Método O Prof. Projetos Vestibular UERJ ↳ A UERJ (história) ↳ Cursos da UERJ ↳ Nota de Corte (79 cursos) ↳ Calculadora de Nota ↳ Cotas UERJ ↳ Glossário Provas e Gabaritos ↳ Gabarito 2º EQ (06/09) ↳ Prova UERJ 2027 ↳ Simulado UERJ (PDF) ↳ Simulado Interativo ↳ Banco de Questões ↳ Temas que Mais Caem Obras ↳ O Cortiço (2º EQ) ↳ Ainda Estou Aqui (1º EQ) ↳ Luanda, Lisboa, Paraíso ↳ O Bem-Amado YouTube Blog Quero minha vaga
← Voltar ao blog

Quinhentismo: literatura de informação e de catequese

Quinhentismo explicado com olhar crítico. A Carta de Caminha, o etnocentrismo do olhar europeu, a literatura de catequese e o que a UERJ cobra sobre o período.

Capa do artigo: Quinhentismo: literatura de informação e de catequese

O Quinhentismo é o primeiro período da história literária brasileira, e o mais mal compreendido. Costuma ser tratado como uma curiosidade cronológica, quando na verdade é o momento em que se estabelece um olhar sobre esta terra que atravessaria séculos.

Antes das características, uma imagem que ajuda a entender o que está em jogo. Imagine alguém chegando à sua casa, oferecendo presentes, dizendo que é seu amigo. Com o tempo, seus filhos e netos descobrem que essas pessoas tomaram a casa e o terreno, afirmando que aquilo nunca lhes pertenceu e que agora tem novo dono.

Os textos do Quinhentismo são o registro do primeiro momento dessa história, escrito por quem chegava. E é essa perspectiva que a leitura crítica precisa enxergar.

Não é bem literatura brasileira

Uma ressalva necessária: os textos quinhentistas não são propriamente literatura, nem propriamente brasileira.

Não são literatura porque não têm intenção estética: são documentos, relatos administrativos, instrumentos de catequese.

Não são brasileiros porque foram escritos por portugueses, para portugueses, sobre uma terra que ainda não era o Brasil.

Por isso a designação mais precisa é literatura colonial ou literatura de informação. Ainda assim, o período abre a periodização literária brasileira por razões de método.

Literatura de informação

São os relatos enviados a Portugal descrevendo a terra encontrada. Também chamados de cartas de navegantes ou crônicas de viagem.

O que eles registram:

  • A natureza: fauna, flora, clima.
  • A terra: acidentes geográficos, possibilidades de exploração.
  • Os habitantes: costumes, aparência, organização social.

O olhar etnocêntrico

Aqui está o ponto central da leitura crítica, e o que a prova mais explora.

Todo esse registro é feito por um olhar que julga a partir dos próprios valores. O português não descreve o que vê: ele avalia o que vê pela régua europeia. A nudez é falta de pudor, a ausência de igrejas é ausência de fé, a organização social diferente é ausência de organização.

Esse é o etnocentrismo: tomar a própria cultura como medida de todas as outras.

A Carta de Pero Vaz de Caminha

O documento mais conhecido do período. Nela, dois interesses se articulam com clareza:

  1. A busca de riquezas. O relato avalia o potencial econômico da terra.
  2. A justificativa religiosa. Caminha sugere ao rei a catequese e a ocupação, apresentando-as como salvação de almas perdidas.

A articulação entre os dois é o que sustenta o projeto colonial: exploração legitimada por missão civilizatória.

Outros textos: o Tratado da Terra do Brasil, de Pero de Magalhães Gândavo, e as cartas de Pero Lopes de Sousa.

Literatura de catequese

A segunda vertente do período são os textos produzidos pelos jesuítas com finalidade de conversão dos indígenas.

José de Anchieta é o nome central. Ele escreveu poemas, cartas e, sobretudo, autos: peças teatrais de estrutura simples, com personagens alegóricas representando o Bem e o Mal, encenadas para catequizar.

Um dado importante: Anchieta escreveu em português, espanhol, latim e tupi. A produção em língua indígena não era gesto de valorização cultural, era instrumento de conversão mais eficiente.

Tabela de consulta rápida

Literatura de informaçãoLiteratura de catequese
Autorescronistas, navegantesjesuítas
Destinatárioa Coroa portuguesaos indígenas
Finalidadeinformar e avaliar a terraconverter
Gêneroscartas, tratados, crônicasautos, poemas, sermões
Nome centralPero Vaz de CaminhaJosé de Anchieta

O que cai na UERJ

O período é cobrado de modo característico:

  • Leitura crítica do olhar colonial. A banca apresenta um trecho da Carta de Caminha e pergunta o que o texto revela sobre a perspectiva de quem escreve. A resposta passa pelo etnocentrismo.
  • Intertextualidade. Autores modernistas e contemporâneos reescrevem a Carta de Caminha em chave crítica, e o confronto entre original e releitura é questão recorrente.
  • Distinção entre as duas vertentes. Informação e catequese têm destinatários e finalidades distintas.

Na redação, o tema rende repertório em propostas sobre povos originários, apagamento cultural e memória histórica. O Quinhentismo é o registro do momento em que esse apagamento começou a ser narrado como descobrimento.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

A designação “literatura de informação”, aplicada aos textos quinhentistas, justifica-se porque:

a) tratava-se de obras com elaborada intenção estética. b) eram relatos descritivos enviados à Coroa portuguesa sobre a terra encontrada. c) informavam os indígenas sobre a religião católica. d) constituíam a primeira produção literária de autores nascidos no Brasil. e) discutiam questões filosóficas do Renascimento europeu.

Gabarito: b

Comentário: Os textos do período são documentos de caráter informativo, produzidos por cronistas e navegantes para relatar à Coroa as características da terra, de seus habitantes e de seu potencial de exploração. A alternativa a é incorreta porque não havia intenção estética, e a alternativa d também falha, pois os autores eram portugueses escrevendo para portugueses. A catequese, mencionada em c, constitui a outra vertente do período.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Ao descrever os habitantes da terra, Pero Vaz de Caminha avalia seus costumes a partir dos valores da cultura europeia. Essa perspectiva caracteriza:

a) relativismo cultural b) objetividade científica c) etnocentrismo d) idealização romântica e) determinismo geográfico

Gabarito: c

Comentário: O etnocentrismo consiste em tomar a própria cultura como medida para julgar as demais, o que se manifesta na Carta quando comportamentos indígenas são interpretados como ausência de pudor, de fé ou de organização, por não corresponderem aos padrões europeus. O relativismo cultural, descrito em a, é justamente a postura oposta, pois procura compreender cada cultura em seus próprios termos.


Questão 3 (Estilo UERJ)

Sobre a produção de José de Anchieta em língua tupi, é correto afirmar que:

a) demonstrava valorização da cultura indígena como equivalente à europeia. b) constituía instrumento para tornar a catequese mais eficiente junto aos indígenas. c) tinha finalidade exclusivamente documental e linguística. d) destinava-se ao público leitor português interessado em línguas exóticas. e) representava a primeira manifestação literária autenticamente brasileira.

Gabarito: b

Comentário: Anchieta escreveu em português, espanhol, latim e tupi, e o uso da língua indígena integrava a estratégia jesuítica de conversão: pregar no idioma do destinatário aumentava a eficácia da catequese. A alternativa a inverte o sentido do gesto, pois o objetivo não era reconhecer a cultura indígena, mas substituí-la pela fé católica, o que fica evidente na estrutura alegórica de seus autos.

Revisão rápida

  • O Quinhentismo abre a periodização literária brasileira, mas não é literatura nem é brasileiro em sentido estrito.
  • A literatura de informação reúne relatos enviados à Coroa sobre a terra e seus habitantes.
  • O olhar dos cronistas é etnocêntrico: julga o outro pela régua europeia.
  • A Carta de Caminha articula busca de riquezas e justificativa religiosa da ocupação.
  • A literatura de catequese é produzida por jesuítas, com destaque para os autos de Anchieta.
  • O tupi era usado como instrumento de conversão, não como valorização cultural.

Leia também:


Quer se preparar de verdade para a UERJ?

O DoMonteiro tem projetos completos para cada etapa do vestibular da UERJ, do 1º Exame de Qualificação ao Discursivo, com diagnóstico inicial, trilha semanal, simulados comentados e revisão por mapa de erros.

Conheça os projetos DoMonteiro em domonteiro.com.br e comece a sua preparação com quem conhece a UERJ de ponta a ponta.

Quer ir além do conteúdo gratuito? Conheça os projetos DoMonteiro para o Vestibular UERJ 2027.

Ver projetos