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Como a UERJ Corrige a Redação: a grade de correção

Como a UERJ corrige a redação em cinco eixos, cada um de 0 a 4, somando 20 pontos. O que a banca avalia em cada item e onde os candidatos mais perdem nota.

Capa do artigo: Como a UERJ Corrige a Redação: a grade de correção

Saber como a redação é corrigida muda a forma de escrever. Quem conhece a grade escreve para os critérios, e não torcendo para acertar por acaso.

A correção da redação da UERJ se organiza em cinco eixos de avaliação, cada um pontuado de 0 a 4, somando 20 pontos. Neste post você vai entender o que a banca procura em cada um deles e onde os candidatos mais perdem nota.

Eixo 1: adequação ao tipo textual

A prova pede uma dissertação argumentativa, e o primeiro item verifica se foi isso que você entregou.

O corretor procura:

  • Uma introdução que apresente o tema e posicione a tese.
  • Um desenvolvimento organizado, com argumentos que sustentem essa tese.
  • Uma conclusão que feche o raciocínio.

Parece básico, e é. Mas é justamente por ser básico que vale garantir: um texto que resvala para a narração, que vira relato pessoal ou que apenas descreve o assunto sem defender posição perde pontos aqui de saída.

Eixo 2: atendimento ao tema

O item que mais derruba candidato, e o mais implacável.

Três situações distintas:

  • Atendimento pleno: você escreveu sobre o recorte proposto.
  • Tangenciamento: você escreveu sobre o assunto geral, mas não sobre o recorte. Perde muito ponto.
  • Fuga ao tema: você escreveu sobre outra coisa. A nota despenca.

A diferença entre atender e tangenciar é sutil e decisiva. Se o tema propõe discutir a desumanização causada pela miséria, escrever genericamente sobre pobreza no Brasil é tangenciar. O recorte é a desumanização, e é sobre ele que o texto precisa girar.

Recomendação prática: leia o enunciado duas vezes, sublinhe o recorte e volte a ele ao terminar cada parágrafo, perguntando se aquele trecho ainda está tratando do que foi pedido.

Eixo 3: projeto de texto e desenvolvimento

A banca avalia se existe um plano por trás do texto, ou se ele foi improvisado parágrafo a parágrafo.

O que caracteriza um bom projeto:

  • Cada parágrafo tem uma função clara na arquitetura do texto.
  • Os argumentos progridem, em vez de repetirem a tese com outras palavras.
  • Há uma linha de raciocínio que se sustenta do começo ao fim.

O que denuncia a ausência de projeto:

  • Parágrafos intercambiáveis, que poderiam trocar de lugar sem prejuízo.
  • Texto que muda de rumo no meio.
  • Conclusão que introduz assunto novo.

Cinco minutos de rascunho, definindo a tese e os dois argumentos, resolvem a maior parte desses problemas.

Eixo 4: marcas de autoria e defesa do ponto de vista

Este é o eixo que mais distingue a UERJ, e o que o Prof. Monteiro mais enfatiza.

Autoria é o que há de pessoal no texto: a sua sacada, o seu olhar, a sua visão de mundo, o repertório que vem da sua leitura. É o oposto de fórmula pronta.

A instrução é direta: fuja de receita de bolo. Modelos decorados, com conectivos pré-fabricados e citações de filósofos encaixadas à força, produzem textos que se parecem uns com os outros. O corretor lê centenas deles, e reconhece o molde na primeira linha.

Defesa consistente do ponto de vista é o complemento: não basta ter tese, é preciso sustentá-la com argumentos que de fato a apoiem. Um texto pode ter posição clara e argumentação frágil, e perder ponto aqui mesmo escrevendo bem.

Como demonstrar autoria sem inventar:

  • Traga o repertório que é seu de verdade. Se você lê história, filosofia ou acompanha cinema, esse olhar aparece naturalmente.
  • Faça uma leitura própria do tema, em vez de repetir o senso comum sobre ele.
  • Use a obra literária como fonte de reflexão, não como enfeite.

Eixo 5: linguagem e norma culta

Avalia o domínio da modalidade escrita formal:

  • Gramática: concordância, regência, crase, pontuação, ortografia.
  • Registro: ausência de coloquialismos, gírias e marcas de oralidade.
  • Precisão vocabular: palavra adequada, sem imprecisão nem rebuscamento artificial.
  • Coesão: conectivos empregados corretamente, referências claras.

Aqui o conselho é conhecido, mas verdadeiro: erros de crase, de vírgula entre sujeito e verbo e de concordância são os mais frequentes, e são todos evitáveis com estudo dirigido.

Tabela de consulta rápida

EixoO que a banca avaliaOnde se perde ponto
Tipo textualestrutura dissertativa completaresvalar para narração ou descrição
Temaatendimento ao recorte propostotangenciar ou fugir
Projeto de textoplano e progressãoparágrafos que não avançam
Autoria e ponto de vistaolhar próprio, tese sustentadafórmula decorada, argumento frágil
Linguagemnorma culta e coesãocrase, vírgula, concordância

O que cai na UERJ: onde mais se perde nota

Na experiência do Prof. Monteiro, três falhas concentram a maior parte das perdas:

  1. Tangenciamento do tema. O candidato entendeu o assunto, mas não o recorte.
  2. Ausência de autoria. O texto está correto e é impessoal ao ponto de ser genérico.
  3. Desvios de norma culta. Sobretudo pontuação e crase, que são conteúdos treináveis.

As três são corrigíveis com preparação. Nenhuma delas depende de talento.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

Um candidato recebe a proposta de discutir a desumanização provocada pela miséria e escreve um texto consistente sobre a pobreza no Brasil, sem tratar especificamente do processo de desumanização. Esse texto configura:

a) atendimento pleno ao tema. b) tangenciamento do tema. c) fuga ao tema. d) inadequação ao tipo textual. e) ausência de projeto de texto.

Gabarito: b

Comentário: O candidato permaneceu no universo temático proposto, o que afasta a fuga ao tema, situação em que o texto trataria de assunto inteiramente diverso. Mas ele não desenvolveu o recorte específico solicitado, que era a desumanização. Escrever sobre o assunto geral sem abordar o recorte caracteriza tangenciamento, falha que reduz significativamente a pontuação no eixo de atendimento ao tema.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Sobre a valorização das marcas de autoria na correção da UERJ, é correto afirmar que:

a) beneficia textos que reproduzem modelos estruturais consagrados. b) exige o uso obrigatório de citações de autores clássicos. c) valoriza a perspectiva própria do candidato e o repertório efetivamente incorporado à sua argumentação. d) refere-se exclusivamente ao estilo literário da escrita. e) dispensa a necessidade de tese e argumentação.

Gabarito: c

Comentário: Autoria diz respeito ao olhar pessoal sobre o tema e ao repertório que o candidato de fato domina e integra ao raciocínio. A alternativa a inverte o critério, pois a reprodução de modelos é justamente o que a banca busca desestimular. A alternativa b confunde autoria com erudição encaixada: citações desconectadas da tese não demonstram autoria, demonstram o contrário.


Questão 3 (Estilo UERJ)

Em um texto dissertativo, os dois parágrafos de desenvolvimento apresentam o mesmo argumento com formulações diferentes. Na grade da UERJ, essa característica compromete prioritariamente o eixo de:

a) atendimento ao tema b) adequação ao tipo textual c) projeto de texto e desenvolvimento d) linguagem e norma culta e) marcas de autoria

Gabarito: c

Comentário: O tema continua sendo atendido e a estrutura dissertativa foi mantida, o que afasta as alternativas a e b. A falha está na ausência de progressão: um texto bem projetado distribui funções distintas entre os parágrafos, e cada argumento deve sustentar a tese por um ângulo próprio. Parágrafos que se repetem revelam ausência de planejamento, comprometendo o eixo de projeto de texto e desenvolvimento.

Revisão rápida

  • A correção se organiza em cinco eixos, de 0 a 4 cada, somando 20 pontos.
  • Os eixos são tipo textual, atendimento ao tema, projeto de texto, autoria e linguagem.
  • Tangenciar o tema é escrever sobre o assunto geral sem tratar do recorte proposto.
  • Projeto de texto se demonstra na progressão: cada parágrafo precisa avançar.
  • Autoria é olhar próprio e repertório incorporado, o oposto de fórmula decorada.
  • As maiores perdas vêm de tangenciamento, ausência de autoria e desvios de norma culta.

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