Orações coordenadas são orações independentes entre si que ocupam o mesmo período. Elas convivem lado a lado, mas nenhuma exerce função sintática dentro da outra. É essa independência que define a coordenação e a separa da subordinação.
Neste post você vai aprender a reconhecer o período composto por coordenação, a classificar os cinco tipos de orações coordenadas sindéticas pela conjunção e a entender por que a UERJ cobra esse conteúdo dentro da interpretação de texto.
Assindética ou sindética: a primeira divisão
Antes de qualquer classificação por sentido, verifique se há conjunção. A palavra síndeto significa conjunção, e o prefixo a indica ausência.
- Coordenada assindética: não apresenta conjunção. As orações são separadas por vírgula ou ponto e vírgula.
- “Cheguei, vi, venci.”
- Coordenada sindética: apresenta conjunção, que estabelece o valor semântico entre as orações.
- “Ele estudou e passou.”
A oração assindética não recebe classificação por sentido. Só as sindéticas são divididas nos cinco tipos a seguir, e o critério é sempre a conjunção.
Aditivas: ideia de soma
Adicionam uma informação à outra. Principais conjunções: e, nem, não só… mas também, não apenas… como também.
- “Ele não veio nem telefonou.”
- “Não só compareceu mas também falou.”
Um alerta de escrita: nem já significa “e não”. Portanto, escrever “e nem” é redundância. O correto é “não veio nem telefonou”, e não “não veio e nem telefonou”.
Adversativas: ideia de oposição
Estabelecem contraste ou quebra de expectativa. Principais conjunções: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto.
- “Ele é bom, porém só faz besteiras.”
- “Estudou bastante, contudo não passou.”
Duas observações úteis para a prova. Primeira: nas adversativas, o verbo costuma vir no modo indicativo. Segunda: a conjunção mas aparece obrigatoriamente no início da oração, enquanto porém, contudo e todavia podem ser deslocadas para o interior, entre vírgulas.
- “Estudou bastante; não passou, contudo.”
Alternativas: ideia de escolha ou alternância
Indicam opção excludente ou fatos que se alternam. Principais conjunções: ou… ou, ora… ora, quer… quer, seja… seja.
- “Ou canta ou estuda.”
- “Ora chove, ora faz sol.”
Repare na diferença de sentido: “ou… ou” impõe escolha entre alternativas que se excluem; “ora… ora” indica alternância, fatos que se revezam.
Explicativas: justificativa da ideia anterior
Apresentam a explicação ou a justificativa do que foi dito antes. Principais conjunções: pois (anteposto ao verbo), porque, que, porquanto.
- “Escreva, pois nós o esperamos.”
- “Não saia, que está chovendo.”
Aqui está a distinção mais cobrada do tema: explicativa não é causal. A oração causal é subordinada; a explicativa é coordenada. Dois critérios ajudam a separá-las:
- A vírgula. Diante de “porque”, a presença de vírgula antes costuma indicar explicativa; a ausência, causal.
- O modo verbal da primeira oração. Se a primeira oração está no imperativo, a segunda é explicativa, porque não se ordena uma consequência, justifica-se uma ordem.
Compare:
- “Feche a janela, porque está frio.” → primeira oração no imperativo, logo explicativa (coordenada).
- “A janela fechou porque o vento bateu forte.” → relação de causa e efeito real, logo causal (subordinada adverbial).
Conclusivas: fechamento da ideia
Encerram um raciocínio apresentando a conclusão. Principais conjunções: logo, portanto, por isso, então, pois (posposto ao verbo).
- “Penso, logo existo.”
- “Estudou muito, portanto merece a aprovação.”
Note o comportamento duplo do pois: antes do verbo é explicativo (“Corra, pois está atrasado”); depois do verbo, entre vírgulas, é conclusivo (“Está atrasado; corra, pois”).
Tabela de consulta rápida
| Tipo | Sentido | Conjunções mais comuns |
|---|---|---|
| Aditiva | soma | e, nem, não só… mas também |
| Adversativa | oposição | mas, porém, contudo, todavia, entretanto |
| Alternativa | escolha, alternância | ou… ou, ora… ora, quer… quer |
| Explicativa | justificativa | pois (antes do verbo), porque, que |
| Conclusiva | conclusão | logo, portanto, por isso, pois (após o verbo) |
O que cai na UERJ
A UERJ quase nunca pede a nomenclatura pela nomenclatura. O tema aparece dentro da leitura:
- Efeito de sentido do conectivo. A banca destaca uma conjunção no texto e pergunta que relação ela estabelece. Trocar “e” por “mas” muda a argumentação inteira, e é isso que a questão testa.
- Substituição sem alteração de sentido. O enunciado propõe outra conjunção e pede que o candidato avalie se a relação lógica foi mantida. Confundir explicação com conclusão derruba a resposta.
- Pontuação. A vírgula antes da coordenada adversativa e explicativa é obrigatória, e questões de reescrita cobram esse domínio.
Na redação, a coordenação é a espinha dorsal da progressão argumentativa. Um texto que só usa “e” soa infantil; um texto que alterna oposição, explicação e conclusão demonstra controle do raciocínio, e a banca lê isso como sinal de autoria.
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Questões comentadas
Questão 1 (Estilo UERJ)
Assinale a alternativa em que a oração destacada é coordenada sindética conclusiva:
a) “Ele estudou muito, mas não foi aprovado.” b) “Não durma agora, pois a prova é amanhã.” c) “Pensou bem no assunto, portanto decidiu ficar.” d) “Ora ri, ora chora.” e) “Chegou cedo e organizou tudo.”
Gabarito: c
Comentário: Em c, a conjunção portanto encerra o raciocínio apresentando o resultado da reflexão anterior, o que caracteriza a coordenada conclusiva. Em a, mas estabelece oposição. Em b, pois antecede o verbo e justifica a ordem dada no imperativo, sendo explicativa. Em d, ora… ora indica alternância. Em e, e soma informações.
Questão 2 (Estilo UERJ)
Leia os períodos:
I. “Volte logo, porque sentiremos sua falta.” II. “A planta morreu porque ninguém a regou.”
Sobre a relação estabelecida pelo conectivo em cada período, é correto afirmar que:
a) em I e II há relação de causa. b) em I e II há relação de explicação. c) em I há explicação e em II, causa. d) em I há causa e em II, explicação. e) em I há conclusão e em II, causa.
Gabarito: c
Comentário: Em I, a primeira oração está no imperativo, e não se estabelece causa para uma ordem: justifica-se o pedido. Trata-se de oração coordenada sindética explicativa. Em II, há relação real de causa e efeito, pois a falta de rega provocou a morte da planta, o que caracteriza oração subordinada adverbial causal. O modo verbal da primeira oração é o critério mais seguro para separar os dois casos.
Questão 3 (Estilo UERJ)
No período “Não apenas recusou o convite, mas também criticou os organizadores”, a substituição do conectivo destacado por e produziria:
a) alteração do valor semântico, pois se perderia a ideia de oposição. b) manutenção do sentido, pois ambas as conjunções são aditivas, com perda apenas da ênfase progressiva. c) erro gramatical, pois e não pode iniciar oração coordenada. d) alteração para relação conclusiva entre as orações. e) transformação da oração em subordinada adverbial concessiva.
Gabarito: b
Comentário: A locução “não apenas… mas também” é aditiva, apesar da presença de mas, que isoladamente seria adversativo. Ela soma duas informações estabelecendo gradação, em que a segunda intensifica a primeira. A substituição por e preserva a adição, mas elimina o efeito de progressão. A alternativa a é a armadilha da questão, pois se apoia na leitura isolada de mas sem considerar a locução completa.
Revisão rápida
- Orações coordenadas são independentes entre si e não exercem função sintática uma dentro da outra.
- Sem conjunção, a oração é assindética; com conjunção, é sindética e recebe classificação por sentido.
- São cinco tipos: aditiva, adversativa, alternativa, explicativa e conclusiva.
- Explicativa é coordenada e justifica; causal é subordinada e indica causa real. Primeira oração no imperativo indica explicativa.
- O pois muda de valor conforme a posição: antes do verbo é explicativo, depois do verbo é conclusivo.
- “E nem” é redundante, porque nem já significa “e não”.
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