A Geração de 45 fecha o ciclo modernista brasileiro. Se a de 22 rompeu e a de 30 amadureceu com militância social, a de 45 faz um movimento surpreendente: recupera o rigor formal que as duas gerações anteriores haviam abandonado.
O contexto: o fim de um ciclo histórico
O nome vem de 1945, ano de acontecimentos que fecham um período:
- Fim da Segunda Guerra Mundial.
- Criação da ONU.
- Fim do Estado Novo e da ditadura de Vargas no Brasil.
Com o fim desses grandes conflitos e da polarização ideológica que marcou os anos 30 e a guerra, o clima muda. Os escritores já não sentem a mesma urgência de engajamento político direto que movia a geração anterior, e voltam-se para questões mais formais e introspectivas.
A poesia: retorno ao rigor formal
Este é o traço mais surpreendente da geração, e o mais cobrado em prova: depois de duas gerações de verso livre e liberdade formal, os poetas de 45 retomam a métrica e o cuidado com a forma.
Não é retrocesso ao Parnasianismo, é uma nova relação com a forma: mais consciente, mais rigorosa, buscando precisão na palavra.
João Cabral de Melo Neto é o nome central. Sua poesia é seca, precisa, quase arquitetônica, avessa ao sentimentalismo. Morte e Vida Severina é sua obra mais conhecida, uma reflexão sobre a seca e a migração nordestina construída com rigor formal absoluto.
A prosa: introspecção urbana
Na prosa, a geração de 45 se afasta do regionalismo social da geração de 30 e volta-se para o interior das personagens, num ambiente predominantemente urbano.
Características:
- Foco no drama psicológico e interior, não na ação externa.
- Fluxo de consciência e epifania.
- Ambiente urbano, ao contrário do sertão da geração anterior.
- Linguagem elaborada, muitas vezes poética mesmo em prosa.
Clarice Lispector é o nome maior dessa vertente. Seus contos e romances trabalham momentos banais do cotidiano que se abrem, de repente, em revelação existencial. Lygia Fagundes Telles segue linha semelhante, com atenção à interioridade feminina.
Comparando as três gerações modernistas
| Geração de 22 | Geração de 30 | Geração de 45 | |
|---|---|---|---|
| Tom | escândalo, humor | denúncia social | introspecção, rigor |
| Forma | ruptura, verso livre | mantém a ruptura | retoma o rigor formal |
| Foco | nacional, urbano | regional, rural | urbano, psicológico |
| Nome central | Mário e Oswald de Andrade | Graciliano Ramos | Clarice Lispector, João Cabral |
O que cai na UERJ
A Geração de 45 aparece de duas formas:
- Contraste com as gerações anteriores. A banca explora justamente o paradoxo de uma geração modernista que retoma o rigor formal, algo que os alunos tendem a associar ao Parnasianismo, escola anterior ao Modernismo.
- Prosa introspectiva de Clarice Lispector. Frequentemente presente em provas, com foco na epifania e no fluxo de consciência.
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Questões comentadas
Questão 1 (Estilo UERJ)
O traço que mais distingue a Geração de 45 das duas gerações modernistas anteriores é:
a) o abandono total da métrica e da rima. b) a retomada do rigor formal na poesia, após o verso livre predominante em 22 e 30. c) a ausência completa de produção em prosa. d) o retorno ao regionalismo social da geração de 30. e) a rejeição de qualquer tema urbano.
Gabarito: b
Comentário: Após duas gerações que consagraram o verso livre como conquista modernista, a Geração de 45 surpreende ao recuperar o cuidado formal e a métrica na poesia, num movimento que não representa retrocesso ao Parnasianismo, mas uma nova relação, mais consciente, com a forma poética. João Cabral de Melo Neto é a referência mais associada a essa retomada.
Questão 2 (Estilo UERJ)
A prosa de Clarice Lispector, associada à Geração de 45, caracteriza-se por:
a) denúncia social explícita do ambiente rural nordestino. b) foco na interioridade das personagens, com epifanias a partir de momentos cotidianos banais. c) linguagem coloquial e humor satírico. d) estrutura de romance de tese, apoiada em teorias científicas. e) narrativa histórica sobre a colonização do Brasil.
Gabarito: b
Comentário: A prosa de Clarice Lispector volta-se para o drama interior das personagens, frequentemente deflagrado por situações banais do cotidiano que se transformam em momentos de revelação existencial, as epifanias. Esse foco introspectivo e urbano contrasta com o regionalismo social da geração de 30, associado a autores como Graciliano Ramos.
Questão 3 (Estilo UERJ)
O contexto histórico que dá nome à Geração de 45 está relacionado a:
a) a Semana de Arte Moderna e o centenário da Independência. b) a crise de 1929 e o golpe de Vargas. c) o fim da Segunda Guerra Mundial, a criação da ONU e o fim do Estado Novo. d) a Proclamação da República. e) a redemocratização após a ditadura militar.
Gabarito: c
Comentário: O ano de 1945 marca o fim de um ciclo de grandes conflitos e polarizações: termina a Segunda Guerra Mundial, cria-se a ONU como tentativa de reorganizar a ordem internacional, e no Brasil chega ao fim o Estado Novo de Vargas. Esse encerramento de tensões explica, em parte, o deslocamento da literatura para questões mais formais e introspectivas.
Revisão rápida
- A Geração de 45 encerra o ciclo modernista, no contexto do fim da Segunda Guerra e do Estado Novo.
- Na poesia, retoma o rigor formal, com João Cabral de Melo Neto como nome central.
- Na prosa, volta-se para a introspecção urbana, com Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles.
- O retorno à forma não é retrocesso parnasiano, é nova relação consciente com a forma.
- Contrasta com a militância social da geração de 30 e o escândalo da geração de 22.
- A prosa explora epifanias a partir de momentos cotidianos banais.
Leia também:
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- Semana de Arte Moderna e a Geração de 22
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