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Funções da Linguagem: as 6 funções com exemplos

Funções da linguagem explicadas pelos elementos da comunicação. Emotiva, apelativa, referencial, fática, metalinguística e poética com exemplos e questões da UERJ.

Capa do artigo: Funções da Linguagem: as 6 funções com exemplos

As funções da linguagem descrevem o modo como quem escreve organiza a mensagem conforme o seu objetivo comunicativo. Cada texto coloca um elemento da comunicação em evidência, e é esse destaque que define a função predominante.

A palavra “predominante” é importante: um texto raramente tem uma função só. O que a prova pede é identificar qual delas se sobrepõe às outras. Neste post você vai aprender as seis funções a partir dos elementos que as sustentam.

Os elementos da comunicação

Toda situação comunicativa envolve seis elementos, e cada função corresponde ao destaque de um deles:

ElementoO que éFunção correspondente
Emissorquem produz a mensagememotiva
Receptora quem a mensagem se dirigeapelativa
Referenteo assunto tratadoreferencial
Canalo meio de contatofática
Códigoa língua ou o sistema usadometalinguística
Mensagema própria elaboração da mensagempoética

Guardar essa tabela é guardar o conteúdo inteiro. A partir dela, basta perguntar: o que está em destaque neste texto?

Função emotiva ou expressiva

O destaque está no emissor. O texto revela sentimentos, opiniões e o ponto de vista de quem fala.

Marcas típicas: primeira pessoa, pronomes possessivos, interjeições, adjetivos avaliativos, pontuação expressiva.

  • “Ai, que saudades que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida.” (Casimiro de Abreu)
  • Estou nervoso, estou zangado.”

Aparece em poesia lírica, diário, crônica pessoal, carta e depoimento.

Função apelativa ou conativa

O destaque está no receptor. O texto tenta influenciar, convencer ou levar alguém a agir.

Marcas típicas: verbos no imperativo, vocativos, pronomes de segunda pessoa, perguntas diretas ao leitor.

  • Compre já o seu.”
  • Você merece o melhor.”

É a função dominante da publicidade, da propaganda política e dos textos de campanha.

Função referencial ou denotativa

O destaque está no referente, ou seja, no assunto. O texto informa de modo objetivo, e o emissor se apaga.

Marcas típicas: terceira pessoa, impessoalidade, linguagem denotativa, dados e informações verificáveis.

  • “O artigo discute a representação da população negra em produtos de beleza comercializados na região.”

Aparece em notícia, texto científico, verbete, relatório e, principalmente, na redação dissertativa. É por isso que se recomenda evitar marcas pessoais no texto do vestibular: o gênero pede função referencial.

Função fática

O destaque está no canal. O texto testa, estabelece ou prolonga o contato, sem transmitir conteúdo relevante.

Marcas típicas: cumprimentos, expressões de checagem, bordões, fórmulas de abertura e encerramento.

  • Alô? Está me ouvindo?
  • Sabe como é, né? Então tá.

Aparece em diálogos, conversas telefônicas, entrevistas e nas fórmulas de “quebrar o gelo”.

Função metalinguística

O destaque está no código. Usa-se a linguagem para falar da própria linguagem.

  • Uma poesia que fala sobre poesia.
  • Um samba que fala sobre o samba.
  • Um desenho que representa uma mão desenhando.
  • O verbete de dicionário, que usa palavras para explicar palavras.

O princípio é sempre o mesmo: o código explica o código. E a metalinguagem não se limita ao verbal. Um filme sobre a produção de um filme e uma pintura sobre o ato de pintar também são metalinguísticos.

Função poética

O destaque está na mensagem, na forma como ela é construída. O que importa não é apenas o que se diz, mas o modo de dizer.

Marcas típicas: figuras de linguagem, jogos sonoros, ritmo, rimas, escolha trabalhada das palavras.

  • “Amar é um deserto e seus temores.”

Sempre que houver figura de linguagem em destaque, a função poética está presente. Ela não aparece só em poemas: publicidade, slogans e manchetes recorrem a ela constantemente.

Como identificar a função predominante

Um roteiro de três perguntas resolve a maioria das questões:

  1. Quem está em foco? Se é quem fala, emotiva; se é quem lê, apelativa.
  2. O foco está fora dos interlocutores? Se é o assunto, referencial; se é o contato, fática; se é o próprio código, metalinguística.
  3. A forma chama atenção para si? Se sim, poética.

Cuidado com um erro comum: a presença de um verbo no imperativo não garante função apelativa, assim como um adjetivo não garante função emotiva. O que decide é o predomínio ao longo do texto, não a ocorrência isolada.

O que cai na UERJ

A UERJ costuma abordar funções da linguagem de forma integrada à leitura:

  • Identificação do predomínio. A banca apresenta um texto curto, em geral publicitário, poético ou jornalístico, e pergunta qual função predomina, exigindo justificativa pelas marcas linguísticas.
  • Metalinguagem em textos literários. Autores que refletem sobre o próprio fazer literário aparecem com frequência nas obras selecionadas, e a função metalinguística é o caminho para interpretar esses trechos.
  • Contraste entre dois textos. A questão traz dois fragmentos sobre o mesmo tema e pergunta o que os diferencia. A resposta costuma passar pela mudança de função.

Na redação, vale lembrar que o texto dissertativo pede função referencial. Deslizar para a função emotiva, com “eu acho” e “na minha opinião”, enfraquece a argumentação e destoa do gênero exigido.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

Em um anúncio publicitário que diz “Descubra o sabor que você merece. Experimente agora”, predomina a função:

a) emotiva b) apelativa c) referencial d) fática e) metalinguística

Gabarito: b

Comentário: Os verbos descubra e experimente estão no imperativo, e o pronome você dirige-se diretamente ao interlocutor. O texto busca levar o receptor a uma ação, colocando-o em evidência, o que caracteriza a função apelativa ou conativa. Não há expressão de sentimentos do emissor, o que excluiria a emotiva, nem preocupação em informar objetivamente, o que excluiria a referencial.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Leia o fragmento:

“Faço este poema para dizer o que um poema não consegue dizer. Cada verso que escrevo me lembra de que a palavra é sempre menor do que a coisa.”

A função da linguagem predominante no fragmento é:

a) poética, pois há elaboração estética da mensagem. b) emotiva, pois o eu lírico revela seus sentimentos. c) metalinguística, pois o poema reflete sobre o próprio fazer poético. d) referencial, pois informa objetivamente sobre a poesia. e) fática, pois busca manter o contato com o leitor.

Gabarito: c

Comentário: O texto usa o poema para falar sobre o que é o poema e sobre os limites da palavra, ou seja, emprega o código para tratar do próprio código. Essa é a definição de função metalinguística. A alternativa a é a distratora mais forte, pois a função poética de fato está presente, como em todo texto literário, mas o que se sobrepõe aqui é a reflexão sobre o fazer poético, e a questão pede o predomínio.


Questão 3 (Estilo UERJ)

Considere os trechos de uma mesma reportagem:

I. “O índice de desemprego caiu 0,8 ponto percentual no trimestre.” II. “E aí, leitor, você acredita nesses números?”

As funções predominantes em I e II são, respectivamente:

a) referencial e apelativa b) emotiva e fática c) referencial e metalinguística d) poética e apelativa e) referencial e emotiva

Gabarito: a

Comentário: Em I, a informação é apresentada em terceira pessoa, com dado numérico verificável e sem marcas do emissor, o que caracteriza função referencial. Em II, o texto interpela diretamente o leitor por meio de vocativo e pergunta, colocando o receptor em evidência, o que caracteriza função apelativa. A alternativa b poderia tentar quem confunde o vocativo “e aí, leitor” com mera abertura de contato, mas a pergunta que se segue busca provocar uma reação, e não apenas testar o canal.

Revisão rápida

  • Cada função corresponde a um elemento da comunicação em destaque.
  • Emotiva foca o emissor; apelativa foca o receptor; referencial foca o assunto.
  • Fática foca o canal; metalinguística foca o código; poética foca a própria mensagem.
  • Metalinguagem é o código explicando o código, e vale para imagem, música e cinema, não só para o verbal.
  • A questão pede sempre a função predominante, não a única presente.
  • A redação dissertativa exige função referencial, com impessoalidade e linguagem denotativa.

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