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Regência Verbal: os verbos que mais caem em prova

Regência verbal explicada pela relação entre termo regente e regido. Assistir, visar, implicar, aspirar e os verbos que mudam de sentido conforme a preposição.

Capa do artigo: Regência Verbal: os verbos que mais caem em prova

Regência é o estudo da relação entre um termo regente e um termo regido. A palavra vem de reger, mandar: há sempre uma palavra que determina qual preposição será usada para completar o seu sentido.

Na regência verbal, quem manda é o verbo. Neste post você vai entender o mecanismo e, principalmente, dominar a lista de verbos que a prova mais cobra, incluindo aqueles que mudam de sentido conforme a preposição.

O mecanismo

Verbo transitivo vem de trânsito: ele dá passagem para outra palavra, o complemento. A transitividade determina o tipo de complemento:

VerboComplementoPreposição
transitivo diretoobjeto diretosem preposição
transitivo indiretoobjeto indiretocom preposição
transitivo direto e indiretoos doisum deles com preposição

O ponto essencial: a preposição é exigida pelo verbo, não escolhida pelo falante. Por isso a regência precisa ser estudada verbo a verbo.

Os verbos que mudam de sentido

Este é o grupo mais cobrado, porque a mudança de regência altera o significado.

Assistir

  • Ver, presenciar: transitivo indireto, rege “a”. “Assisti ao filme.”
  • Prestar assistência: transitivo direto. “O médico assistiu o paciente.”
  • Caber, pertencer: transitivo indireto. “Esse direito assiste ao trabalhador.”
  • Morar: intransitivo, com adjunto. “Assisto em Niterói.” (uso raro)

Visar

  • Mirar, apontar: transitivo direto. “O atirador visou o alvo.”
  • Dar visto: transitivo direto. “O gerente visou o cheque.”
  • Ter por objetivo: transitivo indireto, rege “a”. “A medida visa ao equilíbrio fiscal.”

Aspirar

  • Inalar: transitivo direto. “Aspirou o perfume.”
  • Almejar: transitivo indireto, rege “a”. “Aspira ao cargo de diretor.”

Implicar

  • Acarretar: transitivo direto, sem preposição. “A decisão implicou mudanças.”
  • Envolver-se, embirrar: transitivo indireto, rege “com”. “Implicou com o colega.”

O uso de “implicar em” com sentido de acarretar é desvio frequente. O correto é “implicar mudanças”.

Proceder

  • Ter fundamento: intransitivo. “A queixa não procede.”
  • Originar-se: rege “de”. “O avião procede de Lisboa.”
  • Realizar: rege “a”. “Procedeu-se à votação.”

Chamar

  • Convocar: transitivo direto. “O técnico chamou os jogadores.”
  • Apelidar: admite objeto direto ou indireto, com predicativo. “Chamou-o de covarde.” / “Chamou-lhe covarde.”

Esquecer e lembrar

  • Sem pronome: transitivos diretos. “Esqueci a tarefa.” / “Lembrei o compromisso.”
  • Com pronome (esquecer-se, lembrar-se): transitivos indiretos, regem “de”. “Esqueci-me da tarefa.” / “Lembrei-me do compromisso.”

A regra é fácil de guardar: pronome pede preposição.

Verbos que sempre exigem preposição

VerboPreposiçãoExemplo
obedecer, desobedecera”Obedeça às normas.”
respondera”Respondeu ao e-mail.”
perdoar (a alguém)a”Perdoou ao amigo.”
simpatizar, antipatizarcom”Simpatizo com ele.”
gostarde”Gosta de música.”
precisarde”Preciso de ajuda.”

Note que simpatizar e antipatizar não são pronominais: “simpatizei com ele”, nunca “me simpatizei”.

Regência e crase

Aqui está a conexão prática mais útil. A crase depende de duas condições, e a primeira é regência:

  1. O verbo (ou o nome) precisa exigir a preposição a.
  2. O termo seguinte precisa admitir o artigo a.
  • “Assisti à peça.” (assistir rege “a” + peça admite artigo = crase)
  • “Assisti a Roma.” (Roma não admite artigo = sem crase)

Ou seja: quem não domina regência não domina crase. Os dois conteúdos se sustentam mutuamente.

O que cai na UERJ

A regência aparece de três formas:

  • Na correção da redação. É desvio de norma culta, e frequentemente arrasta um erro de crase junto.
  • Em questões de reescrita. A banca propõe outra construção e o candidato avalia se a regência foi respeitada.
  • Em questões de sentido. Verbos como assistir, visar e implicar mudam de significado conforme a regência, e a questão explora essa diferença dentro da interpretação do texto.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

Assinale a alternativa em que a regência verbal está de acordo com a norma culta:

a) “O projeto visa o desenvolvimento sustentável da região.” b) “A mudança implicou em custos elevados.” c) “Aspiramos ao reconhecimento de nosso trabalho.” d) “Assisti o jogo pela televisão.” e) “Me simpatizei com a proposta apresentada.”

Gabarito: c

Comentário: O verbo aspirar, no sentido de almejar, é transitivo indireto e rege a preposição “a”, o que torna correta a construção da alternativa c. Em a, visar com sentido de ter por objetivo também exige “a”: “visa ao desenvolvimento”. Em b, implicar com sentido de acarretar é transitivo direto: “implicou custos”. Em d, assistir com sentido de ver rege “a”. Em e, simpatizar não é verbo pronominal.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Considere as ocorrências do verbo assistir:

I. “O médico assistiu o paciente durante a noite.” II. “Assistimos ao documentário na íntegra.”

Sobre as construções, é correto afirmar que:

a) ambas apresentam desvio de regência. b) em I o verbo significa prestar assistência e é transitivo direto; em II significa ver e é transitivo indireto. c) em I o verbo significa ver e em II, prestar assistência. d) ambas empregam o verbo com o mesmo sentido e a mesma regência. e) apenas II está correta, pois assistir sempre rege a preposição “a”.

Gabarito: b

Comentário: O verbo assistir muda de transitividade conforme o sentido. Quando significa prestar assistência ou socorrer, é transitivo direto e dispensa preposição, como em I. Quando significa ver ou presenciar, é transitivo indireto e exige a preposição “a”, como em II. A alternativa e generaliza indevidamente uma das regências, ignorando a polissemia do verbo.


Questão 3 (Estilo UERJ)

A relação entre regência verbal e emprego da crase pode ser assim descrita:

a) são fenômenos independentes, sem qualquer relação gramatical. b) a crase depende exclusivamente da presença de substantivo feminino. c) a crase exige que o verbo reja a preposição “a” e que o termo seguinte admita o artigo “a”. d) todo verbo transitivo indireto produz crase diante de substantivo feminino. e) a regência determina a crase apenas em locuções adverbiais.

Gabarito: c

Comentário: A crase resulta da fusão entre a preposição e o artigo definido feminino, o que exige duas condições simultâneas. A regência do verbo fornece a primeira, ao determinar se há preposição “a”; o termo seguinte fornece a segunda, ao admitir ou não o artigo. A alternativa d é a distratora mais forte: em “assisti a Roma”, o verbo rege a preposição, mas o topônimo não admite artigo, e por isso não há crase.

Revisão rápida

  • Regência é a relação entre termo regente e termo regido, e a preposição é exigida pelo verbo.
  • Assistir, visar, aspirar, implicar e proceder mudam de sentido conforme a regência.
  • Assistir no sentido de ver rege “a”; no sentido de socorrer é transitivo direto.
  • Implicar com sentido de acarretar não leva preposição.
  • Com esquecer e lembrar, a presença do pronome exige a preposição “de”.
  • Crase depende de regência: sem preposição exigida pelo verbo, não há crase.

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