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Ilustração: um pai de chapéu, com uma mala na mão, e o filho adolescente ao lado, de costas num cais, olhando o mar. Do outro lado da água, a cidade de telhados de Lisboa se transforma num aglomerado de barracas de chapa.

DoMonteiro — Linguagens & Redação

Luanda,
Lisboa,
Paraíso

Djaimilia Pereira de Almeida  ·  2018

LADLuanda
LISLisboa
PassageirosCartola & Aquiles
BilheteSó ida
MotivoA cura
Destino real Paraíso

Um pai e um filho deixam Angola rumo a Portugal em busca de uma cirurgia. O bilhete diz só ida. O que eles encontram não é o paraíso — é o limbo de não pertencer a lugar nenhum.

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Esta é a obra da prova específica de Língua Portuguesa e Literaturas do Exame Discursivo da UERJ 2027. A prova vale 20 pontos — e o dobro nos cursos em que Língua Portuguesa é a específica de peso 2. Ver as específicas do meu curso →

Sobre a obra

A literatura contemporânea
chega à UERJ

Luanda, Lisboa, Paraíso (2018) é o segundo livro de Djaimilia Pereira de Almeida, nascida em Luanda em 1982 e criada em Portugal. O romance venceu o Prêmio Oceanos 2019, o mais importante da literatura em língua portuguesa, além do Prêmio Fundação Eça de Queiroz e do Prêmio Fundação Inês de Castro.

A história começa nos anos 1980, já depois da independência de Angola. Cartola de Sousa embarca para Lisboa levando o filho Aquiles, que nasceu com uma má-formação no calcanhar esquerdo e precisa ser operado antes de completar quinze anos. É esse relógio que empurra a narrativa. Glória, a mãe, fica em Luanda, imobilizada pela mesma complicação do parto, cuidada pela filha Justina.

O que a prova cobra não é o enredo. É a leitura precisa: uma prosa densa, quase ensaística, em que o narrador antecipa desfechos, recua no tempo e desliza para dentro do pensamento das personagens sem avisar. Não há vilão nem herói — há a crueldade silenciosa do não pertencimento.

A chave de leitura

Sem entender “assimilado”,
o livro não abre

Há uma palavra que separa quem leu o resumo de quem leu o livro. Se você sair desta página com uma coisa só, que seja esta.

O que era

No colonialismo português, assimilado era um estatuto jurídico. O africano que adotasse a língua, a religião e os costumes portugueses podia requerer o documento e, em tese, passar a ser tratado como cidadão. Uma cidadania condicionada a deixar de ser quem se era.

O que Cartola faz com isso

Cartola de Sousa acredita. Mesmo depois da independência de Angola, ele continua a se ver como parte de Portugal. Não embarca como imigrante que chega de fora: embarca como quem está voltando para casa.

O que o livro responde

Lisboa o recebe como estrangeiro. Ele perde o ofício de parteiro, vira operário da construção civil e é empurrado para a margem. O romance mostra o assimilacionismo pelo que ele sempre foi: uma promessa que a metrópole nunca teve intenção de cumprir.

Não troque por “imigrante”. O imigrante sabe que chega de fora. O assimilado chega convicto de que já pertence — e é essa convicção que o livro despedaça. Trocar um termo pelo outro na prova é perder a tese da obra inteira.
Itinerário

Os três lugares do título

Luanda, Lisboa e Paraíso não são só endereços: são três estados de espírito, e a ordem em que aparecem no título já conta o enredo. Origem, promessa e desmentido.

01
LAD · Angola

Luanda

A origem · o que fica

Onde Aquiles nasce, com a má-formação no calcanhar esquerdo, e onde Cartola exercia o ofício de parteiro. É a terra que o pai deixa acreditando poder voltar. Glória permanece aqui, imobilizada, com Justina cuidando dela. Luanda é a raiz que a travessia corta.

02
LIS · Portugal

Lisboa

A promessa · a metrópole

O destino que prometia acolhimento ao assimilado. Cartola desembarca esperando reconhecimento e encontra o balcão do estrangeiro. Perde o ofício, vira operário da construção civil. Lisboa não é hostil por gritos: é hostil por indiferença — e essa é a crueldade que o livro sabe narrar.

03
Margem Sul · ironia

Paraíso

O destino real · a antífrase

Um bairro de lata ficcional na Margem Sul do Tejo, onde pai e filho acabam morando. O nome é a maior ironia do romance: o paraíso prometido pela migração é o limbo. E, ainda assim, é ali que surgem a amizade com Pepe e as alegrias improváveis — o livro não é só denúncia.

Documentos de viagem

Quem atravessa e quem fica

A prova raramente pede “quem é fulano”. Pede o que a personagem significa. Cada ficha traz o resumo e a chave de leitura correspondente.

Retrato ilustrado de Cartola de Sousa, o pai, de chapéu de aba larga PassaporteAGO

Cartola de Sousa

O pai · o assimilado

Foi parteiro em Luanda e assimilado durante o colonialismo. Embarca para Lisboa convencido de que a metrópole vai reconhecê-lo como português. Vira operário da construção civil e envelhece sem nunca ser acolhido. É a personagem que carrega a promessa colonial até o fim — e o preço dela.

Chave de leituraA ilusão do pertencimento

Retrato ilustrado de Aquiles, o filho adolescente PassaporteAGO

Aquiles

O filho · nome de herói

Nasce com uma má-formação no calcanhar esquerdo. O pai lhe dá nome grego numa tentativa de corrigir o destino pela tradição. A cirurgia precisa acontecer antes dos quinze anos — e é esse relógio que move a travessia. Cresce entre duas culturas sem pertencer a nenhuma e acaba invertendo os papéis: torna-se o cuidador do pai.

Chave de leituraO entre-lugar da segunda geração

Retrato ilustrado de Glória, a mãe imobilizada em Luanda PassaporteAGO

Glória

A mãe · a que fica

Imobilizada pela mesma complicação de parto que marcou o corpo de Aquiles, permanece em Luanda. Existe na narrativa por cartas e telefonemas: é presença que não se apaga e ausência que não se resolve. Sustenta o tema do laço familiar que o oceano estica mas não rompe.

Chave de leituraA presença ausente

Retrato ilustrado de Justina, a filha que fica cuidando da mãe PassaporteAGO

Justina

A filha · a que cuida

Fica em Angola cuidando da mãe. É a parte da família que a travessia deixa para trás e o contraponto silencioso de Aquiles: um filho parte para tentar se curar, outra filha fica para sustentar quem não pode partir. Mostra que a migração não divide só países, divide funções dentro da mesma família.

Chave de leituraO custo invisível da migração

Retrato ilustrado de Pepe, o dono do bar em Lisboa PassaportePRT

Pepe

O amigo · o dono do bar

Dono do bar que Cartola frequenta em Lisboa. A amizade entre os dois é transformadora nos dois sentidos: Pepe também precisava de alguém. É a prova de que o romance não é uma denúncia de mão única — há afeto, e é justamente o afeto que torna a exclusão mais dolorosa.

Chave de leituraA ternura dentro da miséria

Retrato ilustrado de Iuri, o rapaz do bairro que estuda PassaportePRT

Iuri

O vizinho · o que estuda

Rapaz negro do bairro que frequenta a escola. Funciona como caminho alternativo dentro do mesmo cenário de exclusão: mostra que o Paraíso não determina um único destino, mas também não distribui as mesmas chances para todos.

Chave de leituraO outro destino possível

Método

Como a banca lê um fragmento

A prova específica entrega um trecho e faz duas perguntas curtas sobre ele. Quem responde bem faz sempre os mesmos três movimentos, nesta ordem.

01

Localizar o fragmento na travessia

Antes de qualquer análise, situe: isto é Luanda, Lisboa ou Paraíso? Antes ou depois da chegada? O mesmo gesto significa uma coisa na origem e outra no bairro de lata. Boa parte das respostas erradas vem de ler o trecho fora do percurso.

02

Nomear o recurso, não só senti-lo

Perceber que “tem ironia” não vale ponto. Vale ponto escrever ironia, antífrase, prolepse, alusão, discurso indireto livre — e apontar no trecho onde isso está. A banca corrige por elemento nomeado.

03

Fechar no efeito de sentido

Toda questão termina na mesma pergunta: e daí? O recurso produz o quê? Resposta que identifica e não conclui fica pela metade. Uma linha de fechamento costuma ser a diferença entre 3 e 4 pontos.

Regra prática: situar → nomear → concluir. Resposta que pula o terceiro passo é a que mais aparece nas correções com meia nota.

Treine no formato real

6 questões discursivas
com padrão de resposta

No Exame Discursivo não existe alternativa para marcar. Você escreve, e a banca corrige por elemento: cada ponto do padrão de resposta que faltar é ponto que não volta. Abaixo, seis questões no formato da prova. Escreva a sua antes de abrir o padrão — e leia sempre o bloco final, o do erro que custa ponto.

1 Título e efeito de sentido O título do romance nomeia três lugares. Dois deles existem no mapa; o terceiro, não. Explique o efeito de sentido produzido pelo nome do bairro Paraíso e identifique a figura de linguagem responsável por esse efeito.

Padrão de resposta

  • O bairro Paraíso é um bairro de lata da periferia de Lisboa: o nome idílico contradiz a realidade de miséria, precariedade e exclusão vivida por Cartola e Aquiles.
  • O efeito de sentido é o do desmentido da promessa migratória — o lugar prometido como acolhimento é o lugar do não pertencimento.
  • A figura responsável é a ironia, em sua forma de antífrase (uso de um termo com sentido oposto ao real).

O erro que custa ponto

Responder apenas “ironia” e parar. A banca pede dois elementos: o efeito de sentido e a figura. Nomear a figura sem explicar o contraste entre nome e realidade entrega meia resposta e recebe meia nota.

2 Contexto histórico e leitura crítica Cartola de Sousa embarca para Lisboa convicto de que será tratado como português. Explique de que modo o estatuto colonial de assimilado sustenta essa convicção e de que modo o romance a desmente.

Padrão de resposta

  • Assimilado era o estatuto que o colonialismo português concedia ao africano que adotasse a língua, a religião e os costumes da metrópole, prometendo-lhe em troca o tratamento de cidadão.
  • Cartola internaliza essa promessa e, mesmo após a independência de Angola, continua a se ver como parte de Portugal.
  • O romance desmente a promessa ao mostrar que, em Lisboa, ele é recebido como estrangeiro: perde o ofício de parteiro, torna-se operário e é empurrado para a margem — o que revela o assimilacionismo como ficção do próprio colonialismo.

O erro que custa ponto

Trocar “assimilado” por “imigrante”. São coisas diferentes: o imigrante sabe que chega de fora; o assimilado chega convicto de que já pertence. Perder essa distinção é perder a tese do livro.

3 Organização temporal da narrativa Em determinado momento, o narrador informa que a primeira cirurgia de Aquiles correu tão mal quanto as outras quatro que se seguiriam. (a) Nomeie o recurso de organização temporal empregado. (b) Explique seu efeito sobre a leitura.

Padrão de resposta

  • (a) Prolepse — a antecipação, pelo narrador, de fatos posteriores ao momento narrado.
  • (b) O recurso elimina o suspense: o leitor já sabe que as cirurgias falharão. O interesse deixa de estar no desfecho e passa a estar no percurso, reforçando o tom fatalista e a sensação de destino já decidido que atravessa a obra.

O erro que custa ponto

Confundir prolepse com flashback. Flashback (analepse) volta atrás; prolepse avança. O romance usa os dois, e a banca costuma pedir exatamente a distinção.

4 Intertextualidade O nome do filho remete ao herói da mitologia grega. (a) Identifique o tipo de relação intertextual estabelecida. (b) Explique a inversão de sentido que essa relação produz na obra.

Padrão de resposta

  • (a) Alusão — a referência é indireta, feita pelo nome próprio, sem citação nem transcrição do texto de origem.
  • (b) No mito, o calcanhar é o único ponto vulnerável de um herói invulnerável; na obra, o calcanhar é a condição de partida de um menino que não tem nenhuma invulnerabilidade a proteger. A grandeza heroica do nome contrasta com a fragilidade concreta do corpo e da vida do personagem, produzindo ironia trágica.

O erro que custa ponto

Chamar de “paráfrase” ou de “citação”. Não há reescrita nem transcrição do mito: há uma menção indireta. Alusão é a resposta, e a UERJ cobra a nomenclatura correta.

5 Personagem e construção de sentido Glória permanece em Luanda durante toda a narrativa e, ainda assim, é decisiva para o sentido da obra. Justifique essa afirmação considerando a forma como ela se faz presente no romance.

Padrão de resposta

  • Glória está imobilizada pela mesma complicação de parto que deixou a marca no corpo de Aquiles: mãe e filho carregam a mesma origem física do drama.
  • Ela se faz presente por mediação — cartas e telefonemas —, o que a mantém como referência afetiva constante sem nunca atravessar o oceano.
  • Essa presença mediada constrói o sentido central da diáspora na obra: o que fica não desaparece, mas também não pode ser alcançado, e é essa impossibilidade de retorno que define a experiência dos personagens.

O erro que custa ponto

Reduzir Glória a “a mãe que ficou”. A banca não quer a função no enredo, quer o efeito de sentido: ela é a medida do que a travessia custou.

6 Língua portuguesa aplicada Considere o período: “Chegando a Lisboa, Cartola percebeu que a cidade não o esperava.” (a) Classifique a oração destacada quanto à forma e ao valor semântico. (b) Reescreva o período desenvolvendo essa oração, sem alterar o sentido original.

Padrão de resposta

  • (a) Trata-se de oração subordinada adverbial reduzida de gerúndio, com valor temporal.
  • (b) “Quando chegou a Lisboa, Cartola percebeu que a cidade não o esperava.” — a oração desenvolvida mantém o valor temporal e o mesmo sentido.

O erro que custa ponto

Desenvolver com “Ao chegar a Lisboa…”. Continua reduzida (agora de infinitivo). Desenvolver exige conjunção mais verbo em forma nominal flexionada — é o tipo de detalhe que a banca corrige com régua.

Quer corrigir as suas respostas de verdade, e não só conferir com o padrão? É isso que o Projeto Específica faz: simulado discursivo com correção comentada, questão a questão.

Não é só literatura

A prova é de Língua Portuguesa e Literaturas

Metade dos pontos não está na interpretação do livro: está na nomenclatura. A banca cruza a obra com gramática e recursos de estilo. Estes são os seis cruzamentos mais prováveis — cada um com a aula correspondente.

Prolepse e analepse

O romance não avança em linha reta: antecipa desfechos e recua para a infância de Cartola. Saber nomear cada movimento é resposta pronta.

Foco narrativo →

Intertextualidade

O nome Aquiles é alusão. Distinguir alusão, citação, paráfrase e paródia é das cobranças mais frequentes da banca.

Intertextualidade →

Ironia e antífrase

O bairro Paraíso é o exemplo perfeito de antífrase. A UERJ gosta de pedir a figura e o efeito, nunca só a figura.

Figuras de linguagem →

Discurso indireto livre

A prosa desliza da voz do narrador para o pensamento das personagens sem aviso. Reconhecer a fronteira é leitura de precisão.

Tipos de discurso →

Referenciação e coesão

Pronomes e sinônimos costurando o texto: a banca pede o referente exato de um “ele”, de um “aquilo”, de um “lá”.

Coesão textual →

Orações reduzidas

Desenvolver reduzida sem mudar o sentido é exercício clássico da prova específica. Vale ponto certo para quem treinou.

Orações reduzidas →
Leitura nas entrelinhas

Os símbolos que a UERJ ama

O calcanhar de Aquiles

A má-formação no calcanhar esquerdo evoca o mito grego por alusão. Mas há inversão: no mito, o calcanhar é a única fraqueza de um herói invulnerável; aqui, é a condição de partida de um menino sem nenhuma invulnerabilidade. O nome heroico contra o corpo frágil: ironia trágica.

O oceano

A barreira entre dois mundos. Separa Cartola e Aquiles de Glória e Justina, Angola de Portugal. Não é distância de mapa: é a impossibilidade do regresso. O que fica do outro lado continua existindo e não pode ser alcançado.

O chapéu de Cartola

O nome da personagem é também um objeto: o chapéu do homem elegante, do assimilado que se veste como português. Quando esse objeto é entregue ao Tejo, no fecho da obra, o gesto encerra a ilusão que sustentou a travessia inteira.

O nome “Paraíso”

A antífrase central. Um bairro de lata batizado com o nome do lugar perfeito. É o resumo do livro em uma palavra: a promessa da migração dita ao contrário do que ela cumpriu.

Para a prova

Os temas centrais

Colonialismo e assimilação

A promessa de cidadania condicionada a deixar de ser quem se era.

Diáspora e migração

O deslocamento movido pela busca de cura e de futuro.

Identidade e entre-lugar

Não ser de lugar nenhum como condição, não como fase.

Racismo estrutural

A exclusão que opera por indiferença, sem precisar de grito.

Família partida

Quem parte, quem fica e quem cuida: a migração divide funções.

Corpo e doença

A cirurgia como relógio da narrativa e a marca física da origem.

Amizade e afeto

Pepe, o bar, as alegrias improváveis dentro da precariedade.

Linguagem e silêncio

O que não se diz, dito nas entrelinhas da prosa poética.

Dúvidas frequentes

Perguntas que todo mundo faz

Luanda, Lisboa, Paraíso cai em qual prova da UERJ?

Na prova específica de Língua Portuguesa e Literaturas do Exame Discursivo da UERJ 2027, a segunda e última etapa do Vestibular Estadual. Não é obra do Exame de Qualificação: no 1º EQ caiu Ainda Estou Aqui e no 2º EQ caiu O Cortiço. A prova específica vale 20 pontos e, nos cursos em que Língua Portuguesa é a específica de peso 2, esses pontos valem em dobro.

Do que trata Luanda, Lisboa, Paraíso?

Nos anos 1980, já depois da independência de Angola, Cartola de Sousa embarca de Luanda para Lisboa levando o filho Aquiles, que nasceu com uma má-formação no calcanhar esquerdo e precisa operar em Portugal antes de completar quinze anos. A mãe, Glória, fica em Luanda, imobilizada pela mesma complicação do parto, cuidada pela filha Justina. Pai e filho não são acolhidos pela antiga metrópole: acabam morando no Paraíso, um bairro de lata da Margem Sul, e é ali que a vida deles se organiza, entre a precariedade, a amizade e a desilusão.

Quem são os personagens de Luanda, Lisboa, Paraíso?

Cartola de Sousa, o pai, ex-parteiro em Luanda e assimilado durante o colonialismo, que em Lisboa vira operário da construção civil; Aquiles, o filho adolescente com má-formação no calcanhar; Glória, a mãe imobilizada que fica em Angola; Justina, a filha que fica cuidando dela; Pepe, o dono do bar que se torna o grande amigo de Cartola em Lisboa; e Iuri, o rapaz do bairro que estuda e representa outro caminho possível.

O que é um assimilado e por que isso importa na obra?

Assimilado era o estatuto jurídico que o colonialismo português concedia ao africano que adotasse a língua, a religião e os costumes portugueses: em tese, ele passava a ser tratado como cidadão. Cartola de Sousa carrega essa identidade mesmo depois do fim do império, e é por acreditar nela que embarca para Lisboa convicto de que será reconhecido como português. O romance desmonta essa promessa: a metrópote acolhe o assimilado como estrangeiro. Esse é o eixo da obra e o conceito que mais rende resposta na prova.

Por que o bairro se chama Paraíso?

Paraíso é o nome de um bairro de lata ficcional na Margem Sul do Tejo, onde Cartola e Aquiles acabam morando. O contraste entre o nome idílico e a realidade de miséria e exclusão é uma ironia — mais precisamente uma antífrase — e é o recurso que organiza o título inteiro do romance: Luanda é a origem, Lisboa é a promessa e Paraíso é o desmentido das duas.

Quem é Djaimilia Pereira de Almeida?

Escritora nascida em Luanda, Angola, em 1982, e criada em Portugal. Luanda, Lisboa, Paraíso (2018) foi seu segundo livro e recebeu o Prêmio Literário Fundação Inês de Castro (2018), o Prêmio Literário Fundação Eça de Queiroz (2019) e o Prêmio Oceanos (2019), o mais importante da literatura em língua portuguesa.

Como é a prova específica de Língua Portuguesa e Literaturas da UERJ?

É uma prova discursiva: não há alternativas para marcar. O candidato lê fragmentos — da obra obrigatória e de textos de apoio — e escreve respostas curtas e objetivas, geralmente com dois itens por questão. A banca publica um padrão de respostas que enumera exatamente os elementos exigidos, e a correção é por elemento: resposta certa mas incompleta perde ponto igual.

Para aprofundar: Literatura Contemporânea, Intertextualidade, Foco narrativo, Línguas indígenas e africanas no vestibular, Niketche, de Paulina Chiziane e Antes de Nascer o Mundo, de Mia Couto, no blog do DoMonteiro.

Este livro é a sua prova

Luanda, Lisboa, Paraíso não cai no Qualificação. Cai na prova que decide a vaga.

A obra é cobrada na prova específica de Língua Portuguesa e Literaturas do Exame Discursivo. Nos cursos em que essa é a específica de peso 2, ela vale o dobro — e é a última prova entre você e a aprovação. É exatamente essa prova que o Projeto Específica prepara, do começo ao fim da obra.

Como se distribuem os 80 pontos do Exame Discursivo

  • 40Língua Portuguesa e LiteraturasEspecífica de peso 2 — vale em dobro · é esta que o projeto prepara
  • 20A outra específica do cursoFora do escopo do projeto
  • 20RedaçãoProva à parte, fora do escopo do projeto

Nos 14 cursos em que Língua Portuguesa é a específica de peso 2 — entre eles Direito, Jornalismo, Letras, Artes Visuais e Relações Públicas — ela sozinha vale 40 dos 80 pontos do Discursivo.

Aulas ao vivo e acervo gravado, simulados discursivos com correção comentada e revisão por mapa de erros, sobre a obra Luanda, Lisboa, Paraíso. O projeto cobre a prova específica de Língua Portuguesa e Literatura; a Redação é prova separada e não faz parte dele. O Discursivo é aplicado em novembro.

Domine Luanda, Lisboa, Paraíso e toda a UERJ 2027

Videoaulas gratuitas, simulados comentados e trilha de estudos com o Prof. Sérgio Monteiro.

Conteúdo revisado pelo Prof. Sérgio Monteiro em .