Método O Prof. Projetos Vestibular UERJ ↳ A UERJ (história) ↳ Cursos da UERJ ↳ Nota de Corte (79 cursos) ↳ Calculadora de Nota ↳ Cotas UERJ ↳ Glossário Provas e Gabaritos ↳ Gabarito 2º EQ (06/09) ↳ Prova UERJ 2027 ↳ Simulado UERJ (PDF) ↳ Simulado Interativo ↳ Banco de Questões ↳ Temas que Mais Caem Obras ↳ O Cortiço (2º EQ) ↳ Ainda Estou Aqui (1º EQ) ↳ Luanda, Lisboa, Paraíso ↳ O Bem-Amado YouTube Blog Quero minha vaga
← Voltar ao blog

Argumentação: tipos de argumento e estratégias

Argumentação explicada para a prova e para a redação. Tipos de argumento, diferença entre argumentar e persuadir, e as estratégias de convencimento que a UERJ cobra.

Capa do artigo: Argumentação: tipos de argumento e estratégias

Argumentar é apresentar razões para sustentar uma tese, com o objetivo de convencer o interlocutor. É a habilidade central da redação, e também um conteúdo cobrado nas questões de interpretação, quando a banca pede que você identifique os recursos usados por um autor para convencer o leitor.

Neste post você vai aprender os tipos de argumento, as estratégias de convencimento e a diferença entre argumentar e persuadir, que é onde a maioria confunde.

Argumentação e persuasão não são a mesma coisa

Os dois buscam o convencimento, mas por caminhos diferentes:

  • Argumentação apela à razão. Constrói um raciocínio lógico, apoiado em fatos, dados e evidências.
  • Persuasão apela à emoção. Recorre a recursos emocionais ou simbólicos para induzir alguém a aceitar uma ideia ou realizar uma ação.

Uma campanha de doação que apresenta estatísticas de insegurança alimentar argumenta. Uma campanha que mostra a imagem de uma criança com fome persuade. As duas funcionam, e frequentemente aparecem juntas, mas a natureza do apelo é distinta.

Na redação dissertativa, o que se espera é argumentação. O apelo emocional puro enfraquece o texto.

Os tipos de argumento

Argumento de autoridade

Recorre à fala de alguém reconhecido no assunto para dar consistência à tese.

“Como afirmava Monteiro Lobato, um país se faz com homens e livros.”

Cuidado central: este é o tipo mais usado e o pior empregado. Citar um pensador que você não leu, encaixando-o em qualquer tema, produz um argumento vazio. A citação precisa dialogar de fato com a tese e com o raciocínio que você está construindo.

Argumento de exemplificação

Sustenta a afirmação com um caso concreto que a ilustre.

O exemplo comprova, mas não substitui o raciocínio. Um parágrafo que só narra um caso, sem extrair dele a conclusão que apoia a tese, não argumentou.

Argumento por evidência ou dados

Apoia-se em números, pesquisas e fatos verificáveis.

É o argumento mais sólido quando bem usado. Exige precisão: dado inventado ou distorcido compromete a credibilidade de todo o texto.

Argumento de causa e consequência

Estabelece uma relação causal entre fatos.

“A ausência de políticas de permanência produz evasão, e a evasão perpetua a desigualdade que a escola deveria corrigir.”

Argumento por comparação

Confronta duas realidades para evidenciar o que se quer demonstrar.

Argumento histórico

Recorre ao passado para mostrar permanência ou transformação. Especialmente eficaz em temas sociais com raiz antiga.

Argumento por raciocínio lógico

Encadeia premissas até uma conclusão que decorre delas necessariamente.

As estratégias de convencimento

Quando a banca pede que você identifique as estratégias empregadas por um autor, é disto que se trata. As principais:

EstratégiaComo funciona
Seduçãoassocia o produto ou a ideia a algo desejável
Comoçãomobiliza compaixão e solidariedade
Intimidaçãoapresenta ameaça ou consequência temida
Chantagemcondiciona a aceitação a um sentimento de culpa ou dever
Autoridadeapoia-se em quem tem reconhecimento no assunto
Dadosrecorre a números para produzir credibilidade
Humorusa o riso para baixar a resistência do interlocutor

A publicidade é o terreno natural dessas estratégias. Uma atriz famosa anunciando um xampu não apresenta evidência sobre o produto: ela transfere para ele o prestígio que possui. Isso é sedução por autoridade simbólica.

Fato, opinião e tese

Três conceitos que a prova cobra e que convém não confundir:

  • Fato: acontecimento verificável. “O índice de evasão escolar aumentou no último período.”
  • Opinião: avaliação pessoal. “A evasão escolar é o problema mais grave da educação.”
  • Tese: opinião que será defendida com argumentos ao longo do texto.

Um texto argumentativo parte de fatos, formula uma tese e a sustenta. Confundir opinião com fato, apresentando avaliações como se fossem dados, é uma falha de argumentação que a banca reconhece imediatamente.

O que cai na UERJ

O tema aparece dos dois lados da prova:

  • Nas questões de interpretação. A banca apresenta um texto argumentativo ou publicitário e pergunta qual estratégia foi usada para convencer o leitor, ou qual é a tese defendida e como ela é sustentada. Identificar o argumento de autoridade, a comoção ou a sedução costuma ser a chave da resposta.
  • Na redação. A defesa consistente do ponto de vista é um dos eixos avaliados. Não basta ter tese: é preciso sustentá-la com argumentos que de fato a apoiem.

Vale reforçar o ponto que o Prof. Monteiro mais insiste: a capacidade de argumentar é pessoal. Ela vem do que você lê, do que você conhece e da sua habilidade de relacionar ideias. Não vem de uma lista de citações decoradas. Dois candidatos com a mesma tese produzem textos muito diferentes, e é a consistência da argumentação que separa as notas.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

Uma campanha de doação exibe imagens de crianças em situação de fome, acompanhadas de música melancólica. A principal estratégia de convencimento empregada é:

a) argumento de autoridade b) comoção c) intimidação d) raciocínio lógico e) argumento por evidência

Gabarito: b

Comentário: A campanha não apresenta dados nem constrói raciocínio lógico sobre insegurança alimentar: ela mobiliza a compaixão do espectador por meio de recursos visuais e sonoros que provocam resposta emocional. Trata-se de comoção, estratégia persuasiva por excelência. As alternativas d e e descreveriam uma abordagem argumentativa, apoiada em razão e evidência, que não é a adotada.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Leia as afirmações:

I. “A taxa de evasão no ensino médio cresceu nos últimos períodos.” II. “A evasão escolar é o problema mais grave da educação brasileira.”

Sobre as afirmações, é correto dizer que:

a) I e II são fatos. b) I e II são opiniões. c) I é fato e II é opinião. d) I é opinião e II é fato. e) I é tese e II é fato.

Gabarito: c

Comentário: A afirmação I enuncia um acontecimento verificável por meio de dados, o que a caracteriza como fato, independentemente de o número ser ou não fornecido. A afirmação II hierarquiza problemas educacionais, e essa hierarquização depende de critérios de valor: trata-se de avaliação pessoal, portanto opinião. Se fosse sustentada por argumentos ao longo de um texto, passaria a funcionar como tese.


Questão 3 (Estilo UERJ)

Um candidato insere em sua redação a frase “Como dizia o filósofo, o homem é o lobo do homem”, sem relacioná-la ao raciocínio desenvolvido no parágrafo. Essa ocorrência caracteriza:

a) argumento de autoridade bem empregado, pois recorre a pensador consagrado. b) argumento de exemplificação. c) uso inadequado do argumento de autoridade, que não sustenta a tese defendida. d) estratégia de comoção. e) raciocínio lógico dedutivo.

Gabarito: c

Comentário: O argumento de autoridade só cumpre função quando a voz invocada dialoga com a tese e reforça o raciocínio em curso. Aqui a citação aparece isolada, sem articulação com o que se argumenta, e ainda com atribuição imprecisa ao autor. O resultado é um enunciado decorativo que não sustenta nada. Em bancas que avaliam marcas de autoria, esse tipo de inserção evidencia repertório decorado em vez de conhecimento incorporado.

Revisão rápida

  • Argumentar apela à razão; persuadir apela à emoção. A redação pede argumentação.
  • Os principais tipos de argumento são autoridade, exemplificação, evidência, causa e consequência, comparação, histórico e raciocínio lógico.
  • Argumento de autoridade é o mais usado e o pior empregado: a citação precisa dialogar com a tese.
  • As estratégias de convencimento incluem sedução, comoção, intimidação, chantagem, autoridade, dados e humor.
  • Fato é verificável, opinião é avaliação, tese é a opinião que será defendida.
  • A capacidade de argumentar é pessoal e vem do repertório que você de fato domina.

Leia também:


Quer se preparar de verdade para a UERJ?

O DoMonteiro tem projetos completos para cada etapa do vestibular da UERJ, do 1º Exame de Qualificação ao Discursivo, com diagnóstico inicial, trilha semanal, simulados comentados e revisão por mapa de erros.

Conheça os projetos DoMonteiro em domonteiro.com.br e comece a sua preparação com quem conhece a UERJ de ponta a ponta.

Quer ir além do conteúdo gratuito? Conheça os projetos DoMonteiro para o Vestibular UERJ 2027.

Ver projetos