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Orações Subordinadas Adjetivas: restritiva ou explicativa

Orações subordinadas adjetivas e o papel da vírgula. Entenda pronomes relativos, diferencie restritiva de explicativa e domine um clássico das provas da UERJ.

Capa do artigo: Orações Subordinadas Adjetivas: restritiva ou explicativa

Orações subordinadas adjetivas funcionam como um adjetivo: elas caracterizam um substantivo que apareceu antes delas. E o que as introduz não é conjunção, é pronome relativo.

O ponto mais importante do tema cabe em uma frase: a vírgula muda o sentido da frase. Não é detalhe de pontuação, é diferença de significado, e é exatamente aí que a UERJ constrói suas questões. Neste post você vai entender por quê.

Como nasce uma oração adjetiva

Comece com duas orações simples que compartilham uma palavra:

  • “O carro era novo.”
  • “O carro quebrou.”

Para juntá-las em um só período, é preciso evitar a repetição de “carro”. O recurso de coesão que faz isso é o pronome relativo:

  • “O carro que quebrou era novo.”

O “que” retomou o substantivo carro, que passa a ser chamado de antecedente. Essa é a mecânica de toda oração adjetiva: um pronome relativo retoma um nome anterior e inicia uma oração que o caracteriza.

Os pronomes relativos mais frequentes são que, o qual (e flexões), quem, cujo (e flexões), onde, quanto.

O teste do “o qual”

Como saber se o “que” é pronome relativo e não conjunção integrante? O teste é simples e definitivo:

Se o “que” puder ser substituído por o qual, a qual, os quais ou as quais, ele é pronome relativo e a oração é adjetiva.

  • “O carro que quebrou era novo.” = “O carro o qual quebrou era novo.” → adjetiva
  • “Ele disse que viria.” = “Ele disse isso.” → substantiva

Nunca se diria “O carro isso era novo”. A troca não funciona, o que confirma tratar-se de oração adjetiva.

Restritiva: sem vírgula

A adjetiva restritiva limita o sentido do antecedente. Ela não se separa da oração principal por vírgula, porque forma um bloco de sentido com o termo que caracteriza.

  • “A menina que fez o trabalho é talentosa.”

Não é qualquer menina que é talentosa: apenas aquela que fez o trabalho. A oração restringe o universo do antecedente, separando um subconjunto do todo.

Explicativa: com vírgula

A adjetiva explicativa acrescenta uma informação sobre um antecedente já determinado. Ela vem obrigatoriamente entre vírgulas.

  • “A turma, que é bagunceira, foi toda suspensa.”

Aqui a turma já está identificada. Ser bagunceira é um comentário adicional, e a suspensão atingiu a turma inteira. A informação poderia ser retirada sem prejuízo da identificação do antecedente.

Por que a vírgula muda tudo

Compare as duas versões da mesma frase:

FraseLeitura
”Os alunos que colaram foram reprovados.”Apenas os que colaram foram reprovados; havia outros alunos
”Os alunos, que colaram, foram reprovados.”Todos os alunos colaram e todos foram reprovados

A diferença entre “parte” e “todos” está inteiramente na vírgula. É por isso que esse conteúdo aparece com tanta frequência em questões de interpretação: a pontuação carrega informação semântica.

Outro exemplo, dessa vez com consequências jurídicas evidentes:

  • “Os funcionários que receberam o aviso devem comparecer.” → só quem recebeu.
  • “Os funcionários, que receberam o aviso, devem comparecer.” → todos receberam e todos devem comparecer.

Cuidados com os pronomes relativos

Cujo indica posse e nunca vem acompanhado de artigo. Ele concorda com o termo possuído, não com o possuidor.

  • Correto: “O autor cuja obra li ontem é português.”
  • Errado: “O autor cujo a obra li ontem é português.”

Onde só deve ser usado para lugar físico. Para outras referências, prefira “em que” ou “no qual”.

  • Correto: “A cidade onde nasci é pequena.”
  • Preferível: “O momento em que tudo mudou” (e não “onde tudo mudou”).

Quem refere-se sempre a pessoas e vem precedido de preposição.

  • “O professor a quem recorri me ajudou.”

O que cai na UERJ

Este é um dos conteúdos gramaticais mais rentáveis para a banca, porque une sintaxe e interpretação:

  • Efeito de sentido da pontuação. A questão apresenta um trecho e pergunta o que mudaria com a inserção ou retirada das vírgulas. A resposta está na oposição entre restringir e explicar.
  • Coesão referencial. Identificar o antecedente de um pronome relativo em períodos longos é exigência recorrente, sobretudo em textos jornalísticos e ensaísticos.
  • Adequação à norma culta. O emprego de cujo, onde e das preposições exigidas pelos relativos aparece em questões de reescrita.

Na redação, o domínio das adjetivas é o que permite construir períodos complexos sem perder clareza. E o descuido com a vírgula pode fazer você afirmar algo que não pretendia, o que a banca lê como falha de precisão.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

Assinale a alternativa em que a oração destacada é subordinada adjetiva explicativa:

a) “Os livros que estavam na estante foram doados.” b) “Machado de Assis, que nasceu no Rio de Janeiro, é o maior escritor brasileiro.” c) “Ele afirmou que não participaria do evento.” d) “Não sei se ela virá.” e) “As casas que ficam na encosta correm risco.”

Gabarito: b

Comentário: Em b, o antecedente Machado de Assis já está plenamente identificado, e a oração entre vírgulas apenas acrescenta uma informação. Trata-se de adjetiva explicativa. Em a e e, as orações restringem o antecedente e não vêm entre vírgulas, sendo restritivas. Em c e d, o que e o se são conjunções integrantes, introduzindo orações substantivas objetivas diretas.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Leia o período:

“Os moradores, que foram avisados da obra, protestaram na câmara.”

A retirada das vírgulas produziria:

a) erro gramatical, pois a oração exige pontuação. b) alteração de sentido: passaria a indicar que apenas parte dos moradores foi avisada e protestou. c) manutenção integral do sentido, alterando apenas o ritmo da leitura. d) transformação da oração adjetiva em substantiva. e) alteração da função do que, que passaria a ser conjunção integrante.

Gabarito: b

Comentário: Com as vírgulas, a oração é explicativa e informa que todos os moradores foram avisados, sendo o aviso um dado adicional. Sem as vírgulas, a oração passa a restritiva e delimita o grupo: apenas os moradores avisados protestaram, o que pressupõe a existência de outros que não foram avisados. A pontuação, portanto, não é ornamental, e é justamente esse deslocamento de sentido que a banca costuma cobrar.


Questão 3 (Estilo UERJ)

Assinale a alternativa em que o pronome relativo foi empregado de acordo com a norma culta:

a) “O romance cujo o enredo analisamos é do século XIX.” b) “Foi um período onde a economia se transformou profundamente.” c) “A pesquisadora a quem entreguei os documentos publicou o estudo.” d) “O professor que eu falei ontem chegou cedo.” e) “A obra cuja autora é premiada, foi traduzida para o inglês.”

Gabarito: c

Comentário: Em c, o verbo entregar rege a preposição “a” para o objeto indireto, e o pronome quem, referindo-se a pessoa, aparece corretamente preposicionado. Em a, cujo nunca admite artigo depois de si. Em b, onde deveria ser substituído por “em que”, já que “período” indica tempo, não lugar. Em d, falta a preposição exigida por falar: “o professor de quem eu falei”. Em e, a vírgula separa indevidamente o sujeito do predicado.

Revisão rápida

  • A oração subordinada adjetiva caracteriza um substantivo antecedente e é introduzida por pronome relativo.
  • Se o “que” puder ser trocado por “o qual”, é pronome relativo e a oração é adjetiva.
  • Restritiva limita o antecedente e não usa vírgula; explicativa acrescenta informação e vem entre vírgulas.
  • A vírgula altera o sentido: sem ela, apenas parte do grupo; com ela, o grupo inteiro.
  • Cujo indica posse, concorda com o termo possuído e nunca vem seguido de artigo.
  • Onde refere-se apenas a lugar físico; para tempo ou situação, use “em que”.

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