Método O Prof. Projetos Vestibular UERJ ↳ A UERJ (história) ↳ Cursos da UERJ ↳ Nota de Corte (79 cursos) ↳ Calculadora de Nota ↳ Cotas UERJ ↳ Glossário Provas e Gabaritos ↳ Gabarito 2º EQ (06/09) ↳ Prova UERJ 2027 ↳ Simulado UERJ (PDF) ↳ Simulado Interativo ↳ Banco de Questões ↳ Temas que Mais Caem Obras ↳ O Cortiço (2º EQ) ↳ Ainda Estou Aqui (1º EQ) ↳ Luanda, Lisboa, Paraíso ↳ O Bem-Amado YouTube Blog Quero minha vaga
← Voltar ao blog

Discurso Direto, Indireto e Indireto Livre

Tipos de discurso explicados com as marcas de cada um. Aprenda a diferenciar discurso direto, indireto e indireto livre e a reconhecer o efeito de cada escolha na UERJ.

Capa do artigo: Discurso Direto, Indireto e Indireto Livre

Os tipos de discurso descrevem as maneiras de inserir a fala de um personagem dentro de uma narrativa. São três, e cada um produz um efeito diferente sobre a distância entre narrador, personagem e leitor.

Reconhecê-los é essencial na prova de Linguagens, e o terceiro deles, o discurso indireto livre, é justamente o mais cobrado e o mais difícil de perceber. Neste post você vai aprender a identificar cada um.

Discurso direto

O narrador dá voz ao personagem, reproduzindo a fala tal como ela foi dita.

Marcas: travessão, aspas ou dois pontos; verbos de elocução (disse, respondeu, perguntou); tempos verbais e pronomes do momento da fala.

  • Ele atendeu e perguntou:

    Alô, quem fala?

  • “Bom dia. Com quem quer falar?”, respondeu com simpatia.

O efeito é de proximidade e vivacidade. O leitor tem a impressão de ouvir o personagem diretamente, sem intermediação.

Discurso indireto

O narrador conta o que o personagem disse, incorporando a fala à sua própria narração.

Marcas: ausência de travessão e aspas; oração subordinada introduzida por que ou se; verbos e pronomes ajustados à perspectiva do narrador.

  • “Ele perguntou quem estava falando.”
  • “Ela respondeu que viria no dia seguinte.”

Repare nos ajustes obrigatórios:

Discurso diretoDiscurso indireto
”Eu vou amanhã.”Disse que iria no dia seguinte.
”Estou aqui.”Disse que estava lá.
”Comprei este livro.”Disse que comprara aquele livro.

Presente vira pretérito imperfeito, pretérito perfeito vira mais-que-perfeito, e os marcadores de tempo e espaço se deslocam. O efeito é de distanciamento: a fala passa pelo filtro do narrador.

Discurso indireto livre

É a fusão dos dois anteriores. A fala ou o pensamento do personagem invade a narração do narrador, sem marcação explícita.

Marcas: terceira pessoa mantida, mas com a subjetividade do personagem; ausência de travessão, aspas e verbo de elocução; frequente uso de interrogações, exclamações e reticências no meio da narração.

  • “Ele olhou o relógio. Que absurdo, iam se atrasar de novo, e a culpa seria dele, como sempre.”

Repare no funcionamento: a narração está em terceira pessoa, mas “que absurdo” e “como sempre” não são avaliações do narrador, são do personagem. As duas vozes se sobrepõem.

O efeito é de intimidade sem ruptura: o leitor entra na cabeça do personagem sem que a narração precise parar.

Como identificar em três perguntas

  1. Há travessão, aspas ou dois pontos com verbo de elocução? Discurso direto.
  2. A fala aparece em oração subordinada com “que”, ajustada aos tempos do narrador? Discurso indireto.
  3. A narração continua em terceira pessoa, mas com marcas subjetivas que só podem ser do personagem? Discurso indireto livre.

Tabela de consulta rápida

TipoMarcaçãoPessoaEfeito
Diretotravessão, aspasprimeira, do personagemproximidade, vivacidade
Indiretoconjunção queterceira, do narradordistanciamento
Indireto livrenenhumaterceira, com voz do personagemfusão, intimidade

O que cai na UERJ

Este conteúdo aparece quase sempre atrelado à prosa literária:

  • Identificação do tipo e do efeito. A banca destaca um trecho e pergunta que recurso foi usado e o que ele produz. Não basta nomear: é preciso explicar o efeito sobre a distância narrativa.
  • Transposição entre discursos. A questão pede a reescrita de um trecho de discurso direto para indireto, exigindo domínio dos ajustes de tempo verbal e de pronomes. É o tipo de item em que se perde ponto por descuido.
  • Discurso indireto livre em autores do programa. Machado de Assis e Graciliano Ramos usam o recurso com frequência, e o reconhecimento costuma ser a chave da interpretação.

Na redação, o discurso direto raramente cabe num texto dissertativo. Já a citação indireta, que parafraseia a posição de um autor ou de uma fonte, é recurso valioso de repertório.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

No trecho “O rapaz perguntou se ainda havia lugares disponíveis”, o tipo de discurso empregado é:

a) direto b) indireto c) indireto livre d) direto com verbo de elocução posposto e) misto

Gabarito: b

Comentário: A fala do personagem aparece integrada à narração por meio da conjunção se, sem travessão nem aspas, e o verbo está ajustado à perspectiva do narrador. Trata-se de discurso indireto. Em discurso direto, o trecho seria escrito como “O rapaz perguntou: ainda há lugares disponíveis?”, com a marcação e o tempo verbal do momento da fala.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Leia o fragmento:

“Ela fechou a porta com cuidado. Ninguém precisava saber. Afinal, quem eram eles para julgá-la?”

O tipo de discurso predominante no fragmento é:

a) direto, pois reproduz a fala da personagem. b) indireto, pois o narrador relata o pensamento com verbo de elocução. c) indireto livre, pois o pensamento da personagem invade a narração em terceira pessoa. d) direto livre, pois não há travessão. e) narração pura, sem inserção de discurso.

Gabarito: c

Comentário: A narração permanece em terceira pessoa, mas as duas últimas frases não expressam a avaliação do narrador: “ninguém precisava saber” e a pergunta indignada pertencem à personagem. Não há travessão, aspas nem verbo de elocução introduzindo essas falas, o que caracteriza discurso indireto livre. A alternativa b falha porque nenhum verbo do tipo pensou ou disse introduz o pensamento.


Questão 3 (Estilo UERJ)

Transpondo para o discurso indireto a fala “Eu comprei este livro ontem”, disse o professor, obtém-se:

a) O professor disse que eu comprei este livro ontem. b) O professor disse que comprou este livro ontem. c) O professor disse que comprara aquele livro no dia anterior. d) O professor disse: comprei aquele livro no dia anterior. e) O professor disse que compraria aquele livro no dia seguinte.

Gabarito: c

Comentário: A transposição exige três ajustes simultâneos. O pronome pessoal passa de primeira para terceira pessoa. O pretérito perfeito comprei recua para o mais-que-perfeito comprara, por se tratar de fato anterior ao momento da narração. O demonstrativo este passa a aquele e o advérbio ontem passa a “no dia anterior”, refletindo o deslocamento de espaço e tempo. Apenas a alternativa c realiza todos os três.

Revisão rápida

  • São três os tipos de discurso: direto, indireto e indireto livre.
  • Discurso direto reproduz a fala com travessão ou aspas e produz proximidade.
  • Discurso indireto integra a fala à narração com a conjunção que e produz distanciamento.
  • Discurso indireto livre funde as duas vozes, sem marcação, mantendo a terceira pessoa.
  • Na transposição para o indireto, ajustam-se pessoa, tempo verbal e marcadores de tempo e espaço.
  • Machado de Assis e Graciliano Ramos são referências de indireto livre nas provas.

Leia também:


Quer se preparar de verdade para a UERJ?

O DoMonteiro tem projetos completos para cada etapa do vestibular da UERJ, do 1º Exame de Qualificação ao Discursivo, com diagnóstico inicial, trilha semanal, simulados comentados e revisão por mapa de erros.

Conheça os projetos DoMonteiro em domonteiro.com.br e comece a sua preparação com quem conhece a UERJ de ponta a ponta.

Quer ir além do conteúdo gratuito? Conheça os projetos DoMonteiro para o Vestibular UERJ 2027.

Ver projetos