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Agente da Passiva: como identificar e por que ele some

Agente da passiva explicado com o método de identificação e o efeito do seu apagamento no texto, recurso que a UERJ explora em questões de interpretação.

Capa do artigo: Agente da Passiva: como identificar e por que ele some

Agente da passiva é o termo que pratica a ação em uma oração na voz passiva. Enquanto o sujeito sofre a ação, é o agente quem a realiza.

  • “O time foi comprado pelo empresário.”

O time sofre a ação de ser comprado; o empresário é quem a pratica. Neste post você vai aprender a identificá-lo e, mais importante, a entender por que o seu desaparecimento é um dos recursos de linguagem mais explorados nas provas.

Como identificar: olhe para o verbo

O procedimento é o mesmo de toda análise sintática, e começa pelo verbo.

Passo 1: o verbo está na voz passiva?

A voz passiva analítica se reconhece pela locução verbal formada por ser mais particípio: “foi comprado”, “era admirada”, “serão publicados”.

Passo 2: quem sofre a ação?

Esse é o sujeito paciente.

Passo 3: quem pratica a ação?

Esse é o agente da passiva, e ele vem sempre preposicionado.

As preposições do agente

PreposiçãoExemplo
por (e contrações: pelo, pela, pelos, pelas)“O livro foi escrito pelo autor.”
de”Ela era admirada de todos.”

A preposição por é largamente predominante. A preposição de aparece sobretudo com verbos que indicam sentimento, como amar, admirar, temer e conhecer, e soa mais literária.

Agente da passiva não é adjunto adverbial

Esta é a confusão a evitar. Os dois vêm preposicionados, mas a distinção é objetiva:

  • “O bolo foi feito pela cozinheira.” → agente da passiva, pois é quem fez.
  • “O bolo foi feito pela manhã.” → adjunto adverbial de tempo.

O teste: transponha para a voz ativa. Se o termo vira sujeito, era agente da passiva.

  • “A cozinheira fez o bolo.” → funcionou, era agente.
  • “Pela manhã fez o bolo”? O termo não vira sujeito, era adjunto adverbial.

O apagamento do agente

Aqui está o ponto mais rentável do tema, e o que a UERJ realmente cobra.

O agente da passiva pode ser omitido, e a omissão é sempre uma escolha:

  • Com agente: “A polícia prendeu os manifestantes.”
  • Sem agente: “Os manifestantes foram presos.”

Na segunda frase, a ação permanece, o resultado permanece, mas quem agiu desapareceu. Não há erro gramatical: a construção é perfeitamente correta. O que há é um efeito.

Quando o apagamento é legítimo

  • O agente é irrelevante: “O prédio foi construído no século passado.”
  • O agente é desconhecido: “A carta foi entregue sem remetente.”
  • O agente é óbvio: “O réu foi condenado.”

Quando o apagamento é estratégico

  • Isenção de responsabilidade: “Foram cometidos erros.” Por quem?
  • Neutralização de conflito: “A decisão foi tomada.” Por quem?
  • Naturalização: apresentar como fato consumado o que foi decisão de alguém.

Esse é o uso que interessa à leitura crítica. Quando um texto sistematicamente apaga os agentes, ele torna invisíveis os responsáveis pelo que narra.

A voz passiva sintética

Na passiva sintética, com a partícula apassivadora se, o agente não costuma aparecer.

  • “Vendem-se casas.” (não se diz “vendem-se casas pelo corretor”)

Por isso a passiva sintética é ainda mais eficiente em apagar quem age: a estrutura praticamente não comporta o agente.

O que cai na UERJ

O tema aparece de duas formas, e a segunda é a mais frequente:

  • Identificação em análise sintática. Distinguir agente da passiva de adjunto adverbial, com o teste da transposição.
  • Efeito de sentido do apagamento. A banca apresenta um trecho em voz passiva sem agente e pergunta o que essa construção produz. A resposta passa por reconhecer que a escolha torna invisível quem age.

Esse segundo formato é típico de textos jornalísticos e oficiais, e é onde o conteúdo gramatical se converte em leitura crítica.

Na redação, o cuidado é o inverso: se você não deixa claro quem faz o quê, sua argumentação perde precisão. Frases como “devem ser tomadas medidas” não dizem por quem, e uma proposta sem agente é uma proposta incompleta.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

Em “O relatório foi assinado pelo diretor na segunda-feira”, os termos destacados são, respectivamente:

a) adjunto adverbial e agente da passiva b) agente da passiva e adjunto adverbial de tempo c) sujeito e objeto indireto d) objeto indireto e adjunto adnominal e) agente da passiva e complemento nominal

Gabarito: b

Comentário: O teste consiste em transpor para a voz ativa: “O diretor assinou o relatório na segunda-feira”. O primeiro termo torna-se sujeito, o que confirma tratar-se de agente da passiva. O segundo permanece indicando circunstância de tempo, sem converter-se em sujeito, o que o caracteriza como adjunto adverbial. Ambos vêm preposicionados, e é por isso que o teste da transposição é necessário.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Um texto jornalístico afirma: “Foram cometidos erros na condução do processo.” A escolha por essa construção produz o efeito de:

a) enfatizar a responsabilidade dos envolvidos. b) apagar o agente da ação, tornando indeterminado quem cometeu os erros. c) indicar que os erros não ocorreram de fato. d) atribuir os erros ao próprio processo. e) caracterizar a construção como agramatical.

Gabarito: b

Comentário: A construção está na voz passiva analítica e omite o agente, o que é gramaticalmente correto e, por isso, afasta a alternativa e. O efeito da omissão é justamente o inverso do descrito em a: os erros são reconhecidos, mas quem os cometeu permanece invisível. Trata-se de recurso frequente em comunicados institucionais, por permitir admitir a falha sem atribuir responsabilidade.


Questão 3 (Estilo UERJ)

Na frase “A cantora era admirada de todos”, o termo destacado:

a) é adjunto adverbial de companhia. b) é agente da passiva, introduzido pela preposição de. c) é objeto indireto do verbo admirar. d) é complemento nominal do adjetivo admirada. e) configura desvio de regência, pois o correto seria por todos.

Gabarito: b

Comentário: Embora por seja a preposição predominante, o agente da passiva também admite de, construção que ocorre sobretudo com verbos que expressam sentimento, como admirar, amar, temer e conhecer. A transposição para a voz ativa confirma a análise: “Todos admiravam a cantora”. A alternativa e é incorreta, pois a construção é plenamente aceita pela norma culta e tem registro literário consagrado.

Revisão rápida

  • Agente da passiva é quem pratica a ação na voz passiva, enquanto o sujeito a sofre.
  • Ele vem sempre preposicionado, em geral por por e suas contrações, às vezes por de.
  • Para distingui-lo de adjunto adverbial, transponha para a voz ativa: agente vira sujeito.
  • O agente pode ser omitido, e a omissão é sempre uma escolha com efeito.
  • Apagar o agente pode isentar responsabilidade e naturalizar decisões.
  • Na passiva sintética, o agente praticamente não aparece.

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