo que arde sem se ver" e "é ferida que dói e não se sente" já mobilizam antítese e paradoxo para expressar a contradição da experiência amorosa, recursos que se tornarão centrais no Barroco. É por essa razão que Camões costuma ser descrito como figura de transição, classicista na forma e já barroco em certos procedimentos.
A estrutura de *Os Lusíadas* segue o modelo clássico da epopeia, que inclui:
a) apenas a narração dos feitos históricos, sem elementos convencionais do gênero.
b) invocação às Musas, proposição do tema, dedicatória e narração.
c) estrutura em cantigas de amor e de amigo.
d) divisão em cultismo e conceptismo.
e) ausência de qualquer referência mitológica.
Gabarito: B
A epopeia clássica segue uma estrutura convencional que Camões respeita: a invocação pede inspiração às Musas, a proposição anuncia o assunto a ser cantado, a dedicatória se dirige ao rei Dom Sebastião, e a narração desenvolve os feitos da viagem de Vasco da Gama, entremeados por episódios mitológicos que dialogam com a tradição greco-romana.
Considera-se catáfora o mecanismo pelo qual um termo antecipa informação que será apresentada adiante. Assinale a alternativa em que ocorre catáfora:
a) "Comprei um livro. Ele estava em promoção."
b) "A cidade que visitei era pequena."
c) "Só peço isto: que me escutem."
d) "Pedro chegou tarde. O rapaz estava exausto."
e) "Ela desistiu, e a desistência surpreendeu a todos."
Gabarito: C
Em c, o pronome *isto* não recupera nenhum termo anterior: ele anuncia o pedido que vem logo depois dos dois pontos, caracterizando catáfora. Nas demais alternativas há anáfora, com retomada de termos já mencionados por pronome pessoal em a, pronome relativo em b, hiperônimo em d e nominalização em e.
No período *"O projeto foi aprovado; entretanto, sua execução depende de verba"*, o conectivo destacado estabelece relação de:
a) conclusão
b) oposição
c) causa
d) finalidade
e) explicação
Gabarito: B
O conectivo *entretanto* introduz uma quebra de expectativa: a aprovação sugeriria que o projeto seguisse adiante, mas a dependência de verba contraria essa previsão. Trata-se de relação de oposição, equivalente a *mas*, *porém*, *contudo* e *todavia*. A alternativa a seria adequada a conectivos como *portanto* e *logo*, que apresentariam a segunda oração como resultado da primeira, e não como contraste.
Sobre a relação entre coesão e coerência, é correto afirmar que:
a) são sinônimos, pois ambas garantem a unidade do texto.
b) a coesão opera no nível do sentido e a coerência, no nível dos elos linguísticos.
c) um texto coeso é necessariamente coerente.
d) a coesão opera nos elos linguísticos de superfície e a coerência, no nível do sentido global.
e) a coerência só existe quando há conectivos explícitos no texto.
Gabarito: D
A coesão se manifesta em elementos visíveis na superfície do texto, como pronomes e conectivos, enquanto a coerência diz respeito à lógica interna que sustenta o sentido do conjunto. A alternativa c é a distratora mais forte, e é falsa: o período "Choveu muito, portanto o bolo estava saboroso" apresenta conectivo corretamente empregado do ponto de vista formal, mas a relação de consequência não se sustenta, o que revela coesão sem coerência.
Assinale a alternativa em que a colocação pronominal está de acordo com a norma culta:
a) "Me disseram que a prova foi adiada."
b) "Não disseram-me que a prova foi adiada."
c) "Ninguém me avisou sobre a mudança."
d) "Quando chamarem-me, eu irei."
e) "Tudo resolveu-se rapidamente."
Gabarito: C
Em c, o pronome indefinido *ninguém* funciona como palavra atrativa e exige próclise, o que foi corretamente observado. Em a, o pronome inicia a oração, o que a norma culta não admite. Em b, d e e, há palavras atrativas antes do verbo, respectivamente a negação *não*, a conjunção *quando* e o indefinido *tudo*, todas exigindo próclise em lugar da ênclise empregada.
A mesóclise exige verbo no futuro do presente ou do pretérito e ausência de palavra atrativa antes dele, condições atendidas apenas em b. Nas alternativas a, c e e, há atratores, respectivamente a negação, a conjunção e o pronome indefinido, que impõem próclise. Em d, o advérbio "ontem" também atrai o pronome, além de o tempo verbal ser incompatível com a referência temporal.
Sobre a construção "Me empresta a caneta", frequente na fala dos brasileiros, é correto afirmar que:
a) constitui erro de comunicação, pois compromete o entendimento.
b) é inadequada ao registro formal escrito, embora corrente e plenamente compreensível na fala.
c) está de acordo com a norma padrão, que admite próclise em início de oração.
d) caracteriza uso exclusivo de falantes com baixa escolaridade.
e) deve ser evitada em qualquer situação comunicativa.
Gabarito: B
A norma padrão não admite pronome oblíquo átono iniciando oração, o que torna a construção inadequada em contextos formais escritos, como a redação de vestibular. Isso não a torna erro de comunicação: o enunciado é perfeitamente compreensível e a construção é usada por falantes de todos os níveis de escolaridade na modalidade oral, o que afasta as alternativas a e d. Trata-se de questão de adequação ao registro.
Um candidato recebe a proposta de discutir a desumanização provocada pela miséria e escreve um texto consistente sobre a pobreza no Brasil, sem tratar especificamente do processo de desumanização. Esse texto configura:
a) atendimento pleno ao tema.
b) tangenciamento do tema.
c) fuga ao tema.
d) inadequação ao tipo textual.
e) ausência de projeto de texto.
Gabarito: B
O candidato permaneceu no universo temático proposto, o que afasta a fuga ao tema, situação em que o texto trataria de assunto inteiramente diverso. Mas ele não desenvolveu o recorte específico solicitado, que era a desumanização. Escrever sobre o assunto geral sem abordar o recorte caracteriza tangenciamento, falha que reduz significativamente a pontuação no eixo de atendimento ao tema.
Sobre a valorização das marcas de autoria na correção da UERJ, é correto afirmar que:
a) beneficia textos que reproduzem modelos estruturais consagrados.
b) exige o uso obrigatório de citações de autores clássicos.
c) valoriza a perspectiva própria do candidato e o repertório efetivamente incorporado à sua argumentação.
d) refere-se exclusivamente ao estilo literário da escrita.
e) dispensa a necessidade de tese e argumentação.
Gabarito: C
Autoria diz respeito ao olhar pessoal sobre o tema e ao repertório que o candidato de fato domina e integra ao raciocínio. A alternativa a inverte o critério, pois a reprodução de modelos é justamente o que a banca busca desestimular. A alternativa b confunde autoria com erudição encaixada: citações desconectadas da tese não demonstram autoria, demonstram o contrário.
Em um texto dissertativo, os dois parágrafos de desenvolvimento apresentam o mesmo argumento com formulações diferentes. Na grade da UERJ, essa característica compromete prioritariamente o eixo de:
a) atendimento ao tema
b) adequação ao tipo textual
c) projeto de texto e desenvolvimento
d) linguagem e norma culta
e) marcas de autoria
Gabarito: C
O tema continua sendo atendido e a estrutura dissertativa foi mantida, o que afasta as alternativas a e b. A falha está na ausência de progressão: um texto bem projetado distribui funções distintas entre os parágrafos, e cada argumento deve sustentar a tese por um ângulo próprio. Parágrafos que se repetem revelam ausência de planejamento, comprometendo o eixo de projeto de texto e desenvolvimento.
Diante de um tema polêmico, o candidato que apresenta os dois lados da questão sem defender nenhum deles:
a) demonstra imparcialidade, o que é valorizado na correção.
b) compromete a avaliação, pois a dissertação argumentativa exige defesa de um ponto de vista.
c) atende ao critério de repertório sociocultural.
d) garante pontuação máxima no eixo de projeto de texto.
e) produz um texto expositivo, plenamente adequado à proposta.
Gabarito: B
A proposta pede texto dissertativo-argumentativo, e argumentar pressupõe sustentar uma posição. Sem tese, o texto se limita a expor perspectivas alheias, o que não atende ao gênero solicitado. A alternativa e reconhece corretamente a natureza expositiva do resultado, mas erra ao considerá-la adequada, já que o gênero exigido é outro.
O reconhecimento do contra-argumento em uma redação sobre tema polêmico:
a) enfraquece a tese, pois dá espaço à posição adversária.
b) demonstra maturidade argumentativa, desde que seja acompanhado de resposta.
c) deve ser evitado, pois confunde o corretor.
d) substitui a necessidade de apresentar argumentos próprios.
e) só é adequado na conclusão do texto.
Gabarito: B
Antecipar a objeção mais forte e respondê-la evidencia domínio do debate e torna a tese mais robusta, pois ela não se sustenta apenas por ignorar posições contrárias. A ressalva da alternativa é essencial: apresentar o contra-argumento sem refutá-lo produz o efeito oposto, deixando a objeção em aberto e enfraquecendo o próprio texto.
A exigência de respeito aos direitos humanos em redações sobre temas polêmicos justifica-se porque:
a) trata-se de formalidade das grades de correção.
b) impede que o candidato assuma posições impopulares.
c) uma solução que viola a dignidade humana não resolve um problema que a fere, apenas desloca a violação.
d) os temas propostos versam sempre sobre direitos humanos.
e) elimina a necessidade de posicionamento no texto.
Gabarito: C
Há coerência lógica anterior ao critério formal: os temas costumam envolver situações que atingem a dignidade de determinados grupos, e propor solução que a viole reproduz o problema em outro lugar. A alternativa b interpreta mal a exigência, pois posições impopulares continuam admissíveis, desde que defendidas sem desumanizar qualquer grupo.
As duas funções essenciais da introdução em um texto dissertativo-argumentativo são:
a) apresentar dados estatísticos e citar um autor consagrado.
b) contextualizar o tema e apresentar a tese a ser defendida.
c) narrar um caso ilustrativo e propor uma solução.
d) definir todos os conceitos e antecipar a conclusão.
e) formular perguntas retóricas e despertar a curiosidade do leitor.
Gabarito: B
A contextualização demonstra ao corretor que o tema foi compreendido, e a tese explicita o ponto de vista que o texto sustentará. Sem tese não há dissertação argumentativa, apenas exposição. A alternativa c descreve elementos que pertencem a outros momentos do texto: o caso ilustrativo cabe no desenvolvimento e a proposta, quando exigida, cabe na conclusão.
Um candidato inicia sua redação escrevendo: *"Desde os primórdios da humanidade, a sociedade em que vivemos enfrenta diversos problemas que merecem nossa atenção."* Essa abertura é problemática porque:
a) contém erro gramatical grave.
b) apresenta tese excessivamente específica.
c) é genérica, não contextualiza o tema proposto e não formula tese.
d) utiliza contextualização histórica, estratégia inadequada à dissertação.
e) emprega registro informal incompatível com o gênero.
Gabarito: C
A frase poderia abrir uma redação sobre qualquer assunto, o que revela ausência de contextualização efetiva do tema proposto. Além disso, afirmar que os problemas merecem atenção não constitui posicionamento: não há ponto de vista a ser defendido. A alternativa d confunde o diagnóstico, pois a contextualização histórica é estratégia legítima quando de fato situa o tema específico no tempo, o que não ocorre aqui.
Na redação da UERJ, o fragmento da obra literária apresentado na proposta deve ser utilizado na introdução como:
a) objeto de resumo, demonstrando conhecimento do enredo.
b) disparador da reflexão sobre o tema, sem que o texto se torne análise da obra.
c) citação obrigatória a ser reproduzida integralmente.
d) elemento dispensável, já que a redação não trata de literatura.
e) fonte da tese, que deve coincidir com a interpretação do autor da obra.
Gabarito: B
O fragmento funciona como ponto de partida para o tema, e pode ser retomado na introdução como porta de entrada da reflexão. O erro mais grave nesse ponto é o descrito na alternativa a: transformar a redação em resumo ou análise da obra, quando o que se pede é dissertação sobre o tema dela extraído. A alternativa e também falha, pois a tese deve ser do candidato, não a reprodução da posição do autor literário.
Sobre a conclusão de uma dissertação argumentativa, é correto afirmar que ela deve:
a) apresentar um argumento inédito que reforce a tese.
b) sintetizar o percurso argumentativo e retomar a tese à luz do que foi demonstrado.
c) reproduzir a introdução com outras palavras, garantindo unidade ao texto.
d) obrigatoriamente propor uma intervenção detalhada, em qualquer vestibular.
e) ampliar a discussão para um tema correlato ainda não abordado.
Gabarito: B
A conclusão fecha o raciocínio, articulando os argumentos desenvolvidos e reafirmando a tese agora sustentada. A alternativa a descreve erro de organização, pois argumento novo pertence ao desenvolvimento. A alternativa c descreve a falha mais frequente do último parágrafo. A alternativa d é falsa porque a proposta de intervenção é exigência específica do ENEM, não de todas as bancas.
No ENEM, exige-se que a proposta de intervenção respeite os direitos humanos. Essa exigência se justifica porque:
a) trata-se de formalidade burocrática da grade de correção.
b) uma solução que viole a dignidade humana contradiz o próprio objetivo de resolver um problema que a fere.
c) os direitos humanos são o tema recorrente das propostas de redação.
d) a banca proíbe qualquer menção a questões sociais controversas.
e) apenas propostas de política educacional são aceitas.
Gabarito: B
Há coerência lógica na exigência: os temas propostos costumam envolver problemas que atingem a dignidade de determinados grupos, e uma intervenção que reproduza essa violação anularia o propósito da própria proposta. A alternativa a trata como formalidade o que é critério substantivo, e a alternativa e restringe indevidamente o escopo, já que propostas em qualquer área são aceitas desde que viáveis e coerentes.
Um candidato encerra sua redação da UERJ com uma proposta de intervenção detalhada, indicando agente, ação e finalidade. Sobre esse fechamento, é correto afirmar que:
a) atende a uma exigência específica da grade da UERJ.
b) configura fuga ao tema.
c) não corresponde ao que a banca solicita, revelando automatismo de preparação para outra prova.
d) invalida a redação, que deve ser anulada.
e) garante pontuação máxima no eixo de projeto de texto.
Gabarito: C
A UERJ não exige proposta de intervenção: sua conclusão deve retomar a tese e fechar o raciocínio argumentativo. Um fechamento nesses moldes não anula o texto nem configura fuga ao tema, o que afasta b e d, mas evidencia a transferência mecânica de um modelo treinado para o ENEM. O espaço ocupado por esse automatismo poderia ser mais bem aproveitado na síntese do percurso e na demonstração de autoria.
O tópico frasal, em um parágrafo de desenvolvimento, tem a função de:
a) retomar integralmente a tese apresentada na introdução.
b) anunciar, em uma frase, a ideia central que o parágrafo desenvolverá.
c) apresentar a proposta de solução para o problema discutido.
d) introduzir uma citação de autoridade.
e) estabelecer a conexão entre o último parágrafo e a conclusão.
Gabarito: B
O tópico frasal condensa em uma frase o argumento que será desenvolvido no parágrafo, orientando tanto a organização do raciocínio quanto a leitura do corretor. A alternativa a descreve uma falha comum: repetir a tese em vez de apresentar argumento novo compromete a progressão do texto. A alternativa c refere-se à conclusão, e apenas em provas que exigem proposta de intervenção.
Um candidato memoriza cinco citações de pensadores consagrados e as insere em todas as suas redações, independentemente do tema. Essa prática tende a:
a) garantir pontuação máxima no critério de repertório.
b) demonstrar amplo domínio de cultura geral.
c) produzir citações desconectadas da tese, comprometendo a argumentação e as marcas de autoria.
d) ser neutra, sem impacto sobre a nota.
e) substituir com vantagem a necessidade de argumentação própria.
Gabarito: C
O repertório só cumpre função argumentativa quando dialoga com a tese defendida e se integra ao raciocínio. Citações encaixadas de modo mecânico ficam soltas no texto, não sustentam a argumentação e revelam ao corretor o uso de fórmula pronta. Em bancas que valorizam marcas de autoria, como a da UERJ, o efeito é duplamente negativo, pois evidencia a ausência de olhar próprio sobre o tema.
Assinale a alternativa que caracteriza corretamente uma falha de progressão argumentativa:
a) o segundo parágrafo de desenvolvimento apresenta um argumento distinto do primeiro.
b) cada parágrafo inicia com tópico frasal próprio.
c) os dois parágrafos de desenvolvimento sustentam a tese por ângulos diferentes.
d) o segundo parágrafo reformula, com outras palavras, o argumento já apresentado no primeiro.
e) o parágrafo encerra retomando a tese defendida.
Gabarito: D
A progressão exige que o texto avance a cada parágrafo, acrescentando sustentação nova. Quando o segundo parágrafo apenas reformula o primeiro, o leitor não recebe informação adicional e a tese permanece apoiada em um único argumento. As alternativas a, b, c e e descrevem, todas, características de um desenvolvimento bem construído.
Diante de uma proposta sobre a persistência da violência contra a mulher, um candidato escreve um texto consistente sobre violência de gênero, sem discutir por que o problema se mantém ao longo do tempo. Esse texto configura:
a) atendimento pleno à proposta.
b) tangenciamento, por não desenvolver o recorte proposto.
c) fuga ao tema, o que zera a redação.
d) falha exclusiva de coesão textual.
e) desvio de tipo textual.
Gabarito: B
O candidato permaneceu no universo temático, o que afasta a fuga ao tema descrita em c. Mas o recorte da proposta estava na palavra *persistência*, que exige explicar por que o problema se mantém apesar das mudanças legais e sociais. Escrever sobre o assunto geral sem abordar esse recorte caracteriza tangenciamento, e a perda de pontuação ocorre na competência que avalia a compreensão da proposta.
Uma proposta de intervenção completa, na grade do ENEM, deve conter:
a) agente, ação, meio, finalidade e detalhamento de um desses elementos.
b) apenas a indicação do agente responsável.
c) uma citação de autoridade que legitime a solução.
d) a repetição da tese com outras palavras.
e) a apresentação de dados estatísticos sobre o problema.
Gabarito: A
A proposta completa articula quem executará a ação, o que será feito, por qual meio, com que finalidade, e aprofunda um desses elementos. A alternativa b descreve proposta incompleta, que pontua parcialmente. A alternativa d é a falha mais comum do último parágrafo, pois reafirmar a tese não constitui proposta. Vale lembrar ainda que a proposta precisa respeitar os direitos humanos, sob pena de anulação nessa competência.
Um candidato que vai prestar tanto o ENEM quanto o vestibular da UERJ deve estar atento ao fato de que:
a) as duas provas utilizam o sistema de cinco competências de 200 pontos cada.
b) a UERJ exige proposta de intervenção mais detalhada que o ENEM.
c) a UERJ não exige proposta de intervenção e valoriza marcas de autoria em sua grade.
d) o domínio da norma culta é avaliado apenas pelo ENEM.
e) as duas provas exigem tipos textuais distintos.
Gabarito: C
A tipologia é idêntica nas duas provas, o que afasta a alternativa e, e a norma culta é avaliada em ambas, o que afasta d. A diferença prática mais relevante está no fechamento e nos critérios: a UERJ dispensa a proposta de intervenção e destaca as marcas de autoria, enquanto o ENEM a exige como competência própria. O candidato precisa desligar conscientemente esse automatismo ao mudar de prova.
Diante de uma questão que apresenta um gráfico de linha, o primeiro passo mais produtivo é:
a) calcular a média de todos os valores apresentados.
b) ler o título e identificar o que cada eixo representa.
c) ignorar o gráfico e responder com base em conhecimento prévio sobre o tema.
d) buscar imediatamente o maior valor apresentado.
e) memorizar todos os números antes de ler a pergunta.
Gabarito: B
Antes de qualquer análise de valores específicos, é necessário compreender do que trata o gráfico e o que cada eixo mede, etapa que orienta toda a leitura subsequente. Pular direto para cálculos ou para a busca de valores extremos, sem esse contexto, é uma das causas mais frequentes de erro nesse tipo de questão.
Um gráfico mostra que o consumo de determinado produto e a taxa de um problema de saúde cresceram simultaneamente ao longo de dez anos. Concluir que o consumo do produto causou o problema de saúde, apenas com base nesse gráfico, configura:
a) interpretação correta e diretamente sustentada pelos dados.
b) confusão entre correlação e causalidade.
c) leitura literal do gráfico.
d) compreensão adequada do texto.
e) inferência válida sobre fato comprovado.
Gabarito: B
O gráfico demonstra apenas que as duas variáveis cresceram no mesmo período, uma correlação, mas não estabelece relação de causa entre elas. Afirmar causalidade exigiria evidências adicionais que isolassem outros fatores possíveis. Essa é uma das armadilhas mais frequentes na leitura de dados, tanto em provas quanto na vida cotidiana.
Sobre a distinção entre os dados de um gráfico e sua interpretação, é correto afirmar que:
a) os dados representados constituem fatos, enquanto as conclusões sobre suas causas podem constituir opinião.
b) todo gráfico apresenta apenas opiniões, nunca fatos.
c) não existe diferença entre dado e interpretação em textos gráficos.
d) apenas tabelas podem ser consideradas fontes de fato, e gráficos, de opinião.
e) a interpretação de um gráfico é sempre objetiva e inquestionável.
Gabarito: A
Os valores representados em um gráfico são verificáveis e constituem fatos, mas a leitura que se faz deles, especialmente quanto às causas de uma tendência observada, pode envolver julgamento e, portanto, configurar opinião. Reconhecer essa distinção é o que permite avaliar criticamente afirmações que se apoiam em dados gráficos sem exagerar o que eles realmente demonstram.
Diante de uma proposta sobre "a persistência da desigualdade educacional", o candidato que planeja adequadamente deve concentrar-se em:
a) descrever o funcionamento do sistema educacional brasileiro.
b) explicar por que a desigualdade se mantém, e não apenas que ela existe.
c) narrar sua experiência pessoal na escola pública.
d) apresentar dados sobre educação em outros países.
e) defender que a educação é importante para o país.
Gabarito: B
O recorte da proposta está na palavra *persistência*, que exige explicar os mecanismos que sustentam a manutenção do problema ao longo do tempo. Limitar-se a constatar a existência da desigualdade configura tangenciamento. A alternativa e apresenta afirmação consensual que não constitui tese, pois ninguém a contestaria, e por isso não sustenta um texto argumentativo.
No rascunho de uma redação, o candidato escreve dois argumentos que, ao serem comparados, expressam a mesma ideia com formulações distintas. A providência adequada é:
a) manter os dois, pois a repetição reforça a tese.
b) reformular um deles para que sustente a tese por um ângulo diferente.
c) eliminar o segundo parágrafo de desenvolvimento.
d) transformar o segundo argumento em conclusão.
e) escrever o texto assim mesmo, corrigindo depois na folha definitiva.
Gabarito: B
Cada parágrafo de desenvolvimento deve acrescentar sustentação nova, abordando a tese por perspectiva distinta. Argumentos repetidos comprometem a progressão do texto e revelam ausência de projeto. A alternativa e é especialmente equivocada na prática, pois problemas de arquitetura não se resolvem depois que o texto já foi passado a limpo, e sim no rascunho, quando ainda há tempo.
Sobre a etapa de revisão na produção da redação, é correto afirmar que:
a) é dispensável quando o candidato domina a norma culta.
b) deve ocupar a maior parte do tempo disponível.
c) é etapa em que se identificam desvios de concordância, crase e pontuação, com impacto direto na nota.
d) serve apenas para verificar a contagem de linhas.
e) deve ser feita antes da elaboração do rascunho.
Gabarito: C
A revisão é a etapa em que se recuperam pontos que seriam perdidos por desvios pontuais e evitáveis, sobretudo nos conteúdos treináveis de norma culta. Ela costuma ser a mais negligenciada e a de melhor retorno. A alternativa a é problemática justamente porque o nervosismo e a pressão de tempo produzem deslizes mesmo em quem domina o conteúdo.
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafadas corretamente:
a) "Atravéz da leitura, os cidadões exercem sua cidadania."
b) "Através da leitura, os cidadãos exercem sua cidadania."
c) "Atravéz da leitura, os cidadãos exercem sua cidadania."
d) "Através da leitura, os cidadões exercem sua cidadania."
e) "Atravez da leitura, os cidadãos exercem sua cidadania."
Gabarito: B
A forma correta da preposição é sempre "através", com s, nunca com z. O plural de "cidadão" segue o padrão "-ãos", e não "-ões", o que descarta "cidadões". A combinação correta das duas grafias aparece apenas na alternativa b, que reúne os dois erros mais frequentes evitados simultaneamente.
O plural de palavras terminadas em "-ão" na língua portuguesa:
a) segue sempre o padrão "-ões", sem exceções.
b) não segue um padrão único, existindo os grupos "-ões", "-ães" e "-ãos".
c) é sempre formado pela troca de "ão" por "ãs".
d) depende exclusivamente do gênero da palavra.
e) segue o mesmo padrão de palavras terminadas em "-am".
Gabarito: B
Não existe regra única para o plural das palavras terminadas em "-ão": elas se dividem em três grupos, exemplificados por "botões", "cães" e "cidadãos". A generalização indevida do padrão mais frequente, "-ões", para todas as palavras do grupo é o que produz erros como "cidadões", incorreto, no lugar de "cidadãos".
Sobre a origem dos erros ortográficos mais comuns na redação de vestibular, é correto afirmar que:
a) decorrem exclusivamente de desconhecimento total da norma culta.
b) estão frequentemente associados ao nervosismo e à pressão de tempo, afetando até candidatos que dominam a grafia correta em outras situações.
c) são inevitáveis e não podem ser corrigidos com revisão.
d) ocorrem apenas em candidatos com baixa escolaridade.
e) não têm relação com a etapa de revisão do texto.
Gabarito: B
Muitos desses erros aparecem justamente em candidatos que escrevem a palavra corretamente no dia a dia, mas cometem o desvio sob a pressão da prova, escrevendo mais rápido do que revisam. Por isso a solução mais eficaz não é apenas o conhecimento da regra, mas a disciplina de reservar tempo específico de revisão para caçar esse tipo de deslize antes de entregar o texto.
Assinale a alternativa em que o termo destacado é complemento nominal:
a) "O carro **do vizinho** amanheceu riscado."
b) "A leitura **do romance** exige atenção."
c) "As mãos **da criança** estavam sujas."
d) "O caderno **de anotações** ficou na mesa."
e) "A casa **da esquina** foi vendida."
Gabarito: B
Em b, *leitura* é substantivo abstrato e "do romance" recebe a ação, pois o romance é lido, não lê. Sendo paciente, o termo é complemento nominal. Nas demais alternativas, os núcleos são substantivos concretos (carro, mãos, caderno, casa), o que exclui automaticamente a possibilidade de complemento nominal e caracteriza adjunto adnominal.
Leia as construções: I. "o apoio dos professores" II. "o apoio aos estudantes" Sobre elas, é correto afirmar que:
a) em I e II os termos destacados são complementos nominais.
b) em I e II os termos destacados são adjuntos adnominais.
c) em I há adjunto adnominal e em II, complemento nominal.
d) em I há complemento nominal e em II, adjunto adnominal.
e) a classificação depende exclusivamente da preposição empregada.
Gabarito: C
Em I, os professores apoiam, são agentes da ação expressa pelo substantivo abstrato *apoio*, o que caracteriza adjunto adnominal. Em II, os estudantes recebem o apoio, são pacientes, o que caracteriza complemento nominal. A alternativa e está incorreta porque a preposição é apenas um indício: em "a construção do prédio", a preposição "de" acompanha um complemento nominal, já que o prédio sofre a ação.
No trecho *"O amor do pai comoveu a plateia"*, a expressão destacada:
a) é complemento nominal, pois *amor* é substantivo abstrato.
b) é adjunto adnominal, pois o pai é quem exerce o sentimento.
c) é objeto indireto do verbo *comover*.
d) é adjunto adverbial de causa.
e) é predicativo do sujeito deslocado.
Gabarito: B
O substantivo *amor* é de fato abstrato, o que torna as duas classificações possíveis em princípio, e é justamente por isso que a alternativa a é uma armadilha bem construída. O critério decisivo é semântico: no contexto, o pai é quem ama, ou seja, é o agente do sentimento. Sendo agente, a expressão é adjunto adnominal. Se o trecho fosse "o amor ao pai", o pai passaria a ser quem recebe o sentimento e a expressão seria complemento nominal.
Assinale a alternativa em que o termo destacado é objeto indireto:
a) "O menino comprou **um livro** na feira."
b) "Ela chegou **ao teatro** atrasada."
c) "Todos obedeceram **às regras** do concurso."
d) "O grupo permaneceu **em silêncio**."
e) "A notícia surpreendeu **os moradores**."
Gabarito: C
O verbo *obedecer* é transitivo indireto e rege a preposição "a", de modo que "às regras" completa seu sentido e é objeto indireto. Em a e e, os verbos são transitivos diretos, com objetos diretos. Em b, *chegar* é intransitivo e "ao teatro" é adjunto adverbial de lugar. Em d, "em silêncio" indica modo, também funcionando como adjunto adverbial.
Leia o período: *"Aos filhos, a mãe entregou-lhes toda a herança."* Sobre os termos do período, é correto afirmar que:
a) "aos filhos" é adjunto adverbial e "lhes" é objeto direto.
b) "aos filhos" e "lhes" formam um objeto indireto pleonástico.
c) "toda a herança" é objeto indireto e "lhes" é objeto direto.
d) "lhes" é pronome reflexivo e "aos filhos" é complemento nominal.
e) "aos filhos" é objeto direto preposicionado.
Gabarito: B
O verbo *entregar* é transitivo direto e indireto: entrega-se algo a alguém. "Toda a herança" é o objeto direto e "aos filhos" é o objeto indireto, deslocado para o início da frase por ênfase. O pronome *lhes* retoma exatamente esse mesmo termo dentro da oração, configurando repetição intencional. Trata-se, portanto, de objeto indireto pleonástico.
No verso *"Amo a ti como se ama ao próprio destino"*, o emprego da preposição diante dos complementos indica que:
a) o verbo *amar* passou a ser transitivo indireto no contexto.
b) há objeto direto preposicionado, usado por ênfase e pela presença do pronome tônico.
c) os termos preposicionados exercem função de adjunto adverbial.
d) trata-se de complemento nominal regido pelo substantivo *destino*.
e) a construção configura erro de regência em relação à norma culta.
Gabarito: B
O verbo *amar* é transitivo direto e mantém essa transitividade no verso. A preposição não é exigida pelo verbo, mas acrescentada por dois motivos frequentes nesse tipo de construção: a ênfase expressiva, comum em textos literários, e o uso do pronome oblíquo tônico *ti*, que em português demanda preposição. A alternativa e está incorreta porque o objeto direto preposicionado é construção plenamente aceita pela norma culta.
Um enunciado que começa com "De acordo com o texto" está solicitando:
a) a opinião pessoal do candidato sobre o tema.
b) a compreensão, ou seja, a identificação do que está efetivamente afirmado no texto.
c) a interpretação, com base em conhecimentos externos ao texto.
d) a avaliação crítica da posição do autor.
e) a comparação com outros textos sobre o mesmo assunto.
Gabarito: B
A expressão "de acordo com o texto" delimita o campo da resposta ao que está explicitamente afirmado, caracterizando questão de compreensão. A alternativa correta poderá reformular o conteúdo com outras palavras, mas será sempre localizável no original. Alternativas que apresentam conclusões plausíveis, porém não sustentadas pelo texto, funcionam como distratoras nesse tipo de item.
Sobre a diferença entre interpretar e opinar, é correto afirmar que:
a) são operações equivalentes, pois ambas dependem do leitor.
b) interpretar exige sustentação em elementos do texto, enquanto opinar expressa posição pessoal independente dele.
c) opinar é mais valorizado nas provas de interpretação de texto.
d) interpretar consiste em reproduzir literalmente trechos do texto.
e) apenas textos literários admitem interpretação.
Gabarito: B
A interpretação vai além do explícito, mas permanece ancorada em elementos que o texto oferece, de modo que sempre é possível justificar a leitura. A opinião, por sua vez, é posição do leitor sobre o assunto, e pode existir sem qualquer apoio textual. A alternativa d confunde interpretação com compreensão, que é a leitura do que está literalmente afirmado.
Um candidato que conhece bem o assunto tratado no texto e responde com base nesse conhecimento, sem verificar o que o texto afirma:
a) demonstra domínio do conteúdo, o que garante o acerto.
b) corre o risco de escolher alternativa verdadeira no mundo real, mas não sustentada pelo texto.
c) está aplicando corretamente o procedimento de interpretação.
d) só erra em questões de compreensão, nunca de interpretação.
e) aplica o método adequado às provas de Linguagens.
Gabarito: B
Bancas costumam incluir entre as distratoras afirmações factualmente corretas que, no entanto, não constam do texto nem dele se depreendem. O candidato que responde de memória é justamente o alvo dessas alternativas. O risco não se limita às questões de compreensão, o que afasta a alternativa d, pois a interpretação também exige ancoragem no que o texto autoriza.
Leia o trecho a seguir, retirado de uma tirinha: *Personagem A: "Tudo bem."* *Personagem B: "Tudo bem?"* A diferença entre as falas dos personagens A e B se deve, principalmente:
a) ao uso de verbos distintos em cada frase.
b) à escolha de substantivos com cargas semânticas opostas.
c) à pontuação, que altera a intenção comunicativa de cada enunciado.
d) ao uso de pronomes com referências ambíguas.
e) à ausência de conectivos que prejudica a coesão do texto.
Gabarito: C
O enunciado "Tudo bem." (com ponto final) é uma frase declarativa, que afirma um estado. Já "Tudo bem?" (com ponto de interrogação) é uma frase interrogativa, que questiona esse mesmo estado. O conteúdo lexical é idêntico; o que muda completamente o sentido é a pontuação. Questões assim testam se o candidato compreende que a pontuação é um recurso de construção de sentido, não apenas de separação de ideias.
Analise as frases abaixo: I. "Silêncio!" II. "Que silêncio..." III. "Há silêncio aqui." Assinale a alternativa que classifica corretamente, na ordem apresentada, os tipos de frase:
a) Imperativa, exclamativa, declarativa.
b) Exclamativa, declarativa, interrogativa.
c) Declarativa, imperativa, exclamativa.
d) Imperativa, interrogativa, declarativa.
e) Exclamativa, interrogativa, imperativa.
Gabarito: A
"Silêncio!" expressa uma ordem, portanto é imperativa. "Que silêncio..." usa reticências após uma expressão de valor emocional, caracterizando uma frase exclamativa com efeito de suspense ou melancolia. "Há silêncio aqui." é uma afirmação neutra sobre o ambiente, logo declarativa. A questão exige atenção tanto ao conteúdo quanto à pontuação de cada enunciado.
Assinale a alternativa que está de acordo com a norma culta:
a) "Ela está meia cansada depois da prova."
b) "Seguem anexo os documentos solicitados."
c) "Havia menas pessoas do que o previsto."
d) "Ela estava meio nervosa antes da apresentação."
e) "É proibida entrada de pessoas não autorizadas."
Gabarito: D
Em d, *meio* equivale a "um pouco" e funciona como advérbio, permanecendo invariável, o que torna a construção correta. Em a, o mesmo advérbio foi flexionado indevidamente. Em b, *anexo* é adjetivo e deveria concordar: "Seguem anexos os documentos". Em c, "menas" não existe na língua portuguesa. Em e, sem o artigo antes de "entrada", a expressão deveria permanecer invariável: "É proibido entrada".
Na frase *"Comprei carro e casa ___"*, considerando o adjetivo *novo*:
a) apenas "novos" está correto, pela regra da concordância gramatical.
b) apenas "nova" está correto, pela regra da concordância atrativa.
c) tanto "novos" quanto "nova" estão corretos, tratando-se de concordância gramatical e atrativa, respectivamente.
d) nenhuma das formas é aceita, sendo necessário repetir o adjetivo.
e) a forma correta é "novas", concordando com o feminino.
Gabarito: C
Com adjetivo posposto a dois substantivos, a norma culta admite duas soluções. Na concordância gramatical, o adjetivo vai ao plural e, havendo gêneros diferentes, prevalece o masculino: "carro e casa novos". Na concordância atrativa, o adjetivo concorda apenas com o substantivo mais próximo: "carro e casa nova". A primeira é mais formal e evita ambiguidade, mas ambas são aceitas.
Assinale a alternativa em que o emprego de *bastante* está correto:
a) "Havia bastante motivos para desistir."
b) "Eles estudaram bastantes para a prova."
c) "Havia bastantes motivos para desistir."
d) "Ela é bastantes inteligente."
e) "Choveu bastantes durante a madrugada."
Gabarito: C
Em c, *bastante* equivale a "muitos" e funciona como adjetivo, referindo-se ao substantivo "motivos", com o qual deve concordar em número. Em a, o mesmo adjetivo deixou de flexionar. Nas alternativas b, d e e, a palavra equivale a "muito" e funciona como advérbio, modificando verbo ou adjetivo, caso em que permanece invariável.
Assinale a alternativa em que a concordância verbal está de acordo com a norma culta:
a) "Haviam muitos candidatos na sala de espera."
b) "Fazem dez anos que não a encontro."
c) "Existiam muitas dúvidas sobre o edital."
d) "Mais de um aluno chegaram atrasados."
e) "Cerca de mil pessoa compareceu ao evento."
Gabarito: C
O verbo *existir* possui sujeito, no caso "muitas dúvidas", e por isso flexiona normalmente no plural. Em a, o verbo *haver* com sentido de existir é impessoal e deveria permanecer no singular. Em b, *fazer* indicando tempo decorrido também é impessoal. Em d, a expressão "mais de um" exige o singular. Em e, há erro de concordância nominal em "mil pessoa".
Na frase *"A maioria dos estudantes ___ o resultado"*, a forma verbal:
a) só admite o singular, por concordar obrigatoriamente com "maioria".
b) só admite o plural, por concordar obrigatoriamente com "estudantes".
c) admite tanto o singular quanto o plural, por se tratar de sujeito partitivo.
d) deve ficar no singular apenas se houver vírgula após "maioria".
e) configura caso de verbo impessoal, com singular obrigatório.
Gabarito: C
Trata-se de sujeito partitivo: um núcleo coletivo seguido de complemento no plural. Nesse caso, a norma culta admite as duas concordâncias, e a escolha produz efeitos distintos de sentido. Concordar com "maioria" enfatiza o grupo como unidade; concordar com "estudantes" enfatiza os indivíduos que o compõem. Nenhuma das duas formas constitui desvio.
Considere as ocorrências do verbo *haver*: I. "Havia poucos livros na estante." II. "Eles haviam chegado antes do combinado." Sobre a flexão do verbo nas duas ocorrências, é correto afirmar que:
a) ambas estão incorretas, pois o verbo deveria ir ao plural em I.
b) em I o verbo é impessoal e fica no singular; em II é auxiliar e flexiona normalmente.
c) em I o verbo é auxiliar e em II, impessoal.
d) ambas as ocorrências exigem o singular, pois *haver* nunca vai ao plural.
e) a flexão em II está incorreta, pois deveria ser "havia chegado".
Gabarito: B
Em I, *haver* significa existir e é impessoal, permanecendo na terceira pessoa do singular independentemente do termo que o segue, que é objeto direto e não sujeito. Em II, o verbo funciona como auxiliar na formação do tempo composto e concorda normalmente com o sujeito "eles". A alternativa d generaliza indevidamente a regra da impessoalidade, ignorando o emprego como auxiliar.
O imperativo afirmativo na segunda pessoa do singular é formado a partir:
a) do presente do subjuntivo, sem alteração.
b) do presente do indicativo, com a retirada do S final.
c) do pretérito perfeito do indicativo.
d) do infinitivo do verbo.
e) do futuro do subjuntivo.
Gabarito: B
As formas de *tu* e *vós* no imperativo afirmativo derivam do presente do indicativo com supressão do S final: de "tu corres" obtém-se "corre", e de "vós correis" obtém-se "correi". As demais pessoas, incluindo *você*, *nós* e *vocês*, vêm do presente do subjuntivo sem alteração, conforme descrito na alternativa a. Já o imperativo negativo deriva integralmente do subjuntivo.
Em um texto publicitário com predomínio de verbos no modo imperativo, o efeito produzido é:
a) a expressão de dúvida e hipótese sobre o produto anunciado.
b) o distanciamento objetivo em relação ao leitor.
c) a interpelação direta do interlocutor, colocando-o em evidência.
d) a narração de fatos passados relacionados à marca.
e) a apresentação impessoal de informações técnicas.
Gabarito: C
O imperativo é o modo que coloca o interlocutor em evidência, expressando ordem, pedido ou convite, e por isso predomina em textos que buscam influenciar o comportamento do leitor. Esse emprego conecta-se diretamente à função apelativa ou conativa da linguagem, característica do discurso publicitário. A alternativa a descreve o efeito do subjuntivo, e a alternativa e, o da função referencial.
Assinale a alternativa em que o emprego do modo verbal está de acordo com a norma culta:
a) "Se eu sabia da verdade, teria contado."
b) "Se eu soubesse da verdade, teria contado."
c) "Quando eu ver o resultado, aviso você."
d) "Talvez ele vem à reunião amanhã."
e) "Espero que ele chega a tempo."
Gabarito: B
Orações condicionais introduzidas por *se*, com valor hipotético, exigem o pretérito imperfeito do subjuntivo, forma corretamente empregada em b. Em a, o indicativo *sabia* rompe essa exigência. Em c, o futuro do subjuntivo do verbo *ver* é "vir", e não "ver". Em d, após *talvez* usa-se o subjuntivo "venha". Em e, o verbo *esperar* introduz oração que exige subjuntivo: "chegue".
A estrutura de *Coração, Cabeça e Estômago*, dividida em três partes nomeadas por órgãos do corpo, tem como função:
a) apenas organizar cronologicamente a vida do protagonista, sem relação temática.
b) representar as diferentes forças que sucessivamente guiam as decisões de Silvestre: sentimento, razão e interesse material.
c) descrever sintomas de doenças físicas do protagonista.
d) narrar viagens de Silvestre por diferentes regiões de Portugal sem relação com sua psicologia.
e) apresentar três narradores distintos para a mesma história.
Gabarito: B
Cada parte do romance corresponde a uma fase em que Silvestre é dominado por um impulso diferente: o coração na juventude apaixonada em Lisboa, a cabeça na tentativa de agir racionalmente no Porto, e o estômago no interesse material e social que o move no interior. Essa estrutura tripartida constrói o eixo temático central da obra, evidenciando o fracasso sucessivo de cada uma dessas abordagens de vida.
A dicotomia entre "a mulher que o mundo respeita" e "a mulher que o mundo despreza", presente na primeira parte do romance, revela:
a) uma visão neutra sobre o comportamento das mulheres retratadas.
b) uma estrutura social que julgava moralmente as mulheres a partir de padrões de comportamento impostos.
c) ausência completa de julgamento moral no romance.
d) uma crítica direta e consciente ao machismo por parte do narrador.
e) tema irrelevante para a compreensão da obra.
Gabarito: B
A oposição entre mulheres dignas de respeito e mulheres associadas à condenação moral reflete uma estrutura social do século XIX que media o valor feminino por critérios de comportamento e conformidade, frequentemente ligados à sexualidade e às circunstâncias de vida, como no caso de Marcolina, vendida ainda jovem a um barão. Reconhecer essa estrutura é essencial para uma leitura crítica da obra.
O tratamento dado por Camilo Castelo Branco ao exagero sentimental de Silvestre, ao longo do romance, pode ser descrito como:
a) uma celebração acrítica dos ideais do ultrarromantismo.
b) uma crítica irônica que revela o fracasso sucessivo de cada abordagem extremada adotada pelo protagonista.
c) uma defesa da razão como via infalível de sucesso pessoal.
d) uma narrativa isenta de qualquer julgamento sobre o comportamento do protagonista.
e) uma reprodução fiel e sem distanciamento do romantismo brasileiro.
Gabarito: B
Ao acompanhar Silvestre em três tentativas fracassadas de guiar sua vida, primeiro pelo sentimento, depois pela razão, depois pelo interesse material, o romance constrói uma crítica irônica ao exagero romântico, mostrando que nenhum dos extremos produz equilíbrio ou satisfação duradoura. Esse tom crítico distingue a obra de uma idealização romântica direta e aproxima-a de uma leitura satírica do próprio movimento.
Assinale a alternativa em que o emprego da crase está incorreto:
a) "Chegamos à conclusão esperada."
b) "Referiu-se à aquela decisão."
c) "Vou à Bahia nas férias."
d) "Saímos às oito horas."
e) "Escreveu à moda dos clássicos."
Gabarito: B
A forma correta é "àquela", contração da preposição *a* com o pronome demonstrativo *aquela*, e não "à aquela", que duplicaria indevidamente o elemento. Nas demais alternativas o emprego está adequado: em c o topônimo admite artigo, o que se verifica pelo teste "venho da Bahia"; em d as horas exigem crase; em e a expressão "à moda de" justifica o acento.
Diante de nome próprio feminino, o uso do artigo depende do grau de familiaridade do falante com a pessoa mencionada, e essa opcionalidade torna a crase facultativa. Assim, tanto "a Maria" quanto "à Maria" são formas corretas. Nas demais alternativas a crase é proibida, respectivamente por palavra masculina, verbo no infinitivo, pronome pessoal e palavras repetidas.
Considere as construções: I. "Bife à milanesa" II. "Viajamos a cavalo" Sobre o emprego da crase, é correto afirmar que:
a) ambas estão incorretas, pois as palavras seguintes são masculinas.
b) em I a crase se justifica pela expressão subentendida "à moda de"; em II não há crase por se tratar de palavra masculina.
c) em I não deveria haver crase e em II deveria haver.
d) ambas estão corretas pelo mesmo motivo.
e) a crase é facultativa nos dois casos.
Gabarito: B
A regra geral proíbe a crase diante de palavra masculina, o que explica a ausência do acento em II. A exceção ocorre quando está subentendida a expressão "à moda de", em que o artigo feminino se refere à palavra elíptica *moda*, e não ao termo masculino que aparece na superfície. É o mesmo mecanismo de construções como "escrita à Machado de Assis".
Diante de um bloqueio na hora de iniciar a redação, a estratégia mais produtiva é:
a) deixar a folha em branco até que surja uma ideia completa.
b) copiar trechos da coletânea para preencher as linhas.
c) escrever a tese em uma frase simples no rascunho e desenvolver a partir dela.
d) mudar para um tema que se domine melhor.
e) escrever a introdução repetidamente até que fique perfeita.
Gabarito: C
Formular a tese em linguagem direta, ainda que sem elaboração estilística, dá ao texto um ponto de partida concreto a partir do qual os argumentos se organizam. As alternativas a e e mantêm a paralisia; a b configura cópia, procedimento penalizado; e a d caracteriza fuga ao tema, uma das falhas mais graves na correção.
A afirmação de que "quem lê tem ideias" relaciona-se ao problema do bloqueio na redação porque:
a) a leitura substitui a necessidade de planejamento do texto.
b) o repertório construído pela leitura fornece referências e modelos de raciocínio disponíveis no momento da prova.
c) textos lidos podem ser reproduzidos na redação.
d) a leitura elimina completamente o nervosismo.
e) apenas a leitura de obras clássicas produz esse efeito.
Gabarito: B
O bloqueio recorrente costuma decorrer de repertório insuficiente, e a leitura constrói justamente esse repertório: referências para argumentar, formas de organizar o raciocínio e vocabulário para nomear ideias. A alternativa e restringe indevidamente o alcance, pois jornais, ensaios, crônicas e quadrinhos também alimentam o repertório de quem escreve.
Na preparação específica para a redação da UERJ, o fator que mais reduz o risco de bloqueio é:
a) memorizar modelos de introdução para diferentes temas.
b) ler a obra adotada extraindo os temas que cada capítulo permite discutir.
c) decorar citações de filósofos aplicáveis a qualquer assunto.
d) treinar exclusivamente a proposta de intervenção.
e) escrever redações sobre temas de outros vestibulares.
Gabarito: B
Como a proposta da UERJ parte de um fragmento da obra adotada, o universo temático da prova é previsível para quem leu o livro com atenção. Mapear os temas que cada capítulo permite levantar constrói antecipadamente o repertório específico exigido. A alternativa d descreve exigência do ENEM, não da UERJ, e as alternativas a e c contrariam a valorização das marcas de autoria pela banca.
Assinale a alternativa em que a palavra apresenta dígrafo:
a) "prato"
b) "flor"
c) "carro"
d) "advogado"
e) "pneu"
Gabarito: C
Em "carro", o "rr" representa um único som forte de erre, o que caracteriza dígrafo. Nas demais alternativas, as consoantes mantêm sons distintos e audíveis: "pr" em prato, "fl" em flor, "dv" em advogado (em sílabas diferentes) e "pn" em pneu, todos exemplos de encontro consonantal.
Nas palavras "queijo" e "quando", o grupo "qu" classifica-se, respectivamente, como:
a) dígrafo nos dois casos
b) encontro consonantal nos dois casos
c) dígrafo em "queijo", pois o u não é pronunciado, e encontro consonantal em "quando", pois o u soa
d) encontro consonantal em "queijo" e dígrafo em "quando"
e) nenhuma das duas apresenta dígrafo ou encontro consonantal
Gabarito: C
O critério decisivo é a pronúncia do "u". Em "queijo", o u é mudo, e "qu" representa o som único de "k", caracterizando dígrafo. Em "quando", o u é pronunciado, formando um encontro entre a consoante "q" e a semivogal "u", o que não configura dígrafo, mas encontro consonantal seguido de vogal.
O critério que distingue encontro consonantal de dígrafo é:
a) o número de letras envolvidas, sempre duas no dígrafo e três ou mais no encontro.
b) a posição das consoantes na palavra.
c) o número de sons produzidos: no encontro, ouvem-se os sons distintos das consoantes; no dígrafo, duas letras produzem um único som.
d) apenas o dígrafo pode ocorrer em sílabas diferentes.
e) o encontro consonantal é exclusivo de palavras de origem estrangeira.
Gabarito: C
A distinção não depende do número de letras nem da posição na palavra, mas do resultado sonoro. No encontro consonantal, cada consoante mantém seu som próprio e audível, como em "gr" de "grito". No dígrafo, duas letras se combinam para produzir um único fonema, como o "lh" de "filho", que soa como um som só, e não como "l" mais "h".
Assinale a alternativa em que a palavra apresenta hiato:
a) "pai"
b) "saúde"
c) "água"
d) "Paraguai"
e) "cãibra"
Gabarito: B
Separando silabicamente "saúde" em sa-ú-de, observa-se que o "a" e o "ú" pertencem a sílabas diferentes, o que caracteriza hiato. Em a e e há ditongo decrescente, com as vogais na mesma sílaba. Em c há ditongo crescente. Em d há tritongo, com as três vogais reunidas na sílaba final "guai".
A palavra "Uruguai" apresenta, na última sílaba, um encontro vocálico classificado como:
a) hiato
b) ditongo crescente
c) ditongo decrescente
d) tritongo
e) dígrafo
Gabarito: D
Na sílaba "guai", há a sequência semivogal, vogal e semivogal, todas pronunciadas em um único impulso de voz: o "u" e o "i" são semivogais que cercam o "a", vogal forte. Essa estrutura de três vogais na mesma sílaba caracteriza o tritongo. A alternativa e é conceitualmente equivocada, pois dígrafo pertence ao campo dos encontros consonantais, não vocálicos.
Sobre a diferença entre ditongo e hiato, é correto afirmar que:
a) ambos ocorrem na mesma sílaba, diferenciando-se apenas pelo número de vogais.
b) o ditongo ocorre na mesma sílaba, e o hiato, em sílabas diferentes.
c) apenas o hiato é seguido de acento gráfico.
d) o ditongo sempre envolve três vogais.
e) não há diferença fonética entre os dois fenômenos.
Gabarito: B
O critério que distingue definitivamente os dois encontros é a separação silábica: no ditongo, as vogais permanecem juntas na mesma sílaba, pronunciadas em um único impulso de voz; no hiato, elas se separam em sílabas distintas, com pronúncia em dois impulsos. A alternativa c é imprecisa, pois nem todo hiato recebe acento gráfico, apenas aqueles que seguem as regras específicas de acentuação.
Um trecho apresenta linguagem simples, cenário campestre e ausência de conflito religioso, em contraste com o rebuscamento e o dualismo de um período anterior. Essas características apontam para:
a) Barroco, em oposição ao Trovadorismo
b) Arcadismo, em oposição ao Barroco
c) Romantismo, em oposição ao Classicismo
d) Realismo, em oposição ao Arcadismo
e) Simbolismo, em oposição ao Parnasianismo
Gabarito: B
A simplicidade da linguagem, o cenário campestre e a ausência de conflito religioso são justamente os traços que definem o Arcadismo em oposição direta ao Barroco, escola marcada pelo rebuscamento formal e pelo dualismo entre fé e razão. Reconhecer essa relação de oposição entre escolas consecutivas é um dos caminhos mais eficientes para identificar o período de um texto desconhecido.
Realismo e Naturalismo são frequentemente confundidos porque:
a) pertencem a períodos históricos muito distantes entre si.
b) são contemporâneos e compartilham a postura antirromântica, embora com métodos diferentes.
c) têm exatamente as mesmas características estéticas.
d) o Naturalismo antecede o Realismo em várias décadas.
e) apenas um deles rompe com o Romantismo.
Gabarito: B
As duas escolas surgem praticamente ao mesmo tempo no Brasil e compartilham a ruptura com a idealização romântica, o que facilita a confusão entre elas. A distinção está no método: o Realismo investiga a complexidade psicológica do indivíduo, enquanto o Naturalismo constrói romances de tese apoiados em teorias científicas como o determinismo.
Um autor cuja obra combina características ainda medievais com traços que já anunciam o Renascimento, situando-se entre o Trovadorismo e o Classicismo, corresponde ao período denominado:
a) Barroco
b) Humanismo
c) Arcadismo
d) Quinhentismo
e) Pré-Modernismo
Gabarito: B
O Humanismo é definido justamente como o período de transição entre a mentalidade medieval do Trovadorismo e o antropocentrismo pleno do Classicismo, tendo Gil Vicente como figura central. O Pré-Modernismo, mencionado em e, ocupa posição de transição análoga, mas entre o século XIX e o Modernismo, não entre Idade Média e Renascimento.
Sobre a proposta de redação da UERJ, é correto afirmar que:
a) exige a produção de um texto narrativo a partir de um fragmento literário.
b) exige um texto dissertativo-argumentativo cujo tema é extraído da obra literária adotada.
c) exige o resumo da obra literária indicada pela banca.
d) permite ao candidato escolher livremente entre dissertar e narrar.
e) dispensa a leitura da obra, uma vez que o fragmento é fornecido na prova.
Gabarito: B
A banca extrai um fragmento da obra adotada e, a partir dele, formula um tema a ser desenvolvido em texto dissertativo-argumentativo. A alternativa c descreve um erro grave e frequente: resumir a obra em vez de dissertar sobre o tema. A alternativa e é igualmente equivocada, pois o fragmento é apenas o disparador, e o repertório específico necessário à argumentação vem da leitura integral do livro.
O conceito de "marcas de autoria", valorizado na correção da redação da UERJ, refere-se a:
a) uso de citações de filósofos e teóricos consagrados.
b) emprego de conectivos sofisticados ao longo do texto.
c) presença de um olhar pessoal e de repertório próprio no tratamento do tema.
d) assinatura do candidato ao final da folha de redação.
e) reprodução fiel de um modelo estrutural aprendido em aula.
Gabarito: C
Autoria é o que há de pessoal no texto: a perspectiva do candidato, seu repertório de leituras e a maneira própria de abordar o tema. A alternativa a é a distratora mais forte, pois citações podem contribuir, mas apenas quando integradas ao raciocínio do autor. Encaixadas à força, produzem o efeito contrário. A alternativa e descreve exatamente o que a banca não quer: a reprodução de fórmula pronta.
Um candidato desenvolve um parágrafo de desenvolvimento apenas reafirmando, com outras palavras, o que já dissera na introdução. Essa falha compromete diretamente:
a) o atendimento ao tema.
b) a adequação ao tipo textual.
c) a progressão argumentativa e o projeto de texto.
d) a correção gramatical.
e) a coesão referencial.
Gabarito: C
O tema está sendo atendido e a tipologia dissertativa foi respeitada, o que afasta as alternativas a e b. O problema é que o texto não avança: cada parágrafo de desenvolvimento deve trazer um argumento novo que sustente a tese por um ângulo distinto. Repetir a tese sem acrescentar sustentação caracteriza ausência de progressão, revelando falta de projeto de texto.
Na palavra "cantávamos", a desinência que indica primeira pessoa do plural é:
a) cant-
b) -a-
c) -va-
d) -mos
e) toda a palavra é desinência
Gabarito: D
A palavra se decompõe em radical (cant-), vogal temática (-a-), desinência modo-temporal (-va-, indicando o pretérito imperfeito do indicativo) e desinência número-pessoal (-mos, indicando primeira pessoa do plural). Cada elemento cumpre uma função específica na estrutura verbal, e a alternativa d isola corretamente o elemento que marca pessoa e número.
O verbo "querer" é classificado como irregular porque:
a) pertence à segunda conjugação.
b) seu radical se altera na conjugação, como em "quero" e "quis".
c) não admite nenhuma flexão verbal.
d) é verbo defectivo.
e) sua vogal temática muda de conjugação para conjugação.
Gabarito: B
O critério para classificar um verbo como irregular é a alteração do radical ao longo da conjugação, o que se observa comparando o presente do indicativo com o pretérito perfeito. Em "querer", o radical "quer" se transforma em "quis" no pretérito, evidenciando a irregularidade, diferentemente de verbos regulares como "cantar", cujo radical "cant" permanece inalterado em todas as formas.
b) funciona como desinência nominal de gênero, marcando o masculino em oposição a "menina".
c) é radical da palavra.
d) é sufixo formador de substantivo.
e) não exerce nenhuma função morfológica.
Gabarito: B
Embora vogais finais em substantivos costumem ser vogais temáticas sem valor de gênero, como em "casa" ou "livro", em pares como "menino" e "menina" a vogal final assume função de desinência nominal de gênero, marcando a oposição entre masculino e feminino. Reconhecer essa exceção é o que evita a confusão entre vogal temática pura e desinência de gênero.
Assinale a alternativa que está de acordo com a norma culta:
a) "Trouxeram o material para mim organizar."
b) "Não há nada entre eu e ela."
c) "Este presente é para mim."
d) "Ele pediu para mim entregar o relatório."
e) "Entre eu e você existe um acordo."
Gabarito: C
Em c, o pronome vem depois de preposição e não é seguido de verbo, exercendo função de complemento, o que exige o oblíquo *mim*. Nas alternativas a e d, o pronome é sujeito dos infinitivos *organizar* e *entregar*, exigindo a forma reta *eu*. Nas alternativas b e e, a preposição *entre* pede o oblíquo tônico: "entre mim e ela", "entre mim e você".
O teste que resolve a escolha entre *eu* e *mim* após preposição consiste em verificar:
a) se o pronome está no início ou no fim da frase.
b) se há verbo logo após o pronome, caso em que se usa *eu*.
c) se o verbo da oração principal é transitivo.
d) se a preposição é *para* ou *entre*.
e) se o pronome pode ser substituído por *nós*.
Gabarito: B
O critério decisivo é a função sintática exercida pelo pronome. Quando um verbo no infinitivo vem em seguida, o pronome é seu sujeito, e sujeito exige forma reta: "para eu fazer". Quando nada se segue, o pronome funciona como complemento e assume a forma oblíqua: "para mim". A alternativa d é insuficiente, pois o mesmo raciocínio se aplica a qualquer preposição.
Sobre a construção *"para mim fazer"*, frequente na fala de brasileiros, é correto afirmar que:
a) constitui erro de comunicação, pois impede a compreensão.
b) é inadequada ao registro formal escrito, embora corrente e compreensível na fala.
c) está de acordo com a norma padrão em contextos informais escritos.
d) caracteriza uso restrito a falantes de baixa escolaridade.
e) deve ser considerada correta também na redação de vestibular.
Gabarito: B
A norma padrão exige a forma reta quando o pronome é sujeito de infinitivo, o que torna a construção inadequada em contextos formais escritos, como a redação de vestibular. Isso não a converte em erro de comunicação, já que o enunciado é plenamente compreensível, nem a restringe a determinado grupo social, o que afasta as alternativas a e d. Trata-se de diferença de registro.
Assinale a alternativa que apresenta exclusivamente um fato:
a) "O novo projeto é uma iniciativa admirável."
b) "A prefeitura inaugurou três escolas no município."
c) "Infelizmente, o orçamento foi reduzido."
d) "Trata-se da melhor política pública da década."
e) "É evidente que o modelo precisa mudar."
Gabarito: B
A inauguração de escolas é acontecimento verificável por registros públicos, sem qualquer marca de avaliação. Nas demais alternativas há adjetivos avaliativos em a e d, advérbio modalizador em c e expressão modalizadora em e, todos indicando julgamento de quem escreve. Vale observar que o número em b não garante veracidade, mas caracteriza a afirmação como do tipo factual.
A construção *"É sabido que a proposta fracassou"* caracteriza-se como:
a) fato, pois emprega construção impessoal.
b) opinião apresentada com aparência de fato, sem indicação de fonte ou dado.
c) fato verificável por consenso social.
d) pressuposição sem valor argumentativo.
e) subentendido, pois não há marca linguística de julgamento.
Gabarito: B
A expressão "é sabido que" produz efeito de impessoalidade e sugere consenso estabelecido, mas não apresenta dado nem fonte que sustente a afirmação. O fracasso da proposta é avaliação, e não constatação, e a construção apenas a reveste de aparência objetiva. Trata-se de recurso argumentativo frequente em textos que buscam dispensar a demonstração daquilo que afirmam.
Sobre a afirmação *"A cidade tem cinco milhões de habitantes"*, feita com base em dado desatualizado, é correto dizer que:
a) trata-se de opinião, pois o número está incorreto.
b) trata-se de fato, pois a natureza da afirmação é verificável, ainda que o dado esteja errado.
c) não é fato nem opinião, por ser uma imprecisão.
d) é subentendido, pois depende do contexto.
e) é modalização, pois expressa a posição do autor.
Gabarito: B
A distinção entre fato e opinião diz respeito à natureza da afirmação, não à sua correção. Uma afirmação factual é aquela que pode ser submetida a verificação, e é exatamente esse o caso: basta consultar o censo para conferi-la. Que o resultado da verificação aponte erro não a converte em opinião, apenas a torna um fato afirmado incorretamente.
No verso *"Várias pernas atravessavam a avenida sob a chuva"*, a figura de linguagem empregada é:
a) metáfora
b) metonímia
c) prosopopeia
d) hipérbole
e) catacrese
Gabarito: B
Não são as pernas que atravessam a avenida, são as pessoas. Houve substituição da parte pelo todo, relação típica da metonímia. Não há comparação entre dois elementos, o que exclui a metáfora. Também não há atribuição de característica animada a ser inanimado, o que exclui a prosopopeia, nem exagero, o que exclui a hipérbole.
Leia os versos: I. "Amor é fogo que arde sem se ver." II. "É ferida que dói e não se sente." As figuras de linguagem predominantes em I e II são, respectivamente:
a) comparação e antítese
b) metáfora e antítese
c) metáfora e paradoxo
d) metonímia e paradoxo
e) hipérbole e ironia
Gabarito: C
Em I, o amor é identificado ao fogo sem conectivo comparativo, o que caracteriza metáfora. Em II, as ideias de doer e não sentir se fundem em uma única imagem logicamente impossível, o que caracteriza paradoxo. A alternativa b é a distratora mais forte: a antítese exigiria que as ideias opostas aparecessem separadas e distinguíveis, como em "chora-se no frio, canta-se no calor", e não fundidas na mesma afirmação.
Considere as expressões referentes à morte: I. "Foi desta para melhor." II. "Bateu as botas." Sobre elas, é correto afirmar que:
a) ambas são eufemismos, pois evitam a palavra morte.
b) ambas são disfemismos, pois recorrem à linguagem informal.
c) I é eufemismo e II é disfemismo.
d) I é disfemismo e II é eufemismo.
e) I é metonímia e II é catacrese.
Gabarito: C
A alternativa a é a armadilha da questão, porque as duas expressões de fato evitam a palavra morte. Mas o critério não é o de evitar, e sim o de suavizar. Em I, a formulação atenua e ameniza a ideia da morte, caracterizando eufemismo. Em II, a expressão trata a morte de modo grosseiro e jocoso, o que a gramática classifica como disfemismo, a figura oposta ao eufemismo.
Na frase *"O desempenho da equipe não foi dos piores"*, a figura de linguagem empregada é:
a) ironia
b) eufemismo
c) lítotes
d) hipérbole
e) antítese
Gabarito: C
A construção nega o extremo negativo para afirmar algo positivo: dizer que não foi dos piores equivale a afirmar que foi razoável ou bom. Esse mecanismo de afirmar pela negação do contrário define a lítotes. A alternativa a exigiria que o sentido pretendido fosse o oposto do enunciado, e a b, uma substituição suavizadora sem estrutura negativa.
Considere as expressões referentes a uma pessoa idosa: I. "Ela não é mais tão jovem." II. "Ela é uma pessoa de idade." Sobre as figuras empregadas, é correto afirmar que:
a) ambas são eufemismos.
b) ambas são lítotes.
c) I é lítotes e II é eufemismo.
d) I é eufemismo e II é lítotes.
e) I é ironia e II é lítotes.
Gabarito: C
Em I, a estrutura negativa afirma a idade avançada pela negação da juventude, o que caracteriza lítotes. Em II, não há negação: emprega-se uma expressão alternativa que suaviza a referência, o que define o eufemismo. As duas figuras produzem efeito atenuador semelhante, mas o mecanismo linguístico é distinto, e é ele o critério de classificação.
A diferença entre lítotes e ironia consiste no fato de que:
a) apenas a ironia depende do contexto para ser compreendida, enquanto a lítotes afirma pela negação do contrário de forma direta.
b) apenas a lítotes depende do contexto.
c) ambas invertem completamente o sentido do enunciado.
d) a lítotes é figura de sintaxe e a ironia, de palavra.
e) não há diferença entre elas.
Gabarito: A
Na lítotes, a mensagem pretendida decorre diretamente da estrutura negativa empregada, e o leitor a apreende sem necessidade de informação externa. Na ironia, o enunciado afirma o oposto do que se pensa, e apenas o contexto permite perceber a inversão. A alternativa d é incorreta porque ambas pertencem ao grupo das figuras de pensamento.
No trecho *"Entrei na sala e todos me olharam. Senti o rosto queimar e não soube o que dizer"*, o foco narrativo é de:
a) narrador observador
b) narrador onisciente
c) narrador personagem
d) narrador onisciente intruso
e) narrador em terceira pessoa limitado
Gabarito: C
Os verbos *entrei*, *senti* e *soube* estão na primeira pessoa, e quem narra participa da cena relatada, o que caracteriza narrador personagem. O acesso à interioridade existe, mas se restringe ao próprio narrador: ele sabe o que sentiu, não o que os outros pensaram ao olhá-lo. Essa limitação é justamente o que distingue o narrador personagem do onisciente.
Leia o fragmento: *"Ele sorriu para a esposa. Por dentro, ruminava a decisão que tomaria no dia seguinte, e que ela jamais perdoaria."* O foco narrativo empregado é:
a) personagem, pois há acesso aos sentimentos.
b) observador, pois a narração é em terceira pessoa.
c) onisciente, pois o narrador conhece o interior do personagem e antecipa acontecimentos.
d) testemunha, pois o narrador acompanha a cena de perto.
e) misto, pois alterna primeira e terceira pessoas.
Gabarito: C
A narração está em terceira pessoa, o que exclui o narrador personagem. Mas o narrador não se limita ao observável: ele informa o que o personagem rumina por dentro e antecipa a reação futura da esposa. Esse duplo acesso, à interioridade e ao que ainda não aconteceu, define a onisciência. A alternativa b falha por considerar apenas a pessoa verbal, ignorando o grau de conhecimento do narrador.
Sobre o conceito de narrador não confiável em *Dom Casmurro*, é correto afirmar que:
a) o romance comprova a traição de Capitu por meio de evidências apresentadas pelo narrador.
b) a narração em primeira pessoa, feita por um homem tomado pelo ciúme, torna a versão dos fatos parcial e questionável.
c) o narrador é onisciente e, portanto, conhece os pensamentos de Capitu.
d) a ambiguidade da obra resulta de falha na construção do enredo.
e) o narrador coincide com o autor, o que garante a veracidade do relato.
Gabarito: B
Bentinho narra os acontecimentos décadas depois, movido por ciúme, e apresenta como provas indícios que não se sustentam sozinhos. Como narrador personagem, ele tem acesso apenas à própria perspectiva, o que invalida a alternativa c. A ambiguidade não é falha, é recurso deliberado: o romance não afirma a traição, apresenta um homem convencido dela. A alternativa e confunde narrador com autor, distinção fundamental na análise literária.
A palavra *entristecer* é formada pelo processo de derivação:
a) prefixal
b) sufixal
c) prefixal e sufixal
d) parassintética
e) regressiva
Gabarito: D
O teste consiste em retirar um dos afixos e verificar se a palavra resultante existe. Não há "entriste" nem "tristecer" na língua portuguesa, o que demonstra que prefixo e sufixo foram acrescentados simultaneamente, caracterizando parassíntese. Em "deslealdade", por contraste, existem tanto "desleal" quanto "lealdade", o que configura derivação prefixal e sufixal, descrita na alternativa c.
Assinale a alternativa em que a palavra foi formada por composição por aglutinação:
a) guarda-chuva
b) passatempo
c) planalto
d) girassol
e) pontapé
Gabarito: C
Em "planalto", a união de *plano* e *alto* implicou a perda de elementos do primeiro radical, o que caracteriza aglutinação. Nas demais alternativas, os radicais permanecem íntegros e reconhecíveis, configurando justaposição, independentemente da presença ou ausência de hífen. O critério decisivo não é a grafia, e sim a integridade dos radicais na palavra formada.
Na frase *"O jantar foi servido às oito"*, a palavra destacada exemplifica o processo de:
a) derivação regressiva
b) derivação imprópria
c) composição por justaposição
d) hibridismo
e) derivação parassintética
Gabarito: B
A palavra *jantar* é originalmente um verbo, e nesse contexto passa a funcionar como substantivo, designando a refeição. Não houve alteração na forma, apenas mudança de classe gramatical, o que define a derivação imprópria ou conversão. O artigo *o* é o operador dessa mudança. A alternativa a descreve processo distinto, em que há redução da forma primitiva, como em "ajudar" para "ajuda".
Assinale a alternativa em que o pronome oblíquo foi empregado corretamente:
a) "Encontrei-lhe na saída do cinema."
b) "Vi-lhe ontem na faculdade."
c) "Entreguei-lhe o convite pessoalmente."
d) "Convidei-lhe para a festa."
e) "Chamei-lhe várias vezes."
Gabarito: C
O verbo *entregar* é transitivo direto e indireto, e "lhe" substitui corretamente o complemento preposicionado "a ela" ou "a ele", equivalente a objeto indireto. Nas demais alternativas, os verbos *encontrar*, *ver*, *convidar* e *chamar* são transitivos diretos e exigem os pronomes "o" ou "a", não "lhe": "encontrei-o", "vi-o", "convidei-o", "chamei-o".
Na frase *"Beijou-lhe a testa antes de sair"*, o pronome destacado exerce função de:
a) objeto direto
b) objeto indireto
c) adjunto adnominal, com valor possessivo
d) sujeito da oração
e) parte integrante do verbo
Gabarito: C
O pronome equivale a "a sua testa" ou "a testa dele", indicando posse sobre o substantivo "testa", que é o verdadeiro objeto direto do verbo *beijar*. Esse uso possessivo do pronome oblíquo é elegante e recorrente na literatura, e não deve ser confundido com objeto indireto apenas por vir junto ao verbo com hífen.
Em *"Eles se abraçaram no aeroporto após anos de separação"*, o pronome destacado indica:
a) reflexividade, pois cada um abraçou a si mesmo.
b) reciprocidade, pois a ação foi praticada e recebida mutuamente entre os sujeitos.
c) parte integrante do verbo, sem função sintática.
d) objeto indireto do verbo abraçar.
e) valor possessivo equivalente a "seu".
Gabarito: B
O contexto indica que um sujeito abraçou o outro e vice-versa, configurando ação mútua entre os envolvidos, o que caracteriza pronome recíproco. A diferença para o reflexivo, descrito na alternativa a, está no número de participantes e no sentido da ação: no reflexivo, o sujeito age sobre si mesmo, e não sobre outro sujeito.
Nas frases *"Que menina bela!"* e *"Que bela menina!"*, a palavra destacada classifica-se, respectivamente, como:
a) advérbio e pronome adjetivo
b) pronome adjetivo e advérbio
c) conjunção integrante e pronome relativo
d) substantivo e advérbio
e) partícula expletiva e conjunção
Gabarito: B
Na primeira frase, o *que* antecede o substantivo *menina*, funcionando como pronome adjetivo e exercendo a função de adjunto adnominal. Na segunda, ele antecede o adjetivo *bela*, com valor equivalente a "quão", o que o caracteriza como advérbio de intensidade, com função de adjunto adverbial. A posição em relação ao termo seguinte é o critério que separa os dois casos.
Em *"O jornal noticiou que a obra que fora interrompida seria retomada"*, as duas ocorrências de *que* são, respectivamente:
a) pronome relativo e conjunção integrante
b) conjunção integrante e pronome relativo
c) ambas conjunções integrantes
d) ambas pronomes relativos
e) partícula expletiva e conjunção integrante
Gabarito: B
A primeira ocorrência introduz aquilo que foi noticiado, e a oração pode ser substituída por "isso": "O jornal noticiou isso". Trata-se de conjunção integrante em oração subordinada substantiva objetiva direta. A segunda retoma o substantivo *obra* e admite a troca por "a qual", o que a caracteriza como pronome relativo em oração adjetiva restritiva. Aplicar os dois testes em sequência resolve a questão.
Na frase *"Nós é que resolvemos o problema"*, a expressão destacada:
a) é conjunção integrante e introduz oração substantiva.
b) é pronome relativo com função de sujeito.
c) é partícula expletiva, podendo ser retirada sem prejuízo gramatical.
d) é advérbio de intensidade.
e) constitui erro de construção, devendo ser suprimida na norma culta.
Gabarito: C
A construção "é que" serve exclusivamente para realçar o termo que a antecede, e o teste é imediato: ao retirá-la, obtém-se "Nós resolvemos o problema", frase gramaticalmente completa e de mesmo sentido. Por não ter valor semântico nem função sintática, a partícula é classificada como expletiva ou de realce. A alternativa e é incorreta, pois o recurso é plenamente aceito pela norma culta como marca de ênfase.
Em um anúncio publicitário que diz *"Descubra o sabor que você merece. Experimente agora"*, predomina a função:
a) emotiva
b) apelativa
c) referencial
d) fática
e) metalinguística
Gabarito: B
Os verbos *descubra* e *experimente* estão no imperativo, e o pronome *você* dirige-se diretamente ao interlocutor. O texto busca levar o receptor a uma ação, colocando-o em evidência, o que caracteriza a função apelativa ou conativa. Não há expressão de sentimentos do emissor, o que excluiria a emotiva, nem preocupação em informar objetivamente, o que excluiria a referencial.
Leia o fragmento: *"Faço este poema para dizer o que um poema não consegue dizer. Cada verso que escrevo me lembra de que a palavra é sempre menor do que a coisa."* A função da linguagem predominante no fragmento é:
a) poética, pois há elaboração estética da mensagem.
b) emotiva, pois o eu lírico revela seus sentimentos.
c) metalinguística, pois o poema reflete sobre o próprio fazer poético.
d) referencial, pois informa objetivamente sobre a poesia.
e) fática, pois busca manter o contato com o leitor.
Gabarito: C
O texto usa o poema para falar sobre o que é o poema e sobre os limites da palavra, ou seja, emprega o código para tratar do próprio código. Essa é a definição de função metalinguística. A alternativa a é a distratora mais forte, pois a função poética de fato está presente, como em todo texto literário, mas o que se sobrepõe aqui é a reflexão sobre o fazer poético, e a questão pede o predomínio.
Considere os trechos de uma mesma reportagem: I. "O índice de desemprego caiu 0,8 ponto percentual no trimestre." II. "E aí, leitor, você acredita nesses números?" As funções predominantes em I e II são, respectivamente:
a) referencial e apelativa
b) emotiva e fática
c) referencial e metalinguística
d) poética e apelativa
e) referencial e emotiva
Gabarito: A
Em I, a informação é apresentada em terceira pessoa, com dado numérico verificável e sem marcas do emissor, o que caracteriza função referencial. Em II, o texto interpela diretamente o leitor por meio de vocativo e pergunta, colocando o receptor em evidência, o que caracteriza função apelativa. A alternativa b poderia tentar quem confunde o vocativo "e aí, leitor" com mera abertura de contato, mas a pergunta que se segue busca provocar uma reação, e não apenas testar o canal.
Um texto opinativo publicado em jornal, sem assinatura, em espaço fixo reservado, classifica-se como:
a) notícia
b) reportagem
c) editorial
d) artigo de opinião
e) crônica
Gabarito: C
A ausência de assinatura é o traço decisivo: o editorial expressa a posição institucional do veículo, e não a de um indivíduo, razão pela qual não é assinado. O artigo de opinião, descrito na alternativa d, também é argumentativo, mas traz autoria identificada e pode inclusive divergir da linha editorial do jornal que o publica.
O lide, primeiro parágrafo da notícia, caracteriza-se por:
a) apresentar a opinião do jornalista sobre o fato.
b) responder às perguntas essenciais sobre o acontecimento, concentrando o mais importante no início.
c) introduzir o tema de forma literária.
d) apresentar as fontes consultadas na apuração.
e) resumir o texto ao final da matéria.
Gabarito: B
O lide reúne as informações essenciais sobre o quê, quem, quando, onde, como e por quê, materializando a estrutura em pirâmide invertida. A lógica é prática: como o leitor pode interromper a leitura a qualquer momento, o essencial precisa vir antes do acessório. A alternativa e inverte a posição, pois o lide abre o texto e não o encerra.
A crônica distingue-se dos demais gêneros jornalísticos porque:
a) apresenta compromisso exclusivo com a objetividade informativa.
b) parte de um fato cotidiano e o trata com linguagem literária, levando à reflexão.
c) não admite marcas de subjetividade.
d) é sempre publicada sem assinatura.
e) exige estrutura em pirâmide invertida.
Gabarito: B
A crônica ocupa a fronteira entre jornalismo e literatura: nasce da observação do cotidiano, mas o elabora com recursos expressivos como metáfora, ironia e humor, deslocando o fato banal para o plano da reflexão. As alternativas a, c e e descrevem características da notícia, gênero que se situa no extremo oposto da escala de objetividade.
Um texto publicado na seção de opinião de um jornal, assinado por um colunista, que defende a ampliação do transporte público na cidade, pertence ao gênero:
a) notícia
b) editorial
c) artigo de opinião
d) reportagem
e) crônica
Gabarito: C
A assinatura individual e a defesa explícita de um ponto de vista caracterizam o artigo de opinião. O editorial também defende posição, mas expressa a opinião institucional do veículo e não é assinado, o que exclui a alternativa b. Notícia e reportagem têm compromisso com a objetividade e não defendem tese. A crônica parte do cotidiano com tratamento literário, o que não corresponde à descrição apresentada.
Sobre a relação entre gênero e tipologia textual em uma receita culinária, é correto afirmar que:
a) a receita é um tipo textual injuntivo.
b) a receita é um gênero que combina sequências descritivas e injuntivas.
c) a receita é um gênero exclusivamente descritivo.
d) gênero e tipo coincidem, pois toda receita é injuntiva do início ao fim.
e) a receita é um tipo textual que se realiza em diferentes gêneros.
Gabarito: B
A receita é um gênero, definido pela função social de orientar o preparo de um prato, e não um tipo. Internamente, ela combina duas sequências tipológicas: a lista de ingredientes enumera elementos e quantidades, sendo descritiva, enquanto o modo de preparo orienta ações com verbos no imperativo, sendo injuntivo. A alternativa d ignora justamente a primeira parte do texto, que não instrui, apenas enumera.
A afirmação de que "a lista de gêneros textuais é aberta" significa que:
a) qualquer texto pode ser classificado em qualquer gênero.
b) os gêneros não possuem estrutura reconhecível.
c) novos gêneros surgem conforme surgem novas práticas sociais de comunicação.
d) os gêneros existentes deixam de ser válidos com o tempo.
e) não é possível ensinar gêneros textuais na escola.
Gabarito: C
Os gêneros são formas socialmente estabilizadas de comunicação, e por isso acompanham as transformações das práticas sociais. O surgimento do e-mail, do post e do podcast criou gêneros que não existiam, e o mesmo continuará ocorrendo. Isso não significa ausência de estrutura, o que invalida a alternativa b: cada gênero mantém uma organização reconhecível pela comunidade que o utiliza, e é justamente essa regularidade que permite identificá-lo.
A escolha de Chico Buarque e Paulo Pontes de escrever *Gota d'Água* em versos, mas com vocabulário popular e uso de palavrões, justifica-se pela busca de:
a) elevação formal desconectada do contexto social representado.
b) verossimilhança, já que a linguagem popular condiz com o universo social das personagens retratadas.
c) ruptura total com a tradição da tragédia grega.
d) comicidade gratuita sem função dramática.
e) imitação irônica do Parnasianismo.
Gabarito: B
Mantendo a estrutura em versos da tragédia grega, mas adaptando o vocabulário ao universo popular carioca representado, os autores garantem coerência entre a linguagem empregada e o contexto social das personagens, princípio central da verossimilhança. Seria inconsistente que moradores de um conjunto habitacional periférico se expressassem com formalidade distante de sua realidade linguística cotidiana.
b) o poder econômico que explora a população mais pobre através de mecanismos como o endividamento imobiliário.
c) a solidariedade entre vizinhos de um mesmo conjunto habitacional.
d) a resistência da classe trabalhadora à exploração.
e) um personagem secundário sem relevância simbólica.
Gabarito: B
Como dono do conjunto habitacional que vendeu os apartamentos aos moradores, Creonte personifica o poder econômico que se aproveita da necessidade da população mais pobre, prendendo-a a prestações que se tornam pesadas em contexto de inflação. O símbolo da cadeira, usado em seu diálogo com Jasão, reforça essa representação de hierarquia e domínio social.
A referência ao poema "Quadrilha", de Carlos Drummond de Andrade, na canção "Flor da Idade", presente em *Gota d'Água*, constitui um exemplo de:
a) plágio não reconhecido pelos autores.
b) intertextualidade, que amplia o sentido da obra ao dialogar com a tradição poética modernista brasileira.
c) crítica direta à obra de Drummond.
d) tradução literal do poema para a linguagem musical.
e) recurso sem qualquer função interpretativa na peça.
Gabarito: B
Ao retomar a estrutura de amores em cadeia não correspondidos, presente no célebre poema modernista de Drummond, a canção "Flor da Idade" estabelece diálogo intertextual que amplia as camadas de sentido de *Gota d'Água*, situando a obra em relação com uma tradição literária reconhecida e enriquecendo sua leitura para quem identifica a referência.
Assinale a alternativa em que o emprego de *há* ou *a* está correto:
a) "A dois anos não visito a cidade."
b) "Daqui há três dias sairão os resultados."
c) "Há três meses que aguardo resposta."
d) "Há dois quilômetros daqui existe um posto."
e) "Há uma semana atrás recebi a carta."
Gabarito: C
Em c, a expressão indica tempo já decorrido e admite a substituição por "faz", o que confirma o emprego do verbo *haver*. Em a, o mesmo sentido de passado exigiria "há". Em b e d, trata-se respectivamente de tempo futuro e de distância, contextos que pedem a preposição "a". Em e, além do emprego correto de "há", há redundância com "atrás", que deveria ser suprimido.
Na frase *"A menina a quem entreguei a carta agradeceu"*, as três ocorrências de *a* são, respectivamente:
a) artigo, preposição e artigo
b) preposição, artigo e pronome
c) artigo, artigo e preposição
d) pronome, preposição e artigo
e) artigo, preposição e pronome
Gabarito: A
A primeira ocorrência antecede o substantivo feminino *menina*, determinando-o, e configura artigo definido. A segunda é exigida pela regência do verbo *entregar*, que pede complemento preposicionado, e antecede o pronome relativo *quem*. A terceira antecede o substantivo *carta*, funcionando novamente como artigo. Distinguir essas três classes é o que sustenta o domínio da crase.
Sobre a construção *"Há dez anos atrás"*, é correto afirmar que:
a) está correta, pois a redundância reforça a ideia de passado.
b) apresenta redundância, pois o verbo *há* já indica tempo decorrido.
c) está incorreta porque o verbo deveria estar no plural.
d) exigiria o emprego da preposição "a" em lugar do verbo.
e) constitui construção adequada apenas na linguagem oral.
Gabarito: B
O verbo *haver* empregado para indicar tempo decorrido já situa o fato no passado, tornando o advérbio *atrás* desnecessário. As formas corretas são "há dez anos" ou "dez anos atrás", nunca as duas combinadas. A alternativa c é incorreta porque, nesse emprego, *haver* é impessoal e permanece obrigatoriamente na terceira pessoa do singular.
O verso "Ser ou não ser, eis a questão", proferido por Hamlet, expressa:
a) uma dúvida trivial sobre uma decisão cotidiana.
b) uma reflexão existencial profunda sobre o sentido da própria vida e da existência.
c) uma declaração de amor a Ofélia.
d) uma acusação direta contra Cláudio pelo assassinato do rei.
e) um pedido de socorro ao fantasma do pai.
Gabarito: B
O célebre verso expressa a angústia existencial de Hamlet, personagem construído como intelectual que constantemente examina seus próprios valores e o sentido de sua existência diante do dilema moral da vingança. Essa reflexão filosófica é um dos elementos mais explorados da obra, tanto na crítica literária quanto como repertório para redações sobre temas contemporâneos ligados a sentido de vida e saúde mental.
Sobre a loucura de Hamlet ao longo da peça, é correto afirmar que:
a) é inequivocamente genuína, sem qualquer ambiguidade na obra.
b) constitui um dos temas mais debatidos da crítica shakespeariana, por sua ambiguidade entre condição real e estratégia deliberada.
c) é mencionada apenas por Ofélia, sem relação com o restante do enredo.
d) é resolvida definitivamente já no primeiro ato.
e) não tem qualquer relevância para a interpretação da obra.
Gabarito: B
A ambiguidade sobre se a loucura de Hamlet é genuína ou fingida, como estratégia para investigar o assassinato do pai sem levantar suspeitas de Cláudio, é um dos aspectos mais discutidos por leitores e críticos da peça ao longo dos séculos. Essa incerteza deliberada é recurso central da construção shakespeariana do personagem, e não uma falha de definição.
A metáfora empregada por Hamlet, no quarto ato, ao comparar a ação de Cláudio à de alguém que usa pessoas "como esponjas", ilustra:
a) a generosidade e lealdade do rei para com seus súditos.
b) o oportunismo político de Cláudio, que utiliza pessoas e as descarta após obter o que deseja.
c) a amizade genuína entre Hamlet e Rosencrantz e Guildenstern.
d) uma crítica exclusivamente estética sem relação com o enredo político da peça.
e) a fidelidade de Cláudio aos seus aliados.
Gabarito: B
A imagem da esponja, que absorve o que interessa e é depois espremida e descartada, sintetiza a crítica da peça ao comportamento oportunista de Cláudio, que manipula Rosencrantz e Guildenstern para espionar Hamlet sem qualquer compromisso genuíno com esses antigos amigos do príncipe. Essa metáfora é recurso valioso para discutir relações de poder instrumentalizadas em contextos contemporâneos.
O Humanismo é caracterizado como período de transição porque:
a) rejeita completamente qualquer elemento da tradição medieval.
b) combina elementos ainda medievais com traços que anunciam a mentalidade renascentista.
c) coincide exatamente com o auge do Classicismo português.
d) não apresenta qualquer produção literária relevante.
e) é posterior ao Barroco na periodização portuguesa.
Gabarito: B
O Humanismo se situa entre o teocentrismo trovadoresco e o antropocentrismo classicista, período em que as duas mentalidades convivem em tensão. A obra de Gil Vicente ilustra bem essa transição: ainda produz autos religiosos de tradição medieval, mas também critica abertamente instituições estabelecidas, postura que já dialoga com o espírito renascentista.
Gil Vicente é considerado o fundador do teatro português principalmente por:
a) escrever exclusivamente peças de temática religiosa e conformista.
b) produzir autos e farsas que satirizam o clero, a nobreza e os costumes sociais.
c) adaptar para o português obras clássicas gregas e latinas.
d) inaugurar o soneto como forma poética em Portugal.
e) fundar o primeiro teatro físico em Lisboa.
Gabarito: B
Além dos autos religiosos, ainda ligados à tradição medieval de teatro catequético, Gil Vicente produziu farsas e autos de crítica social que satirizam diferentes estratos da sociedade portuguesa, como se vê no conjunto das Barcas. Essa disposição crítica em relação a instituições estabelecidas é o que confere singularidade à sua obra dentro do contexto de transição do Humanismo.
Assinale a alternativa que diferencia corretamente Humanismo e Classicismo:
a) o Humanismo tem Camões como figura central, e o Classicismo, Gil Vicente.
b) o Classicismo antecede o Humanismo na periodização portuguesa.
c) o Humanismo é período de transição, com produção ainda ligada a formas medievais, enquanto o Classicismo consolida o retorno pleno aos modelos clássicos.
d) apenas o Classicismo produziu textos teatrais.
e) o Humanismo e o Classicismo são sinônimos na tradição crítica portuguesa.
Gabarito: C
O Humanismo prepara o terreno que o Classicismo consolidará: enquanto o primeiro ainda mantém traços formais medievais e representa uma fase de transição, o segundo, com Camões, realiza o retorno consciente e pleno à estética e à mitologia greco-romanas, com rigor formal característico do soneto e da epopeia.
A diferença fundamental entre texto injuntivo e texto prescritivo está:
a) no uso ou não de verbos no imperativo.
b) no grau de liberdade que resta ao leitor diante da orientação recebida.
c) na extensão do texto.
d) na presença de imagens no suporte.
e) no fato de apenas o prescritivo dirigir-se ao receptor.
Gabarito: B
Ambos orientam a ação e ambos podem empregar o imperativo, o que afasta a alternativa a. O critério de distinção é a margem de escolha: a injunção instrui e admite adaptação por parte de quem lê, como numa receita, enquanto a prescrição determina conduta sem alternativa, como num edital. Os dois colocam o receptor em evidência, o que também invalida a alternativa e.
O trecho *"O candidato deverá apresentar documento oficial com foto no dia da prova"* caracteriza-se como:
a) injuntivo, pois orienta o candidato.
b) prescritivo, pois determina conduta obrigatória, sem margem de escolha.
c) descritivo, pois enumera características do documento.
d) narrativo, pois relata um procedimento.
e) dissertativo, pois defende um ponto de vista.
Gabarito: B
O emprego do futuro do presente com valor de obrigação, em *deverá*, e a natureza do suporte, um edital, revelam determinação sem alternativa. O candidato não pode escolher apresentar outro documento nem deixar de apresentá-lo, e o descumprimento acarreta sanção. A alternativa a falharia por sugerir margem de adaptação, inexistente em texto normativo.
Em uma receita culinária, a expressão *"acrescente sal a gosto"* evidencia:
a) o caráter prescritivo do texto, por empregar o imperativo.
b) o caráter injuntivo, pois a instrução admite adaptação por parte de quem executa.
c) ausência de tipologia definida no trecho.
d) predomínio da função referencial da linguagem.
e) sequência descritiva, por caracterizar o ingrediente.
Gabarito: B
A expressão "a gosto" torna explícita a margem de escolha deixada ao leitor, característica que define a injunção. O emprego do imperativo, mencionado na alternativa a, não é suficiente para caracterizar prescrição, já que ambos os tipos podem utilizá-lo. O que distingue os dois é justamente a liberdade que o texto concede ou nega a quem executa.
Leia os textos: Texto I: "Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá." (Gonçalves Dias) Texto II: "Minha terra tem palmares, onde gorjeia o mar." (Oswald de Andrade) A relação intertextual estabelecida entre os textos é de:
a) paráfrase, pois o sentido original é preservado.
b) paródia, pois há subversão do sentido original com intenção crítica.
c) citação, pois há reprodução literal do primeiro texto.
d) epígrafe, pois o segundo texto abre uma obra.
e) tradução, pois há transposição para outro código.
Gabarito: B
Oswald de Andrade substitui "palmeiras" por "palmares", deslocando a natureza idealizada do Romantismo para a referência histórica ao Quilombo dos Palmares, e altera a imagem seguinte de modo desconcertante. Há reconstrução com intenção crítica, o que caracteriza paródia. A alternativa a estaria correta apenas se o sentido original tivesse sido mantido, como acontece na versão de Murilo Mendes.
Em um artigo acadêmico, o autor abre o texto com um verso de Drummond antes do primeiro parágrafo. Esse recurso intertextual denomina-se:
a) citação
b) alusão
c) epígrafe
d) pastiche
e) paráfrase
Gabarito: C
A epígrafe é definida pela posição: trata-se de uma citação colocada antes do corpo do texto, funcionando como chave de leitura para o que será desenvolvido. A citação, por sua vez, aparece no interior do texto, integrada à argumentação. A alusão não reproduz o texto de origem, apenas o sugere indiretamente, o que também não corresponde à situação descrita.
No trecho *"Diante do cargo, descobriu que enfrentava moinhos de vento"*, o recurso intertextual empregado é:
a) paródia da obra de Cervantes.
b) citação de trecho de Dom Quixote.
c) alusão à obra de Cervantes.
d) paráfrase de um episódio do romance.
e) epígrafe deslocada para o interior do texto.
Gabarito: C
A expressão "moinhos de vento" remete ao célebre episódio de *Dom Quixote*, em que o protagonista confunde moinhos com gigantes e os ataca. Não há reprodução de trecho, o que exclui a citação, nem reescrita do episódio, o que exclui a paráfrase. Trata-se de referência indireta que depende do repertório do leitor para produzir sentido, o que define a alusão. Note que o efeito pretendido é caracterizar a luta como inútil ou ilusória.
A distinção entre língua e linguagem pode ser assim resumida:
a) são termos sinônimos, sem qualquer diferença conceitual.
b) linguagem é a capacidade humana de comunicar por sistemas de signos, e língua é um sistema linguístico específico compartilhado por uma comunidade.
c) língua é mais ampla que linguagem, e a engloba.
d) apenas a linguagem verbal pode ser considerada língua.
e) linguagem refere-se exclusivamente à comunicação escrita.
Gabarito: B
Linguagem é o conceito mais amplo, abrangendo qualquer sistema de comunicação, verbal ou não. Língua é uma linguagem específica, organizada segundo um sistema gramatical próprio de uma comunidade, como o português ou o inglês. A alternativa c inverte a relação de amplitude entre os dois conceitos.
Uma questão que pede a identificação da classe gramatical de uma palavra pertence ao campo de estudo da:
a) fonologia
b) morfologia
c) sintaxe
d) semântica
e) estilística
Gabarito: B
A classificação de uma palavra em substantivo, adjetivo, verbo ou outra classe gramatical diz respeito à sua estrutura e categoria, objeto da morfologia. Já a função que essa mesma palavra exerce dentro da frase, como sujeito ou objeto, pertence ao campo da sintaxe, mencionado na alternativa c, o que evidencia como uma mesma palavra pode ser abordada por áreas diferentes conforme a pergunta.
Ao perguntar "que efeito de sentido produz o uso desta metáfora no poema", um enunciado de prova está situado no campo da:
a) fonologia
b) morfologia
c) sintaxe
d) semântica e estilística
e) nenhuma das áreas gramaticais tradicionais
Gabarito: D
Perguntas sobre efeito de sentido e escolhas expressivas do autor pertencem ao campo da semântica, que trata do significado, e da estilística, que trata dos efeitos produzidos por escolhas linguísticas específicas. Esse é justamente o tipo de questão mais recorrente em provas que articulam gramática e literatura, como costuma fazer a UERJ.
Sobre o uso de abreviações como *vc* e *pq* em mensagens instantâneas, é correto afirmar que:
a) constituem erro de português e devem ser combatidas em qualquer contexto.
b) caracterizam um registro adequado à situação comunicativa em que ocorrem.
c) são invenção exclusiva da internet, sem precedentes na escrita.
d) demonstram desconhecimento da norma culta por parte de quem as usa.
e) tornam a comunicação incompreensível entre os interlocutores.
Gabarito: B
As abreviações respondem à necessidade de rapidez própria da comunicação instantânea e são plenamente compreendidas pelos interlocutores, o que afasta a alternativa e. Trata-se de variedade situacional adequada ao contexto, e não de desvio. A alternativa c é historicamente falsa, pois telegramas, bilhetes e anotações pessoais já empregavam abreviações muito antes da internet.
O meme caracteriza-se como gênero digital complexo porque:
a) utiliza exclusivamente linguagem verbal.
b) combina imagem e texto, depende de repertório compartilhado e opera por intertextualidade.
c) não admite variação em sua estrutura.
d) tem finalidade exclusivamente informativa.
e) dispensa qualquer conhecimento prévio do leitor.
Gabarito: B
O meme articula dois códigos e produz sentido por deslocamento de uma referência conhecida, o que exige que o leitor domine o repertório mobilizado. Quem desconhece a referência não acessa o efeito pretendido, o que invalida a alternativa e. Justamente por depender desse conhecimento compartilhado, o meme funciona também como marcador de pertencimento a determinado grupo.
A afirmação de que "a internet está destruindo o português" pode ser criticada porque:
a) a linguagem digital não apresenta características próprias.
b) desconsidera que a variação de registro conforme o contexto é próprio do funcionamento da língua.
c) todos os falantes usam apenas o registro formal.
d) a internet não influencia a linguagem de nenhuma forma.
e) as abreviações já foram oficialmente incorporadas à norma culta.
Gabarito: B
A afirmação criticada parte do pressuposto de que existe uma única forma legítima de escrever, ignorando que falantes competentes ajustam o registro à situação comunicativa. Usar linguagem informal no WhatsApp e formal em um documento não indica deterioração da língua, e sim domínio de mais de um registro. A alternativa d nega, por outro lado, uma influência que de fato existe.
Um anúncio de cosmético apresenta uma atriz reconhecida afirmando usar o produto diariamente. A estratégia de convencimento empregada é:
a) argumento por dados estatísticos
b) transferência do prestígio da celebridade para o produto
c) intimidação
d) raciocínio lógico dedutivo
e) comoção
Gabarito: B
O anúncio não apresenta informação verificável sobre a eficácia do cosmético: o que ele oferece é a associação entre a imagem da atriz e o produto. O consumidor é levado a atribuir ao item o prestígio de quem o anuncia, mecanismo de persuasão por autoridade simbólica. As alternativas a e d descreveriam procedimentos argumentativos apoiados na razão, ausentes na situação apresentada.
Sobre a distinção entre publicidade e propaganda, é correto afirmar que:
a) são termos sinônimos, sem qualquer diferença conceitual.
b) a publicidade tem finalidade comercial e a propaganda difunde ideias, valores ou comportamentos.
c) a propaganda tem finalidade comercial e a publicidade difunde ideias.
d) apenas a publicidade utiliza a função apelativa.
e) a propaganda não pode veicular campanhas de utilidade pública.
Gabarito: B
A publicidade visa à venda de produtos ou serviços, enquanto a propaganda difunde ideias e busca influenciar comportamentos, como nas campanhas de vacinação ou de segurança no trânsito. A alternativa c inverte as definições e a alternativa e contradiz frontalmente a finalidade típica da propaganda. Vale notar que, no plano dos recursos de linguagem, ambas operam de modo semelhante.
O slogan de uma marca de café afirma: *"Desperte para o melhor da vida."* Nele, o verbo destacado explora:
a) apenas o sentido literal de acordar.
b) a ambiguidade entre acordar e tomar consciência, associando o produto a uma transformação pessoal.
c) uma contradição lógica entre os termos.
d) a função metalinguística da linguagem.
e) uma referência intertextual a obra literária.
Gabarito: B
O verbo *despertar* comporta simultaneamente o sentido físico, adequado ao café consumido pela manhã, e o sentido figurado de tomar consciência ou mudar de perspectiva. A publicidade explora deliberadamente essa duplicidade, deslocando o produto do plano do consumo cotidiano para o de uma promessa de transformação. Esse aproveitamento do duplo sentido é recurso central da linguagem publicitária.
Uma tirinha que combina desenho e balões de fala emprega:
a) exclusivamente linguagem verbal
b) exclusivamente linguagem não verbal
c) linguagem mista, na qual o sentido resulta da articulação entre os dois códigos
d) metalinguagem
e) linguagem corporal
Gabarito: C
A tirinha articula o código verbal, presente nos balões, e o não verbal, presente nos traços, expressões e cenário. O sentido não está inteiramente em nenhum dos dois isoladamente, e sim na relação entre eles, o que caracteriza a linguagem mista ou híbrida. É justamente por isso que a leitura de apenas um dos códigos costuma levar ao erro.
Em uma fotografia, o retratado é registrado de baixo para cima. Essa escolha de ângulo tende a produzir o efeito de:
a) fragilidade e vulnerabilidade
b) imponência e superioridade
c) neutralidade absoluta
d) proximidade afetiva
e) distanciamento temporal
Gabarito: B
O ângulo de baixo para cima, chamado contra-plongée, coloca o observador em posição inferior à do retratado, produzindo efeito de grandeza e autoridade. O ângulo oposto, de cima para baixo, gera a impressão descrita na alternativa a. A alternativa c desconsidera um princípio central da leitura de imagem: nenhuma escolha de enquadramento ou ângulo é neutra.
Em um anúncio, o texto verbal afirma que o produto é acessível a todos, enquanto a imagem mostra um ambiente de luxo com pessoas em trajes caros. Essa relação entre os códigos:
a) é redundante, pois os dois reforçam a mesma ideia.
b) é complementar, pois a imagem detalha o texto.
c) é contraditória, e pode produzir ironia ou revelar o público efetivamente visado.
d) indica ausência de linguagem não verbal.
e) caracteriza metalinguagem.
Gabarito: C
O texto verbal e o visual apontam para sentidos incompatíveis: um afirma acessibilidade ampla, o outro representa exclusividade. Essa contradição pode ser deliberada, produzindo ironia, ou pode revelar involuntariamente o público que o anúncio de fato busca atingir. Em qualquer das hipóteses, a leitura exige confrontar os dois códigos em vez de considerá-los isoladamente.
Tratar a "cultura africana" como um bloco homogêneo, ignorando a diversidade de países e povos do continente, constitui:
a) simplificação didática sem consequências.
b) generalização que reforça estereótipos e apaga a diversidade real do continente africano.
c) prática recomendada para facilitar o estudo.
d) reflexo da inexistência de diversidade cultural na África.
e) característica exclusiva de textos acadêmicos.
Gabarito: B
África é um continente com dezenas de países e centenas de povos, línguas e tradições distintas. Tratá-la como bloco único reduz essa riqueza a um estereótipo, o que frequentemente serve para reforçar associações preconceituosas de pobreza e atraso. A mesma crítica se aplica ao tratamento genérico de "o índio" no Brasil, que ignora a pluralidade de povos indígenas existentes.
Palavras como "jacaré", "mandioca" e "Ipanema" têm em comum:
a) origem no latim clássico.
b) origem em línguas indígenas, sobretudo do tronco tupi.
c) formação por processo de derivação prefixal.
d) origem em línguas africanas.
e) criação recente por neologismo.
Gabarito: B
As três palavras vêm de línguas indígenas brasileiras, principalmente do tronco tupi, e ilustram a presença dessas línguas no vocabulário cotidiano e na toponímia do português brasileiro. Essa contribuição atinge não apenas nomes de fauna e flora, mas também nomes de lugares por todo o território nacional, evidenciando a profundidade dessa influência.
Sobre a formação do português brasileiro, é correto afirmar que:
a) resulta exclusivamente da herança lusitana, sem outras influências relevantes.
b) é produto de um encontro de línguas, incorporando contribuições indígenas e africanas ao longo da história.
c) as influências indígenas e africanas se restringem a poucas palavras isoladas e irrelevantes.
d) tratar essas influências como erro é postura tecnicamente correta.
e) o vocabulário de origem africana está limitado a expressões religiosas.
Gabarito: B
O português brasileiro incorporou vocabulário, sonoridades e até estruturas de línguas indígenas e africanas, o que faz da língua falada no Brasil o resultado de um encontro histórico, não uma simples transposição do português europeu. Tratar essas marcas como desvio ou erro, como sugere a alternativa d, ignora esse processo histórico e reproduz preconceito linguístico associado a preconceito de origem.
A proposta verbivocovisual, característica do Concretismo, significa que o poema trabalha simultaneamente:
a) verso, estrofe e rima.
b) significado, sonoridade e disposição visual na página.
c) narrativa, descrição e dissertação.
d) autor, narrador e personagem.
e) métrica, ritmo e acentuação.
Gabarito: B
O termo condensa as três dimensões exploradas pelo poema concreto: o verbo, referente ao significado das palavras; o voco, referente à materialidade sonora; e o visual, referente ao arranjo espacial na página. Essa proposta implica o abandono do verso tradicional, com a folha em branco tratada como campo de composição gráfica, o que aproxima a poesia concreta do design.
A intensificação do uso de metáforas e imagens cifradas na literatura brasileira dos anos 60 e 70 explica-se principalmente por:
a) influência tardia do Simbolismo.
b) exigência estética do concretismo paulista.
c) necessidade de driblar a censura imposta pelo regime militar.
d) retomada dos ideais parnasianos de rebuscamento formal.
e) predomínio da linguagem coloquial na poesia marginal.
Gabarito: C
Com o endurecimento do regime militar, a perseguição a artistas se intensificou, e a produção de camadas metafóricas tornou-se estratégia para dizer o que não podia ser dito diretamente. Trata-se de recurso de sobrevivência e resistência, não de escolha puramente estética. Quando o enunciado de uma questão situa o texto nesse contexto, está indicando a chave de leitura a ser adotada.
Sobre a obra de Guimarães Rosa, é correto afirmar que ela:
a) reproduz o regionalismo documental característico do romance de 30.
b) toma o sertão como ponto de partida para reflexão metafísica, com reinvenção da linguagem.
c) filia-se à prosa urbana da violência, ao lado de Rubem Fonseca.
d) caracteriza-se pelo fluxo de consciência e pela epifania cotidiana.
e) adota a linguagem seca e econômica típica de Graciliano Ramos.
Gabarito: B
Guimarães Rosa parte do universo sertanejo, mas o transforma em espaço de indagação existencial sobre o bem, o mal e o destino, distanciando-se do regionalismo documental descrito na alternativa a. A linguagem é reinventada por meio de neologismos e sintaxe própria, o que a opõe frontalmente à economia vocabular de Graciliano mencionada em e. As alternativas c e d descrevem, respectivamente, Rubem Fonseca e Clarice Lispector.
A obra que marca a transição de Machado de Assis para a fase realista e inaugura o Realismo no Brasil é:
a) Helena
b) A Mão e a Luva
c) Memórias Póstumas de Brás Cubas
d) Dom Casmurro
e) Memorial de Aires
Gabarito: C
*Memórias Póstumas de Brás Cubas* rompe com a estética romântica ao introduzir o narrador defunto, a estrutura fragmentada em capítulos curtos, as digressões e o pessimismo analítico, inaugurando o Realismo brasileiro. As alternativas a e b pertencem à primeira fase, ainda romântica. As alternativas d e e integram a fase realista, mas são posteriores ao marco inicial.
Sobre a construção do narrador em *Dom Casmurro*, é correto afirmar que:
a) o narrador onisciente revela os pensamentos de Capitu, comprovando a traição.
b) a narração em primeira pessoa, feita por um homem movido pelo ciúme, produz um relato parcial e ambíguo.
c) o narrador é imparcial, o que confere veracidade aos fatos relatados.
d) a ambiguidade da obra decorre de inconsistência na construção do enredo.
e) o narrador coincide com o autor, o que garante a confiabilidade do relato.
Gabarito: B
Bentinho é narrador personagem e, portanto, tem acesso apenas à própria perspectiva, o que invalida a alternativa a. Ele narra décadas após os fatos, tomado pelo ciúme, e apresenta como evidências indícios que não se sustentam isoladamente. A ambiguidade resultante não é falha, e sim recurso deliberado: o romance não afirma a traição, apresenta um homem convencido dela.
A diferença fundamental entre a proposta estética do Realismo machadiano e a do Naturalismo está no fato de que:
a) o Realismo idealiza a realidade e o Naturalismo a critica.
b) o Realismo constrói personagens planas e o Naturalismo, esféricas.
c) o Realismo investiga a complexidade psicológica do indivíduo, enquanto o Naturalismo constrói romances de tese apoiados em teorias científicas.
d) o Naturalismo antecede o Realismo em várias décadas no Brasil.
e) apenas o Naturalismo apresenta postura antirromântica.
Gabarito: C
As duas escolas surgem praticamente no mesmo momento no Brasil e compartilham a ruptura com o Romantismo, o que afasta as alternativas d e e. A distinção está no método: o Realismo volta-se para a análise interior da personagem, revelando contradições e autoenganos, enquanto o Naturalismo utiliza a narrativa para demonstrar teorias como o determinismo e o darwinismo social, tratando o comportamento humano como fenômeno observável.
Assinale a alternativa em que o emprego de *mal* ou *mau* está correto:
a) "Ele se comportou mau durante a reunião."
b) "Foi um mal exemplo para os colegas."
c) "O time jogou mal no segundo tempo."
d) "Ela estava de mal humor pela manhã."
e) "Aquele foi um mal negócio."
Gabarito: C
Em c, cabe a substituição por "bem", o que confirma o uso de *mal* como advérbio modificando o verbo *jogar*. Em a, o correto seria "comportou-se mal", pois a palavra modifica verbo. Em b, d e e, as palavras acompanham substantivos e funcionam como adjetivos, admitindo a substituição por "bom": mau exemplo, mau humor, mau negócio.
Assinale a alternativa em que o emprego de *onde* ou *aonde* está de acordo com a norma culta:
a) "Onde você vai depois da aula?"
b) "Aonde fica a biblioteca da universidade?"
c) "Aonde nos levará essa decisão?"
d) "Não sei aonde deixei minhas chaves."
e) "O bairro aonde eu moro é tranquilo."
Gabarito: C
O verbo *levar* indica movimento e exige a preposição "a", que se funde a *onde* formando *aonde*, o que valida a construção da alternativa c. Nas demais, os verbos *ir* na alternativa a exigiria *aonde*, enquanto *ficar*, *deixar* e *morar* indicam permanência ou situação e pedem *onde*, tendo sido empregados incorretamente com *aonde* em b, d e e.
Na frase *"Chegamos ao momento onde a decisão se tornou inevitável"*, o emprego de *onde*:
a) está correto, pois o advérbio pode indicar tempo.
b) está inadequado, pois *onde* refere-se a lugar físico, sendo preferível "em que".
c) está incorreto, devendo ser substituído por "aonde".
d) está correto, pois o verbo indica movimento.
e) deveria ser substituído por "donde", que indica origem.
Gabarito: B
O termo antecedente é *momento*, que designa tempo, e não espaço físico. Como *onde* é advérbio de lugar, seu emprego nesse contexto compromete a precisão do texto, sendo recomendável a substituição por "em que" ou "no qual". A alternativa c falharia duplamente, pois *aonde* indica movimento em direção a um lugar, o que agravaria a inadequação.
Uma imagem apresenta a mão de um desenhista traçando o contorno de uma mão que, por sua vez, desenha a primeira. Essa construção caracteriza:
a) intertextualidade
b) metalinguagem
c) ironia
d) hipérbole
e) função apelativa
Gabarito: B
A imagem utiliza o desenho para representar o próprio ato de desenhar, o que configura o código voltado sobre si mesmo. Trata-se, portanto, de metalinguagem em suporte visual. A alternativa a descreveria diálogo entre obras distintas, e não a reflexão de uma obra sobre o seu próprio processo de construção, que é o caso apresentado.
Assinale a alternativa em que **não** há metalinguagem:
a) Um verbete de dicionário que define a palavra "palavra".
b) Um poema que discute a dificuldade de escrever poemas.
c) Um artigo em português que analisa a pintura barroca.
d) Um filme que mostra os bastidores de uma filmagem.
e) Uma canção cuja letra fala sobre compor canções.
Gabarito: C
Para que haja metalinguagem, o código empregado deve coincidir com o código comentado. Em c, o texto verbal trata de pintura, ou seja, de um código distinto do que ele próprio utiliza, o que caracteriza discurso sobre arte, mas não metalinguagem. Nas demais alternativas há coincidência entre o código usado e o objeto de reflexão.
Em um romance, o narrador interrompe a narrativa para comentar a extensão dos capítulos e pedir paciência ao leitor. Esse procedimento:
a) constitui falha de construção narrativa.
b) caracteriza metalinguagem, ao expor a condição de obra construída e romper o pacto ficcional.
c) configura intertextualidade com outros romances.
d) indica narrador observador em terceira pessoa.
e) demonstra função referencial predominante.
Gabarito: B
Ao comentar a própria estrutura e interpelar quem lê, o narrador desloca a atenção do enredo para o ato de narrar, tornando visível a natureza construída do romance. Esse gesto rompe o pacto ficcional, pelo qual o leitor aceitava o universo narrado como se fosse real. Longe de constituir falha, trata-se de recurso deliberado, marcante na obra de Machado de Assis.
A estrutura narrativa de *Meu Amigo Pintor* caracteriza-se por:
a) capítulos numerados em ordem cronológica linear.
b) partes organizadas por dias da semana, apresentadas fora de ordem cronológica linear.
c) ausência total de organização estrutural.
d) divisão em atos, como em uma peça teatral.
e) narração em terceira pessoa onisciente.
Gabarito: B
O livro se organiza em partes nomeadas por dias da semana, e não em capítulos numerados sequencialmente, com saltos que rompem a ordem cronológica linear. Essa estrutura reflete o funcionamento da memória e dos sonhos de Cláudio, narrador em primeira pessoa, o que também descarta a alternativa e.
O tratamento do tema da morte por suicídio em *Meu Amigo Pintor* é notável porque:
a) o livro evita completamente qualquer menção à morte do pintor.
b) aborda o tema com delicadeza e complexidade incomuns para uma obra destinada ao público infantil.
c) apresenta uma explicação simplista e definitiva para o suicídio.
d) trata o suicídio como evento cômico na narrativa.
e) o tema é irrelevante para a compreensão da obra.
Gabarito: B
A obra não esconde nem simplifica a morte do pintor, e acompanha o processo de Cláudio para compreender, sem sucesso definitivo, por que alguém que via tanta beleza no mundo teria tirado a própria vida. Essa abertura para a complexidade emocional, sem respostas fáceis, distingue a obra dentro do gênero infantil, ao qual pertence.
A revelação, no posfácio do livro, de que o pintor teria sido um preso político durante a ditadura militar:
a) é irrelevante para a interpretação da narrativa central.
b) ressignifica a leitura da melancolia e da morte do personagem, acrescentando uma dimensão histórica ao drama pessoal.
c) contradiz completamente o restante da obra.
d) transforma o livro em um relato histórico documental.
e) elimina a importância do tema da amizade na obra.
Gabarito: B
A revelação tardia da dimensão política da vida do pintor amplia o sentido de sua melancolia e de sua morte, que passam a dialogar com o contexto de repressão vivido no Brasil durante a ditadura militar, sem que isso anule a centralidade da amizade entre ele e Cláudio, eixo emocional que sustenta toda a narrativa.
Na frase *"Infelizmente, o projeto foi arquivado sem discussão"*, a marca modalizadora é:
a) o verbo no particípio "arquivado"
b) o advérbio "infelizmente"
c) a locução "sem discussão"
d) o substantivo "projeto"
e) a voz passiva empregada
Gabarito: B
O advérbio *infelizmente* não acrescenta informação sobre o fato relatado: ele expressa a avaliação de quem escreve, revelando que o arquivamento é considerado lamentável. Trata-se, portanto, de advérbio modalizador de avaliação. A voz passiva, mencionada em e, é escolha sintática que apaga o agente, mas não constitui por si só marca de opinião sobre o fato.
Considere as construções: I. "Certamente a proposta será aprovada." II. "Talvez a proposta seja aprovada." Sobre o grau de adesão do autor ao enunciado, é correto afirmar que:
a) é idêntico nas duas construções.
b) em I o autor assume plenamente a afirmação; em II apenas levanta uma hipótese.
c) em I o autor apenas sugere; em II assume plenamente.
d) nenhuma das construções apresenta modalização.
e) apenas II apresenta modalização, pois I é objetiva.
Gabarito: B
Os dois advérbios são modalizadores, mas de valores opostos. *Certamente* expressa certeza e revela comprometimento total do autor com a previsão. *Talvez* expressa dúvida e reduz esse comprometimento ao mínimo, apresentando o fato como mera possibilidade. A alternativa e é incorreta porque a presença de advérbio de certeza não torna o enunciado objetivo, ao contrário: ele reforça a marca subjetiva.
A construção *"É preciso rever urgentemente o modelo atual"* apresenta modalização que expressa:
a) dúvida quanto à necessidade da revisão.
b) obrigatoriedade e urgência, revelando a posição do autor.
c) neutralidade em relação ao modelo discutido.
d) permissão para que a revisão ocorra.
e) narração de um fato já ocorrido.
Gabarito: B
A locução "é preciso" pertence ao grupo dos modalizadores que expressam necessidade e obrigatoriedade, e o advérbio *urgentemente* intensifica essa avaliação. Juntos, os dois elementos revelam com clareza a posição do autor: ele não apenas descreve o modelo, mas defende que sua revisão é imprescindível e imediata. A alternativa c é incompatível com a presença de duas marcas modalizadoras explícitas.
O traço que mais distingue a Geração de 45 das duas gerações modernistas anteriores é:
a) o abandono total da métrica e da rima.
b) a retomada do rigor formal na poesia, após o verso livre predominante em 22 e 30.
c) a ausência completa de produção em prosa.
d) o retorno ao regionalismo social da geração de 30.
e) a rejeição de qualquer tema urbano.
Gabarito: B
Após duas gerações que consagraram o verso livre como conquista modernista, a Geração de 45 surpreende ao recuperar o cuidado formal e a métrica na poesia, num movimento que não representa retrocesso ao Parnasianismo, mas uma nova relação, mais consciente, com a forma poética. João Cabral de Melo Neto é a referência mais associada a essa retomada.
A prosa de Clarice Lispector, associada à Geração de 45, caracteriza-se por:
a) denúncia social explícita do ambiente rural nordestino.
b) foco na interioridade das personagens, com epifanias a partir de momentos cotidianos banais.
c) linguagem coloquial e humor satírico.
d) estrutura de romance de tese, apoiada em teorias científicas.
e) narrativa histórica sobre a colonização do Brasil.
Gabarito: B
A prosa de Clarice Lispector volta-se para o drama interior das personagens, frequentemente deflagrado por situações banais do cotidiano que se transformam em momentos de revelação existencial, as epifanias. Esse foco introspectivo e urbano contrasta com o regionalismo social da geração de 30, associado a autores como Graciliano Ramos.
O contexto histórico que dá nome à Geração de 45 está relacionado a:
a) a Semana de Arte Moderna e o centenário da Independência.
b) a crise de 1929 e o golpe de Vargas.
c) o fim da Segunda Guerra Mundial, a criação da ONU e o fim do Estado Novo.
d) a Proclamação da República.
e) a redemocratização após a ditadura militar.
Gabarito: C
O ano de 1945 marca o fim de um ciclo de grandes conflitos e polarizações: termina a Segunda Guerra Mundial, cria-se a ONU como tentativa de reorganizar a ordem internacional, e no Brasil chega ao fim o Estado Novo de Vargas. Esse encerramento de tensões explica, em parte, o deslocamento da literatura para questões mais formais e introspectivas.
A segunda geração modernista é chamada de fase de amadurecimento porque:
a) abandonou o verso livre e retomou a métrica tradicional.
b) manteve as conquistas formais de 22 e substituiu o tom provocativo pela reflexão sobre problemas sociais e existenciais.
c) rompeu com o nacionalismo em favor do cosmopolitismo.
d) recusou a linguagem coloquial em nome do rigor erudito.
e) retomou os ideais parnasianos de arte pela arte.
Gabarito: B
A geração de 30 assume como ponto de partida o que 22 conquistou, sobretudo a liberdade formal e o uso do português brasileiro falado, e não precisa mais defendê-los. O que se altera é o tom: o contexto de crise econômica, autoritarismo e guerra torna o humor provocativo insuficiente, e os autores voltam-se para a denúncia social e a reflexão existencial.
Sobre a linguagem de *Vidas Secas*, de Graciliano Ramos, é correto afirmar que:
a) o rebuscamento vocabular contrasta deliberadamente com a pobreza do cenário.
b) a economia vocabular reproduz formalmente a escassez do mundo narrado.
c) a oralidade exagerada aproxima o texto do registro popular nordestino.
d) o lirismo predominante suaviza a dureza da situação retratada.
e) a linguagem científica denuncia a herança naturalista da obra.
Gabarito: B
A relação entre forma e conteúdo é o ponto central da obra. A escrita seca, com frases curtas e vocabulário reduzido, não é apenas escolha de estilo: ela materializa no texto a escassez que as personagens vivem, inclusive a escassez de palavras, tema explícito no romance. As alternativas a e d descrevem procedimentos opostos aos efetivamente empregados por Graciliano.
Os acontecimentos históricos que moldam o ambiente da segunda geração modernista brasileira são:
a) a Independência e a Proclamação da República.
b) a Semana de Arte Moderna e a Primeira Guerra Mundial.
c) a crise de 1929, o golpe de 1930 e a ascensão do nazifascismo.
d) a Abolição da Escravatura e a imigração europeia.
e) a ditadura militar e a censura aos artistas.
Gabarito: C
A quebra da bolsa de Nova York desestabiliza a economia brasileira e a política do café com leite, abrindo caminho para o golpe que leva Vargas ao poder. Simultaneamente, os regimes totalitários avançam na Europa. Esse conjunto explica por que o riso de 22 dá lugar à denúncia social e à angústia existencial. A alternativa e refere-se ao contexto da produção contemporânea, décadas depois.
A pergunta "quantos fonemas tem a palavra 'chave'?" pertence ao campo de estudo da:
a) morfologia
b) fonética
c) sintaxe
d) semântica
e) estilística
Gabarito: B
A contagem de fonemas envolve a análise dos sons da palavra, e não sua estrutura ou classe gramatical, o que caracteriza uma questão do campo da fonética. Em "chave", o dígrafo "ch" representa um único som, de modo que a palavra tem quatro fonemas (x-a-v-e) apesar de cinco letras, distinção que só a análise fonética permite fazer.
Identificar o radical, a vogal temática e as desinências de um verbo conjugado é tarefa que pertence ao campo da:
a) fonética
b) morfologia
c) sintaxe
d) semântica
e) pragmática
Gabarito: B
A decomposição da palavra em suas partes estruturais e o estudo de como ela se flexiona são objeto da morfologia, que trata da estrutura interna das palavras e de suas variações de modo, tempo, número e pessoa nos verbos. A fonética, mencionada na alternativa a, trataria apenas dos sons envolvidos na pronúncia dessas mesmas formas.
Sobre a relação entre fonética e morfologia, é correto afirmar que:
a) são áreas totalmente independentes, sem qualquer interseção.
b) a fonética estuda os sons e a morfologia, a estrutura e a classe das palavras, mas ambas se articulam em regras como a acentuação.
c) a morfologia é subárea da fonética.
d) apenas a fonética é relevante para a análise sintática.
e) a fonética trata exclusivamente da escrita, e não da fala.
Gabarito: B
Embora estudem objetos distintos, som e estrutura, as duas áreas se articulam em diversas regras práticas. A acentuação gráfica é o exemplo mais evidente: aplicá-la corretamente exige primeiro identificar a sílaba tônica, tarefa fonética, e depois classificar a palavra quanto à posição dessa tônica, o que orienta a regra morfológica de acentuação a ser seguida.
A revelação gradual da natureza dos estudantes de Hailsham como clones, ao longo do romance, tem como efeito:
a) confundir desnecessariamente o leitor sem função narrativa.
b) reproduzir, na experiência de leitura, o mesmo processo gradual de descoberta vivido pela narradora sobre sua própria condição.
c) eliminar qualquer tensão dramática da obra.
d) tornar a obra incompreensível sem explicações externas.
e) indicar falha de planejamento narrativo por parte do autor.
Gabarito: B
A estrutura memorialista do romance faz com que o leitor descubra a verdadeira natureza de Hailsham no mesmo ritmo gradual em que a narradora Kathy reconstrói e compreende suas próprias memórias, o que aproxima a experiência de leitura da experiência de descoberta da personagem. Essa lentidão deliberada é recurso central do projeto narrativo de Ishiguro, e não falha de construção.
A frase atribuída a Miss Emily, segundo a qual os alunos "foram contados, mas não lhes contaram tudo", sintetiza:
a) uma mentira completa contada aos estudantes de Hailsham.
b) a estratégia de revelar parcialmente aos clones sua condição, sem expor toda a crueldade de seu destino final.
c) uma afirmação sem qualquer relevância para o enredo.
d) a garantia de que os estudantes teriam vida plena e livre de restrições.
e) a comprovação de que Hailsham era uma escola comum, sem particularidades.
Gabarito: B
A frase revela a lógica de revelação parcial adotada pelas instituições que criam os clones: os estudantes sabem, em algum nível, que serão doadores, mas o peso completo dessa condição e suas implicações são administrados de forma gradual e incompleta, o que gera o clima de mistério e desconforto que permeia toda a narrativa.
Sobre o desfecho de *Não Me Abandone Jamais*, no qual se revela que não existe "adiamento" real para o destino dos clones, é correto afirmar que:
a) representa um final feliz e reconfortante para os personagens.
b) confirma que a esperança de Kathy e Tommy era infundada, e reforça a crítica bioética central da obra sobre a instrumentalização de vidas criadas por clonagem.
c) indica que Hailsham conseguiu, de fato, salvar seus alunos do destino de doação.
d) muda completamente o gênero da obra para comédia romântica.
e) é irrelevante para a interpretação do romance.
Gabarito: B
A confirmação de que não existe possibilidade real de adiamento reforça o projeto crítico da obra: por mais humanizada que tenha sido a educação oferecida em Hailsham, e por mais genuínos que sejam os sentimentos e vínculos afetivos dos personagens, o sistema que os criou para servir de doadores de órgãos permanece inalterado e implacável, o que constitui a denúncia bioética central do romance.
O contexto histórico que atravessa o início de *Niketche*, marcado pela menção a uma explosão de mina antipessoal, remete a:
a) a Segunda Guerra Mundial.
b) a colonização portuguesa do século XV.
c) a guerra civil moçambicana, posterior à independência de Portugal em 1975.
d) a Guerra Fria travada exclusivamente entre Estados Unidos e União Soviética em território europeu.
e) um conflito fictício sem correspondência histórica.
Gabarito: C
A guerra civil de Moçambique, que se estendeu de pouco depois da independência até o início dos anos 1990, ocorreu em um contexto internacional marcado pela Guerra Fria, com influência de potências externas em apoio a diferentes lados do conflito interno. A menção à mina antipessoal logo no início do romance situa a narrativa nesse cenário de violência recente vivido pelo país.
a) a defesa incondicional da monogamia como único modelo familiar válido.
b) a descoberta, pela protagonista, da poligamia do marido, e a reflexão sobre tradições culturais que essa descoberta desencadeia.
c) um relato histórico sobre a colonização portuguesa, sem foco em relações familiares.
d) a narrativa de guerra sem qualquer dimensão pessoal ou íntima.
e) a ausência completa de conflito entre modelos culturais distintos.
Gabarito: B
A obra parte da descoberta pessoal da protagonista, criada em valores monogâmicos cristãos, de que seu marido Tony mantém outras esposas, e usa essa situação como fio condutor para uma reflexão mais ampla sobre tradições culturais moçambicanas e sua tensão com modelos importados de organização familiar, sem reduzir o tema a um julgamento simples.
O fato de a edição de *Niketche* trazer um glossário ao final do livro indica que:
a) a obra foi originalmente escrita em outra língua e depois traduzida ao português.
b) o texto incorpora vocabulário de línguas e expressões moçambicanas que exigem esclarecimento ao leitor não familiarizado.
c) o glossário é elemento decorativo sem função para a leitura.
d) a obra não pode ser lida sem conhecimento prévio de línguas africanas.
e) trata-se de recurso raro na literatura de países africanos de língua portuguesa.
Gabarito: B
O português falado em Moçambique incorpora termos de línguas e culturas locais, e o glossário ao final da edição serve justamente para esclarecer esse vocabulário específico ao leitor de outras regiões lusófonas, como o Brasil. Esse recurso é comum em obras de literaturas africanas de língua portuguesa, que dialogam com o idioma herdado da colonização ao mesmo tempo em que preservam marcas de suas culturas próprias.
A característica que mais distingue o conto do romance é:
a) a ausência de personagens.
b) a organização em torno de um enredo único, sem subtramas paralelas.
c) a impossibilidade de tratar temas complexos.
d) a obrigatoriedade de final feliz.
e) a exclusão de qualquer descrição.
Gabarito: B
Enquanto o romance comporta múltiplas tramas e desenvolvimentos paralelos, o conto se organiza em torno de um único núcleo narrativo, o que exige economia e concentração. Essa restrição de escopo não impede que o conto trate de temas complexos, como afirma incorretamente a alternativa c; apenas exige que essa complexidade seja abordada através de uma situação concentrada.
O conceito de "efeito único", associado à teoria do conto, refere-se a:
a) exigência de que o conto tenha apenas um personagem.
b) princípio segundo o qual toda a construção do texto deve convergir para uma impressão específica sobre o leitor.
c) obrigatoriedade de o conto ser narrado em primeira pessoa.
d) proibição de qualquer diálogo entre personagens.
e) necessidade de o conto ter exatamente três parágrafos.
Gabarito: B
Formulado por Edgar Allan Poe, o princípio do efeito único estabelece que cada elemento do conto, do início ao desfecho, deve contribuir deliberadamente para uma impressão específica e concentrada sobre quem lê. É esse princípio que explica por que o desfecho costuma concentrar o sentido pleno do texto, muitas vezes revelado por uma reviravolta ou imagem final.
Ao ler um conto de autor contemporâneo que dialoga implicitamente com referências artísticas e filosóficas, o leitor deve:
a) ignorar essas referências, pois são irrelevantes para a interpretação.
b) mobilizar repertório próprio para reconhecer as alusões e enriquecer a leitura do texto.
c) considerar o texto incompreensível sem uma nota explicativa do autor.
d) presumir que toda referência é acidental.
e) recorrer exclusivamente à biografia do autor.
Gabarito: B
Contos de autores contemporâneos frequentemente constroem sentido a partir de alusões a obras, ideias e imagens que o leitor precisa reconhecer para captar plenamente o texto. Essa exigência de repertório é parte do projeto do conto, e não um obstáculo à leitura: quanto mais o leitor reconhece essas referências, mais camadas de sentido consegue acessar no texto.
A trajetória política de Pepetela, com participação na luta armada pela independência de Angola, relaciona-se com a obra *O Quase Fim do Mundo* na medida em que:
a) é completamente irrelevante para a compreensão do romance.
b) impregna a narrativa de crítica sociocultural e reflexão sobre a formação de uma identidade nacional africana livre do fascínio pela cultura europeia.
c) transforma o romance em um manifesto exclusivamente político, sem qualquer valor ficcional.
d) indica que o autor abandonou totalmente suas posições políticas ao escrever ficção.
e) restringe a obra a um público exclusivamente angolano.
Gabarito: B
A vivência de Pepetela como participante do movimento de libertação de Angola molda sua escrita, marcada por crítica política e sociocultural voltada à relação entre a cultura africana e a presença europeia, e à construção de uma identidade nacional angolana. Essas reflexões atravessam o romance por meio de comentários e digressões inseridos ao longo da narrativa de sobrevivência.
O conflito entre Simba e as personagens Isis e Janet, ao longo da segunda metade do romance, evidencia principalmente:
a) uma disputa exclusivamente afetiva, sem qualquer dimensão crítica.
b) a contradição de um narrador que se apresenta como racional e científico, mas reproduz posturas tradicionalistas e conservadoras em relação ao papel das mulheres.
c) a total ausência de conflitos entre os sobreviventes.
d) a superioridade moral incontestável de Simba sobre as demais personagens.
e) uma crítica exclusiva à ciência, sem relação com questões de gênero.
Gabarito: B
Isis e Janet, mulheres independentes e reflexivas, colocam-se contra Simba justamente quando ele assume posições tradicionalistas sobre o papel feminino na reconstrução da humanidade. Essa tensão expõe a contradição de um narrador-médico que se vê como símbolo da razão e da ciência, mas reproduz, sem perceber, os mesmos padrões patriarcais da sociedade que desapareceu.
A reflexão de Isis, no epílogo do romance, sobre a tendência humana de repetir erros do passado, sugere que:
a) a humanidade aprendeu definitivamente com sua história e não repetirá seus erros.
b) o quase fim do mundo funciona como experimento narrativo para testar se, diante da chance de recomeçar, o ser humano reproduziria as mesmas hierarquias e preconceitos anteriores.
c) o estudo da história é inútil e deve ser abandonado.
d) apenas os sobreviventes europeus têm responsabilidade sobre o futuro da humanidade.
e) a catástrofe eliminou por completo qualquer possibilidade de conflito futuro entre os sobreviventes.
Gabarito: B
Ao formular, como historiadora, a ideia de que a humanidade estuda sua história mas insiste em repeti-la, Isis condensa o projeto crítico do romance: o quase fim do mundo não é apenas um evento catastrófico, mas um dispositivo narrativo que expõe como os sobreviventes, mesmo diante da oportunidade de recomeçar, seguem reproduzindo hierarquias, ciúmes e preconceitos do mundo anterior.
O estilo narrativo de Rubem Fonseca em *O Seminarista* caracteriza-se por:
a) linguagem rebuscada e poética, típica do lirismo introspectivo.
b) linguagem direta, seca e crua, que reflete o universo de violência narrado.
c) narrativa em terceira pessoa onisciente e distanciada.
d) predomínio de descrições longas e detalhadas da paisagem urbana.
e) construção formal semelhante à do Parnasianismo.
Gabarito: B
A prosa de Rubem Fonseca é marcada pela crueza e pela objetividade, sem os adornos estilísticos de autores como Clarice Lispector. Essa escolha formal não é neutra: ela reforça o universo de violência cotidiana que a obra narra, aproximando forma e conteúdo. A experiência do autor como escrivão de polícia ajuda a explicar essa opção estética.
O tema central que atravessa a trajetória do protagonista de *O Seminarista* é:
a) a busca por reconhecimento social através da violência.
b) a tentativa de recomeçar a vida, frustrada pelo retorno inevitável ao passado violento.
c) a reconciliação bem-sucedida entre fé religiosa e vida profissional.
d) a ascensão econômica como resolução definitiva de seus conflitos.
e) a total ausência de conflito interno no personagem.
Gabarito: B
Após abandonar a vida de matador e tentar reconstruir sua existência a partir de hábitos mais simples e do envolvimento amoroso com Kirsten, o protagonista se vê arrastado de volta ao universo de violência que tentava deixar para trás, ao descobrir sua ligação com o despachante. Esse ciclo de tentativa e fracasso na reinvenção pessoal é o eixo temático mais explorado na obra.
O uso de expressões em latim pelo protagonista, herança de sua formação como seminarista, contribui para:
a) tornar o personagem cômico e ridículo aos olhos do leitor.
b) construir uma tensão irônica entre sua formação religiosa e seu ofício de matador.
c) demonstrar erudição desconectada do restante da narrativa.
d) indicar que o personagem abandonou completamente seu passado.
e) caracterizar exclusivamente o ambiente policial da trama.
Gabarito: B
O contraste entre a formação espiritual, marcada pelo uso do latim, e a profissão violenta do protagonista constrói uma ironia persistente ao longo do romance, evidenciando que ele carrega consigo, sem resolver, dois universos opostos. Esse traço de caracterização é central para compreender a complexidade psicológica do personagem, distante de um matador estereotipado sem interioridade.
Leia o trecho abaixo: *"O sol nasceu. Os pássaros cantaram. O dia começou."* Quantas orações há no trecho acima?
a) Uma.
b) Duas.
c) Três.
d) Quatro.
e) Nenhuma, pois são frases nominais.
Gabarito: C
A forma mais eficiente de contar orações é contar os verbos. No trecho, há três verbos: *nascer*, *cantar* e *começar*. Logo, há três orações. Cada uma forma também um período simples, pois nenhuma delas contém mais de um verbo. A alternativa e está errada porque todos os enunciados têm verbo, o que os caracteriza como orações, não como frases nominais.
Analise as frases abaixo e classifique cada uma como período simples (PS) ou período composto (PC): I. "Ela estudou muito e passou na prova." II. "Silêncio é ouro." III. "Quando ele chegou, todos aplaudiram." Assinale a alternativa correta:
a) PS, PC, PS.
b) PC, PS, PC.
c) PC, PC, PS.
d) PS, PS, PC.
e) PC, PS, PS.
Gabarito: B
Em I, os verbos *estudar* e *passar* formam duas orações, caracterizando período composto. Em II, o único verbo é *ser* ("é"), portanto período simples. Em III, os verbos *chegar* e *aplaudir* formam duas orações ligadas por subordinação, período composto. A análise correta exige identificar todos os verbos antes de classificar, sem se deixar enganar pela extensão da frase.
Assinale a alternativa em que a oração destacada é coordenada sindética conclusiva:
a) "Ele estudou muito, **mas não foi aprovado**."
b) "Não durma agora, **pois a prova é amanhã**."
c) "Pensou bem no assunto, **portanto decidiu ficar**."
d) "Ora ri, **ora chora**."
e) "Chegou cedo **e organizou tudo**."
Gabarito: C
Em c, a conjunção *portanto* encerra o raciocínio apresentando o resultado da reflexão anterior, o que caracteriza a coordenada conclusiva. Em a, *mas* estabelece oposição. Em b, *pois* antecede o verbo e justifica a ordem dada no imperativo, sendo explicativa. Em d, *ora... ora* indica alternância. Em e, *e* soma informações.
Leia os períodos: I. "Volte logo, porque sentiremos sua falta." II. "A planta morreu porque ninguém a regou." Sobre a relação estabelecida pelo conectivo em cada período, é correto afirmar que:
a) em I e II há relação de causa.
b) em I e II há relação de explicação.
c) em I há explicação e em II, causa.
d) em I há causa e em II, explicação.
e) em I há conclusão e em II, causa.
Gabarito: C
Em I, a primeira oração está no imperativo, e não se estabelece causa para uma ordem: justifica-se o pedido. Trata-se de oração coordenada sindética explicativa. Em II, há relação real de causa e efeito, pois a falta de rega provocou a morte da planta, o que caracteriza oração subordinada adverbial causal. O modo verbal da primeira oração é o critério mais seguro para separar os dois casos.
No período *"Não apenas recusou o convite, mas também criticou os organizadores"*, a substituição do conectivo destacado por *e* produziria:
a) alteração do valor semântico, pois se perderia a ideia de oposição.
b) manutenção do sentido, pois ambas as conjunções são aditivas, com perda apenas da ênfase progressiva.
c) erro gramatical, pois *e* não pode iniciar oração coordenada.
d) alteração para relação conclusiva entre as orações.
e) transformação da oração em subordinada adverbial concessiva.
Gabarito: B
A locução "não apenas... mas também" é aditiva, apesar da presença de *mas*, que isoladamente seria adversativo. Ela soma duas informações estabelecendo gradação, em que a segunda intensifica a primeira. A substituição por *e* preserva a adição, mas elimina o efeito de progressão. A alternativa a é a armadilha da questão, pois se apoia na leitura isolada de *mas* sem considerar a locução completa.
A oração destacada em *"Estudando com regularidade, você será aprovado"* pode ser desenvolvida como:
a) "Embora estude com regularidade, você será aprovado."
b) "Se estudar com regularidade, você será aprovado."
c) "Que você estude com regularidade, será aprovado."
d) "Depois que estudou com regularidade, você será aprovado."
e) "Porque estuda com regularidade, você será aprovado."
Gabarito: B
A relação estabelecida no período é de condição: a aprovação depende do estudo regular. O conectivo adequado ao desenvolvimento é, portanto, *se*, o que caracteriza oração subordinada adverbial condicional reduzida de gerúndio. As alternativas a, d e e propõem, respectivamente, concessão, tempo e causa, alterando a relação lógica original.
Em *"Ela afirmou conhecer o autor do texto"*, a oração destacada classifica-se como subordinada:
a) adverbial causal reduzida de infinitivo
b) adjetiva restritiva reduzida de infinitivo
c) substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo
d) substantiva subjetiva reduzida de infinitivo
e) adverbial temporal reduzida de gerúndio
Gabarito: C
Desenvolvendo a oração, obtém-se "Ela afirmou que conhecia o autor do texto". O teste da substituição confirma a natureza substantiva: "Ela afirmou isso". O verbo *afirmar* é transitivo direto, e a oração completa seu sentido, exercendo função de objeto direto. Como o verbo está no infinitivo, a classificação completa é substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo.
Sobre a construção *"O candidato caiu, quebrando o braço"*, é correto afirmar que:
a) o gerúndio está corretamente empregado, pois indica simultaneidade.
b) o gerúndio indica consequência posterior, uso considerado impreciso na norma culta escrita.
c) trata-se de oração reduzida de particípio.
d) a construção configura gerundismo.
e) o gerúndio expressa condição para a queda.
Gabarito: B
O gerúndio expressa simultaneidade ou anterioridade em relação ao verbo principal, mas aqui a fratura decorre da queda, sendo consequência posterior a ela. Por isso a norma culta escrita prefere a construção coordenada "caiu e quebrou o braço". A alternativa d é incorreta porque o gerundismo designa outro fenômeno, o empilhamento de auxiliares em construções como "vou estar enviando".
Assinale a alternativa em que a oração destacada é subordinada adjetiva explicativa:
a) "Os livros **que estavam na estante** foram doados."
b) "Machado de Assis, **que nasceu no Rio de Janeiro**, é o maior escritor brasileiro."
c) "Ele afirmou **que não participaria do evento**."
d) "Não sei **se ela virá**."
e) "As casas **que ficam na encosta** correm risco."
Gabarito: B
Em b, o antecedente *Machado de Assis* já está plenamente identificado, e a oração entre vírgulas apenas acrescenta uma informação. Trata-se de adjetiva explicativa. Em a e e, as orações restringem o antecedente e não vêm entre vírgulas, sendo restritivas. Em c e d, o *que* e o *se* são conjunções integrantes, introduzindo orações substantivas objetivas diretas.
Leia o período: *"Os moradores, que foram avisados da obra, protestaram na câmara."* A retirada das vírgulas produziria:
a) erro gramatical, pois a oração exige pontuação.
b) alteração de sentido: passaria a indicar que apenas parte dos moradores foi avisada e protestou.
c) manutenção integral do sentido, alterando apenas o ritmo da leitura.
d) transformação da oração adjetiva em substantiva.
e) alteração da função do *que*, que passaria a ser conjunção integrante.
Gabarito: B
Com as vírgulas, a oração é explicativa e informa que todos os moradores foram avisados, sendo o aviso um dado adicional. Sem as vírgulas, a oração passa a restritiva e delimita o grupo: apenas os moradores avisados protestaram, o que pressupõe a existência de outros que não foram avisados. A pontuação, portanto, não é ornamental, e é justamente esse deslocamento de sentido que a banca costuma cobrar.
Assinale a alternativa em que o pronome relativo foi empregado de acordo com a norma culta:
a) "O romance cujo o enredo analisamos é do século XIX."
b) "Foi um período onde a economia se transformou profundamente."
c) "A pesquisadora a quem entreguei os documentos publicou o estudo."
d) "O professor que eu falei ontem chegou cedo."
e) "A obra cuja autora é premiada, foi traduzida para o inglês."
Gabarito: C
Em c, o verbo *entregar* rege a preposição "a" para o objeto indireto, e o pronome *quem*, referindo-se a pessoa, aparece corretamente preposicionado. Em a, *cujo* nunca admite artigo depois de si. Em b, *onde* deveria ser substituído por "em que", já que "período" indica tempo, não lugar. Em d, falta a preposição exigida por *falar*: "o professor de quem eu falei". Em e, a vírgula separa indevidamente o sujeito do predicado.
Na frase *"O trabalho era tão extenso que ninguém conseguiu terminá-lo"*, a oração destacada classifica-se como subordinada adverbial:
a) causal
b) comparativa
c) consecutiva
d) concessiva
e) final
Gabarito: C
A presença do advérbio de intensidade *tão* na oração principal é o indício decisivo. Ele anuncia uma consequência, e o *que* seguinte pode ser substituído por "de modo que": "O trabalho era extenso de modo que ninguém conseguiu terminá-lo". Trata-se, portanto, de oração subordinada adverbial consecutiva. Sempre que aparecerem *tão*, *tanto*, *tal* ou *tamanho* na principal, a suspeita de consecutiva deve ser a primeira.
Leia os períodos: I. "Ainda que chovesse muito, a festa aconteceu." II. "Chovia muito, mas a festa aconteceu." Sobre a relação estabelecida em cada período, é correto afirmar que:
a) em I há oração coordenada adversativa e em II, subordinada concessiva.
b) em I há oração subordinada concessiva e em II, coordenada adversativa.
c) em ambos há orações subordinadas concessivas.
d) em ambos há orações coordenadas adversativas.
e) em I há oração subordinada condicional e em II, coordenada adversativa.
Gabarito: B
Em I, o conectivo *ainda que* introduz oração subordinada, e o verbo *chovesse* está no modo subjuntivo, marca característica da concessiva. Em II, o conectivo *mas* liga orações independentes e o verbo *chovia* está no indicativo, o que caracteriza coordenada adversativa. Os dois períodos expressam oposição, mas por estruturas sintáticas diferentes, e o modo verbal é o teste mais rápido para separá-las.
No período *"Como não recebeu resposta, o candidato procurou a coordenação"*, o conectivo destacado estabelece relação de:
a) comparação, podendo ser substituído por "tal qual".
b) conformidade, podendo ser substituído por "conforme".
c) causa, podendo ser substituído por "já que".
d) tempo, podendo ser substituído por "quando".
e) modo, podendo ser substituído por "como se".
Gabarito: C
O conectivo *como* é polissêmico e pode introduzir orações comparativas, conformativas e causais, o que torna necessário observar o contexto. Aqui, a ausência de resposta é o motivo que levou o candidato a procurar a coordenação, e a substituição por "já que" ou "uma vez que" preserva integralmente o sentido. Vale registrar a regularidade: *como* com valor causal aparece tipicamente no início do período, seguido de vírgula, exatamente como neste caso.
Na frase *"Convém que todos cheguem no horário"*, a oração destacada classifica-se como subordinada substantiva:
a) objetiva direta
b) subjetiva
c) predicativa
d) completiva nominal
e) apositiva
Gabarito: B
Aplicando o teste, temos "Convém **isso**". O pronome *isso* é aquilo que convém, ou seja, exerce a função de sujeito do verbo *convir*, empregado na terceira pessoa do singular. A oração é, portanto, subjetiva. Verbos e expressões como *convir*, *importar*, *constar* e "é necessário" são indicadores frequentes desse tipo de oração.
Leia os períodos: I. "Tenho certeza de que ele virá." II. "Preciso de que ele venha." As orações destacadas classificam-se, respectivamente, como:
a) objetiva indireta e completiva nominal.
b) completiva nominal e objetiva indireta.
c) ambas objetivas indiretas.
d) ambas completivas nominais.
e) subjetiva e objetiva indireta.
Gabarito: B
Em I, o termo preposicionado completa o sentido do substantivo abstrato *certeza*, e não do verbo *ter*, que já tem seu objeto direto ("certeza"). Trata-se, portanto, de completiva nominal. Em II, a oração completa o sentido do verbo *precisar*, que é transitivo indireto e rege a preposição "de", caracterizando objetiva indireta. O critério que separa as duas é sempre o mesmo: verificar se o termo se liga a um nome ou a um verbo.
No período *"O jornal noticiou que a obra que fora interrompida seria retomada"*, é correto afirmar sobre as duas ocorrências de *que*:
a) ambas são conjunções integrantes e introduzem orações substantivas.
b) ambas são pronomes relativos e introduzem orações adjetivas.
c) a primeira é conjunção integrante e a segunda, pronome relativo.
d) a primeira é pronome relativo e a segunda, conjunção integrante.
e) a primeira é pronome relativo e a segunda, partícula expletiva.
Gabarito: C
A primeira ocorrência introduz o que o jornal noticiou, e a oração inteira pode ser substituída por "isso": "O jornal noticiou **isso**". É conjunção integrante em oração objetiva direta. A segunda ocorrência retoma o substantivo *obra* e admite a troca por "a qual": "a obra **a qual** fora interrompida". É pronome relativo em oração subordinada adjetiva restritiva. Aplicar os dois testes em sequência é o caminho mais seguro nesse tipo de questão.
Assinale a alternativa em que a concordância verbal está de acordo com a norma culta:
a) "Aluga-se apartamentos no centro."
b) "Alugam-se apartamentos no centro."
c) "Precisam-se de funcionários."
d) "Vive-se bem nesta cidade, dizem os moradores."
e) "Existe-se poucas vagas disponíveis."
Gabarito: B
O verbo *alugar* é transitivo direto, e "apartamentos" funciona como sujeito da oração, o que exige concordância no plural: "alugam-se". Em c, o verbo *precisar* é transitivo indireto, e o "se" é índice de indeterminação do sujeito, devendo permanecer no singular: "precisa-se de funcionários". A alternativa d está correta, mas por outro motivo: ali o "se" também é PIS.
Em *"Ele se queixou do atraso do voo"*, o termo destacado classifica-se como:
a) índice de indeterminação do sujeito
b) partícula apassivadora
c) parte integrante do verbo
d) objeto direto
e) sujeito da oração
Gabarito: C
O verbo *queixar-se* é pronominal e não existe sem o "se": não se diz "ele queixou do atraso". Como o pronome não desempenha função sintática própria, apenas integra a forma verbal, ele é classificado como parte integrante do verbo. O teste da retirada confirma: sem o "se", a construção deixa de existir na língua portuguesa.
Sobre a frase *"Vendem-se casas nesta rua"*, é correto afirmar que:
a) o "se" é índice de indeterminação do sujeito.
b) "casas" é objeto direto do verbo vender.
c) a frase pode ser reescrita como "Casas são vendidas nesta rua", o que comprova tratar-se de partícula apassivadora.
d) o verbo deveria estar no singular, pois o "se" sempre exige essa concordância.
e) trata-se de verbo pronominal.
Gabarito: C
A possibilidade de reescrita com o verbo *ser* mais particípio é o teste decisivo para identificar a partícula apassivadora, e nesse caso ela confirma que "casas" é sujeito da oração, e não objeto, o que invalida a alternativa b. Por ser sujeito, ele determina a concordância do verbo, que corretamente aparece no plural, contrariando a generalização feita em d.
A expressão "arte pela arte", associada ao Parnasianismo, significa que:
a) a poesia deve servir a causas sociais e políticas.
b) a poesia existe em função de sua própria beleza formal, sem finalidade externa.
c) a arte deve expressar os sentimentos íntimos do poeta.
d) a poesia deve buscar a transcendência espiritual.
e) o poeta deve escrever por inspiração, sem preocupação com a forma.
Gabarito: B
O lema parnasiano afirma a autonomia da obra: o poema não serve a nenhuma causa nem expressa emoções pessoais, existindo pela perfeição de sua construção. A alternativa c descreve a postura romântica, e a alternativa d, a simbolista. A alternativa e contradiz frontalmente a escola, que rejeita a inspiração espontânea em favor do trabalho rigoroso do verso.
A imagem do poeta como ourives, recorrente na poesia parnasiana, expressa a concepção de que:
a) a poesia deve ser produzida rapidamente, sob inspiração.
b) o fazer poético é trabalho artesanal de lapidação, cujo esforço não deve transparecer no resultado.
c) o poeta é um vidente, capaz de acessar realidades ocultas.
d) a poesia deve retratar o cotidiano das camadas populares.
e) a forma é secundária em relação ao conteúdo emocional.
Gabarito: B
A comparação com o ourives associa a criação poética ao trabalho manual minucioso sobre o material, até que se alcance a perfeição formal. Há ainda uma exigência decorrente: o poema acabado deve parecer natural, ocultando o esforço que o produziu. A alternativa c descreve a concepção simbolista do poeta, voltada ao acesso do que está além do visível.
Um poema apresenta forte musicalidade construída por aliterações, emprega sinestesias e trata de temas místicos com linguagem de difícil apreensão. Essas características indicam:
a) Parnasianismo
b) Romantismo de primeira geração
c) Simbolismo
d) Realismo
e) Arcadismo
Gabarito: C
Musicalidade obtida por repetição de sons, cruzamento de sensações por meio de sinestesias, temática mística e hermetismo são marcas do Simbolismo, movimento que busca sugerir aquilo que a linguagem direta não alcança. O Parnasianismo, descrito na alternativa a, opera de modo oposto: privilegia a clareza descritiva, a precisão vocabular e a objetividade no tratamento do tema.
O período *"Ele tinha comprado o material e ia começar o trabalho"* é composto por:
a) uma oração, pois há apenas um sujeito.
b) duas orações, por coordenação.
c) quatro orações, uma para cada forma verbal.
d) duas orações, por subordinação.
e) três orações, sendo duas coordenadas e uma subordinada.
Gabarito: B
Embora apareçam quatro formas verbais, elas se agrupam em duas locuções verbais, "tinha comprado" e "ia começar", cada uma expressando uma única ação. Há, portanto, duas orações. Como ambas se sustentam isoladamente e nenhuma exerce função sintática dentro da outra, a relação é de coordenação, marcada pela conjunção aditiva *e*.
No período *"É necessário que todos compareçam"*, a segunda oração classifica-se como subordinada:
a) adjetiva restritiva
b) adverbial condicional
c) substantiva subjetiva
d) coordenada sindética explicativa
e) substantiva objetiva direta
Gabarito: C
Aplicando o teste da substituição, obtém-se "É necessário isso", o que confirma tratar-se de oração substantiva. O passo seguinte é identificar a função exercida pelo pronome no período simples resultante: *isso* é aquilo que é necessário, ou seja, o sujeito da oração. A oração é, portanto, subordinada substantiva subjetiva. A alternativa e descreveria a função de objeto direto, incompatível com o verbo *ser*.
A oração reduzida em *"Terminada a reunião, todos se retiraram"* pode ser desenvolvida como:
a) "Que a reunião terminou, todos se retiraram."
b) "Depois que a reunião terminou, todos se retiraram."
c) "A reunião que terminou, todos se retiraram."
d) "Para que a reunião terminasse, todos se retiraram."
e) "Se a reunião terminasse, todos se retiraram."
Gabarito: B
Trata-se de oração reduzida de particípio, e desenvolvê-la exige converter a forma nominal em verbo conjugado, introduzido pelo conectivo adequado à circunstância expressa. O sentido é de anterioridade temporal, o que pede uma conjunção como "depois que". As alternativas d e e alterariam a relação lógica para finalidade e condição, respectivamente, modificando o sentido original do período.
a) constitui escola literária com manifesto e programa estético definidos.
b) é um período histórico de transição, que reúne autores diversos unidos pela denúncia da realidade brasileira.
c) representa a continuidade do idealismo romântico.
d) surge após a Semana de Arte Moderna, como reação ao modernismo.
e) caracteriza-se pela recusa de temas sociais em favor do rigor formal.
Gabarito: B
O Pré-Modernismo não possui manifesto, grupo organizado nem programa comum, o que invalida a alternativa a. Trata-se de rótulo criado pela crítica para organizar didaticamente a produção do início do século XX até a Semana de Arte Moderna. O que aproxima autores tão distintos entre si é a atitude de voltar-se para o Brasil real e expor o que a literatura anterior ignorava.
Em *Os Sertões*, de Euclides da Cunha, observa-se uma tensão fundamental entre:
a) o lirismo do narrador e a objetividade dos fatos narrados.
b) as teorias deterministas de que o autor partia e a resistência do sertanejo que ele observou em campo.
c) a linguagem coloquial e o tema erudito.
d) a defesa da República e a crítica ao Exército.
e) o regionalismo nordestino e o cosmopolitismo carioca.
Gabarito: B
Euclides parte do arcabouço determinista e racialista corrente em sua época, segundo o qual a mestiçagem produziria populações degeneradas. O que ele testemunha em Canudos, porém, é uma resistência prolongada contra forças muito superiores. Essa contradição entre a teoria de partida e a observação direta atravessa toda a obra e explica a célebre afirmação sobre a força do sertanejo.
O personagem Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, pode ser caracterizado como:
a) o herói romântico que triunfa sobre as adversidades.
b) o nacionalista idealista cuja crença no país o conduz à destruição, o que configura crítica ao ufanismo.
c) o representante da elite carioca satisfeita com a República.
d) o sertanejo que resiste às forças do governo.
e) o caipira determinado pelo meio em que vive.
Gabarito: B
Policarpo dedica a vida a projetos de exaltação nacional e é sistematicamente derrotado pelas instituições em que acreditava, terminando incompreendido e punido. A trajetória constrói uma crítica ao ufanismo e à distância entre o discurso patriótico e o funcionamento real do país. A alternativa d descreve o sertanejo de *Os Sertões*, e a alternativa e, o Jeca Tatu de Monteiro Lobato.
Na frase *"O júri considerou o réu inocente"*, o termo destacado é:
a) adjunto adnominal de "réu"
b) predicativo do sujeito
c) predicativo do objeto
d) objeto direto
e) complemento nominal
Gabarito: C
O verbo *considerar* é transitivo direto e tem "o réu" como objeto. O adjetivo *inocente* atribui uma qualidade a esse objeto, e não ao sujeito "o júri", configurando predicativo do objeto. A alternativa a é incorreta porque o adjetivo não está simplesmente caracterizando o substantivo dentro do sintagma: ele expressa o resultado de um julgamento e não pode ser retirado sem comprometer o sentido da frase.
Compare as construções: I. "Os alunos entregaram o trabalho atrasados." II. "Os alunos entregaram o trabalho atrasado." Sobre os termos destacados, é correto afirmar que:
a) em I e II há predicativo do objeto.
b) em I há predicativo do sujeito e em II, predicativo do objeto.
c) em I há predicativo do objeto e em II, predicativo do sujeito.
d) em I e II há adjunto adnominal.
e) em I e II há predicativo do sujeito.
Gabarito: B
O critério decisivo é a concordância. Em I, o adjetivo está no plural e concorda com "os alunos", núcleo do sujeito, indicando que eles estavam atrasados. Em II, está no singular e concorda com "o trabalho", objeto direto, indicando que o trabalho é que estava fora do prazo. A flexão do adjetivo revela a referência, e a referência determina a classificação.
Na frase *"O menino chorou triste"*, o termo destacado classifica-se como:
a) adjunto adnominal, pois caracteriza o substantivo "menino".
b) predicativo do sujeito, pois está no predicado e atribui estado ao sujeito.
c) adjunto adverbial de modo.
d) predicativo do objeto.
e) complemento nominal do verbo.
Gabarito: B
O adjetivo aparece no predicado, e não colado ao substantivo dentro do sujeito, o que já afasta a alternativa a. Ele atribui ao sujeito um estado circunstancial no momento da ação, configurando predicativo do sujeito em predicado verbo-nominal, já que *chorar* é intransitivo. Compare com "O menino triste chorou", em que o mesmo adjetivo funcionaria como adjunto adnominal.
Na frase *"A empresa deixou de investir em pesquisa"*, o pressuposto é que:
a) a empresa nunca investiu em pesquisa.
b) a empresa investia em pesquisa anteriormente.
c) a empresa pretende voltar a investir.
d) a pesquisa não é relevante para a empresa.
e) outras empresas investem em pesquisa.
Gabarito: B
A locução "deixar de" pertence ao grupo dos verbos que indicam mudança de estado, e ela só faz sentido se a situação anterior existia. Ao afirmar que a empresa deixou de investir, o enunciado assume como dado que ela investia antes. As alternativas c e e descreveriam subentendidos possíveis em certos contextos, mas não estão marcadas linguisticamente no enunciado.
Considere as afirmações sobre o enunciado *"Está muito quente nesta sala"*, dito por alguém ao entrar em um ambiente: I. Há o pressuposto de que a temperatura da sala é elevada. II. Há o subentendido de que o falante deseja que se ligue o ar-condicionado. Sobre as afirmações, é correto dizer que:
a) apenas I está correta.
b) apenas II está correta.
c) I e II estão corretas, e a distinção entre elas é adequada.
d) ambas descrevem pressupostos.
e) ambas descrevem subentendidos.
Gabarito: C
A elevação da temperatura está afirmada e marcada no enunciado pelo intensificador *muito*, constituindo informação assumida pelo falante. Já o pedido para ligar o ar-condicionado não tem qualquer marca linguística: é inferência do ouvinte a partir da situação, e o falante poderia negá-la sem contradizer-se. Essa possibilidade de negação é justamente o critério que distingue subentendido de pressuposto.
A pergunta *"Quando o governo vai parar de ignorar o problema?"* constitui recurso argumentativo porque:
a) apresenta dados objetivos sobre a atuação do governo.
b) pressupõe que o governo ignora o problema, apresentando como dado aquilo que deveria ser demonstrado.
c) apenas solicita informação sobre um prazo.
d) constitui subentendido, sem marca linguística no enunciado.
e) não contém informação implícita.
Gabarito: B
A locução "parar de" marca linguisticamente o pressuposto de que a ação vinha ocorrendo, ou seja, de que o governo ignora o problema. Essa informação não é apresentada para discussão: ela é assumida como ponto de partida, de modo que qualquer resposta à pergunta já a valida. Trata-se da estrutura da pergunta capciosa, recurso frequente no discurso político e explorado pela banca em textos argumentativos.
Diante de uma proposta que afirma que determinada medida "pode colaborar" para resolver um problema social, o candidato deve entender que:
a) precisa necessariamente concordar com a afirmação para atender ao tema.
b) pode defender qualquer posição sobre a relação proposta, desde que discuta especificamente essa relação.
c) deve ignorar a afirmação e escrever sobre o problema social de forma genérica.
d) a proposta exige apenas a descrição do problema, sem posicionamento.
e) não é necessário ler a proposta com atenção, pois o tema é sempre genérico.
Gabarito: B
Compreender a proposta não implica concordar com a premissa nela contida: o candidato pode defender que a medida ajudaria, que não ajudaria, ou uma posição intermediária, desde que a discussão trate especificamente da relação proposta entre a medida e o problema. O erro estaria em desviar-se dessa relação específica para tratar do problema de forma genérica, como descrito na alternativa c.
Os textos motivadores que acompanham a proposta de redação têm a função de:
a) fornecer trechos a serem copiados literalmente no texto final.
b) orientar o repertório e os possíveis ângulos de abordagem do tema, sem substituir a tese do candidato.
c) apresentar a resposta correta que o candidato deve reproduzir.
d) ser ignorados, já que apenas o enunciado do tema importa.
e) substituir a necessidade de leitura prévia sobre o assunto.
Gabarito: B
Os textos motivadores servem como orientação, indicando dados, perspectivas e o modo como a banca situa a discussão, mas não determinam a tese que o candidato deve adotar nem podem ser copiados, prática que é penalizada. Cabe ao candidato construir seu próprio posicionamento a partir dessa orientação, e não apenas reproduzi-la.
Na redação da UERJ, o fragmento de obra literária que acompanha a proposta deve ser interpretado como:
a) elemento decorativo, sem relação direta com o tema a ser discutido.
b) objeto de resumo, sendo a análise do enredo o foco esperado da redação.
c) chave de leitura que revela o recorte específico do tema a ser desenvolvido.
d) matéria irrelevante, já que o tema independe da obra.
e) texto a ser copiado para compor a introdução.
Gabarito: C
O fragmento literário funciona como disparador e orientador do tema, revelando o recorte específico que a banca pretende que seja discutido. Tratá-lo como pretexto para resumir a obra, conforme descrito em b, é um dos erros mais penalizados, pois desvia o texto de sua natureza dissertativo-argumentativa para uma análise literária que não foi solicitada.
A teoria do Humanitismo, criada pelo personagem Quincas Borba, funciona na obra como:
a) uma filosofia apresentada como verdade absoluta a ser aceita pelo leitor.
b) uma paródia crítica de teorias evolucionistas, usada como lente para expor a lógica de interesse que rege as relações sociais retratadas.
c) um sistema religioso alternativo praticado pelos personagens.
d) uma teoria puramente cômica, sem qualquer função crítica.
e) uma defesa da igualdade social entre os personagens.
Gabarito: B
O Humanitismo, com sua síntese irônica "ao vencedor, as batatas", parodia teorias evolucionistas e positivistas em voga na época, reduzindo a existência humana a uma disputa constante por vantagem. Machado de Assis usa essa filosofia inventada como instrumento crítico para expor a lógica de interesse e hipocrisia que efetivamente rege as relações sociais representadas ao longo do romance, e não como doutrina a ser endossada.
A relação de Freitas e Cristiano Palha com Rubião ao longo do romance ilustra, sobretudo:
a) amizades genuínas e desinteressadas, movidas por afeto sincero.
b) o interesse e a hipocrisia que caracterizam a sociedade carioca representada na obra.
c) uma crítica exclusiva à pobreza, sem relação com a riqueza de Rubião.
d) a ausência total de conflito social no romance.
e) a defesa do isolamento social como única forma de proteção.
Gabarito: B
Tanto Freitas, que se aproxima por interesse financeiro escondendo uma tristeza profunda, quanto Cristiano Palha, sedutor que tira vantagens de suas relações sociais, exemplificam o retrato crítico que Machado de Assis constrói de uma sociedade movida por conveniência e aparência, em que a fortuna recém-adquirida de Rubião o torna alvo de interesses alheios disfarçados de amizade.
A progressiva deterioração mental de Rubião ao longo do romance pode ser interpretada como:
a) consequência exclusiva de fatores biológicos sem relação com o contexto social.
b) resultado, entre outros fatores, do efeito corrosivo de viver cercado por interesse e hipocrisia, sem vínculos afetivos genuínos.
c) prova de que a riqueza garante automaticamente felicidade e estabilidade.
d) elemento irrelevante para a interpretação crítica da obra.
e) situação resolvida satisfatoriamente ao final do romance.
Gabarito: B
A decadência psicológica de Rubião funciona, na construção machadiana, como ilustração da crítica social mais ampla da obra: a riqueza e o status social não garantem, por si só, dignidade ou bem-estar, podendo inclusive acelerar a destruição de quem, despreparado para as convenções e hipocrisias da elite carioca, não encontra vínculos afetivos genuínos em sua nova condição social.
A designação "literatura de informação", aplicada aos textos quinhentistas, justifica-se porque:
a) tratava-se de obras com elaborada intenção estética.
b) eram relatos descritivos enviados à Coroa portuguesa sobre a terra encontrada.
c) informavam os indígenas sobre a religião católica.
d) constituíam a primeira produção literária de autores nascidos no Brasil.
e) discutiam questões filosóficas do Renascimento europeu.
Gabarito: B
Os textos do período são documentos de caráter informativo, produzidos por cronistas e navegantes para relatar à Coroa as características da terra, de seus habitantes e de seu potencial de exploração. A alternativa a é incorreta porque não havia intenção estética, e a alternativa d também falha, pois os autores eram portugueses escrevendo para portugueses. A catequese, mencionada em c, constitui a outra vertente do período.
Ao descrever os habitantes da terra, Pero Vaz de Caminha avalia seus costumes a partir dos valores da cultura europeia. Essa perspectiva caracteriza:
a) relativismo cultural
b) objetividade científica
c) etnocentrismo
d) idealização romântica
e) determinismo geográfico
Gabarito: C
O etnocentrismo consiste em tomar a própria cultura como medida para julgar as demais, o que se manifesta na Carta quando comportamentos indígenas são interpretados como ausência de pudor, de fé ou de organização, por não corresponderem aos padrões europeus. O relativismo cultural, descrito em a, é justamente a postura oposta, pois procura compreender cada cultura em seus próprios termos.
Sobre a produção de José de Anchieta em língua tupi, é correto afirmar que:
a) demonstrava valorização da cultura indígena como equivalente à europeia.
b) constituía instrumento para tornar a catequese mais eficiente junto aos indígenas.
c) tinha finalidade exclusivamente documental e linguística.
d) destinava-se ao público leitor português interessado em línguas exóticas.
e) representava a primeira manifestação literária autenticamente brasileira.
Gabarito: B
Anchieta escreveu em português, espanhol, latim e tupi, e o uso da língua indígena integrava a estratégia jesuítica de conversão: pregar no idioma do destinatário aumentava a eficácia da catequese. A alternativa a inverte o sentido do gesto, pois o objetivo não era reconhecer a cultura indígena, mas substituí-la pela fé católica, o que fica evidente na estrutura alegórica de seus autos.
O raciocínio *"Os três restaurantes que visitei nesta rua eram caros. Logo, os restaurantes desta rua são caros"* exemplifica:
a) dedução, pois parte de um princípio geral.
b) indução, pois generaliza a partir de casos particulares observados.
c) silogismo válido, com premissas necessariamente verdadeiras.
d) falácia lógica sem qualquer base empírica.
e) raciocínio circular.
Gabarito: B
O raciocínio parte de casos específicos, os três restaurantes visitados, e generaliza para todos os estabelecimentos da rua, movimento característico da indução. A fragilidade dessa generalização está exatamente aí: bastaria a existência de um restaurante barato na mesma rua para invalidar a conclusão, o que evidencia a diferença entre indução e dedução quanto ao grau de certeza da conclusão.
No silogismo *"Toda obra de arte provoca emoção. Este quadro é uma obra de arte. Logo, este quadro provoca emoção"*, a estrutura apresentada é:
a) premissa menor, premissa maior, conclusão.
b) premissa maior, premissa menor, conclusão.
c) apenas duas premissas, sem conclusão válida.
d) raciocínio indutivo disfarçado de dedutivo.
e) falácia lógica evidente.
Gabarito: B
A primeira afirmação estabelece uma proposição geral, funcionando como premissa maior. A segunda relaciona um caso particular a essa proposição geral, funcionando como premissa menor. A conclusão decorre necessariamente da combinação das duas, o que caracteriza silogismo dedutivo estruturado corretamente, independentemente de se discutir a verdade da premissa maior.
Sobre o silogismo *"Todo político é corrupto. Fulano é político. Logo, Fulano é corrupto"*, é correto afirmar que:
a) a estrutura lógica é inválida.
b) a conclusão é necessariamente verdadeira, independentemente das premissas.
c) a estrutura lógica é válida, mas a conclusão é questionável porque a premissa maior é uma generalização falha.
d) trata-se de raciocínio indutivo.
e) não há premissa maior nesse exemplo.
Gabarito: C
A forma do silogismo está correta, seguindo a estrutura premissa maior, premissa menor e conclusão. O problema está no conteúdo: a premissa maior generaliza indevidamente que todos os políticos são corruptos, o que é uma afirmação falsa e não verificável. Esse é um exemplo clássico de falácia lógica, em que a validade formal não garante a verdade da conclusão.
A principal distinção entre Realismo e Naturalismo reside no fato de que:
a) o Realismo é anterior ao Naturalismo em várias décadas.
b) apenas o Naturalismo apresenta postura antirromântica.
c) o Realismo investiga a psicologia do indivíduo, enquanto o Naturalismo constrói romances de tese apoiados em teorias científicas.
d) o Realismo idealiza a realidade e o Naturalismo a retrata objetivamente.
e) o Naturalismo constrói personagens planas e o Realismo, esféricas.
Gabarito: C
As duas escolas surgem quase simultaneamente e compartilham a ruptura com o Romantismo, o que afasta as alternativas a e b. A idealização é marca romântica, não realista, o que invalida d. A distinção efetiva está no método: o Realismo se detém na complexidade interior da personagem, ao passo que o Naturalismo utiliza a narrativa para demonstrar teses como o determinismo do meio.
Em um romance, o narrador atribui repetidamente o comportamento violento de um personagem às condições do cortiço em que ele cresceu, sugerindo que outro desfecho seria impossível. Essa construção evidencia a influência do:
a) positivismo
b) determinismo
c) romantismo
d) simbolismo
e) idealismo
Gabarito: B
A ideia de que o meio molda o indivíduo a ponto de suprimir seu livre-arbítrio corresponde ao determinismo formulado por Hippolyte Taine, segundo o qual raça, meio e momento explicam o comportamento humano. O positivismo, descrito na alternativa a, refere-se à valorização do conhecimento científico e não trata especificamente dessa relação causal entre ambiente e conduta.
Considere as afirmações sobre o Realismo: I. A narração tende a ser mais lenta que a romântica. II. O adultério é tema recorrente. III. As personagens são construídas de modo plano e previsível. Está correto o que se afirma em:
a) I apenas
b) I e II apenas
c) II e III apenas
d) I e III apenas
e) I, II e III
Gabarito: B
A afirmação I é correta e tem explicação técnica: revelar a complexidade psicológica exige um ritmo cadenciado, que permita ao narrador deter-se em hesitações e contradições. A afirmação II também procede, pois o adultério funciona como situação que expõe a fragilidade das convenções sociais. A afirmação III descreve característica romântica, e não realista: no Realismo, as personagens são esféricas, contraditórias e capazes de surpreender o leitor.
A principal diferença entre a proposta de redação da UERJ e a do ENEM está no fato de que:
a) a UERJ exige texto narrativo e o ENEM, dissertativo.
b) a UERJ parte de uma obra literária adotada pela banca, enquanto o ENEM parte de uma coletânea de textos motivadores.
c) o ENEM exige leitura prévia de obras literárias.
d) a UERJ não avalia o domínio da norma culta.
e) a UERJ permite ao candidato escolher o tema.
Gabarito: B
As duas provas exigem texto dissertativo-argumentativo, o que afasta a alternativa a. A distinção fundamental está no ponto de partida: a UERJ extrai o tema de um fragmento da obra literária adotada, exigindo leitura prévia, enquanto o ENEM fornece na própria prova os textos motivadores sobre um tema social contemporâneo. A alternativa d é falsa, pois a norma culta integra a grade de correção das duas bancas.
Um candidato treinado para o ENEM conclui sua redação da UERJ propondo que o poder público promova campanhas de conscientização, com detalhamento de agente, ação e finalidade. Essa conclusão:
a) é obrigatória e garante pontuação máxima no eixo de conclusão.
b) não é exigida pela UERJ, podendo soar deslocada em relação ao que a banca pede.
c) configura fuga ao tema.
d) caracteriza inadequação ao tipo textual.
e) equivale à quinta competência da grade da UERJ.
Gabarito: B
A proposta de intervenção é exigência específica do ENEM, onde constitui competência própria da grade. A UERJ não a solicita: sua conclusão deve retomar a tese e fechar o raciocínio argumentativo. Uma intervenção detalhada não configura fuga ao tema nem erro de tipologia, o que afasta c e d, mas revela automatismo de preparação e não acrescenta valor à luz dos critérios efetivamente avaliados.
Assinale a alternativa que apresenta um elemento da preparação para o ENEM que se aproveita integralmente na redação da UERJ:
a) o treino da proposta de intervenção com cinco elementos.
b) a memorização de modelos estruturais fixos de introdução.
c) o domínio da estrutura dissertativo-argumentativa e da articulação entre os parágrafos.
d) o uso de repertório sociocultural encaixado independentemente da tese.
e) a familiaridade com o sistema de correção em cinco competências de 200 pontos.
Gabarito: C
A tipologia é idêntica nas duas provas, de modo que o domínio da estrutura dissertativa e da coesão entre parágrafos se transfere integralmente. A alternativa a descreve exigência exclusiva do ENEM. As alternativas b e d descrevem práticas que, na UERJ, tendem a prejudicar o candidato, uma vez que a banca valoriza marcas de autoria e penaliza o repertório desconectado da argumentação.
Assinale a alternativa em que a regência nominal está de acordo com a norma culta:
a) "Ele é fiel de seus princípios."
b) "A proposta é favorável aos trabalhadores."
c) "Ela está ansiosa de boas notícias."
d) "O projeto é acessível para todos."
e) "Ele ficou orgulhoso com o filho."
Gabarito: B
O adjetivo *favorável* rege a preposição "a", corretamente empregada na alternativa b. Em a, o correto seria "fiel a seus princípios". Em c, o adjetivo *ansioso* rege "por": "ansiosa por boas notícias". Em d, o uso mais consagrado é "acessível a todos". Em e, o correto é "orgulhoso do filho", com a preposição "de".
Na frase *"Ele permaneceu fiel à causa até o final"*, a ocorrência da crase se justifica porque:
a) o adjetivo *fiel* não rege preposição alguma.
b) o adjetivo *fiel* rege a preposição "a" e "causa" é substantivo feminino que admite artigo.
c) toda palavra feminina recebe crase automaticamente.
d) a crase é facultativa nesse contexto.
e) o verbo *permanecer* exige a crase.
Gabarito: B
A crase resulta da fusão entre a preposição exigida pelo adjetivo *fiel* e o artigo definido feminino admitido pelo substantivo *causa*. As duas condições precisam estar presentes simultaneamente, o que refuta a alternativa c: nem toda palavra feminina recebe crase, apenas quando há também a preposição exigida por regência.
Assinale a alternativa em que a ausência de crase está correta:
a) "Ele é fiel a Roma." (torcedor do time)
b) "Ele é fiel à Roma antiga." (época histórica)
c) "Fiel a a proposta apresentada."
d) "Contrária a a decisão tomada."
e) "Leal a a instituição."
Gabarito: A
Em a, *Roma* como nome próprio de cidade não especificado não admite artigo, o que impede a crase, mesmo com a regência de *fiel* exigindo a preposição "a". Em b, a especificação "antiga" transforma o nome em substantivo que admite artigo, o que exigiria a crase: "fiel à Roma antiga". As demais alternativas apresentam erro de grafia, pois a fusão da preposição com o artigo deveria ser marcada pelo acento grave: "à proposta", "à decisão", "à instituição".
Assinale a alternativa em que a regência verbal está de acordo com a norma culta:
a) "O projeto visa o desenvolvimento sustentável da região."
b) "A mudança implicou em custos elevados."
c) "Aspiramos ao reconhecimento de nosso trabalho."
d) "Assisti o jogo pela televisão."
e) "Me simpatizei com a proposta apresentada."
Gabarito: C
O verbo *aspirar*, no sentido de almejar, é transitivo indireto e rege a preposição "a", o que torna correta a construção da alternativa c. Em a, *visar* com sentido de ter por objetivo também exige "a": "visa ao desenvolvimento". Em b, *implicar* com sentido de acarretar é transitivo direto: "implicou custos". Em d, *assistir* com sentido de ver rege "a". Em e, *simpatizar* não é verbo pronominal.
Considere as ocorrências do verbo *assistir*: I. "O médico assistiu o paciente durante a noite." II. "Assistimos ao documentário na íntegra." Sobre as construções, é correto afirmar que:
a) ambas apresentam desvio de regência.
b) em I o verbo significa prestar assistência e é transitivo direto; em II significa ver e é transitivo indireto.
c) em I o verbo significa ver e em II, prestar assistência.
d) ambas empregam o verbo com o mesmo sentido e a mesma regência.
e) apenas II está correta, pois *assistir* sempre rege a preposição "a".
Gabarito: B
O verbo *assistir* muda de transitividade conforme o sentido. Quando significa prestar assistência ou socorrer, é transitivo direto e dispensa preposição, como em I. Quando significa ver ou presenciar, é transitivo indireto e exige a preposição "a", como em II. A alternativa e generaliza indevidamente uma das regências, ignorando a polissemia do verbo.
A relação entre regência verbal e emprego da crase pode ser assim descrita:
a) são fenômenos independentes, sem qualquer relação gramatical.
b) a crase depende exclusivamente da presença de substantivo feminino.
c) a crase exige que o verbo reja a preposição "a" e que o termo seguinte admita o artigo "a".
d) todo verbo transitivo indireto produz crase diante de substantivo feminino.
e) a regência determina a crase apenas em locuções adverbiais.
Gabarito: C
A crase resulta da fusão entre a preposição e o artigo definido feminino, o que exige duas condições simultâneas. A regência do verbo fornece a primeira, ao determinar se há preposição "a"; o termo seguinte fornece a segunda, ao admitir ou não o artigo. A alternativa d é a distratora mais forte: em "assisti a Roma", o verbo rege a preposição, mas o topônimo não admite artigo, e por isso não há crase.
A dicotomia entre "a mulher que se respeita" e "a mulher que se despreza", presente em obras do século XIX, revela:
a) uma visão neutra e objetiva sobre o comportamento feminino.
b) uma estrutura social que media o valor da mulher pela conformidade a padrões de comportamento estabelecidos externamente.
c) ausência completa de julgamento moral nas relações da época.
d) uma crítica direta e consciente ao machismo por parte dos autores.
e) tema irrelevante para a análise literária contemporânea.
Gabarito: B
A separação entre mulheres dignas de respeito e mulheres associadas à perdição reflete uma lógica social em que o valor feminino era julgado a partir de critérios de comportamento impostos, frequentemente ligados à sexualidade e à conformidade com expectativas masculinas. Reconhecer essa estrutura em obras literárias permite uma leitura crítica que ultrapassa a mera fruição do enredo.
A tipificação do feminicídio como circunstância qualificadora do homicídio, na legislação brasileira, reconhece que:
a) toda morte de mulher deve ser automaticamente classificada como feminicídio.
b) existe uma modalidade específica de violência letal motivada pelo gênero da vítima, distinta do homicídio comum.
c) a violência doméstica deixou de existir no Brasil após a lei.
d) a legislação anterior já contemplava adequadamente esses casos.
e) o problema está inteiramente resolvido do ponto de vista jurídico.
Gabarito: B
A qualificação jurídica específica reconhece que certas mortes de mulheres ocorrem em razão de sua condição de gênero, geralmente dentro de relações de violência doméstica ou de controle, distinguindo-as do homicídio genérico. Isso não significa, porém, que o problema esteja resolvido: a distância entre a existência da lei e sua efetividade prática continua sendo objeto de debate e argumentação.
Discursos que classificam o debate sobre violência de gênero como pauta secundária ou exagerada operam, do ponto de vista argumentativo, por meio de:
a) apresentação de dados que contradizem estatísticas oficiais.
b) minimização do problema, negando sua relevância sem contestar diretamente os dados que o comprovam.
c) argumentação rigorosa baseada em evidências.
d) reconhecimento da gravidade do problema com proposta de solução.
e) uso exclusivo de argumento de autoridade científica.
Gabarito: B
Esse tipo de discurso não costuma apresentar dados que refutem as estatísticas de feminicídio e violência doméstica; em vez disso, desqualifica o debate por meio de rótulos que sugerem exagero ou vitimismo, sem enfrentar diretamente as evidências disponíveis. Reconhecer essa estratégia é o que permite construir, em uma redação, uma resposta argumentativa consistente a esse tipo de posição.
O argumento que desloca a defesa da educação sexual escolar do campo moral para o campo da saúde pública é:
a) o argumento de que discordar do tema é sinal de ignorância.
b) o argumento da prevenção, associando informação a redução de vulnerabilidade e de gravidez precoce.
c) o argumento de autoridade baseado apenas em opinião de uma celebridade.
d) o argumento de que o tema não deveria ser discutido.
e) o argumento estético sobre a forma do currículo escolar.
Gabarito: B
Ao associar a educação sexual a indicadores de saúde pública, como redução de infecções sexualmente transmissíveis e de gravidez precoce, o argumento se apoia em evidências verificáveis, o que o torna mais difícil de refutar apenas com base em posição moral. Esse deslocamento de campo é uma estratégia argumentativa eficaz para temas que costumam ser tratados apenas emocionalmente.
Sobre o tratamento de temas polêmicos como a educação sexual nas escolas em uma redação, é correto afirmar que:
a) o candidato deve evitar qualquer posicionamento para não desagradar o corretor.
b) afirmar que quem discorda é ignorante fortalece o argumento.
c) o texto deve se posicionar claramente e sustentar a posição com argumentos consistentes, evitando ataques pessoais a quem discorda.
d) a indignação, por si só, substitui a necessidade de argumentação.
e) o tema deve ser tratado apenas com base em opinião pessoal, sem qualquer dado.
Gabarito: C
A dissertação argumentativa exige tese e sustentação consistente, e isso vale especialmente para temas polêmicos, em que a tentação de evitar posicionamento é maior. Desqualificar quem discorda, como sugerido em b, é falácia de ataque pessoal, e não argumento. A indignação sozinha, mencionada em d, não substitui a necessidade de demonstração lógica e evidências.
Reconhecer que parte da polêmica em torno de determinado tema foi alimentada por desinformação deliberada, em uma redação, deve ser feito:
a) com tom de acusação genérica, sem necessidade de sustentação.
b) evitando qualquer menção ao fenômeno, por ser tema delicado.
c) com objetividade, sustentado por raciocínio e evidências, sem apelo emocional vazio.
d) apenas em textos de opinião, nunca em dissertações argumentativas.
e) como argumento de autoridade baseado exclusivamente na opinião do candidato.
Gabarito: C
Reconhecer a existência de desinformação em um debate público é argumento legítimo e frequentemente relevante, mas sua força depende de ser apresentado com objetividade e sustentação, não como acusação vaga contra quem pensa diferente. Um argumento sofisticado se distingue de um ataque pessoal justamente pela capacidade de sustentar a afirmação com raciocínio e, quando possível, evidências.
Um poema romântico que exalta a natureza brasileira e apresenta o índio como herói nacional idealizado pertence à:
a) primeira geração, nacionalista ou indianista
b) segunda geração, ultrarromântica
c) terceira geração, condoreira
d) prosa regionalista
e) escola realista
Gabarito: A
A exaltação da pátria, a valorização da natureza e a construção do índio como herói nacional são marcas da primeira geração romântica, voltada à criação de uma identidade brasileira após a Independência. A segunda geração desloca o foco para o eu, com pessimismo e morbidez, enquanto a terceira volta-se para causas sociais, especialmente o abolicionismo.
O termo "condoreirismo", associado à terceira geração romântica, deve-se:
a) à influência de Lord Byron sobre os poetas brasileiros.
b) à imagem do condor, ave que voa alto, símbolo de liberdade e de amplitude da poesia social.
c) ao caráter regionalista da prosa produzida no período.
d) ao pessimismo e à obsessão pela morte característicos da geração.
e) à valorização do índio como herói nacional.
Gabarito: B
O condor, ave de grande envergadura que alcança altitudes elevadas, tornou-se símbolo da poesia libertária e grandiloquente da terceira geração, marcada pela militância abolicionista de Castro Alves. A alternativa a descreve o byronismo, associado à segunda geração, e a alternativa d apresenta justamente as características ultrarromânticas dessa geração anterior.
Sobre o folhetim romântico, é correto afirmar que:
a) era publicado integralmente em volume único, destinado à elite letrada.
b) consistia em romances publicados em capítulos na imprensa, com clímax ao final de cada trecho, e influenciou diretamente o formato da novela televisiva.
c) caracterizava-se pela complexidade psicológica das personagens.
d) surgiu no Realismo como reação à prosa romântica.
e) tinha caráter exclusivamente indianista.
Gabarito: B
O folhetim nasce da conjunção entre o desenvolvimento da imprensa e a formação de um público leitor, sendo publicado em capítulos com ganchos que garantiam o retorno do leitor. A alternativa c descreve característica realista, pois a prosa romântica trabalha com personagens planas e previsíveis. A herança do formato permanece visível na estrutura da novela de televisão brasileira.
A escolha do ano de realização da Semana de Arte Moderna relaciona-se diretamente com:
a) o fim da Primeira Guerra Mundial.
b) o centenário da Independência do Brasil.
c) a Proclamação da República.
d) a crise da bolsa de Nova York.
e) o início do governo Vargas.
Gabarito: B
A data foi escolhida deliberadamente por coincidir com o centenário da Independência, o que permitia formular a pergunta central do movimento: cem anos após a emancipação política, o país havia conquistado independência estética ou seguia reproduzindo modelos europeus? As alternativas d e e referem-se a acontecimentos posteriores, ligados ao contexto da segunda geração modernista.
O conceito de antropofagia, formulado no Manifesto Antropófago, propõe que a cultura brasileira deve:
a) recusar integralmente toda influência estrangeira.
b) reproduzir fielmente os modelos culturais europeus.
c) devorar a cultura estrangeira, assimilando-a criticamente para produzir algo próprio.
d) retornar às formas literárias do Romantismo nacionalista.
e) isolar-se das vanguardas europeias em nome da originalidade.
Gabarito: C
A metáfora antropofágica desloca a discussão entre cópia e recusa: em vez de negar o que vem de fora ou reproduzi-lo passivamente, propõe-se devorá-lo, digeri-lo e transformá-lo em algo próprio. Essa formulação resolve o impasse da geração anterior, que oscilava entre o ufanismo e o complexo de inferioridade cultural, e permanece uma das contribuições mais influentes do modernismo brasileiro.
Assinale a alternativa que apresenta apenas características da primeira geração modernista brasileira:
a) rigor métrico, impessoalidade e culto à forma.
b) verso livre, linguagem coloquial, humor e paródia.
c) hermetismo, misticismo e musicalidade.
d) idealização da natureza, sentimentalismo e final feliz.
e) romance de tese, determinismo e linguagem científica.
Gabarito: B
A geração de 22 caracteriza-se pela ruptura formal, com abandono da métrica fixa e da rima, pela incorporação do português brasileiro falado e pelo uso do humor e da paródia como armas contra a tradição. A alternativa a descreve o Parnasianismo, alvo declarado dos modernistas; a c, o Simbolismo; a d, o Romantismo; e a e, o Naturalismo.
A organização de *Senhora* em quatro partes nomeadas com vocabulário comercial (O Preço, Quitação, Posse, Resgate) tem como função:
a) apenas indicar a ordem cronológica dos acontecimentos, sem relação temática.
b) sustentar a crítica de José de Alencar à instituição do casamento como transação mercantil no século XIX.
c) descrever transações financeiras reais que ocorrem paralelamente ao enredo amoroso.
d) narrar a falência do pai de Aurélia.
e) apresentar quatro narradores distintos para a história.
Gabarito: B
Os títulos remetem diretamente ao vocabulário de transações comerciais, e essa escolha estrutural sustenta a crítica central da obra ao casamento como arranjo social movido por interesse financeiro e status, em detrimento do sentimento genuíno. Aurélia "compra" seu marido pagando um dote generoso, o que inverte a lógica tradicional de gênero na qual o homem buscava vantagem financeira no casamento.
Na parte "Posse", a acusação de Aurélia a Seixas, chamando-o de "vendido" que "custou barato", revela:
a) satisfação de Aurélia com o casamento realizado.
b) o reconhecimento, por parte de Aurélia, da lógica mercantil que sustentou a união, e a humilhação que essa lógica provoca em Seixas.
c) desinteresse total de Aurélia pela relação conjugal.
d) uma declaração de amor incondicional.
e) ausência de qualquer conflito entre o casal.
Gabarito: B
A fala de Aurélia expõe abertamente a natureza comercial do casamento, humilhando Seixas ao reduzi-lo à condição de mercadoria adquirida por um preço. Essa humilhação desencadeia a crise de consciência que domina toda a parte "Posse", em que Seixas busca reconstruir sua dignidade moral diante da condição de ter sido comprado.
O desfecho da obra, na parte "Resgate", em que Aurélia beija a imagem de Seixas e afirma que "aquele homem que ela ama não existe mais", pode ser interpretado como:
a) confirmação inequívoca de reconciliação plena entre o casal.
b) ambiguidade que mantém em aberto se há redenção afetiva real ou apenas a permanência de uma versão idealizada de Seixas.
c) prova de que Aurélia nunca amou Seixas em nenhum momento da narrativa.
d) desfecho cômico sem relevância temática.
e) indicação de que Seixas morre ao final da obra.
Gabarito: B
A cena mantém deliberadamente a ambiguidade típica do romance: a declaração de Aurélia pode se referir a uma imagem idealizada de Seixas que ela guardou, e não ao homem real diante dela, o que impede uma leitura simples de reconciliação definitiva. Essa abertura interpretativa é um dos aspectos mais ricos da obra para discussão em prova, evitando conclusões precipitadas sobre o desfecho.
Na frase *"Vossa Excelência parece preocupado com o resultado"*, ocorre:
a) erro de concordância nominal
b) silepse de gênero
c) silepse de número
d) silepse de pessoa
e) concordância atrativa
Gabarito: B
A expressão *Vossa Excelência* tem forma gramatical feminina, mas o adjetivo concorda com o sexo do interlocutor a quem o pronome de tratamento se dirige, no caso um homem. A concordância se faz, portanto, com a ideia e não com a palavra, o que caracteriza silepse de gênero. Não há erro: trata-se de figura de sintaxe reconhecida pela tradição gramatical.
Em *"Os brasileiros somos um povo criativo"*, a construção evidencia:
a) desvio de concordância verbal, pois o correto seria "são".
b) silepse de pessoa, pois o autor se inclui no grupo mencionado.
c) silepse de número, pois o sujeito é coletivo.
d) concordância atrativa com o termo mais próximo.
e) sujeito indeterminado.
Gabarito: B
Gramaticalmente, "os brasileiros" é terceira pessoa do plural e exigiria a forma *são*. O emprego de *somos* desloca a concordância para a primeira pessoa, marcando a inclusão de quem escreve no grupo referido. Trata-se de silepse de pessoa, recurso que produz efeito de pertencimento e engajamento, e não de desvio, o que afasta a alternativa a.
Sobre a diferença entre silepse e desvio de concordância, é correto afirmar que:
a) são fenômenos idênticos, variando apenas a nomenclatura.
b) a silepse é intencional e motivada pela ideia subentendida, sendo reconhecida como figura de sintaxe.
c) o desvio é aceito pela norma culta e a silepse, não.
d) apenas textos literários apresentam desvios de concordância.
e) a silepse ocorre exclusivamente com sujeitos coletivos.
Gabarito: B
A silepse consiste na concordância com a ideia subentendida, sendo procedimento motivado semanticamente e consagrado pela tradição gramatical, com registro em autores canônicos. O desvio, por sua vez, não apresenta essa motivação. A alternativa e é incorreta porque, embora a silepse de número frequentemente envolva coletivos, os tipos de gênero e de pessoa operam por outros mecanismos.
O último terceto do soneto "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" contrasta a mudança universal apresentada ao longo do poema com:
a) a confirmação de que todos os sentimentos do eu lírico também se transformaram.
b) a permanência da dor de amor do eu lírico, que não se altera apesar de tudo ao seu redor mudar constantemente.
c) a ausência total de qualquer sentimento por parte do eu lírico.
d) a alegria constante do eu lírico diante da passagem do tempo.
e) a impossibilidade de qualquer reflexão sobre o tempo na lírica camoniana.
Gabarito: B
Depois de apresentar a mudança como lei universal, que atinge estações, sentimentos e circunstâncias, o poema surpreende ao revelar, no último terceto, que a única constante é justamente a permanência da dor amorosa do eu lírico, contraste que condensa o sentido de todo o soneto, seguindo o padrão camoniano de reservar a síntese do tema para o fechamento do texto.
A personificação da madrugada, no soneto "Aquela Triste e Leda Madrugada", cumpre a função de:
a) eliminar qualquer dimensão emocional do poema.
b) atribuir à madrugada o papel de testemunha do drama amoroso, capaz de sintetizar, na antítese "triste e leda", o duplo sentimento de dor pela separação e esperança pela chegada de um novo dia.
c) tornar o poema incompreensível para o leitor contemporâneo.
d) eliminar a estrutura fixa característica do soneto camoniano.
e) descrever objetivamente um fenômeno meteorológico, sem qualquer função simbólica.
Gabarito: B
Ao personificar a madrugada como única testemunha da separação dos amantes, o eu lírico constrói, já na antítese inicial "triste e leda", a dupla dimensão do momento: a tristeza da despedida e a esperança simbólica de um recomeço associado à chegada do novo dia, recurso central para a interpretação do poema.
A estrutura fixa do soneto camoniano, organizada em dois quartetos e dois tercetos, geralmente relaciona-se com a construção do sentido do poema da seguinte forma:
a) cada estrofe apresenta um tema completamente independente das demais.
b) a primeira estrofe apresenta uma ideia, as estrofes seguintes a desenvolvem, e o último terceto costuma revelar de forma mais explícita o tema central do texto.
c) o sentido do poema é sempre revelado já no primeiro verso, sem qualquer desenvolvimento posterior.
d) os tercetos são sempre dispensáveis para a compreensão do poema.
e) não há qualquer relação entre a forma fixa do soneto e a construção do sentido do texto.
Gabarito: B
A forma fixa do soneto camoniano segue um percurso racional de construção do sentido: a ideia inicial, apresentada no primeiro quarteto, é desenvolvida ao longo do segundo quarteto e dos tercetos, culminando numa síntese ou reviravolta no último terceto, que costuma condensar o tema central de todo o poema.
Assinale a alternativa em que a oração apresenta sujeito indeterminado:
a) "Chegaram os convidados atrasados."
b) "Precisa-se de profissionais qualificados."
c) "Faz dois anos que não o encontro."
d) "Havia poucos livros na estante."
e) "Compramos o material ontem."
Gabarito: B
Em b, o verbo está na terceira pessoa do singular acompanhado do "se", índice de indeterminação do sujeito. Em a, o sujeito é simples e está invertido ("os convidados atrasados"). Em c e d, temos orações sem sujeito, com *fazer* indicando tempo decorrido e *haver* com sentido de existir. Em e, o sujeito é desinencial, pois a desinência de "compramos" indica *nós*.
Leia o período: *"Não havia razões para tanto alarde, embora insistissem no contrário."* Sobre os sujeitos das orações do período, é correto afirmar que:
a) ambas as orações têm sujeito indeterminado.
b) a primeira tem sujeito simples e a segunda, sujeito oculto.
c) a primeira é oração sem sujeito e a segunda tem sujeito indeterminado.
d) a primeira tem sujeito indeterminado e a segunda, sujeito simples.
e) ambas as orações são orações sem sujeito.
Gabarito: C
Em "não havia razões", o verbo *haver* está empregado com sentido de existir, o que caracteriza oração sem sujeito. "Razões" é objeto direto, não sujeito, motivo pelo qual o verbo permanece no singular. Já em "insistissem no contrário", o verbo está na terceira pessoa do plural sem nome que determine o agente, configurando sujeito indeterminado.
No trecho *"Vendem-se apartamentos na região"*, a análise sintática correta indica que:
a) o sujeito é indeterminado e o "se" é índice de indeterminação.
b) o sujeito é "apartamentos" e o "se" é partícula apassivadora.
c) trata-se de oração sem sujeito.
d) o sujeito é desinencial, referente a *eles*.
e) o "se" é pronome reflexivo e o sujeito é simples.
Gabarito: B
O verbo está no plural concordando com "apartamentos", o que revela que esse termo é o sujeito da oração, não um complemento. Trata-se de voz passiva sintética, equivalente a "apartamentos são vendidos na região", e o "se" é partícula apassivadora. O teste é direto: se a frase pode ser reescrita na voz passiva analítica com o verbo *ser*, o "se" é apassivador e há sujeito. Se não pode, como em "precisa-se de engenheiros", o "se" indetermina o sujeito e o verbo fica no singular.
No trecho *"Bata as claras em neve. Reserve. Em outra tigela, misture as gemas com o açúcar"*, o tipo textual predominante é:
a) narrativo
b) descritivo
c) dissertativo
d) injuntivo
e) expositivo
Gabarito: D
Os verbos *bata*, *reserve* e *misture* estão no modo imperativo e orientam o leitor a executar uma sequência de ações, o que caracteriza o tipo injuntivo ou instrucional. Não há relato de fatos ocorridos, o que excluiria a narração, nem enumeração de características, o que excluiria a descrição. Também não há defesa de ponto de vista nem apresentação de conceitos.
Leia o fragmento: *"Ele entrou na sala. Era um cômodo estreito, de paredes descascadas, onde o cheiro de mofo se misturava ao de cigarro. Sentou-se e esperou."* Sobre a organização tipológica do fragmento, é correto afirmar que:
a) predomina a descrição do início ao fim.
b) predomina a narração, interrompida por uma sequência descritiva.
c) trata-se de texto exclusivamente narrativo.
d) predomina a dissertação, pois o narrador avalia o ambiente.
e) trata-se de texto injuntivo, pois orienta o leitor.
Gabarito: B
A primeira e a última oração trazem verbos de ação no pretérito perfeito, *entrou*, *sentou-se* e *esperou*, que fazem a história progredir. Entre elas, a segunda oração suspende o tempo para enumerar características do ambiente, com verbo de ligação e adjetivos, configurando sequência descritiva. O fragmento demonstra o funcionamento típico dos tipos textuais, que se combinam dentro de um mesmo texto em vez de aparecerem isolados.
Sobre a diferença entre tipologia textual e gênero textual, é correto afirmar que:
a) são conceitos sinônimos, usados de modo intercambiável.
b) a tipologia forma uma lista aberta, e o gênero, uma lista fechada.
c) a tipologia classifica pela estrutura interna e forma lista fechada; o gênero classifica pela função social e forma lista aberta.
d) todo gênero textual corresponde a um único tipo textual.
e) o gênero é determinado exclusivamente pelo suporte em que o texto circula.
Gabarito: C
A tipologia se apoia em critérios linguísticos internos, como tempo verbal e classe de palavras predominante, e por isso constitui um conjunto fechado de cinco tipos. O gênero se define pela função que o texto cumpre socialmente, e novos gêneros surgem conforme surgem novas práticas, como aconteceu com o e-mail e o podcast. A alternativa d é incorreta porque um único gênero costuma combinar tipos distintos, como a receita, que reúne descrição e injunção.
No trecho *"O rapaz perguntou se ainda havia lugares disponíveis"*, o tipo de discurso empregado é:
a) direto
b) indireto
c) indireto livre
d) direto com verbo de elocução posposto
e) misto
Gabarito: B
A fala do personagem aparece integrada à narração por meio da conjunção *se*, sem travessão nem aspas, e o verbo está ajustado à perspectiva do narrador. Trata-se de discurso indireto. Em discurso direto, o trecho seria escrito como "O rapaz perguntou: ainda há lugares disponíveis?", com a marcação e o tempo verbal do momento da fala.
Leia o fragmento: *"Ela fechou a porta com cuidado. Ninguém precisava saber. Afinal, quem eram eles para julgá-la?"* O tipo de discurso predominante no fragmento é:
a) direto, pois reproduz a fala da personagem.
b) indireto, pois o narrador relata o pensamento com verbo de elocução.
c) indireto livre, pois o pensamento da personagem invade a narração em terceira pessoa.
d) direto livre, pois não há travessão.
e) narração pura, sem inserção de discurso.
Gabarito: C
A narração permanece em terceira pessoa, mas as duas últimas frases não expressam a avaliação do narrador: "ninguém precisava saber" e a pergunta indignada pertencem à personagem. Não há travessão, aspas nem verbo de elocução introduzindo essas falas, o que caracteriza discurso indireto livre. A alternativa b falha porque nenhum verbo do tipo *pensou* ou *disse* introduz o pensamento.
Transpondo para o discurso indireto a fala *"Eu comprei este livro ontem"*, disse o professor, obtém-se:
a) O professor disse que eu comprei este livro ontem.
b) O professor disse que comprou este livro ontem.
c) O professor disse que comprara aquele livro no dia anterior.
d) O professor disse: comprei aquele livro no dia anterior.
e) O professor disse que compraria aquele livro no dia seguinte.
Gabarito: C
A transposição exige três ajustes simultâneos. O pronome pessoal passa de primeira para terceira pessoa. O pretérito perfeito *comprei* recua para o mais-que-perfeito *comprara*, por se tratar de fato anterior ao momento da narração. O demonstrativo *este* passa a *aquele* e o advérbio *ontem* passa a "no dia anterior", refletindo o deslocamento de espaço e tempo. Apenas a alternativa c realiza todos os três.
Assinale a alternativa em que o predicado é nominal:
a) "O menino correu pelo campo."
b) "A plateia permaneceu em silêncio."
c) "O professor parecia impaciente."
d) "Ela entregou o trabalho ao coordenador."
e) "Chegaram tarde os convidados."
Gabarito: C
Em c, *impaciente* é adjetivo e caracteriza *o professor*, núcleo do sujeito, o que torna *parecer* verbo de ligação e o predicado nominal. Em b, embora *permanecer* apareça em listas de verbos de ligação, "em silêncio" funciona como adjunto adverbial de modo, e o predicado é verbal. Em a e e, os verbos são intransitivos, com predicado verbal. Em d, o verbo é transitivo direto e indireto, também com predicado verbal.
Leia o período: *"Os moradores deixaram o prédio assustados com o estrondo."* O predicado desse período classifica-se como:
a) nominal, pois há um adjetivo caracterizando o sujeito.
b) verbal, pois o verbo *deixar* é transitivo direto.
c) verbo-nominal, pois há um verbo transitivo e um predicativo do sujeito.
d) verbo-nominal, pois *assustados* é predicativo do objeto.
e) nominal, pois *deixar* funciona como verbo de ligação.
Gabarito: C
O verbo *deixar* é transitivo direto e tem como complemento "o prédio", o que já garante um núcleo verbal. Além disso, *assustados* concorda com "os moradores", núcleo do sujeito, e não com "o prédio". Trata-se, portanto, de predicativo do sujeito, o que acrescenta um segundo núcleo e caracteriza o predicado verbo-nominal. A alternativa d erra ao identificar o termo caracterizado.
Considere as ocorrências do verbo *ficar*: I. "A cidade ficou deserta depois da enchente." II. "A chave ficou sobre a mesa." Sobre elas, é correto afirmar que:
a) em ambas o verbo é de ligação e o predicado é nominal.
b) em I o verbo é de ligação e em II é intransitivo.
c) em I o verbo é intransitivo e em II é de ligação.
d) em ambas o verbo é intransitivo e o predicado é verbal.
e) em I o predicado é verbo-nominal e em II é nominal.
Gabarito: B
Em I, *deserta* é adjetivo que caracteriza *a cidade*, funcionando como predicativo do sujeito. O verbo, portanto, relaciona sujeito e característica, sendo verbo de ligação em predicado nominal. Em II, "sobre a mesa" indica lugar, é adjunto adverbial, e não caracteriza *a chave*. O verbo passa a ser intransitivo em predicado verbal. A questão demonstra o princípio central do tema: nenhum verbo é de ligação por natureza, a função depende do termo que o acompanha.
Sobre o padrão de cobrança de gramática na UERJ, é correto afirmar que:
a) a banca pede exclusivamente classificação isolada de termos gramaticais.
b) a gramática costuma ser cobrada integrada à interpretação de textos literários, com foco no efeito de sentido.
c) a UERJ não aborda conteúdos de sintaxe.
d) apenas questões de ortografia aparecem na prova.
e) figuras de linguagem não fazem parte do programa.
Gabarito: B
A característica mais marcante da banca é articular conteúdo gramatical à leitura de textos literários densos, pedindo não apenas a identificação de uma estrutura, mas o efeito de sentido que ela produz. Essa integração explica por que orações reduzidas, por exemplo, aparecem com frequência: autores do programa as utilizam deliberadamente para construir relações semânticas.
Em um trecho de Marina Colasanti com predomínio de orações reduzidas, a leitura adequada exige que o candidato:
a) ignore as reduzidas, pois não têm relevância para o sentido do texto.
b) desenvolva mentalmente as reduzidas para reconhecer a relação lógica que elas estabelecem entre as ideias.
c) memorize o texto literalmente, sem qualquer análise sintática.
d) trate toda oração reduzida como adjetiva, independentemente do contexto.
e) desconsidere a pontuação do trecho.
Gabarito: B
Como as reduzidas dispensam conectivo explícito, desenvolvê-las mentalmente, transformando a forma nominal em verbo conjugado acompanhado do conectivo adequado, é o procedimento que revela a relação lógica pretendida pelo autor, seja de causa, tempo, condição ou outra circunstância. Sem esse passo, o sentido preciso da construção permanece obscurecido.
Sobre a crase e a concordância como temas recorrentes na UERJ, é correto afirmar que:
a) são conteúdos cobrados apenas na redação, nunca em questões objetivas.
b) aparecem tanto em questões objetivas quanto na avaliação da redação, exigindo domínio tanto de regras básicas quanto de casos especiais.
c) a UERJ não avalia norma culta na correção da redação.
d) apenas a concordância verbal é cobrada, nunca a nominal.
e) a crase deixou de ser conteúdo de prova depois do Acordo Ortográfico.
Gabarito: B
Crase e concordância atravessam as duas frentes de avaliação: aparecem em questões objetivas de análise linguística e são também critério direto de correção da redação, na competência de domínio da norma culta. O domínio de casos especiais, como a crase facultativa ou a concordância com sujeito partitivo, costuma diferenciar os candidatos que dominam apenas a regra básica.
A aproximação crítica entre Policarpo Quaresma e a figura de Dom Quixote se justifica, sobretudo, porque ambos:
a) são personagens cômicos sem qualquer dimensão trágica.
b) são sonhadores idealistas cuja aparente loucura pode revelar, na verdade, a hipocrisia e o preconceito da sociedade que os cerca.
c) representam a defesa incondicional do sistema político vigente em suas respectivas obras.
d) alcançam êxito completo em todos os projetos que idealizam.
e) são personagens secundários sem relevância para o enredo central.
Gabarito: B
Tanto Policarpo quanto Dom Quixote são movidos por idealismo sincero que os coloca em choque constante com a realidade prática e com o julgamento de uma sociedade movida por interesse e conveniência. Em ambos os casos, a aparente loucura do protagonista funciona como espelho que expõe a hipocrisia e a intolerância do mundo ao seu redor.
O nome irônico dado à fazenda de Policarpo Quaresma no interior, "Sossego", relaciona-se ao fato de que, nesse ciclo da narrativa, o protagonista:
a) finalmente encontra a paz e o descanso que buscava.
b) enfrenta trabalho excessivo, frustração e a percepção crescente da injustiça social do campo, em contraste direto com o nome do sítio.
c) abandona definitivamente qualquer projeto relacionado à agricultura nacional.
d) recebe apoio unânime da comunidade rural para seus projetos.
e) é imediatamente bem-sucedido em sua utopia agrícola.
Gabarito: B
O nome "Sossego" contrasta ironicamente com a experiência vivida por Policarpo no sítio, marcada por trabalho exaustivo e sucessivas frustrações diante da realidade agrícola brasileira, muito distante da imagem idealizada que ele fazia do campo como solução para o progresso nacional.
O desfecho trágico de Policarpo Quaresma, fuzilado após denunciar os absurdos cometidos pelo governo de Floriano Peixoto durante a repressão à Revolta da Armada, evidencia, sobretudo:
a) a recompensa do Estado aos cidadãos que o defendem com sinceridade e coragem.
b) a incompatibilidade entre o idealismo sincero do protagonista e um sistema político que não tolera a crítica, mesmo quando movida por patriotismo genuíno.
c) um final feliz que encerra positivamente a trajetória do personagem.
d) a ausência de qualquer crítica social na obra de Lima Barreto.
e) a vitória definitiva dos ideais nacionalistas de Policarpo.
Gabarito: B
Ao ser fuzilado justamente por questionar, em carta direta, os absurdos cometidos pelo governo que um dia defendeu com devoção, Policarpo revela a incompatibilidade entre o idealismo sincero e um sistema movido por interesse e intolerância à crítica. O desfecho sintetiza a denúncia de Lima Barreto à hipocrisia da Primeira República brasileira.
Uma cantiga em que o eu lírico feminino lamenta a ausência do amado, dirigindo-se à mãe e às amigas, em ambiente rural e com uso de paralelismo, classifica-se como:
a) cantiga de amor
b) cantiga de amigo
c) cantiga de escárnio
d) cantiga de maldizer
e) novela de cavalaria
Gabarito: B
Três marcas identificam a cantiga de amigo: o eu lírico feminino, o ambiente popular e rural, e o uso do paralelismo com refrão. A presença da mãe e das amigas como interlocutoras é traço característico do gênero. A cantiga de amor, descrita na alternativa a, tem eu lírico masculino e ambiente palaciano, com o trovador sofrendo por uma senhora inatingível.
O conceito de vassalagem amorosa, presente nas cantigas de amor, consiste em:
a) transposição da relação feudal entre senhor e servo para a relação amorosa.
b) crítica direta aos senhores feudais por meio da poesia.
c) idealização da vida no campo em oposição à corte.
d) representação da mulher como figura submissa ao trovador.
e) união entre poesia e música nas apresentações cortesãs.
Gabarito: A
A cantiga de amor reproduz na esfera afetiva a estrutura social do feudalismo: o trovador se coloca na posição de vassalo e trata a amada como sua senhora, a quem deve serviço e fidelidade. Daí o tratamento *mia senhor*, sem marcação de gênero na época. A alternativa d inverte a relação, pois é o eu lírico masculino que se submete, e não a mulher.
A diferença entre cantiga de escárnio e cantiga de maldizer reside no fato de que:
a) o escárnio critica o clero e o maldizer, a nobreza.
b) o escárnio faz crítica indireta, com ironia e ambiguidade, enquanto o maldizer faz crítica direta e nomeia o alvo.
c) o escárnio tem eu lírico feminino e o maldizer, masculino.
d) o escárnio é cantado e o maldizer, apenas recitado.
e) apenas o maldizer pertence ao Trovadorismo.
Gabarito: B
Ambas são cantigas satíricas, e o critério de distinção é o modo da crítica. No escárnio, o alvo não é nomeado e a censura se constrói por ironia, ambiguidade e trocadilhos, exigindo decifração do ouvinte. No maldizer, a agressão é explícita, o alvo é identificado e a linguagem pode ser obscena. A alternativa c aplica indevidamente às satíricas o critério que separa as cantigas líricas.
A caracterização do delegado Espinosa em *Uma Janela em Copacabana* rompe com o estereótipo do investigador policial porque:
a) ele recorre sistematicamente à força e à truculência para resolver os casos.
b) sua investigação é conduzida por razão e reflexão psicológica, e não pela violência como primeira resposta.
c) ele se recusa a investigar qualquer crime relacionado à corrupção.
d) é um personagem sem qualquer profundidade psicológica.
e) atua fora da estrutura policial oficial.
Gabarito: B
O próprio nome do personagem remete ao filósofo Espinosa, sugerindo uma postura racional e reflexiva diante da investigação, em contraste com a imagem do policial que usa a força como primeiro recurso. Essa caracterização é central para a reflexão que a obra propõe sobre os métodos de combate à criminalidade.
A construção de duas imagens contrastantes de Copacabana no romance tem como efeito:
a) reforçar exclusivamente a visão turística e idealizada do bairro.
b) revelar a desigualdade e a violência que a imagem cartão-postal do bairro costuma ocultar.
c) negar qualquer relação entre Copacabana e criminalidade.
d) reduzir a narrativa a uma descrição geográfica sem função temática.
e) eliminar qualquer verossimilhança da obra.
Gabarito: B
Ao justapor a Copacabana celebrada no imaginário coletivo, associada a réveillons e turismo, com a Copacabana marginalizada, marcada por violência e exclusão social, o romance expõe uma desigualdade urbana que a imagem turística tende a apagar. Essa dualidade é recurso central de crítica social na obra, e não mero pano de fundo geográfico.
A revelação de que agentes da polícia estão envolvidos com o crime organizado, no romance, sugere que:
a) a corrupção é fenômeno externo ao aparato de segurança pública.
b) o combate à criminalidade se torna mais complexo quando parte do próprio sistema repressivo está comprometida.
c) a solução para a violência está exclusivamente no aumento do policiamento ostensivo.
d) não há qualquer crítica institucional na obra.
e) o delegado Espinosa está diretamente envolvido nos esquemas de corrupção.
Gabarito: B
Ao mostrar policiais ligados ao tráfico, ao jogo do bicho e a contraventores, a obra desloca a corrupção do campo da exceção individual para o campo estrutural, revelando que parte do próprio aparato de repressão ao crime está comprometida com ele. Essa constatação complica qualquer resposta simples baseada apenas em reforço da força policial, tema que dialoga diretamente com a postura investigativa de Espinosa.
Assinale a alternativa em que o uso da crase está correto:
a) "Ele foi à São Paulo resolver um problema."
b) "Refiro-me a aquela decisão tomada ontem."
c) "A reunião vai das 9 às 18 horas."
d) "Vou entregar o relatório à você amanhã."
e) "Cheguei a tarde cansado."
Gabarito: C
A alternativa c está correta porque a estrutura "das... às..." exige crase no segundo elemento, pois há fusão da preposição "a" com o artigo feminino antes de "horas". A alternativa a está errada: São Paulo é nome masculino e não recebe artigo, portanto não há crase. A alternativa b está errada: a forma correta é "àquela" (contração de a + aquela). A alternativa d está errada: não se usa crase antes de pronomes pessoais. A alternativa e está errada: o correto é "à tarde", locução adverbial que exige crase.
Leia o trecho abaixo: *"O cronista escrevia a maneira dos folhetinistas do século XIX, misturando ironia e lirismo."* Para que o trecho esteja gramaticalmente correto de acordo com a norma culta, o termo sublinhado deve ser reescrito como:
a) a maneira
b) à maneira
c) às maneiras
d) de maneira
e) na maneira
Gabarito: B
"À maneira de" é uma locução prepositiva com núcleo feminino que exige crase obrigatória. Trata-se do mesmo mecanismo da locução "à moda de": a preposição "a" se combina com o artigo definido feminino "a" antes do substantivo "maneira". Esse tipo de questão é representativo do estilo da UERJ, que testa a crase em contextos literários e argumentativos, não apenas em frases didáticas.
Assinale a alternativa em que o emprego da vírgula está correto:
a) "Os moradores do bairro, protestaram contra a obra."
b) "Naquele inverno, a cidade amanheceu coberta de neve."
c) "Ele entregou, o relatório ao coordenador."
d) "A casa, de meus avós foi restaurada."
e) "Comprei livros, cadernos e canetas, na papelaria da esquina, ontem à tarde."
Gabarito: B
Em b, o adjunto adverbial "naquele inverno" foi deslocado para o início do período, e a vírgula marca corretamente esse deslocamento. Em a, há vírgula indevida entre sujeito e verbo. Em c, a vírgula separa o verbo de seu objeto direto. Em d, a vírgula separa o nome de seu adjunto adnominal. Em e, o excesso de vírgulas fragmenta indevidamente termos que não exigem separação.
Leia os períodos: I. "Os candidatos, que se inscreveram no prazo, farão a prova." II. "Os candidatos que se inscreveram no prazo farão a prova." Sobre a diferença de sentido entre eles, é correto afirmar que:
a) não há diferença de sentido, apenas de ritmo de leitura.
b) em I, todos os candidatos se inscreveram no prazo; em II, apenas parte deles.
c) em I, apenas parte dos candidatos se inscreveu no prazo; em II, todos.
d) em I a oração é restritiva e em II, explicativa.
e) em II há erro de pontuação, pois a oração adjetiva sempre exige vírgula.
Gabarito: B
Em I, as vírgulas caracterizam oração adjetiva explicativa, o que indica que a inscrição no prazo é informação adicional válida para todos os candidatos, e todos farão a prova. Em II, a ausência de vírgulas caracteriza oração adjetiva restritiva, que delimita o grupo: apenas os que se inscreveram no prazo farão a prova, o que pressupõe candidatos fora do prazo. A pontuação, portanto, carrega informação semântica.
No período *"Estudou bastante para a prova mas não obteve o resultado esperado"*, a pontuação adequada exige:
a) vírgula depois de "estudou", isolando o verbo.
b) vírgula antes de "mas", separando as orações coordenadas.
c) vírgula depois de "prova" e depois de "mas".
d) nenhuma vírgula, pois o período está corretamente pontuado.
e) ponto e vírgula antes de "mas", por se tratar de oração subordinada.
Gabarito: B
O conectivo *mas* introduz oração coordenada sindética adversativa, e a norma culta exige vírgula antes das adversativas, assim como antes das explicativas e das conclusivas. A alternativa c erra ao propor vírgula depois de *mas*, o que separaria indevidamente o conectivo da oração que ele introduz. A alternativa e confunde coordenação com subordinação, já que as duas orações do período são independentes entre si.
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafadas corretamente:
a) anti-social, autoretrato, contrasenso
b) antissocial, autorretrato, contrassenso
c) anti-ssocial, auto-retrato, contra-senso
d) antisocial, autorretrato, contra-senso
e) antissocial, auto-retrato, contrasenso
Gabarito: B
Quando o prefixo termina em vogal e a palavra seguinte começa com R ou S, não há hífen e a consoante é duplicada, conforme estabelecido pelo Acordo Ortográfico. Aplica-se a regra às três palavras: antissocial, autorretrato e contrassenso. As demais alternativas mantêm grafias anteriores ao Acordo ou aplicam a duplicação sem eliminar o hífen.
O prefixo *anti* termina em I e a palavra seguinte começa com I, situação em que a regra determina o emprego do hífen para evitar a sequência de vogais idênticas: anti-inflamatório. Nas demais alternativas, as letras de contato são diferentes, o que leva à junção sem hífen: supermercado, autoescola, semicírculo e contra-ataque, sendo este último exceção por vogais idênticas em contato.
O prefixo *mal* exige hífen quando a palavra seguinte começa com vogal, H ou L, o que se aplica a "mal-educado". A alternativa b está correta pela mesma regra, já que *humorado* começa com H. A alternativa c segue a norma que determina hífen obrigatório após *recém*, e a alternativa e, a que se aplica a *ex* com sentido de anterioridade.
Assinale a alternativa em que o emprego do porquê está correto:
a) "Não entendi por quê ele saiu tão cedo."
b) "Ela perguntou porque você não veio."
c) "O motivo por que discutimos já foi esquecido."
d) "Você não respondeu por que?"
e) "Ninguém revelou o por quê da mudança."
Gabarito: C
Em c, o *que* retoma o substantivo *motivo* e pode ser substituído por "pelo qual", caracterizando preposição mais pronome relativo, que exige a forma separada e sem acento. Em a, trata-se de interrogativa indireta, e a forma correta é "por que". Em b, também há interrogativa indireta, exigindo "por que" separado. Em d, a forma está no fim da frase e deveria receber acento: "por quê?". Em e, a presença do artigo *o* exige a forma junta e acentuada: "o porquê".
Leia o período: *"Ele saiu cedo, mas ninguém sabe ao certo ___, e o ___ da pressa continua um mistério."* As formas que completam corretamente as lacunas são:
a) porque / porque
b) por que / porquê
c) por quê / porquê
d) porquê / por quê
e) por que / por quê
Gabarito: C
Na primeira lacuna, a interrogativa indireta é encerrada pela vírgula, ou seja, a forma aparece antes de sinal de pontuação e em posição final da oração, o que exige o acento: "por quê". Na segunda lacuna, a presença do artigo *o* transforma a palavra em substantivo com sentido de motivo, exigindo a forma junta e acentuada: "porquê". A alternativa b é a distratora mais forte, pois acerta a segunda lacuna mas ignora a posição final na primeira.
No trecho *"Feche a janela, porque está frio"*, a forma destacada:
a) está incorreta, pois deveria ser "por que", já que introduz uma pergunta indireta.
b) está correta e introduz oração coordenada explicativa, pois justifica a ordem dada.
c) está correta e introduz oração subordinada adverbial causal, pois indica a causa do fechamento.
d) está incorreta, pois deveria receber acento por estar após vírgula.
e) está correta e funciona como substantivo, equivalendo a "o motivo".
Gabarito: B
A grafia junta e sem acento está correta, pois se trata de conjunção. O valor, porém, é explicativo, e não causal: a primeira oração está no modo imperativo, e não se estabelece causa para uma ordem, justifica-se o pedido. O frio não é a causa do fechamento da janela, é a razão pela qual o pedido foi feito. A vírgula antes do *porque* reforça essa leitura, o que torna a alternativa c a armadilha mais bem construída da questão.
As formas *mandioca*, *aipim* e *macaxeira* exemplificam a variação linguística de tipo:
a) histórica
b) social
c) regional
d) situacional
e) estilística
Gabarito: C
As três palavras nomeiam o mesmo referente e são empregadas em diferentes regiões do país, o que caracteriza variação regional ou diatópica. Não há relação com a passagem do tempo, o que excluiria a histórica, nem com grupos sociais distintos dentro de uma mesma região, o que excluiria a social. Também não se trata de mudança de registro conforme o contexto, o que excluiria a situacional.
Leia o trecho de uma carta de leitor: *"Sou nordestino e já ouvi mais de uma vez que 'falo errado'. Ninguém nunca me disse o mesmo quando ouviu meu chefe engolir o 'r' do infinitivo."* O trecho denuncia:
a) a inexistência de variedades regionais no português brasileiro.
b) o preconceito linguístico, que discrimina variedades associadas a grupos socialmente desprestigiados.
c) a superioridade da norma padrão sobre as variedades regionais.
d) a necessidade de eliminar sotaques em contextos formais.
e) um erro gramatical cometido pelo chefe do autor.
Gabarito: B
O autor aponta uma assimetria reveladora: dois fenômenos de variação são tratados de modo diferente. A supressão do "r" no infinitivo é praticamente universal no português brasileiro, inclusive entre falantes escolarizados, mas não é julgada. Já o sotaque nordestino é. A diferença de tratamento não se explica pela língua, e sim pelo prestígio social atribuído a quem fala, o que é a definição de preconceito linguístico.
Sobre o conceito de adequação linguística, é correto afirmar que:
a) determina que a norma padrão deve ser usada em todas as situações comunicativas.
b) classifica as variedades linguísticas em corretas e incorretas.
c) avalia o uso da língua conforme a situação comunicativa, e não conforme um padrão único.
d) aplica-se apenas à modalidade escrita da língua.
e) é sinônimo de correção gramatical.
Gabarito: C
A adequação substitui o par certo e errado pelo par adequado e inadequado, deslocando a avaliação para o contexto de uso. Uma gíria é adequada entre amigos e inadequada numa redação de vestibular, sem que isso torne a gíria incorreta. A alternativa a inverte o conceito, pois o uso da norma padrão em contexto informal também constitui inadequação, soando artificial e distante.
Sobre o conceito de verossimilhança, é correto afirmar que:
a) corresponde à fidelidade da obra em relação a fatos historicamente comprovados.
b) refere-se à coerência interna da obra, que torna os acontecimentos plausíveis dentro do universo criado.
c) só pode ser alcançada em obras de temática realista.
d) equivale à ausência de elementos fantásticos na narrativa.
e) depende exclusivamente da precisão das descrições de ambiente.
Gabarito: B
Verossimilhança não se mede pela correspondência com o mundo real, e sim pela consistência da lógica que a própria obra estabelece. Por isso uma narrativa fantástica pode ser plenamente verossímil, o que invalida as alternativas c e d, enquanto uma narrativa de temática cotidiana pode ser inverossímil se suas personagens agirem de modo incompatível com o que foi construído sobre elas.
A distinção aristotélica entre o historiador e o poeta estabelece que:
a) o historiador narra o que poderia acontecer e o poeta, o que aconteceu.
b) o historiador narra o que aconteceu e o poeta, o que poderia acontecer.
c) ambos narram apenas fatos comprovados.
d) o poeta deve evitar qualquer elemento verossímil.
e) apenas o historiador trabalha com verossimilhança.
Gabarito: B
Na *Poética*, Aristóteles distingue o domínio do ocorrido, próprio da história, do domínio do possível, próprio da poesia. Dessa distinção decorre sua avaliação de que a poesia é mais filosófica, por tratar do universal em vez do particular. A verossimilhança pertence justamente ao segundo domínio: não à comprovação do fato, mas à plausibilidade daquilo que se narra.
Em uma narrativa, a introdução de uma solução inesperada e sem qualquer preparação no enredo, que resolve subitamente o conflito, caracteriza:
a) verossimilhança bem construída.
b) recurso de metalinguagem.
c) quebra da verossimilhança pelo uso do *deus ex machina*.
d) intertextualidade com obras clássicas.
e) fortalecimento do pacto ficcional.
Gabarito: C
O *deus ex machina* é a solução que surge de fora da lógica construída pela narrativa, sem decorrer de nada previamente estabelecido. Como a verossimilhança depende do encadeamento de causa e efeito, esse recurso a compromete diretamente e rompe o pacto ficcional, o que invalida a alternativa e. O leitor, que havia aceitado as regras daquele universo, percebe a intervenção arbitrária do autor.
A estrutura de *Vidas Secas*, que se inicia com o capítulo "Mudança" e se encerra com "Fuga", ambos retratando a família em movimento, sugere:
a) uma progressão linear rumo à superação definitiva da miséria.
b) uma estrutura circular que reforça a ausência de saída real para a condição de exploração retratada.
c) que os dois capítulos são completamente desconexos entre si.
d) uma crítica exclusivamente à seca como fenômeno natural, sem dimensão social.
e) o retorno da família ao mesmo ponto geográfico de origem.
Gabarito: B
Ao repetir a situação de fuga e deslocamento no início e no fim da narrativa, a obra constrói uma estrutura circular que sugere a impossibilidade de ruptura definitiva com o ciclo de miséria e exploração vivido pela família. Essa circularidade é reforçada pelo fato de que, no capítulo final, Fabiano foge novamente, desta vez também endividado, repetindo o padrão de vulnerabilidade do início.
O capítulo "Contas" evidencia, sobretudo, o tema da:
a) generosidade dos proprietários de terra para com seus trabalhadores.
b) exploração estrutural do trabalhador rural, incapaz de contestar um sistema de pagamento que o prejudica.
c) prosperidade econômica alcançada por Fabiano ao longo da obra.
d) ausência total de conflito entre Fabiano e seu patrão.
e) alfabetização plena de Sinha Vitória, que domina cálculos complexos.
Gabarito: B
Ao usar grãos e sementes para calcular o pagamento devido, diante da falta de acesso à educação formal, a família se vê em desvantagem perante um sistema de contas manipulado pelo patrão, que sempre resulta em valores menores do que o esperado. Quando Fabiano questiona essa discrepância, é acusado de ladrão e ameaçado, o que expõe a impossibilidade estrutural de contestação por parte do trabalhador rural.
A humanização da cachorra Baleia, em contraste com a limitação expressiva dos personagens humanos da obra, tem como efeito:
a) tornar a obra cômica e sem seriedade temática.
b) evidenciar, por contraste, a pobreza afetiva e comunicativa a que a miséria reduziu os personagens humanos.
c) eliminar qualquer importância dos personagens humanos na narrativa.
d) indicar que os animais são superiores moralmente aos seres humanos em qualquer contexto.
e) reduzir a complexidade psicológica da obra.
Gabarito: B
Ao atribuir à cachorra Baleia uma dimensão afetiva e perceptiva que os personagens humanos, embrutecidos pela dureza da sobrevivência, têm dificuldade de expressar entre si, Graciliano Ramos constrói um contraste que evidencia como a miséria material e a falta de acesso à educação restringem também a vida emocional e comunicativa da família, tema central da obra.
A transposição correta da frase *"O escritor publicará novos contos"* para a voz passiva é:
a) "Novos contos foram publicados pelo escritor."
b) "Novos contos serão publicados pelo escritor."
c) "Novos contos são publicados pelo escritor."
d) "Publicam-se novos contos pelo escritor."
e) "O escritor será publicado com novos contos."
Gabarito: B
Na transposição, o objeto direto "novos contos" torna-se sujeito, o verbo assume a forma composta com o auxiliar *ser* mais particípio, e o sujeito original passa a agente da passiva. O ponto decisivo é o tempo verbal: como *publicará* está no futuro do presente, o auxiliar deve permanecer nesse tempo, resultando em *serão publicados*. As alternativas a e c erram justamente ao alterar o tempo.
Na frase *"Alugam-se salas comerciais"*, o termo "salas comerciais" exerce a função de:
a) objeto direto, e o "se" é índice de indeterminação do sujeito.
b) sujeito, e o "se" é partícula apassivadora.
c) objeto indireto, e o "se" é pronome reflexivo.
d) adjunto adnominal do verbo.
e) agente da passiva.
Gabarito: B
Trata-se de voz passiva sintética, equivalente a "salas comerciais são alugadas". A possibilidade dessa reescrita com o verbo *ser* comprova que o "se" é partícula apassivadora e que o termo seguinte é o sujeito da oração. É justamente por isso que o verbo concorda no plural. Se fosse índice de indeterminação, como em "precisa-se de vendedores", o verbo permaneceria no singular.
Considere a frase *"O candidato sofreu uma derrota humilhante"*. Sobre a estrutura da frase, é correto afirmar que:
a) está na voz passiva, pois o sujeito não pratica a ação.
b) está na voz reflexiva, pois o sujeito pratica e sofre a ação.
c) está na voz ativa, embora expresse ideia de passividade.
d) apresenta partícula apassivadora oculta.
e) tem "uma derrota humilhante" como agente da passiva.
Gabarito: C
Há de fato passividade no plano do sentido, pois o candidato recebe a ação em vez de praticá-la. Mas voz passiva é categoria gramatical, não semântica: ela exige a estrutura com auxiliar *ser* mais particípio ou com partícula apassivadora. Aqui o verbo *sofrer* é transitivo direto e "uma derrota humilhante" é seu objeto direto, o que caracteriza voz ativa. A distinção entre passividade e voz passiva é justamente o que a questão avalia.
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