Método O Prof. Projetos Vestibular UERJ ↳ A UERJ (história) ↳ Cursos da UERJ ↳ Nota de Corte (79 cursos) ↳ Calculadora de Nota ↳ Cotas UERJ ↳ Glossário Provas e Gabaritos ↳ Gabarito 2º EQ (06/09) ↳ Prova UERJ 2027 ↳ Simulado UERJ (PDF) ↳ Simulado Interativo ↳ Banco de Questões ↳ Temas que Mais Caem Obras ↳ O Cortiço (2º EQ) ↳ Ainda Estou Aqui (1º EQ) ↳ Luanda, Lisboa, Paraíso ↳ O Bem-Amado YouTube Blog Quero minha vaga
← Voltar ao blog

Estrutura da Redação da UERJ: como montar o texto

Estrutura da redação da UERJ explicada parágrafo a parágrafo, com o que muda por partir de uma obra literária e por que fórmula pronta atrapalha na banca.

Capa do artigo: Estrutura da Redação da UERJ: como montar o texto

A redação da UERJ é um texto dissertativo-argumentativo padrão. Não há mistério na tipologia: introdução, desenvolvimento e conclusão, com quatro parágrafos bem delimitados. O que torna essa prova particular não é a estrutura, é o ponto de partida.

Neste post você vai entender como organizar cada parágrafo e, principalmente, por que decorar um modelo pronto é a pior estratégia possível para essa banca.

O que torna a redação da UERJ diferente

A banca escolhe uma obra literária e monta a proposta a partir dela. Um fragmento é retirado de um capítulo qualquer do livro, e desse fragmento nasce o tema.

Isso muda o jogo de duas formas:

  1. A leitura da obra é pré-requisito. Sem ter lido, você não tem o que dizer. O livro é a fonte do repertório específico, e a banca percebe imediatamente quem escreveu a partir de um resumo.
  2. O tema é imprevisível, mas o universo temático não. Se a obra trata de miséria, seca e migração, os temas possíveis orbitam esses eixos. Ler o livro extraindo temas de cada capítulo é a preparação mais eficiente que existe.

Uma vantagem prática: em obras compostas por capítulos relativamente independentes, é possível ler um capítulo por vez, fazendo anotações e levantando ideias, sem depender da sequência.

A estrutura, parágrafo a parágrafo

Introdução

Apresenta o tema e posiciona a tese, ou seja, o ponto de vista que será defendido.

Você não precisa de fórmula. Precisa de uma escolha consciente de abordagem:

  • Histórica: situa o tema no tempo, mostrando de onde ele vem.
  • Causa e efeito: apresenta o problema e sua consequência.
  • Comparativa: confronta duas realidades.
  • Conceitual: parte da definição do termo central do tema.
  • Alusiva: abre com uma referência cultural ou com o próprio fragmento da obra.

O que a banca espera é que a tese esteja clara ao fim do primeiro parágrafo. Se ao terminar a introdução o leitor não sabe o que você defende, o texto já começou perdendo.

Desenvolvimento

Dois parágrafos, cada um sustentando um argumento distinto que apoia a tese.

Cada parágrafo de desenvolvimento tem uma arquitetura interna:

  1. Tópico frasal: a ideia central do parágrafo, em uma frase.
  2. Sustentação: o argumento propriamente dito, com dados, exemplos, referências ou raciocínio.
  3. Fechamento: retorno à tese, mostrando como aquele argumento a sustenta.

O erro mais comum aqui é o parágrafo que apenas repete a tese com outras palavras, sem acrescentar sustentação nova.

Conclusão

Retoma a tese e fecha o raciocínio. Não é o lugar de introduzir argumento novo.

A conclusão pode reafirmar o ponto de vista à luz do que foi desenvolvido, apontar consequências ou propor um encaminhamento. O importante é que ela soe como fechamento, e não como interrupção.

Por que fórmula pronta atrapalha na UERJ

Aqui está o conselho mais importante do Prof. Monteiro sobre essa prova: fuja de receita de bolo.

A UERJ valoriza explicitamente as marcas de autoria. Autoria é o que há de pessoal no texto: a sua sacada, o seu olhar sobre o tema, a sua visão de mundo, o seu repertório de leitura.

Um texto montado sobre um esqueminha decorado, com conectivos pré-fabricados e citações de filósofos encaixadas à força, entrega exatamente o oposto do que a banca procura. Ele mostra um candidato reproduzindo um molde, não pensando.

Isso não significa escrever sem estrutura. Significa dominar a estrutura ao ponto de usá-la naturalmente, e preencher esse esqueleto com o que é seu.

Se você lê filosofia, esse olhar vai aparecer no seu texto quando você tratar de miséria ou de dignidade. Se você acompanha história ou cinema, o mesmo. O repertório vale quando é seu e quando dialoga de fato com o tema.

Projeto de texto: pensar antes de escrever

Projeto de texto é o planejamento do percurso argumentativo antes de começar a escrever. Ele responde a três perguntas:

  1. Qual é a minha tese? Em uma frase.
  2. Quais são os dois argumentos que a sustentam? Em uma frase cada.
  3. Como eu fecho?

Cinco minutos nesse rascunho evitam o texto que muda de rumo no meio, que é uma das falhas mais penalizadas. A banca avalia a existência de um projeto: ela quer ver que o texto foi pensado como um todo, não improvisado parágrafo a parágrafo.

Erros que custam caro

  • Fuga ao tema. Zera ou derruba drasticamente a nota. Leia o enunciado duas vezes antes de escrever.
  • Tangenciamento. Escrever sobre o assunto geral em vez do recorte proposto. É quase tão grave quanto a fuga.
  • Escrever sobre o livro em vez de sobre o tema. O fragmento é o ponto de partida, não o objeto da redação. Resumir a obra não é dissertar.
  • Fugir do tipo textual. Responder a uma proposta dissertativa com narração ou relato pessoal.
  • Conclusão que abre assunto novo. Fecha mal e sugere falta de planejamento.

O que cai na UERJ

Vale reforçar o que essa prova pede, em uma linha: um texto dissertativo-argumentativo, com tese clara, dois argumentos consistentes, projeto de texto visível e marcas de autoria, escrito a partir de um tema extraído da obra literária adotada pela banca.

Quem lê a obra com atenção, treina a estrutura até ela virar automática e desenvolve um olhar próprio sobre os temas chega à prova em condições muito melhores do que quem decorou modelos.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

Sobre a proposta de redação da UERJ, é correto afirmar que:

a) exige a produção de um texto narrativo a partir de um fragmento literário. b) exige um texto dissertativo-argumentativo cujo tema é extraído da obra literária adotada. c) exige o resumo da obra literária indicada pela banca. d) permite ao candidato escolher livremente entre dissertar e narrar. e) dispensa a leitura da obra, uma vez que o fragmento é fornecido na prova.

Gabarito: b

Comentário: A banca extrai um fragmento da obra adotada e, a partir dele, formula um tema a ser desenvolvido em texto dissertativo-argumentativo. A alternativa c descreve um erro grave e frequente: resumir a obra em vez de dissertar sobre o tema. A alternativa e é igualmente equivocada, pois o fragmento é apenas o disparador, e o repertório específico necessário à argumentação vem da leitura integral do livro.


Questão 2 (Estilo UERJ)

O conceito de “marcas de autoria”, valorizado na correção da redação da UERJ, refere-se a:

a) uso de citações de filósofos e teóricos consagrados. b) emprego de conectivos sofisticados ao longo do texto. c) presença de um olhar pessoal e de repertório próprio no tratamento do tema. d) assinatura do candidato ao final da folha de redação. e) reprodução fiel de um modelo estrutural aprendido em aula.

Gabarito: c

Comentário: Autoria é o que há de pessoal no texto: a perspectiva do candidato, seu repertório de leituras e a maneira própria de abordar o tema. A alternativa a é a distratora mais forte, pois citações podem contribuir, mas apenas quando integradas ao raciocínio do autor. Encaixadas à força, produzem o efeito contrário. A alternativa e descreve exatamente o que a banca não quer: a reprodução de fórmula pronta.


Questão 3 (Estilo UERJ)

Um candidato desenvolve um parágrafo de desenvolvimento apenas reafirmando, com outras palavras, o que já dissera na introdução. Essa falha compromete diretamente:

a) o atendimento ao tema. b) a adequação ao tipo textual. c) a progressão argumentativa e o projeto de texto. d) a correção gramatical. e) a coesão referencial.

Gabarito: c

Comentário: O tema está sendo atendido e a tipologia dissertativa foi respeitada, o que afasta as alternativas a e b. O problema é que o texto não avança: cada parágrafo de desenvolvimento deve trazer um argumento novo que sustente a tese por um ângulo distinto. Repetir a tese sem acrescentar sustentação caracteriza ausência de progressão, revelando falta de projeto de texto.

Revisão rápida

  • A redação da UERJ é dissertativo-argumentativa, com tema extraído de uma obra literária.
  • Ler o livro integralmente é pré-requisito, pois ele é a fonte do repertório específico.
  • A estrutura é introdução com tese, dois parágrafos de desenvolvimento e conclusão.
  • Cada parágrafo de desenvolvimento tem tópico frasal, sustentação e fechamento.
  • A banca valoriza marcas de autoria, e por isso fórmula decorada trabalha contra você.
  • Resumir a obra em vez de dissertar sobre o tema é um dos erros mais graves.

Leia também:


Quer se preparar de verdade para a UERJ?

O DoMonteiro tem projetos completos para cada etapa do vestibular da UERJ, do 1º Exame de Qualificação ao Discursivo, com diagnóstico inicial, trilha semanal, simulados comentados e revisão por mapa de erros.

Conheça os projetos DoMonteiro em domonteiro.com.br e comece a sua preparação com quem conhece a UERJ de ponta a ponta.

Quer ir além do conteúdo gratuito? Conheça os projetos DoMonteiro para o Vestibular UERJ 2027.

Ver projetos