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Uso dos Porquês: por que, porque, por quê e porquê

Uso dos porquês resolvido de vez. Aprenda quando usar por que, porque, por quê e porquê com testes práticos, exemplos e questões no estilo da UERJ.

Capa do artigo: Uso dos Porquês: por que, porque, por quê e porquê

O uso dos porquês é cobrado em toda prova de vestibular, em concurso militar e, principalmente, na correção da redação. São quatro formas com quatro empregos distintos, e errar uma delas na dissertação sinaliza falta de domínio da norma culta.

A boa notícia é que não há o que decorar. Cada forma corresponde a uma estrutura gramatical identificável, e neste post você vai aprender o teste que resolve cada caso.

Visão geral das quatro formas

FormaQuando usarExemplo
por que (separado, sem acento)perguntas diretas e indiretas; preposição + pronome relativo”Por que você veio?“
por quê (separado, com acento)perguntas, no fim da frase ou antes de pontuação”Você veio por quê?“
porque (junto, sem acento)respostas, causa e explicação”Não veio porque estava doente.”
porquê (junto, com acento)substantivo, sempre precedido de artigo”Não sei o porquê da confusão.”

Agora vamos a cada caso.

Por que (separado e sem acento)

Aqui há duas palavras: a preposição por mais o pronome que. São três os contextos.

1. Interrogativa direta

A pergunta é feita diretamente, com ponto de interrogação.

  • Por que você veio?”
  • Por que ele não falou a verdade?”

2. Interrogativa indireta

A pergunta aparece embutida em uma afirmação, sem ponto de interrogação. A dúvida continua existindo, apenas não é formulada diretamente.

  • “Não sei por que ele insiste.”
  • “Ninguém explicou por que a reunião foi cancelada.”

Uma pista prática: sempre que couber acrescentar “motivo” ou “razão” depois, a forma é por que separado. “Não sei por que [razão] ele insiste.”

3. Preposição + pronome relativo

Aqui o que retoma um substantivo anterior e pode ser substituído por o qual, a qual, pelo qual ou pela qual.

  • “O caminho por que vim é violento.” = “O caminho pelo qual vim é violento.”
  • “A estrada por que passamos estava interditada.” = “a estrada pela qual passamos”

Esse uso é o mais formal dos três e aparece com frequência em textos literários selecionados pela banca.

Por quê (separado e com acento)

Continua sendo pergunta, mas a forma vai para o fim da frase ou aparece antes de um sinal de pontuação. Quando um monossílabo tônico fica em posição final, ele recebe acento.

  • “Você veio por quê?”
  • “Ela desistiu, mas não disse por quê.”
  • “Não compareceu por quê?”

A regra é mecânica: se a forma interrogativa está no final, leva acento.

Porque (junto e sem acento)

É conjunção. Introduz causa ou explicação, e costuma aparecer em respostas.

Valor de causa

  • “Ela não veio porque estava doente.”
  • “Ele passou mal porque comeu demais.”

Existe relação real de causa e efeito: a doença provocou a ausência, a comilança provocou o mal-estar.

Valor de explicação

  • “Venha, porque preciso de ajuda.”
  • “Não saia, porque está chovendo.”

Aqui não se explica a causa de um fato, justifica-se um pedido ou uma ordem.

Como separar os dois valores? O Prof. Monteiro dá dois critérios:

  • O modo verbal da primeira oração. Se ela está no imperativo, o valor é explicativo.
  • A vírgula. Vírgula antes do porque costuma indicar explicação; a ausência de vírgula costuma indicar causa.

Vale registrar que essa distinção interessa à classificação sintática, mas não muda a grafia: nos dois casos, porque se escreve junto e sem acento.

Porquê (junto e com acento)

É substantivo e significa “o motivo”, “a razão”. Como todo substantivo, aceita artigo, plural e adjetivo.

  • “Não sei o porquê da confusão.”
  • “Ele apresentou os porquês de sua decisão.”
  • “Existe um porquê para tudo isso.”

O teste é infalível: se houver artigo antes (o, um, os, uns), a forma é junta e acentuada. O artigo é o que transforma a palavra em substantivo, processo chamado de derivação imprópria.

Roteiro de decisão em três perguntas

  1. É pergunta? Se sim: no meio ou no início, use por que; no fim ou antes de pontuação, use por quê.
  2. Tem artigo antes? Se sim, use porquê.
  3. Introduz causa ou explicação? Se sim, use porque.

O que cai na UERJ

Na UERJ, o tema aparece por dois caminhos:

  • Correção da redação. O erro nos porquês é considerado desvio de norma culta e impacta diretamente a nota. Como as quatro formas aparecem naturalmente em textos dissertativos, o risco é constante.
  • Questões de reescrita e coesão. Quando o texto usa por que como preposição mais pronome relativo, a banca pode pedir a substituição por “pelo qual” ou perguntar a que termo o pronome se refere.

Fora do vestibular, vale lembrar que este é um dos conteúdos mais cobrados em concursos militares e no CBMERJ, provas que muitos alunos da UERJ também prestam.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

Assinale a alternativa em que o emprego do porquê está correto:

a) “Não entendi por quê ele saiu tão cedo.” b) “Ela perguntou porque você não veio.” c) “O motivo por que discutimos já foi esquecido.” d) “Você não respondeu por que?” e) “Ninguém revelou o por quê da mudança.”

Gabarito: c

Comentário: Em c, o que retoma o substantivo motivo e pode ser substituído por “pelo qual”, caracterizando preposição mais pronome relativo, que exige a forma separada e sem acento. Em a, trata-se de interrogativa indireta, e a forma correta é “por que”. Em b, também há interrogativa indireta, exigindo “por que” separado. Em d, a forma está no fim da frase e deveria receber acento: “por quê?”. Em e, a presença do artigo o exige a forma junta e acentuada: “o porquê”.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Leia o período:

“Ele saiu cedo, mas ninguém sabe ao certo ___, e o ___ da pressa continua um mistério.”

As formas que completam corretamente as lacunas são:

a) porque / porque b) por que / porquê c) por quê / porquê d) porquê / por quê e) por que / por quê

Gabarito: c

Comentário: Na primeira lacuna, a interrogativa indireta é encerrada pela vírgula, ou seja, a forma aparece antes de sinal de pontuação e em posição final da oração, o que exige o acento: “por quê”. Na segunda lacuna, a presença do artigo o transforma a palavra em substantivo com sentido de motivo, exigindo a forma junta e acentuada: “porquê”. A alternativa b é a distratora mais forte, pois acerta a segunda lacuna mas ignora a posição final na primeira.


Questão 3 (Estilo UERJ)

No trecho “Feche a janela, porque está frio”, a forma destacada:

a) está incorreta, pois deveria ser “por que”, já que introduz uma pergunta indireta. b) está correta e introduz oração coordenada explicativa, pois justifica a ordem dada. c) está correta e introduz oração subordinada adverbial causal, pois indica a causa do fechamento. d) está incorreta, pois deveria receber acento por estar após vírgula. e) está correta e funciona como substantivo, equivalendo a “o motivo”.

Gabarito: b

Comentário: A grafia junta e sem acento está correta, pois se trata de conjunção. O valor, porém, é explicativo, e não causal: a primeira oração está no modo imperativo, e não se estabelece causa para uma ordem, justifica-se o pedido. O frio não é a causa do fechamento da janela, é a razão pela qual o pedido foi feito. A vírgula antes do porque reforça essa leitura, o que torna a alternativa c a armadilha mais bem construída da questão.

Revisão rápida

  • Por que separado e sem acento aparece em perguntas diretas e indiretas e como preposição mais pronome relativo.
  • Por quê separado e com acento aparece no fim da frase ou antes de sinal de pontuação.
  • Porque junto e sem acento é conjunção e indica causa ou explicação.
  • Porquê junto e com acento é substantivo e vem sempre precedido de artigo.
  • Se couber “motivo” ou “razão” depois da forma, ela é separada.
  • Se couber “pelo qual” no lugar, trata-se de pronome relativo e a forma é separada e sem acento.

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