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Como Começar uma Redação: 5 tipos de introdução

Como começar uma redação sem travar. Os dois passos da introdução, cinco estratégias de abertura e os erros que estragam a primeira impressão do corretor.

Capa do artigo: Como Começar uma Redação: 5 tipos de introdução

Começar a redação é o momento em que mais gente trava. O candidato lê o tema, encara a folha em branco e passa dez minutos preciosos sem escrever uma linha.

A introdução é a primeira impressão do corretor sobre o seu texto, e ela precisa cumprir duas tarefas específicas. Neste post você vai aprender quais são e conhecer cinco estratégias de abertura que funcionam em qualquer tema.

Os dois passos obrigatórios

Toda introdução de dissertação argumentativa precisa fazer duas coisas, nessa ordem:

1. Contextualizar o tema

Situar o assunto, mostrando ao corretor que você entendeu do que se trata. A contextualização prova compreensão: quem contextualiza bem já sinaliza que não vai fugir do tema.

2. Apresentar a tese

Explicitar o ponto de vista que será defendido. Sem tese, não há dissertação argumentativa, e não há como sustentar a nota.

Ao terminar a introdução, o corretor precisa saber duas coisas: sobre o que você vai falar e o que você defende. Se ele não sabe, o texto começou perdendo.

Cinco estratégias de abertura

Não existe fórmula obrigatória, mas existem caminhos testados. Escolha o que combina com o tema e com o seu repertório.

Contextualização histórica

Situa o tema no tempo, mostrando de onde ele vem e como chegou até aqui.

“A discussão sobre o papel da mulher na sociedade brasileira não nasceu com o debate contemporâneo. Ela atravessa séculos de estruturas que reservaram à mulher o espaço doméstico e a invisibilidade pública…”

Funciona bem em temas sociais com raiz histórica evidente.

Causa e consequência

Apresenta o problema e o seu desdobramento, criando urgência já no primeiro parágrafo.

“A concentração da terra no sertão brasileiro produziu mais do que desigualdade econômica: produziu o deslocamento forçado de populações inteiras, cujo efeito mais visível é…”

Comparação ou contraponto

Confronta duas realidades, dois momentos ou duas perspectivas.

“Enquanto o discurso oficial celebra o avanço da educação pública, os indicadores de evasão no ensino médio revelam um país que ainda não resolveu…”

Definição conceitual

Parte da definição do termo central do tema, delimitando o recorte.

“Desumanizar é retirar de alguém aquilo que o constitui como pessoa. Quando a miséria opera essa subtração, o efeito ultrapassa a privação material…”

Cuidado aqui: definição conceitual não é cópia de dicionário. É delimitação feita por você.

Alusão ou citação

Abre com uma referência cultural, literária ou histórica que dialogue com o tema.

Na UERJ, o próprio fragmento da obra pode servir de porta de entrada, desde que você o use como disparador da reflexão e não como resumo.

O que evitar na introdução

  • Fórmula decorada. Aberturas do tipo “desde os primórdios da humanidade” ou “na sociedade atual em que vivemos” denunciam texto genérico. O corretor lê centenas delas.
  • Repertório emprestado. Citar um filósofo que você não leu para parecer erudito costuma sair pela culatra: a citação fica deslocada e a tese não se sustenta nela.
  • Introdução longa demais. Ela contextualiza e posiciona, não desenvolve. Quatro a seis linhas bastam.
  • Tese vaga. “Este assunto é muito importante e merece atenção” não é tese, é enrolação. Tese é posicionamento.
  • Pergunta retórica no lugar da tese. Perguntar “será que a sociedade está preparada?” não posiciona ninguém.

O que cai na UERJ

A banca da UERJ valoriza marcas de autoria, e a introdução é onde elas aparecem primeiro. O corretor percebe imediatamente se aquele primeiro parágrafo foi pensado para aquele tema ou se é um molde reaproveitado.

Você tem o seu estilo, as suas referências, as suas leituras. Escrever com aquilo que é seu produz um texto mais seguro, porque você domina o que está dizendo. Escrever com repertório emprestado gera insegurança, e a insegurança aparece na escrita.

Um roteiro prático

Antes de escrever a introdução:

  1. Leia o tema duas vezes e sublinhe o recorte.
  2. Escreva a sua tese em uma frase, no rascunho.
  3. Escolha a estratégia de abertura que melhor conduz até essa tese.
  4. Só então escreva o parágrafo.

Esse investimento de três minutos evita a introdução que promete um caminho e o texto que segue outro, falha que compromete o projeto de texto inteiro.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

As duas funções essenciais da introdução em um texto dissertativo-argumentativo são:

a) apresentar dados estatísticos e citar um autor consagrado. b) contextualizar o tema e apresentar a tese a ser defendida. c) narrar um caso ilustrativo e propor uma solução. d) definir todos os conceitos e antecipar a conclusão. e) formular perguntas retóricas e despertar a curiosidade do leitor.

Gabarito: b

Comentário: A contextualização demonstra ao corretor que o tema foi compreendido, e a tese explicita o ponto de vista que o texto sustentará. Sem tese não há dissertação argumentativa, apenas exposição. A alternativa c descreve elementos que pertencem a outros momentos do texto: o caso ilustrativo cabe no desenvolvimento e a proposta, quando exigida, cabe na conclusão.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Um candidato inicia sua redação escrevendo: “Desde os primórdios da humanidade, a sociedade em que vivemos enfrenta diversos problemas que merecem nossa atenção.” Essa abertura é problemática porque:

a) contém erro gramatical grave. b) apresenta tese excessivamente específica. c) é genérica, não contextualiza o tema proposto e não formula tese. d) utiliza contextualização histórica, estratégia inadequada à dissertação. e) emprega registro informal incompatível com o gênero.

Gabarito: c

Comentário: A frase poderia abrir uma redação sobre qualquer assunto, o que revela ausência de contextualização efetiva do tema proposto. Além disso, afirmar que os problemas merecem atenção não constitui posicionamento: não há ponto de vista a ser defendido. A alternativa d confunde o diagnóstico, pois a contextualização histórica é estratégia legítima quando de fato situa o tema específico no tempo, o que não ocorre aqui.


Questão 3 (Estilo UERJ)

Na redação da UERJ, o fragmento da obra literária apresentado na proposta deve ser utilizado na introdução como:

a) objeto de resumo, demonstrando conhecimento do enredo. b) disparador da reflexão sobre o tema, sem que o texto se torne análise da obra. c) citação obrigatória a ser reproduzida integralmente. d) elemento dispensável, já que a redação não trata de literatura. e) fonte da tese, que deve coincidir com a interpretação do autor da obra.

Gabarito: b

Comentário: O fragmento funciona como ponto de partida para o tema, e pode ser retomado na introdução como porta de entrada da reflexão. O erro mais grave nesse ponto é o descrito na alternativa a: transformar a redação em resumo ou análise da obra, quando o que se pede é dissertação sobre o tema dela extraído. A alternativa e também falha, pois a tese deve ser do candidato, não a reprodução da posição do autor literário.

Revisão rápida

  • A introdução cumpre duas funções: contextualizar o tema e apresentar a tese.
  • Ao fim do primeiro parágrafo, o corretor precisa saber o que você defende.
  • Cinco estratégias funcionam bem: histórica, causa e consequência, comparação, definição e alusão.
  • Evite fórmulas decoradas, repertório emprestado e tese vaga.
  • Quatro a seis linhas bastam: a introdução posiciona, não desenvolve.
  • Na UERJ, a autoria começa a ser avaliada já no primeiro parágrafo.

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