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Complemento Nominal e Adjunto Adnominal: como diferenciar

Complemento nominal e adjunto adnominal explicados com o teste do agente e do paciente, o macete que resolve as questões mais difíceis de sintaxe da UERJ.

Capa do artigo: Complemento Nominal e Adjunto Adnominal: como diferenciar

Complemento nominal e adjunto adnominal é o conteúdo de sintaxe que mais derruba candidato. E o motivo é preciso: nos casos difíceis, os dois aparecem exatamente na mesma posição, ligados ao mesmo tipo de palavra, com a mesma preposição. Olhar para a forma não resolve.

O que resolve é um teste de sentido, e o Prof. Monteiro chama esse teste de pulo do gato: descobrir se o termo age ou se ele sofre a ação. Neste post você vai aprender a aplicar esse teste com segurança.

Complemento nominal: quem pede e por quê

O complemento nominal é um termo integrante da oração, ou seja, não pode ser retirado, porque a estrutura da frase o exige. Ele sempre vem regido de preposição.

Três classes gramaticais pedem complemento nominal:

1. Substantivo abstrato (nomes de sentimento ou de ação: amor, medo, necessidade, construção, reclamação)

  • “Ela tem medo dos bandidos.” (medo de quem?)

Repare na análise completa: ter é transitivo direto, e “medo” é o objeto direto. Mas “medo” é substantivo abstrato e, sozinho, fica incompleto. “Dos bandidos” completa o sentido do nome, não do verbo. Por isso é complemento nominal.

2. Adjetivo

  • “Ele é prejudicial aos amigos.” (prejudicial a quem?)

Aqui prejudicial é predicativo do sujeito, e “aos amigos” completa o sentido desse adjetivo.

3. Advérbio

  • “Ele votou contrariamente ao governo.” (contrariamente a quê?)

Contrariamente é adjunto adverbial de modo, e “ao governo” completa o sentido do advérbio.

Adjunto adnominal: o que ele pode ser

O adjunto adnominal é um termo acessório que caracteriza um substantivo. Ele pode ser:

  • Artigo:o livro”
  • Adjetivo: “livro antigo
  • Pronome:meu livro”
  • Numeral:três livros”
  • Locução adjetiva: “livro de capa dura

Nas quatro primeiras formas não há confusão possível. O problema nasce na quinta: a locução adjetiva, que vem preposicionada e ocupa a mesma posição de um complemento nominal.

A primeira triagem: substantivo concreto ou abstrato?

Existe uma regra que elimina metade dos casos difíceis de uma vez:

Complemento nominal só se liga a substantivo abstrato.

Portanto, se o termo preposicionado está ligado a um substantivo concreto, ele é necessariamente adjunto adnominal.

  • “a casa de Pedro” → casa é concreto, logo adjunto adnominal.
  • “o livro de história” → livro é concreto, logo adjunto adnominal.

A dúvida real só existe quando o termo se liga a um substantivo abstrato, porque aí os dois são possíveis. É nesse ponto que entra o teste decisivo.

O pulo do gato: agente ou paciente?

Diante de um substantivo abstrato, pergunte: o termo preposicionado pratica a ação ou recebe a ação?

Se é agente, é adjunto adnominal. Se é paciente, é complemento nominal.

Veja como um mesmo substantivo muda de análise conforme a preposição:

ConstruçãoQuem age, quem sofreClassificação
”a resposta do alunoo aluno deu a resposta (agente)adjunto adnominal
”a resposta ao alunoo aluno recebeu a resposta (paciente)complemento nominal

O mesmo raciocínio com outros exemplos:

  • “a construção do prédio” → o prédio é construído, sofre a ação. Paciente, logo complemento nominal.
  • “a construção da empreiteira” → a empreiteira constrói, pratica a ação. Agente, logo adjunto adnominal.
  • “as reclamações do técnico” → o técnico reclama, é quem age. Agente, logo adjunto adnominal.
  • “as reclamações aos jogadores” → os jogadores recebem as reclamações. Pacientes, logo complemento nominal.

Note como a preposição costuma dar a pista: “de” tende a marcar posse e agente; “a” e “para” tendem a marcar destinatário e paciente. Mas essa é apenas uma tendência. O que decide é o sentido, não a preposição isolada, porque “a construção do prédio” usa “de” e ainda assim é complemento nominal.

Roteiro de análise em três passos

  1. O termo está ligado a um verbo ou a um nome? Se for a um verbo, é complemento verbal ou adjunto adverbial, e o assunto é outro.
  2. Ligado a nome: esse nome é concreto? Se sim, adjunto adnominal, e a análise termina aqui.
  3. O nome é abstrato: o termo age ou sofre? Agente indica adjunto adnominal; paciente indica complemento nominal.

O que cai na UERJ

A UERJ dificilmente pede a classificação isolada. O tema aparece assim:

  • Ambiguidade e precisão de sentido. A banca apresenta uma construção que admite duas leituras, como “o medo dos inimigos”, e pergunta a que se deve a ambiguidade. A resposta está na possibilidade de o termo ser lido como agente ou como paciente.
  • Reescrita com manutenção de sentido. A questão propõe uma paráfrase e pede que o candidato avalie se o sentido foi preservado. Trocar “de” por “a” muda quem age e quem sofre, e é essa a armadilha.
  • Análise de trecho literário. Textos que exploram a nominalização, comuns na prosa selecionada pela banca, concentram substantivos abstratos com termos preposicionados. Reconhecer a relação sintática é o que sustenta a interpretação.

Na redação, atenção ao mesmo risco: nominalizações mal construídas geram frases ambíguas, e ambiguidade custa pontos em clareza.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

Assinale a alternativa em que o termo destacado é complemento nominal:

a) “O carro do vizinho amanheceu riscado.” b) “A leitura do romance exige atenção.” c) “As mãos da criança estavam sujas.” d) “O caderno de anotações ficou na mesa.” e) “A casa da esquina foi vendida.”

Gabarito: b

Comentário: Em b, leitura é substantivo abstrato e “do romance” recebe a ação, pois o romance é lido, não lê. Sendo paciente, o termo é complemento nominal. Nas demais alternativas, os núcleos são substantivos concretos (carro, mãos, caderno, casa), o que exclui automaticamente a possibilidade de complemento nominal e caracteriza adjunto adnominal.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Leia as construções:

I. “o apoio dos professores” II. “o apoio aos estudantes”

Sobre elas, é correto afirmar que:

a) em I e II os termos destacados são complementos nominais. b) em I e II os termos destacados são adjuntos adnominais. c) em I há adjunto adnominal e em II, complemento nominal. d) em I há complemento nominal e em II, adjunto adnominal. e) a classificação depende exclusivamente da preposição empregada.

Gabarito: c

Comentário: Em I, os professores apoiam, são agentes da ação expressa pelo substantivo abstrato apoio, o que caracteriza adjunto adnominal. Em II, os estudantes recebem o apoio, são pacientes, o que caracteriza complemento nominal. A alternativa e está incorreta porque a preposição é apenas um indício: em “a construção do prédio”, a preposição “de” acompanha um complemento nominal, já que o prédio sofre a ação.


Questão 3 (Estilo UERJ)

No trecho “O amor do pai comoveu a plateia”, a expressão destacada:

a) é complemento nominal, pois amor é substantivo abstrato. b) é adjunto adnominal, pois o pai é quem exerce o sentimento. c) é objeto indireto do verbo comover. d) é adjunto adverbial de causa. e) é predicativo do sujeito deslocado.

Gabarito: b

Comentário: O substantivo amor é de fato abstrato, o que torna as duas classificações possíveis em princípio, e é justamente por isso que a alternativa a é uma armadilha bem construída. O critério decisivo é semântico: no contexto, o pai é quem ama, ou seja, é o agente do sentimento. Sendo agente, a expressão é adjunto adnominal. Se o trecho fosse “o amor ao pai”, o pai passaria a ser quem recebe o sentimento e a expressão seria complemento nominal.

Revisão rápida

  • Complemento nominal é termo integrante e completa o sentido de substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio.
  • Adjunto adnominal é termo acessório e caracteriza um substantivo, podendo ser artigo, adjetivo, pronome, numeral ou locução adjetiva.
  • Se o termo preposicionado se liga a substantivo concreto, é sempre adjunto adnominal.
  • Diante de substantivo abstrato, aplique o teste: agente indica adjunto adnominal, paciente indica complemento nominal.
  • A preposição é indício, não prova: “a construção do prédio” traz “de” e é complemento nominal.
  • Na dúvida, transforme a expressão em oração e veja quem pratica a ação.

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