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Estalagem · Rio de Janeiro · Est. 1890

DoMonteiro · Linguagens & Redação

O Cortiço

Aluísio Azevedo  ·  Romance naturalista

Noventa e cinco casinhas, uma bica, uma venda e um homem com sede de dinheiro.

Bem-vindo à estalagem de São Romão: o organismo vivo que vai cair no seu 2º Exame de Qualificação.

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1890Ano de publicação
23Capítulos
2º EQUERJ 2027

O Cortiço é a obra de Linguagens do 2º Exame de Qualificação da UERJ 2027, marcado para 06/09/2026. Ver provas e gabaritos da UERJ →

Sobre a obra

Por que um livro de 1890
ainda explica o Brasil

Aluísio Azevedo pegou um quintal carioca, encheu-o de gente e o observou como um cientista observa um formigueiro. O resultado é o maior romance do Naturalismo brasileiro: um retrato cru da desigualdade que não envelheceu.

Inspirado em L'Assommoir, de Émile Zola, o livro é um experimento. O narrador não julga, ele disseca. Quer provar uma tese, a de que o meio molda o ser humano, e usa o cortiço como laboratório. Por isso a UERJ ama esta obra: ela exige que você entenda o Naturalismo por dentro, não apenas decore o enredo.

Neste dossiê você vai percorrer a estalagem cômodo a cômodo: conhecer cada morador a fundo, mapear quem ama, explora e trai quem, e ver como o próprio cortiço age como personagem. Tudo o que a prova pode cobrar, na ordem em que faz sentido.

Capa do livro O Cortiço, de Aluísio Azevedo
Edição Principis · Texto integral
GêneroRomance naturalista
Narrador3ª pessoa onisciente, com viés científico
TempoLinear · Rio de Janeiro do séc. XIX
InfluênciaÉmile Zola (L'Assommoir)
Temas-chaveDeterminismo, meio, desigualdade
Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. O Cortiço, capítulo IV · o cortiço ganha vida própria
Livro de registro · Estalagem São Romão

Os moradores, um a um

Cada porta da estalagem esconde uma história e uma tese do Naturalismo. Role e conheça cada morador a fundo: quem é, o que representa e o que a UERJ costuma cobrar.

João Romão — O dono, o capital sem alma. Ilustração do personagem de O Cortiço, de Aluísio Azevedo. A venda
O dono · o capital sem alma

João Romão

Português, ambicioso e calculista, João Romão é o motor de toda a obra. Começa como um vendeiro mesquinho e, moeda a moeda, transforma-se em proprietário de uma venda, de uma pedreira e do cortiço inteiro. Cada centavo poupado é um tijolo a mais na sua fortuna e, ao mesmo tempo, na sua desumanidade.

Ele é a encarnação literária do capitalismo selvagem do século XIX: explora os moradores, suga o trabalho da companheira Bertoleza e, no fim, trai a todos para se casar com a filha do burguês Miranda e finalmente "subir" de classe. Em João Romão, a ambição não tem limite moral.

Na prova

A UERJ cobra João Romão como símbolo da ascensão social pela exploração. Atenção à relação entre acúmulo de capital e degradação ética.

Bertoleza — A escravizada, a vítima maior. Ilustração do personagem de O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Os fundos da venda
A escravizada · a vítima maior

Bertoleza

Mulher negra escravizada, Bertoleza trabalha sem descanso acreditando estar livre e amada. Sustenta, na sombra, a fortuna que João Romão exibe à luz. É usada como força de trabalho e descartada quando deixa de ser útil ao projeto de ascensão do companheiro.

Seu desfecho é o clímax trágico do romance: ao descobrir que será devolvida aos antigos donos, ela se mata com uma faca de cozinha. A morte de Bertoleza expõe, sem disfarce, a crueldade da escravidão e o preço humano da ambição de João Romão.

Na prova

Leitura crítica obrigatória: a obra retrata a violência da escravidão e a desumanização da mulher negra. Tema recorrente em interpretação de texto.

Jerônimo — O português, o meio o venceu. Ilustração do personagem de O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Casa nº 35
O português · o meio o venceu

Jerônimo

Jerônimo chega ao cortiço como o imigrante modelo: sóbrio, trabalhador, ordeiro e fiel à esposa Piedade. É o retrato do europeu disciplinado, até entrar em contato com o ambiente do cortiço e com Rita Baiana.

Aos poucos, o meio o transforma: ele se "abrasileira", troca o vinho pela cachaça, perde a disciplina, abandona a mulher, mata o capoeirista Firmo por causa de Rita e mergulha na degradação. Jerônimo é a prova viva da tese naturalista: o ambiente é mais forte que o caráter.

Na prova

O personagem-chave do DETERMINISMO. A UERJ adora a transformação de Jerônimo como exemplo da força do meio sobre o indivíduo.

Rita Baiana — O Brasil mestiço, a força do meio. Ilustração do personagem de O Cortiço, de Aluísio Azevedo. No coração do cortiço
O Brasil mestiço · a força do meio

Rita Baiana

Mulata sensual, alegre e livre, Rita Baiana personifica, sob a ótica naturalista da época, o próprio Brasil tropical: a dança, a música, o calor, o instinto. É ela quem desperta em Jerônimo a paixão que o arrasta para a degradação.

Rita não é vilã: é o agente do meio. O contato com ela é o contato com a terra brasileira que "abrasileira" o português. Sua figura concentra a visão (datada e hoje criticada) que o Naturalismo tinha sobre raça, sensualidade e ambiente.

Na prova

Cobrada como símbolo do meio brasileiro e da sensualidade. Exige leitura crítica da visão naturalista de raça e gênero.

Pombinha — A inocência corrompida. Ilustração do personagem de O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Casa da Dona Isabel
A inocência corrompida

Pombinha

Jovem inteligente e sensível, Pombinha é criada para um bom casamento e representa a esperança de uma vida "decente" dentro do cortiço. Tem instrução, escreve as cartas dos vizinhos e é o orgulho da mãe.

Mesmo assim, o meio também a vence: seduzida por Léonie, a cocote, acaba se prostituindo. Sua queda reforça a tese determinista: nem a educação salva quem nasce e cresce no ambiente do cortiço.

Na prova

Use Pombinha para mostrar que o determinismo do meio atinge a todos, inclusive os mais preparados.

Miranda — O sobrado, a burguesia de fachada. Ilustração do personagem de O Cortiço, de Aluísio Azevedo. O sobrado vizinho
O sobrado · a burguesia de fachada

Miranda

Comerciante português rico, Miranda mora no sobrado ao lado do cortiço, a fronteira física entre as classes. Suporta a traição da esposa, Dona Estela, em troca do dote que a mantém rico: a respeitabilidade é só aparência.

Miranda é o espelho do que João Romão deseja ser: dinheiro, título e posição social. A rivalidade entre o sobrado e o cortiço é a própria luta de classes encenada lado a lado.

Na prova

A dupla cortiço × sobrado é o eixo espacial da obra. Símbolo direto da desigualdade social.

O novelo de São Romão

Mapa de relações

Quem ama, quem explora, quem trai. Toda a tensão do cortiço em um só diagrama, feito para você entender (e printar).

explora / trai rivaliza deseja paixão abandona João Romão Bertoleza Miranda Rita Jerônimo (português) Piedade Zulmira
  • Exploração / poder econômico
  • Paixão / violência
  • Desejo amoroso
  • Ambição social
O personagem invisível

O cortiço respira

A grande sacada de Aluísio Azevedo: o cortiço não é cenário, é personagem. Ele nasce, cresce, fervilha e contamina quem vive nele. Estes são os mecanismos que a UERJ adora cobrar.

01

O despertar

De manhã, o cortiço "abre os olhos": portas e janelas escancaram como num corpo que acorda. A coletividade ganha vida própria, acima dos indivíduos.

02

Zoomorfização

Os moradores são descritos como animais: formigueiro, vermes, fêmeas no cio. A linguagem rebaixa o humano ao instinto, e isso é o determinismo em ação.

03

Determinismo

Meio, raça e momento decidem o destino. Jerônimo entra ordeiro; o meio o "abrasileira" e o degrada. Ninguém escapa do ambiente.

04

O incêndio

O cortiço pega fogo e, como organismo, se recupera e cresce ainda mais. A força coletiva sobrevive à tragédia e vira o "Cabeça-de-Gato".

Planta baixa

O território da desigualdade

De um lado, o cortiço. Do outro, o sobrado. No meio, um muro. Toda a tensão social da obra está nesta geografia.

Cortiço São Romão

95 casinhas, a bica coletiva, o capinzal. O coletivo, o instinto, a vida pulsante e suja.

Sobrado dos Miranda

O burguês português Miranda. A fachada da respeitabilidade, o dinheiro "limpo", a ambição que João Romão persegue.

A vendaOnde João Romão acumula moeda a moeda, explorando o crédito dos pobres.
A pedreiraO trabalho bruto que sustenta a fortuna e onde Jerônimo se firma.
A bicaPonto de encontro, fofoca e conflito: o coração social do cortiço.
Do tijolo à tragédia

A história em 6 atos

1

A origem da fortuna

João Romão explora Bertoleza, finge tê-la alforriado e usa o trabalho dela para erguer a venda e as primeiras casinhas.

2

O cortiço cresce

São Romão vira um formigueiro humano. A rivalidade com o sobrado vizinho de Miranda se acende.

3

A chegada de Jerônimo

O português trabalhador se apaixona por Rita Baiana. O meio começa a transformá-lo: ele se "abrasileira" e se degrada.

4

Paixão e violência

Jerônimo abandona Piedade, mata o capoeirista Firmo e foge com Rita. Piedade afunda no alcoolismo.

5

O incêndio

O cortiço pega fogo, mas se reergue maior e mais forte. O organismo coletivo sobrevive.

6

A traição final

João Romão entrega Bertoleza aos antigos donos para se casar com Zulmira e subir socialmente. Bertoleza se mata. Ele vence.

Para a prova

Os temas que a UERJ cobra

01Determinismo e meio

O ambiente molda o caráter e anula o livre-arbítrio.

02Desigualdade social

Cortiço contra sobrado: o muro que separa as classes.

03Ascensão pela exploração

João Romão como metáfora do capitalismo selvagem.

04Raça e miscigenação

A visão naturalista da época, hoje lida criticamente.

05Coletivo contra individual

O cortiço-organismo supera as histórias individuais.

06Trabalho e dinheiro

A obsessão pela acumulação como força destruidora.

Treine agora

Questão comentada

"Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas."

No fragmento, a construção "abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas" produz um efeito de sentido que se explica principalmente por:

  • a) atribuir ao espaço características de ser vivo, convertendo o cortiço em personagem coletivo.
  • b) indicar que os moradores despertavam cedo por imposição do trabalho na pedreira.
  • c) contrapor a rotina agitada do cortiço ao silêncio do sobrado vizinho.
  • d) sugerir que o narrador desconhece o funcionamento interno da estalagem.
Dúvidas frequentes

O Cortiço na UERJ: o que mais perguntam

Em qual etapa da UERJ 2027 O Cortiço vai cair?

O Cortiço é a obra de Linguagens do 2º Exame de Qualificação da UERJ 2027, aplicado em 06/09/2026. Cada obra é cobrada apenas na etapa correspondente: "Ainda Estou Aqui" caiu no 1º EQ e as outras duas ficam para o Exame Discursivo.

Qual é o resumo de O Cortiço?

João Romão, um vendeiro português, enriquece explorando o trabalho da companheira escravizada Bertoleza e constrói a estalagem São Romão. O cortiço cresce como um organismo vivo, ao lado do sobrado do burguês Miranda. O português Jerônimo chega ordeiro, apaixona-se por Rita Baiana, "abrasileira-se" e se degrada. Ao final, João Romão entrega Bertoleza aos antigos donos para se casar com Zulmira e subir socialmente — e ela se mata.

Quem são os personagens principais de O Cortiço?

João Romão (o dono ambicioso), Bertoleza (a mulher negra escravizada e explorada), Jerônimo (o português vencido pelo meio), Rita Baiana (a força do meio brasileiro), Pombinha (a inocência corrompida) e Miranda (a burguesia do sobrado vizinho).

Por que o cortiço é considerado um personagem da obra?

Porque Aluísio Azevedo o descreve como um organismo vivo: ele "acorda", cresce, fervilha, pega fogo e se reergue maior. A coletividade tem vida própria e age sobre os indivíduos — é o que sustenta o determinismo naturalista, a tese de que o meio molda o ser humano.

O que é o Naturalismo e como ele aparece em O Cortiço?

O Naturalismo leva o Realismo ao extremo aplicando método científico à literatura. Em O Cortiço isso aparece no determinismo (meio, raça e momento decidem o destino), na zoomorfização (moradores descritos como formigueiro, vermes, fêmeas no cio) e no narrador de viés científico, que disseca em vez de julgar. A obra é inspirada em L'Assommoir, de Émile Zola.

O que a UERJ costuma cobrar sobre O Cortiço?

Características do Naturalismo aplicadas à obra, o cortiço como personagem, as relações de poder entre João Romão, Bertoleza e Miranda, interpretação de fragmentos com linguagem descritiva, paralelos com a desigualdade social contemporânea e a leitura crítica da questão racial na obra.

Para aprofundar: Realismo e Naturalismo: diferenças e características e Foco Narrativo: tipos de narrador e como identificar, no blog do DoMonteiro.

Domine O Cortiço e garanta o 2º EQ da UERJ 2027

A prova é em 06/09. O e-book com 100 questões inéditas sobre O Cortiço foi escrito no formato real da prova, com gabarito comentado questão a questão. É a forma mais direta de treinar a obra antes do 2º Exame de Qualificação.

Conteúdo revisado pelo Prof. Sérgio Monteiro em .