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Formação de Palavras: derivação e composição

Formação de palavras explicada processo a processo. Derivação, composição, hibridismo e neologismo, com o teste do número de radicais e questões no estilo UERJ.

Capa do artigo: Formação de Palavras: derivação e composição

Formação de palavras é o estudo dos processos pelos quais a língua cria palavras novas. E não se trata de conteúdo histórico: a língua continua criando o tempo todo, e é justamente por isso que o tema aparece nas provas, quase sempre associado a neologismos.

Neste post você vai encontrar os processos organizados, com um teste simples que resolve a maioria das questões.

O teste que resolve quase tudo

Antes de qualquer classificação, faça uma pergunta: quantos radicais tem a palavra?

  • Um radical → derivação.
  • Dois ou mais radicais → composição.

Radical é a parte que carrega o significado essencial da palavra. Em “leal”, “lealdade” e “deslealdade”, o radical é sempre leal.

Esse teste separa os dois grandes grupos e resolve a maior parte das questões logo de saída.

Derivação

Formação a partir de um único radical, com acréscimo ou supressão de afixos.

Derivação prefixal

Acrescenta-se um prefixo ao radical.

  • desleal, infeliz, refazer, antisocial

Derivação sufixal

Acrescenta-se um sufixo ao radical.

  • lealdade, felizmente, livraria, pedreiro

Derivação prefixal e sufixal

Acrescentam-se os dois, mas de forma independente: a palavra existe com apenas um deles.

  • deslealdade (existem “desleal” e “lealdade”)

Derivação parassintética

Acrescentam-se prefixo e sufixo simultaneamente: a palavra não existe com apenas um deles.

  • entristecer (não existe “entriste” nem “tristecer”)
  • anoitecer (não existe “anoite” nem “noitecer”)

A distinção entre prefixal-e-sufixal e parassintética é cobrada com frequência, e o teste é este: retire um dos afixos e veja se a palavra continua existindo. Se continua, é prefixal e sufixal. Se não continua, é parassintética.

Derivação regressiva

Ocorre por redução da palavra primitiva. Cria substantivos a partir de verbos.

  • ajudar → ajuda
  • combater → combate
  • perder → perda

Derivação imprópria ou conversão

A palavra muda de classe gramatical sem alterar a forma.

  • “O jantar está pronto.” (verbo virou substantivo)
  • “Ele tem um quê de mistério.” (pronome virou substantivo)
  • “O certo é agir.” (adjetivo virou substantivo)

O artigo é o grande operador desse processo: colocado antes de qualquer palavra, ele a substantiva.

Composição

Formação a partir de dois ou mais radicais.

Composição por justaposição

Os radicais se unem sem alteração: nenhum deles perde letras ou sons.

  • passatempo, guarda-chuva, girassol, pontapé

Composição por aglutinação

Os radicais se unem com alteração: pelo menos um perde elementos.

  • plano + altoplanalto (perdeu o “o”)
  • vinho + acrevinagre
  • em + boa + horaembora

O teste: se você consegue reconhecer os dois radicais inteiros, é justaposição. Se algum foi reduzido, é aglutinação.

Outros processos

Hibridismo

Formação com radicais de línguas diferentes.

  • auto (grego) + móvel (latim) → automóvel
  • socio (latim) + logia (grego) → sociologia
  • burocracia, monóculo, bicicleta

Onomatopeia

Criação a partir da imitação de sons.

  • tique-taque, zunzum, miau, reco-reco

Abreviação ou redução

Encurtamento da palavra na fala corrente.

  • foto (fotografia), pneu (pneumático), moto, cine

Siglonimização

Formação a partir de siglas que passam a funcionar como palavras.

  • ONU, OVNI, radar, laser

Neologismo semântico

A palavra já existe, mas ganha sentido novo.

  • mouse, janela, nuvem e vírus no vocabulário da informática.

O que cai na UERJ

O tema aparece de forma bastante característica:

  • Neologismos em textos literários. Autores como Guimarães Rosa criam palavras, e a questão pede a identificação do processo de formação empregado. Reconhecer o processo é o caminho para interpretar o efeito.
  • Efeito de sentido da criação. Mais do que classificar, a banca quer saber o que a palavra nova produz: humor, estranhamento, precisão que o vocabulário existente não oferecia.
  • Derivação imprópria. O uso do artigo para substantivar aparece com frequência em questões de análise sintática, não apenas de morfologia.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

A palavra entristecer é formada pelo processo de derivação:

a) prefixal b) sufixal c) prefixal e sufixal d) parassintética e) regressiva

Gabarito: d

Comentário: O teste consiste em retirar um dos afixos e verificar se a palavra resultante existe. Não há “entriste” nem “tristecer” na língua portuguesa, o que demonstra que prefixo e sufixo foram acrescentados simultaneamente, caracterizando parassíntese. Em “deslealdade”, por contraste, existem tanto “desleal” quanto “lealdade”, o que configura derivação prefixal e sufixal, descrita na alternativa c.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Assinale a alternativa em que a palavra foi formada por composição por aglutinação:

a) guarda-chuva b) passatempo c) planalto d) girassol e) pontapé

Gabarito: c

Comentário: Em “planalto”, a união de plano e alto implicou a perda de elementos do primeiro radical, o que caracteriza aglutinação. Nas demais alternativas, os radicais permanecem íntegros e reconhecíveis, configurando justaposição, independentemente da presença ou ausência de hífen. O critério decisivo não é a grafia, e sim a integridade dos radicais na palavra formada.


Questão 3 (Estilo UERJ)

Na frase “O jantar foi servido às oito”, a palavra destacada exemplifica o processo de:

a) derivação regressiva b) derivação imprópria c) composição por justaposição d) hibridismo e) derivação parassintética

Gabarito: b

Comentário: A palavra jantar é originalmente um verbo, e nesse contexto passa a funcionar como substantivo, designando a refeição. Não houve alteração na forma, apenas mudança de classe gramatical, o que define a derivação imprópria ou conversão. O artigo o é o operador dessa mudança. A alternativa a descreve processo distinto, em que há redução da forma primitiva, como em “ajudar” para “ajuda”.

Revisão rápida

  • O primeiro teste é contar radicais: um indica derivação, dois ou mais indicam composição.
  • Prefixal e sufixal admite a retirada de um afixo; parassintética, não.
  • Derivação regressiva reduz a palavra; derivação imprópria muda a classe sem mudar a forma.
  • Justaposição mantém os radicais íntegros; aglutinação altera pelo menos um.
  • Hibridismo combina radicais de línguas diferentes.
  • Neologismo semântico é a palavra antiga com sentido novo, comum na informática.

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