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DoMonteiro — Linguagens & Redação

Luanda, Lisboa, Paraíso

Djaimilia Pereira de Almeida  ·  2018
LADLuanda
LISLisboa
PassageirosCartola & Aquiles
BilheteSó ida
MotivoA cura
Destino real Quinta do
Paraíso

Um pai e um filho deixam Angola rumo a Portugal em busca de uma cirurgia. O bilhete diz "só ida". O que eles encontram não é o paraíso — é o limbo de não pertencer a lugar nenhum.

Embarcar na travessia ↓
Sobre a obra

A literatura contemporânea
chega à UERJ

Luanda, Lisboa, Paraíso (2018) venceu o Prêmio Oceanos 2019, o mais importante da literatura em língua portuguesa. Djaimilia Pereira de Almeida nasceu em Luanda em 1982 e cresceu em Portugal — escreve sobre o que conhece na pele: diáspora, identidade e o legado colonial entre Angola e Portugal.

A UERJ colocou esta obra no Exame Discursivo porque ela exige leitura sensível: a prosa é densa, poética, quase um ensaio. Não há vilões nem heróis — há a crueldade silenciosa do não pertencimento. Entender os lugares da obra é entender a obra inteira.

Itinerário

Os três lugares do título

Luanda, Lisboa e Paraíso não são só endereços: são três estados de espírito. O título é um mapa da alma dos personagens.

01
LAD · Angola

Luanda

A origem · a promessa

Onde Aquiles nasce, com a má-formação no calcanhar. É a terra natal, o ponto de partida e a casa que ficou para trás. Glória, a mãe, permanece aqui, imobilizada — o elo que nunca atravessa o oceano. Luanda é a raiz que se perde.

02
LIS · Portugal

Lisboa

A ilusão · a metrópole

O destino que prometia acolhimento. Cartola acreditava ser bem-vindo como cidadão português — afinal, Angola fora colônia. Mas a metrópole recebe pai e filho como estrangeiros. Cartola, que era parteiro, vira operário da construção civil. A cidade é a desilusão.

03
Periferia · ironia

Quinta do Paraíso

O destino real · a ironia

O bairro pobre da periferia de Lisboa onde acabam morando. O nome "Paraíso" é a maior ironia do livro: o paraíso prometido é, na verdade, o limbo. Aqui Aquiles cresce sem pertencer a Angola nem a Portugal, e Cartola afunda no isolamento.

Documentos de viagem

Quem atravessa

PASSAPORTEAGO

Cartola

O pai · ex-parteiro

Atravessa o oceano pela cura do filho. Em Lisboa, perde o ofício, a dignidade e, aos poucos, a esperança. Mergulha no isolamento e na depressão. É a geração que acreditou na metrópole e foi traída por ela.

PASSAPORTEAGO

Aquiles

O filho · nome de herói

Nasce com uma má-formação no calcanhar — daí o nome grego, numa tentativa de vencer o destino. Cresce entre duas culturas sem pertencer a nenhuma. É a segunda geração, a do entre-lugar, que carrega a ferida da diáspora.

PASSAPORTEAGO

Glória

A mãe · a que ficou

Imobilizada por complicações do parto, nunca atravessa o oceano. Permanece em Luanda como o elo partido, a presença ausente. Representa tudo o que ficou para trás e não pode ser recuperado.

Leitura nas entrelinhas

Os símbolos que a UERJ ama

🦶🏿

O calcanhar de Aquiles

A má-formação no calcanhar evoca o mito grego: o ponto vulnerável do herói. Aqui, simboliza a fragilidade da própria travessia e a ferida que não cicatriza — a do desenraizamento.

🌊

O oceano

A barreira entre dois mundos. Separa Cartola e Aquiles de Glória, Angola de Portugal. É a distância impossível de transpor de volta: o regresso não existe.

🏚️

"Paraíso"

A ironia central. O nome do bairro pobre contradiz a realidade. O paraíso prometido pela migração é, na verdade, o lugar do não pertencimento.

Para a prova

Os temas centrais

Imigração e diáspora

O deslocamento forçado pela busca de saúde e oportunidade.

Identidade e pertencimento

Não ser de lugar nenhum como condição existencial.

Pós-colonialismo

A relação assimétrica entre Angola e Portugal.

Racismo estrutural

O preconceito silencioso que define o lugar do outro.

Família e afeto

Os laços que resistem mesmo com o oceano no meio.

Linguagem e silêncio

O que não se diz, dito nas entrelinhas da prosa poética.

Treine agora

Questão comentada

O nome do bairro "Quinta do Paraíso", onde Cartola e Aquiles vão morar em Lisboa, contribui para o sentido da obra principalmente por:

  • a) confirmar que a migração trouxe prosperidade à família.
  • b) estabelecer uma ironia entre o nome idílico e a realidade de exclusão e pobreza.
  • c) indicar o retorno triunfante dos personagens a Angola.
  • d) reforçar a hospitalidade da metrópole portuguesa.

Para aprofundar: Intertextualidade: paródia, paráfrase, citação e alusão e Literatura Contemporânea: do concretismo aos dias de hoje, no blog do DoMonteiro.

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Conteúdo revisado pelo Prof. Sérgio Monteiro em .