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Objeto Direto e Indireto: guia dos complementos verbais

Objeto direto e indireto sem confusão. Use as perguntas "o quê?" e "a quem?", entenda o objeto preposicionado e o pleonástico e acerte as questões da UERJ.

Capa do artigo: Objeto Direto e Indireto: guia dos complementos verbais

Objeto direto e objeto indireto são os dois complementos verbais da língua portuguesa, e existem por um motivo simples: alguns verbos não têm sentido completo sozinhos. Se alguém diz apenas “Ana ama”, a frase fica no ar. Ama o quê? Ama quem? É essa lacuna que o complemento verbal preenche.

Neste post você vai aprender a identificar os complementos com duas perguntas, a reconhecer os casos especiais que a banca adora cobrar (objeto preposicionado e pleonástico) e a não confundir complemento com adjunto adverbial.

O teste das duas perguntas

Todo verbo transitivo pede complemento. Para descobrir qual, faça sempre as mesmas duas perguntas ao verbo:

  • O quê? (algo)

  • A quem? (alguém)

  • “Quem ama, ama algo ou ama alguém.”

  • “Quem precisa, precisa de algo ou precisa de alguém.”

A resposta a essas perguntas é o complemento. E o que define se ele é direto ou indireto é uma única coisa: a presença de preposição exigida pelo verbo.

ComplementoPreposiçãoExemplo
Objeto diretosem preposição”Ana via muitos filmes.”
Objeto indiretocom preposição”A criança precisa de atenção.”

Objeto direto

O objeto direto completa o sentido de um verbo transitivo direto sem preposição.

  • “Ana via muitos filmes.” (ver algo; núcleo do objeto: filmes)
  • “O time conquistou títulos.”

Apenas duas classes de palavras funcionam como núcleo do objeto direto: substantivo (ou palavra substantivada) e pronome.

E aqui entra um detalhe que aparece muito em prova: pronome pessoal do caso reto não funciona como objeto.

  • Errado: “Ana via eles diariamente.”
  • Correto: “Ana os via diariamente.”

O pronome oblíquo os é que desempenha a função de objeto direto. Essa é uma das construções que separam a fala coloquial da norma culta, e a UERJ costuma explorá-la em questões de adequação linguística.

Objeto indireto

O objeto indireto completa o sentido de um verbo transitivo indireto e sempre vem com preposição, exigida pelo próprio verbo.

  • “A criança precisa de atenção.”
  • “Ele assistiu ao jogo.”
  • “Ela gostava de doces.”

A palavra-chave aqui é exigida. A preposição não é uma escolha estilística do falante: é o verbo que a rege. Por isso assistir, no sentido de ver ou presenciar, pede a preposição “a”. Assiste-se ao filme, não o filme.

Verbo transitivo direto e indireto

Alguns verbos pedem os dois complementos ao mesmo tempo.

  • “Ana deu um presente a ele.” (deu o quê? um presente / a quem? a ele)
  • “Ele pediu paz à torcida.”

Nesses casos, a frase só fica completa com os dois objetos presentes. Repare que o objeto direto costuma ser a coisa e o objeto indireto, a pessoa. Não é regra absoluta, mas ajuda a organizar a análise.

Objeto direto preposicionado

Aqui está uma das pegadinhas clássicas. Se todo objeto direto vem sem preposição, como classificar isto?

  • “Ana amava a Deus.”

O verbo amar é transitivo direto, portanto pede objeto direto. Mas apareceu a preposição “a”. Nesse caso, temos um objeto direto preposicionado: a preposição não é exigida pelo verbo, ela foi acrescentada por razões de estilo.

As motivações mais comuns são:

  • Ênfase no complemento, como em “amava a Deus”.
  • Evitar ambiguidade, como em “Ao pai venceu o filho”, em que a preposição deixa claro quem venceu quem.
  • Presença de pronome oblíquo tônico, como em “Amo a ti”.

O teste é direto: se o verbo é transitivo direto e mesmo assim há preposição, trata-se de objeto direto preposicionado. A transitividade do verbo não muda.

Objeto pleonástico

O objeto pleonástico ocorre quando o complemento é repetido na oração por ênfase, em geral retomado por um pronome oblíquo.

  • “Os discos, Ana os ouvia.” (objeto direto pleonástico)
  • “A mim ninguém me engana.” (objeto indireto pleonástico)

Nas duas frases, o objeto aparece deslocado para o início e é retomado dentro da oração pelo pronome. Essa repetição é intencional, é um recurso de destaque, e não constitui erro.

Complemento não é adjunto adverbial

Essa distinção decide muitas questões. Compare:

  • “Ela chegou ao trabalho cedo.”
  • “Ela precisa de atenção.”

Em ambas há preposição, mas as funções são diferentes. Chegar é intransitivo: “ao trabalho” indica lugar e “cedo” indica tempo. São adjuntos adverbiais, circunstâncias. Já em “precisa de atenção”, o verbo não tem sentido sem o termo: é objeto indireto.

O critério é a necessidade. Complemento verbal preenche uma lacuna do verbo; adjunto adverbial acrescenta uma circunstância que pode ser retirada sem que a frase fique truncada.

O verbo intransitivo, aliás, se basta. Ele pode aparecer sozinho (“O técnico famoso morreu”), acompanhado de adjunto adverbial (“Ela chegou ao trabalho cedo”) ou até de predicativo (“Ela foi ao show sozinha”), mas nunca de complemento verbal.

O que cai na UERJ

A UERJ trabalha complementos verbais em três frentes recorrentes:

  • Regência e adequação à norma culta. A banca apresenta uma construção coloquial e pede a versão adequada, ou pergunta que efeito a escolha produz no texto. O uso de pronome reto como objeto é o alvo preferido.
  • Coesão por retomada. Questões que pedem a identificação do termo retomado por um pronome oblíquo dependem de reconhecer a função de objeto.
  • Efeito de sentido do deslocamento. Quando o autor antecipa o objeto e o repete com pronome, cria ênfase. A banca pergunta o que essa construção acrescenta ao texto, e a resposta passa por identificar o objeto pleonástico.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

Assinale a alternativa em que o termo destacado é objeto indireto:

a) “O menino comprou um livro na feira.” b) “Ela chegou ao teatro atrasada.” c) “Todos obedeceram às regras do concurso.” d) “O grupo permaneceu em silêncio.” e) “A notícia surpreendeu os moradores.”

Gabarito: c

Comentário: O verbo obedecer é transitivo indireto e rege a preposição “a”, de modo que “às regras” completa seu sentido e é objeto indireto. Em a e e, os verbos são transitivos diretos, com objetos diretos. Em b, chegar é intransitivo e “ao teatro” é adjunto adverbial de lugar. Em d, “em silêncio” indica modo, também funcionando como adjunto adverbial.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Leia o período:

“Aos filhos, a mãe entregou-lhes toda a herança.”

Sobre os termos do período, é correto afirmar que:

a) “aos filhos” é adjunto adverbial e “lhes” é objeto direto. b) “aos filhos” e “lhes” formam um objeto indireto pleonástico. c) “toda a herança” é objeto indireto e “lhes” é objeto direto. d) “lhes” é pronome reflexivo e “aos filhos” é complemento nominal. e) “aos filhos” é objeto direto preposicionado.

Gabarito: b

Comentário: O verbo entregar é transitivo direto e indireto: entrega-se algo a alguém. “Toda a herança” é o objeto direto e “aos filhos” é o objeto indireto, deslocado para o início da frase por ênfase. O pronome lhes retoma exatamente esse mesmo termo dentro da oração, configurando repetição intencional. Trata-se, portanto, de objeto indireto pleonástico.


Questão 3 (Estilo UERJ)

No verso “Amo a ti como se ama ao próprio destino”, o emprego da preposição diante dos complementos indica que:

a) o verbo amar passou a ser transitivo indireto no contexto. b) há objeto direto preposicionado, usado por ênfase e pela presença do pronome tônico. c) os termos preposicionados exercem função de adjunto adverbial. d) trata-se de complemento nominal regido pelo substantivo destino. e) a construção configura erro de regência em relação à norma culta.

Gabarito: b

Comentário: O verbo amar é transitivo direto e mantém essa transitividade no verso. A preposição não é exigida pelo verbo, mas acrescentada por dois motivos frequentes nesse tipo de construção: a ênfase expressiva, comum em textos literários, e o uso do pronome oblíquo tônico ti, que em português demanda preposição. A alternativa e está incorreta porque o objeto direto preposicionado é construção plenamente aceita pela norma culta.

Revisão rápida

  • Complemento verbal completa o sentido de verbo transitivo, e se descobre com as perguntas “o quê?” e “a quem?”.
  • Objeto direto vem sem preposição; objeto indireto vem com preposição exigida pelo verbo.
  • Só substantivo e pronome funcionam como núcleo de objeto; pronome reto não exerce essa função.
  • Objeto direto preposicionado ocorre quando o verbo é transitivo direto mas a preposição aparece por ênfase ou clareza.
  • Objeto pleonástico é a repetição intencional do complemento, retomado por pronome oblíquo.
  • Complemento preenche uma lacuna do verbo; adjunto adverbial só acrescenta circunstância e pode ser retirado.

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