Eleito com a promessa do cemitério. Demagogo, vaidoso e mestre da retórica vazia. Encarna o populista que transforma o discurso em espetáculo. Ironia final: torna-se o primeiro defunto do próprio cemitério.
DoMonteiro — Linguagens & Redação
Uma farsa de 1962 que parece manchete de hoje. Demagogia, obras inúteis e um cemitério à espera de defunto: a sátira política que a UERJ quer ver na sua Redação.
Conhecer a campanha ↓O Bem-Amado é a obra de Redação do Exame Discursivo da UERJ 2027. A UERJ não pede resumo — pede que você use a obra como repertório argumentativo. Ver provas e gabaritos da UERJ →
Dias Gomes (1922–1999) é um dos maiores dramaturgos do Brasil. O Bem-Amado (1962) é uma "farsa sociopolítico-patológica" em 9 quadros que satiriza a política do coronelismo. Em 1973, virou a primeira telenovela em cores da TV brasileira, e Odorico Paraguaçu se tornou um ícone cultural.
A obra entra na UERJ como base da Redação. Isso muda tudo: você não vai resumir a peça, vai usá-la como repertório para sustentar teses sobre democracia, ética, corrupção e poder. Quanto melhor você conhecer Sucupira, mais munição terá para argumentar.
Dias Gomes não cria pessoas: cria tipos, caricaturas de papéis sociais. Conheça o elenco da farsa, como se fossem santinhos de campanha.
Eleito com a promessa do cemitério. Demagogo, vaidoso e mestre da retórica vazia. Encarna o populista que transforma o discurso em espetáculo. Ironia final: torna-se o primeiro defunto do próprio cemitério.
Trazido por Odorico para "produzir" um defunto. Mas chega convertido, jurando nunca mais matar. Frustra o plano e expõe o absurdo da situação.
Dorotéia, Judith e Dulcinéia: solteironas que personificam a hipocrisia e a fofoca. A moral conservadora que se escandaliza por fora e se corrompe por dentro.
Vereador puxa-saco e oportunista. Representa o político sem princípios, que adere a quem está no poder.
Jornalista do jornal A Trombeta, faz oposição a Odorico. É o contraponto crítico ao discurso oficial — a imprensa como fiscal do poder.
A população de Sucupira, que se deixa seduzir pela demagogia. O povo manipulável é o alvo e a vítima da farsa política.
Sucupira não tem cemitério. Odorico faz campanha prometendo um e se elege com o slogan que entrou para a história.
O cemitério é construído. Mas surge um problema absurdo: ninguém morre para inaugurá-lo.
Odorico arma manobras cada vez mais grotescas para conseguir um morto e justificar a obra.
Chama o cangaceiro para matar alguém. Mas Zeca chegou convertido e se recusa. O plano desanda.
Pela ironia do destino, o próprio Odorico morre e se torna o primeiro defunto a inaugurar o cemitério que mandou construir.
Odorico inventa palavras pomposas para dar ares de erudição a discursos vazios. É a sátira da retórica política: muito som, nenhum conteúdo.
O discurso como instrumento de manipulação das massas.
A máquina pública usada para interesses pessoais.
A estrutura de poder local do interior do Brasil.
As Irmãs Cajazeiras e a moral de fachada.
A Trombeta como fiscal do discurso oficial.
Odorico morto por seus próprios esquemas.
A UERJ não pede resumo da obra. Pede que você a transforme em argumento. Veja como:
Identifique o vício político da peça que dialoga com o tema da redação (demagogia, corrupção, obra inútil, manipulação).
Use Odorico como exemplo concreto para sustentar sua tese: "como na figura de Odorico Paraguaçu, em O Bem-Amado…".
Conecte a sátira de 1962 com a atualidade: a peça é atemporal, e mostrar isso revela repertório e visão crítica.
Evite só contar a história. O examinador quer análise crítica, não enredo. A obra é meio, não fim.
Para aprofundar: Figuras de Linguagem: guia completo para a UERJ e Discurso Direto, Indireto e Indireto Livre, no blog do DoMonteiro.
Videoaulas gratuitas, correção de redação e trilha de estudos com o Prof. Sérgio Monteiro.
Conteúdo revisado pelo Prof. Sérgio Monteiro em .