Orações subordinadas substantivas são orações que exercem, dentro do período, a mesma função sintática que um substantivo exerceria dentro de uma oração simples. Em vez de um nome ocupando o lugar de sujeito ou de objeto, há uma oração inteira ali.
Parece complicado, mas existe um atalho que resolve praticamente todos os casos, e o Prof. Monteiro insiste nele em toda aula: o teste do “isso”. Neste post você vai aprender a aplicá-lo e a classificar os seis tipos com segurança.
Como reconhecer uma subordinada substantiva
Duas marcas identificam esse tipo de oração:
1. Ela é introduzida por conjunção integrante. São apenas duas na língua portuguesa: que e se.
2. Ela pode ser substituída pelo pronome “isso”. Como o pronome acompanha ou substitui o substantivo, se a oração inteira couber no lugar de “isso”, ela é substantiva.
O procedimento é sempre o mesmo:
- Localize os verbos e confirme que o período é composto.
- Encontre a conjunção integrante e separe as duas orações.
- Apague a oração subordinada e coloque “isso” no lugar dela.
- Analise que função “isso” exerce no período simples que sobrou.
Essa última etapa é a que resolve tudo: a função de “isso” é a classificação da oração.
Os seis tipos
Subjetiva: função de sujeito
- “É possível que ela volte.”
Substituindo: “Isso é possível”. Isso é o sujeito, e possível é o predicativo do sujeito. Logo, a oração é subjetiva.
Uma pista prática: subjetivas aparecem com frequência depois de expressões como “é possível”, “é necessário”, “convém”, “importa”, “consta”, sempre com o verbo na terceira pessoa do singular.
Predicativa: função de predicativo do sujeito
- “O certo é que ele suma.”
Substituindo: “O certo é isso”. O sujeito é “o certo” e o verbo ser é de ligação, portanto isso funciona como predicativo do sujeito. A oração é predicativa.
Repare no detalhe: em “o certo”, o artigo transforma o adjetivo em substantivo, processo chamado de derivação imprópria. Por isso “o certo” pode ser núcleo do sujeito.
Objetiva direta: função de objeto direto
- “Ela disse que voltaria.”
Substituindo: “Ela disse isso”. Dizer é transitivo direto, logo isso é objeto direto e a oração é objetiva direta.
Objetiva indireta: função de objeto indireto
- “Ela gostava de que todos gritassem.”
Substituindo: “Ela gostava disso”. Gostar é transitivo indireto e rege a preposição “de”, logo a oração é objetiva indireta.
Atenção a um ponto que confunde muita gente: nas objetivas indiretas, a preposição pode ser omitida. É plenamente correto escrever “Ela gostava que todos gritassem”. A elipse da preposição é autorizada nesse contexto, e a classificação não muda.
Completiva nominal: função de complemento nominal
- “Ela tinha medo de que todos sumissem.”
Substituindo: “Ela tinha medo disso”. Aqui está a diferença decisiva em relação à objetiva indireta: o termo preposicionado não se liga ao verbo, liga-se ao nome medo, substantivo abstrato. Sempre que a oração completar o sentido de um nome, ela é completiva nominal.
O critério é o mesmo do período simples: preposicionado ligado a verbo é objeto indireto; preposicionado ligado a nome é complemento nominal.
Apositiva: função de aposto
- “Ela queria uma coisa: que todos sumissem.”
Substituindo: “Ela queria uma coisa: isso”. A oração explica ou especifica o termo anterior. É o único tipo que costuma vir precedido de dois pontos, e essa marca de pontuação é o melhor indício.
Existe ainda um sétimo caso, a subordinada substantiva agente da passiva, mas ele é raro e praticamente não aparece em prova.
Tabela de consulta rápida
| Tipo | Função sintática | Exemplo |
|---|---|---|
| Subjetiva | sujeito | ”É possível que ela volte.” |
| Predicativa | predicativo do sujeito | ”O certo é que ele suma.” |
| Objetiva direta | objeto direto | ”Ela disse que voltaria.” |
| Objetiva indireta | objeto indireto | ”Ela gostava de que todos gritassem.” |
| Completiva nominal | complemento nominal | ”Ela tinha medo de que todos sumissem.” |
| Apositiva | aposto | ”Ela queria uma coisa: que todos sumissem.” |
O “que” nem sempre é conjunção integrante
Este é o erro mais comum do tema. O “que” tem várias funções, e apenas uma delas introduz oração substantiva.
- Conjunção integrante: pode ser trocada por “isso” junto com a oração. → substantiva
- “Disse que viria.” = “Disse isso.”
- Pronome relativo: retoma um substantivo anterior e pode ser trocado por “o qual”. → adjetiva
- “O carro que quebrou era novo.” = “O carro o qual quebrou era novo.”
Faça sempre os dois testes. Se couber “isso”, é integrante e a oração é substantiva. Se couber “o qual”, é pronome relativo e a oração é adjetiva.
O que cai na UERJ
A UERJ trabalha esse conteúdo de maneira funcional, ligada à leitura:
- Identificação do referente. Questões pedem que o candidato indique a que o “que” se refere. Distinguir conjunção integrante de pronome relativo é o que garante a resposta.
- Reescrita e nominalização. O enunciado propõe transformar uma oração substantiva em um substantivo equivalente, ou o contrário, e pede avaliação da manutenção de sentido.
- Sintaxe a serviço da argumentação. Construções com subjetivas do tipo “é necessário que”, “convém que” produzem apagamento do agente e generalização. A banca pergunta o efeito disso no texto.
Aula completa no YouTube
Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:
Questões comentadas
Questão 1 (Estilo UERJ)
Na frase “Convém que todos cheguem no horário”, a oração destacada classifica-se como subordinada substantiva:
a) objetiva direta b) subjetiva c) predicativa d) completiva nominal e) apositiva
Gabarito: b
Comentário: Aplicando o teste, temos “Convém isso”. O pronome isso é aquilo que convém, ou seja, exerce a função de sujeito do verbo convir, empregado na terceira pessoa do singular. A oração é, portanto, subjetiva. Verbos e expressões como convir, importar, constar e “é necessário” são indicadores frequentes desse tipo de oração.
Questão 2 (Estilo UERJ)
Leia os períodos:
I. “Tenho certeza de que ele virá.” II. “Preciso de que ele venha.”
As orações destacadas classificam-se, respectivamente, como:
a) objetiva indireta e completiva nominal. b) completiva nominal e objetiva indireta. c) ambas objetivas indiretas. d) ambas completivas nominais. e) subjetiva e objetiva indireta.
Gabarito: b
Comentário: Em I, o termo preposicionado completa o sentido do substantivo abstrato certeza, e não do verbo ter, que já tem seu objeto direto (“certeza”). Trata-se, portanto, de completiva nominal. Em II, a oração completa o sentido do verbo precisar, que é transitivo indireto e rege a preposição “de”, caracterizando objetiva indireta. O critério que separa as duas é sempre o mesmo: verificar se o termo se liga a um nome ou a um verbo.
Questão 3 (Estilo UERJ)
No período “O jornal noticiou que a obra que fora interrompida seria retomada”, é correto afirmar sobre as duas ocorrências de que:
a) ambas são conjunções integrantes e introduzem orações substantivas. b) ambas são pronomes relativos e introduzem orações adjetivas. c) a primeira é conjunção integrante e a segunda, pronome relativo. d) a primeira é pronome relativo e a segunda, conjunção integrante. e) a primeira é pronome relativo e a segunda, partícula expletiva.
Gabarito: c
Comentário: A primeira ocorrência introduz o que o jornal noticiou, e a oração inteira pode ser substituída por “isso”: “O jornal noticiou isso”. É conjunção integrante em oração objetiva direta. A segunda ocorrência retoma o substantivo obra e admite a troca por “a qual”: “a obra a qual fora interrompida”. É pronome relativo em oração subordinada adjetiva restritiva. Aplicar os dois testes em sequência é o caminho mais seguro nesse tipo de questão.
Revisão rápida
- Oração subordinada substantiva exerce a função sintática de um substantivo dentro do período.
- Ela é introduzida por conjunção integrante, que na língua portuguesa é apenas que ou se.
- O teste decisivo é substituir a oração inteira por “isso” e verificar a função que o pronome exerce.
- São seis tipos: subjetiva, predicativa, objetiva direta, objetiva indireta, completiva nominal e apositiva.
- Objetiva indireta se liga a verbo; completiva nominal se liga a nome. A preposição pode ser omitida na objetiva indireta.
- Se o “que” puder ser trocado por “o qual”, ele é pronome relativo e a oração é adjetiva, não substantiva.
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