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Hamlet, de Shakespeare: resumo e análise ato a ato

Hamlet, de William Shakespeare, resumido ato por ato. A dúvida existencial, a loucura fingida, Polônio e o espião, e o que a UERJ cobra da peça mais famosa.

Capa do artigo: Hamlet, de Shakespeare: resumo e análise ato a ato

Hamlet, de William Shakespeare, é considerada por muitos a peça das peças, texto fundamental da literatura universal. Neste post você vai encontrar o resumo ato por ato e as chaves de leitura mais relevantes para quem vai usá-la como base de redação ou como obra de interpretação na UERJ.

William Shakespeare: o Bardo

Shakespeare é chamado de “o Bardo” e é considerado o pai do teatro inglês, com influência que ultrapassa a literatura: sua obra é estudada também pela psicanálise, pela sociologia e pela ciência política. Além das tragédias, como Hamlet, Macbeth e Otelo, produziu comédias que também são referências do teatro ocidental.

O gênero: texto dramático

Antes do enredo, um cuidado de leitura essencial: Hamlet é um texto dramático, organizado em diálogos, com o nome de cada personagem indicado antes de sua fala. Compreender essa estrutura formal é pré-requisito para acompanhar as ironias e nuances que Shakespeare constrói ao longo da peça.

A sinopse geral

A peça narra a história do príncipe Hamlet, da Dinamarca, que descobre que seu tio Cláudio assassinou seu pai, o antigo rei, para assumir o trono e casar-se com Gertrudes, mãe de Hamlet. A partir dessa descoberta, Hamlet se debate entre vingar a morte do pai e as dúvidas existenciais que essa decisão lhe provoca.

Ato 1: o fantasma e a revelação

O primeiro ato, com cinco cenas, apresenta o fantasma do antigo rei, que aparece a Hamlet e revela que foi assassinado por Cláudio, seu próprio irmão. Essa revelação lança Hamlet numa crise profunda: ele precisa decidir se vinga o pai, mas a dúvida sobre a veracidade da aparição e sobre a moralidade da vingança já começa a atormentá-lo.

Ato 2: Polônio, a espionagem e a loucura fingida

O segundo ato, mais curto, com duas cenas intensas, apresenta Polônio, o conselheiro bajulador da corte, pai de Laertes e Ofélia. Polônio é caracterizado como um homem desconfiado por natureza: ele envia um servo a Paris para espionar o próprio filho, revelando sua falta de confiança até mesmo na família.

Nesse ato, começa a se espalhar a ideia de que Hamlet estaria enlouquecendo, e Polônio associa esse comportamento à forma como o príncipe trata Ofélia, por quem nutre sentimentos. Um dos debates mais férteis sobre a peça gira exatamente em torno dessa loucura: seria genuína ou fingida, estratégia deliberada de Hamlet para investigar o crime sem levantar suspeitas de Cláudio?

Ato 3: a reflexão existencial e “ser ou não ser”

O terceiro ato é o mais filosófico da peça, e é dele que vem o verso mais famoso de toda a obra shakespeariana: “Ser ou não ser, eis a questão”. Hamlet questiona o sentido da própria existência, refletindo sobre seus valores como intelectual que constantemente examina a própria vida.

Esse ato também traz o encontro entre Hamlet e Ofélia, marcado por tensão e ambiguidade quanto aos verdadeiros sentimentos do príncipe. A reflexão existencial de Hamlet neste ato é frequentemente apontada como excelente repertório para redação sobre temas ligados à falta de perspectiva e reflexão dos jovens diante da urgência e do imediatismo contemporâneos.

Ato 4: a manipulação de Cláudio

No quarto ato, Hamlet confronta Rosencrantz e Guildenstern, dois antigos amigos cooptados pelo rei Cláudio para espioná-lo. Hamlet declara que guardará para si sua própria opinião e não os ouvirá, e compara a atitude de Cláudio à de alguém que usa as pessoas como esponjas: absorve delas o que precisa e, satisfeito seu objetivo, as descarta sem cerimônia. Essa metáfora resume a crítica da peça ao oportunismo e à manipulação política exercida pelo novo rei.

Ato 5: o desfecho trágico

O quinto e último ato conduz a peça ao seu desfecho característico das tragédias shakespearianas: uma sequência de mortes que envolve os principais personagens, resultado direto da teia de vingança, traição e manipulação construída ao longo da obra. O confronto final entre Hamlet e Laertes, motivado pela morte de Polônio e pela tragédia de Ofélia, sela o destino de praticamente todos os envolvidos na disputa pelo trono dinamarquês.

Temas para repertório de redação

A obra oferece pelo menos três eixos ricos para uso em redação:

A reflexão existencial diante da urgência contemporânea. A postura filosófica de Hamlet, sempre questionando valores e sentido de vida, contrasta com a lógica de imediatismo que caracteriza parte da juventude atual, tema explorado em propostas sobre saúde mental e sentido de vida.

A manipulação e o oportunismo político. A imagem da esponja usada por Cláudio serve como repertório potente para discutir relações de poder que descartam pessoas após seu uso instrumental.

A ambiguidade entre aparência e realidade. A loucura fingida ou genuína de Hamlet levanta questões sobre performance social, identidade e estratégia diante de contextos hostis.

O que cai na UERJ

Quando Hamlet está no programa, sobretudo como base para redação, as questões costumam explorar:

  • A estrutura do texto dramático, com diálogos organizados por personagem.
  • A ambiguidade da loucura de Hamlet, genuína ou estratégica.
  • A reflexão filosófica do protagonista, especialmente o célebre “ser ou não ser”.
  • A crítica ao oportunismo político representado por Cláudio.

Aula completa no YouTube

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Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

O verso “Ser ou não ser, eis a questão”, proferido por Hamlet, expressa:

a) uma dúvida trivial sobre uma decisão cotidiana. b) uma reflexão existencial profunda sobre o sentido da própria vida e da existência. c) uma declaração de amor a Ofélia. d) uma acusação direta contra Cláudio pelo assassinato do rei. e) um pedido de socorro ao fantasma do pai.

Gabarito: b

Comentário: O célebre verso expressa a angústia existencial de Hamlet, personagem construído como intelectual que constantemente examina seus próprios valores e o sentido de sua existência diante do dilema moral da vingança. Essa reflexão filosófica é um dos elementos mais explorados da obra, tanto na crítica literária quanto como repertório para redações sobre temas contemporâneos ligados a sentido de vida e saúde mental.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Sobre a loucura de Hamlet ao longo da peça, é correto afirmar que:

a) é inequivocamente genuína, sem qualquer ambiguidade na obra. b) constitui um dos temas mais debatidos da crítica shakespeariana, por sua ambiguidade entre condição real e estratégia deliberada. c) é mencionada apenas por Ofélia, sem relação com o restante do enredo. d) é resolvida definitivamente já no primeiro ato. e) não tem qualquer relevância para a interpretação da obra.

Gabarito: b

Comentário: A ambiguidade sobre se a loucura de Hamlet é genuína ou fingida, como estratégia para investigar o assassinato do pai sem levantar suspeitas de Cláudio, é um dos aspectos mais discutidos por leitores e críticos da peça ao longo dos séculos. Essa incerteza deliberada é recurso central da construção shakespeariana do personagem, e não uma falha de definição.


Questão 3 (Estilo UERJ)

A metáfora empregada por Hamlet, no quarto ato, ao comparar a ação de Cláudio à de alguém que usa pessoas “como esponjas”, ilustra:

a) a generosidade e lealdade do rei para com seus súditos. b) o oportunismo político de Cláudio, que utiliza pessoas e as descarta após obter o que deseja. c) a amizade genuína entre Hamlet e Rosencrantz e Guildenstern. d) uma crítica exclusivamente estética sem relação com o enredo político da peça. e) a fidelidade de Cláudio aos seus aliados.

Gabarito: b

Comentário: A imagem da esponja, que absorve o que interessa e é depois espremida e descartada, sintetiza a crítica da peça ao comportamento oportunista de Cláudio, que manipula Rosencrantz e Guildenstern para espionar Hamlet sem qualquer compromisso genuíno com esses antigos amigos do príncipe. Essa metáfora é recurso valioso para discutir relações de poder instrumentalizadas em contextos contemporâneos.

Revisão rápida

  • Hamlet é texto dramático, organizado em diálogos por personagem.
  • O primeiro ato revela, pelo fantasma do rei, que Cláudio assassinou o pai de Hamlet.
  • O segundo ato introduz Polônio e a suspeita sobre a loucura de Hamlet.
  • O terceiro ato traz a reflexão existencial mais famosa da peça, “ser ou não ser”.
  • O quarto ato expõe o oportunismo de Cláudio através da metáfora da esponja.
  • O quinto ato conduz ao desfecho trágico característico das tragédias shakespearianas.

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