Muito aluno sabe começar, aprende a desenvolver e trava na conclusão. Chega ao último parágrafo com o tempo curto, repete a introdução com outras palavras e entrega um texto que termina em vez de fechar.
Concluir é diferente de parar. A conclusão é o momento de mostrar que você apresentou uma tese, sustentou-a com argumentos e chegou a algum lugar. Neste post você vai aprender a fazer isso, com atenção ao que muda entre UERJ e ENEM.
O que a conclusão precisa fazer
Duas coisas, sempre:
1. Sintetizar o percurso
Não é resumir mecanicamente cada parágrafo. É mostrar que os argumentos se articulam e conduzem a algum ponto.
2. Retomar a tese
Reafirmar o ponto de vista, agora à luz do que foi demonstrado. A tese que apareceu como afirmação na introdução volta como conclusão sustentada.
Uma conclusão bem feita produz no leitor a sensação de fechamento. Uma conclusão malfeita soa como se o candidato tivesse ficado sem espaço na folha.
Tipos de conclusão
Síntese e reafirmação
O modelo mais direto: retoma o percurso e reafirma a tese com a autoridade de quem já a demonstrou.
Funciona sempre, e é a escolha segura quando o tempo está curto.
Perspectiva ou desdobramento
Aponta para onde o problema caminha, ou o que está em jogo se nada mudar.
“Enquanto a escola continuar tratando a variedade popular como erro, seguirá afastando justamente os alunos que mais dependem dela.”
Proposta de encaminhamento
Sugere um caminho, uma revisão do debate, uma mudança de perspectiva. Não precisa ser política pública detalhada: pode ser a proposição de um outro modo de olhar a questão.
Ampliação do debate
Conecta o tema discutido a uma questão maior, mostrando que ele não é isolado. Exige cuidado para não abrir assunto novo.
O que cai na UERJ
Esta é a diferença prática mais importante do último parágrafo:
| ENEM | UERJ | |
|---|---|---|
| Proposta de intervenção | obrigatória, com agente, ação, meio, finalidade e detalhamento | não exigida |
| Fechamento esperado | intervenção detalhada e viável | retomada da tese e fechamento do raciocínio |
No ENEM, a proposta de intervenção é uma competência inteira da grade, e há uma exigência adicional: ela precisa respeitar os direitos humanos. A lógica é coerente. Se o problema discutido fere a dignidade humana, a solução proposta não pode feri-la também.
Na UERJ, a intervenção não é pedida. O candidato treinado no ENEM tende a fechar todo texto convocando o Ministério da Educação a promover campanhas, num automatismo que nessa banca soa deslocado e não rende ponto.
Erros que estragam a conclusão
- Repetir a introdução. Copiar o primeiro parágrafo com sinônimos é a falha mais comum, e revela ausência de projeto de texto.
- Introduzir argumento novo. A conclusão fecha; ela não abre frente nova de discussão.
- Conclusão vaga. “Portanto, é preciso que todos façam a sua parte” não fecha nada.
- Solução mágica. Propor que “o governo resolva o problema” sem qualquer articulação com o que foi argumentado.
- Frase de efeito no vazio. Terminar com uma citação bonita que não dialoga com a tese.
- Conclusão desproporcional. Um parágrafo mais longo que o desenvolvimento sinaliza desorganização.
Um lembrete sobre humildade argumentativa
Vale registrar algo que o Prof. Monteiro costuma apontar: você não tem a solução. O que você apresenta é uma perspectiva sobre o problema.
Isso não enfraquece o texto, fortalece. Conclusões que anunciam a resolução definitiva de questões sociais complexas soam ingênuas. Conclusões que apresentam um caminho com consciência dos seus limites soam maduras, e maturidade é o que o corretor procura na banca da UERJ.
Aula completa no YouTube
Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:
Questões comentadas
Questão 1 (Estilo UERJ)
Sobre a conclusão de uma dissertação argumentativa, é correto afirmar que ela deve:
a) apresentar um argumento inédito que reforce a tese. b) sintetizar o percurso argumentativo e retomar a tese à luz do que foi demonstrado. c) reproduzir a introdução com outras palavras, garantindo unidade ao texto. d) obrigatoriamente propor uma intervenção detalhada, em qualquer vestibular. e) ampliar a discussão para um tema correlato ainda não abordado.
Gabarito: b
Comentário: A conclusão fecha o raciocínio, articulando os argumentos desenvolvidos e reafirmando a tese agora sustentada. A alternativa a descreve erro de organização, pois argumento novo pertence ao desenvolvimento. A alternativa c descreve a falha mais frequente do último parágrafo. A alternativa d é falsa porque a proposta de intervenção é exigência específica do ENEM, não de todas as bancas.
Questão 2 (Estilo UERJ)
No ENEM, exige-se que a proposta de intervenção respeite os direitos humanos. Essa exigência se justifica porque:
a) trata-se de formalidade burocrática da grade de correção. b) uma solução que viole a dignidade humana contradiz o próprio objetivo de resolver um problema que a fere. c) os direitos humanos são o tema recorrente das propostas de redação. d) a banca proíbe qualquer menção a questões sociais controversas. e) apenas propostas de política educacional são aceitas.
Gabarito: b
Comentário: Há coerência lógica na exigência: os temas propostos costumam envolver problemas que atingem a dignidade de determinados grupos, e uma intervenção que reproduza essa violação anularia o propósito da própria proposta. A alternativa a trata como formalidade o que é critério substantivo, e a alternativa e restringe indevidamente o escopo, já que propostas em qualquer área são aceitas desde que viáveis e coerentes.
Questão 3 (Estilo UERJ)
Um candidato encerra sua redação da UERJ com uma proposta de intervenção detalhada, indicando agente, ação e finalidade. Sobre esse fechamento, é correto afirmar que:
a) atende a uma exigência específica da grade da UERJ. b) configura fuga ao tema. c) não corresponde ao que a banca solicita, revelando automatismo de preparação para outra prova. d) invalida a redação, que deve ser anulada. e) garante pontuação máxima no eixo de projeto de texto.
Gabarito: c
Comentário: A UERJ não exige proposta de intervenção: sua conclusão deve retomar a tese e fechar o raciocínio argumentativo. Um fechamento nesses moldes não anula o texto nem configura fuga ao tema, o que afasta b e d, mas evidencia a transferência mecânica de um modelo treinado para o ENEM. O espaço ocupado por esse automatismo poderia ser mais bem aproveitado na síntese do percurso e na demonstração de autoria.
Revisão rápida
- Concluir é fechar o raciocínio, não apenas parar de escrever.
- A conclusão sintetiza o percurso e retoma a tese à luz do que foi demonstrado.
- Quatro caminhos funcionam: síntese, perspectiva, encaminhamento e ampliação.
- O ENEM exige proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos; a UERJ não a exige.
- Repetir a introdução e abrir argumento novo são os erros mais comuns.
- Apresentar uma perspectiva, e não a solução definitiva, soa mais maduro para o corretor.
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