O Romantismo é a primeira escola literária do século XIX no Brasil, e nasce ligado a um fato histórico decisivo: a Independência. Um país recém-emancipado precisava de uma literatura genuinamente sua, e a tarefa que o movimento assume é justamente essa.
Mais do que produzir obras, o Romantismo brasileiro se propôs a inventar o brasileiro: criar um sentimento de orgulho nacional, uma identidade reconhecível. Boa parte do imaginário que ainda circula sobre o país nasceu ali.
Neste post você vai encontrar as características gerais do movimento, as três gerações da poesia e o funcionamento da prosa romântica.
As quatro características do homem romântico
Antes de dividir em gerações, é preciso reconhecer o que atravessa todo o movimento:
- Idealização da realidade. O romântico não retrata o mundo, ele o fantasia.
- Subjetividade. A realidade é vista pelo filtro pessoal, e não objetivamente.
- Exagero sentimental. Nas relações amorosas, na relação com a pátria, com a natureza e com a morte.
- Sentimentalismo. A emoção prevalece sobre a razão.
Essas quatro marcas aparecem em todas as gerações, variando apenas o objeto sobre o qual se aplicam.
As três gerações da poesia romântica
A divisão em três gerações vale para a poesia. Um esclarecimento importante: uma geração não encerra a anterior. O que acontece é que uma perde evidência para a outra, enquanto textos das três continuam sendo produzidos.
Primeira geração: nacionalista ou indianista
O foco é a construção da identidade nacional.
- Exaltação da pátria e da natureza brasileira.
- O índio como herói nacional, idealizado nos moldes do cavaleiro medieval europeu.
- Religiosidade e saudosismo.
Autores: Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães.
O poema símbolo da geração é a “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, um dos textos mais parodiados da literatura brasileira.
Segunda geração: ultrarromântica ou mal do século
O foco se desloca da pátria para o eu.
- Pessimismo, morbidez, obsessão pela morte.
- Amor idealizado e inatingível, quase sempre não correspondido.
- Egocentrismo, fuga da realidade, boemia.
- Influência de Lord Byron, daí o nome byronismo.
Autores: Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire.
Terceira geração: condoreira ou social
O foco vai para a sociedade.
- Poesia de intervenção política, sobretudo abolicionista.
- Linguagem grandiloquente, com imagens de amplitude.
- O nome vem do condor, ave que voa alto, símbolo de liberdade.
- Influência de Victor Hugo, daí hugoanismo.
Autor central: Castro Alves, o poeta dos escravizados.
A prosa romântica e o folhetim
A prosa romântica foi decisiva para a literatura brasileira, e seu desenvolvimento se deve a duas condições concretas: a evolução da imprensa e a formação de um público leitor.
Esse ambiente permitiu o surgimento do folhetim: romances publicados em capítulos nos jornais, com um clímax ao fim de cada trecho para garantir que o leitor comprasse o número seguinte.
O modelo não desapareceu. A novela de televisão é herdeira direta do folhetim romântico: mesma estrutura em capítulos, mesmo gancho no final, mesma lógica de fidelização.
As características da prosa romântica
- Casal de protagonistas. A mocinha bela, fiel, recatada e dedicada; o herói corajoso, bonito e homem de palavra.
- Amor à primeira vista. O encontro decisivo, imediato e definitivo.
- Personagens planas. Sem profundidade psicológica. Quem é bom permanece bom, quem é mau permanece mau.
- Final feliz. Superados os obstáculos, o casamento coroa a narrativa.
- Idealização. Do amor, da mulher, do herói, da natureza.
As vertentes da prosa
- Indianista: o índio como herói fundador. Iracema, O Guarani.
- Regionalista: o interior do país e seus tipos. O Sertanejo.
- Urbana: a sociedade carioca e o dinheiro. Senhora, Lucíola.
- Histórica: a formação do país.
José de Alencar é o nome central, transitando por todas essas vertentes.
O que cai na UERJ
O Romantismo aparece de três formas:
- Identificação de geração. Um poema é apresentado e se pede a geração à qual pertence. As marcas são claras: pátria e índio na primeira, morte e amor impossível na segunda, causa social na terceira.
- Intertextualidade. A “Canção do Exílio” é o texto mais parodiado da literatura brasileira, e o confronto entre o original e uma releitura modernista é questão recorrente.
- Obras do programa. Quando um romance de Alencar é adotado, as questões exploram a idealização, a construção plana das personagens e o contraste com o Realismo que viria depois.
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Questões comentadas
Questão 1 (Estilo UERJ)
Um poema romântico que exalta a natureza brasileira e apresenta o índio como herói nacional idealizado pertence à:
a) primeira geração, nacionalista ou indianista b) segunda geração, ultrarromântica c) terceira geração, condoreira d) prosa regionalista e) escola realista
Gabarito: a
Comentário: A exaltação da pátria, a valorização da natureza e a construção do índio como herói nacional são marcas da primeira geração romântica, voltada à criação de uma identidade brasileira após a Independência. A segunda geração desloca o foco para o eu, com pessimismo e morbidez, enquanto a terceira volta-se para causas sociais, especialmente o abolicionismo.
Questão 2 (Estilo UERJ)
O termo “condoreirismo”, associado à terceira geração romântica, deve-se:
a) à influência de Lord Byron sobre os poetas brasileiros. b) à imagem do condor, ave que voa alto, símbolo de liberdade e de amplitude da poesia social. c) ao caráter regionalista da prosa produzida no período. d) ao pessimismo e à obsessão pela morte característicos da geração. e) à valorização do índio como herói nacional.
Gabarito: b
Comentário: O condor, ave de grande envergadura que alcança altitudes elevadas, tornou-se símbolo da poesia libertária e grandiloquente da terceira geração, marcada pela militância abolicionista de Castro Alves. A alternativa a descreve o byronismo, associado à segunda geração, e a alternativa d apresenta justamente as características ultrarromânticas dessa geração anterior.
Questão 3 (Estilo UERJ)
Sobre o folhetim romântico, é correto afirmar que:
a) era publicado integralmente em volume único, destinado à elite letrada. b) consistia em romances publicados em capítulos na imprensa, com clímax ao final de cada trecho, e influenciou diretamente o formato da novela televisiva. c) caracterizava-se pela complexidade psicológica das personagens. d) surgiu no Realismo como reação à prosa romântica. e) tinha caráter exclusivamente indianista.
Gabarito: b
Comentário: O folhetim nasce da conjunção entre o desenvolvimento da imprensa e a formação de um público leitor, sendo publicado em capítulos com ganchos que garantiam o retorno do leitor. A alternativa c descreve característica realista, pois a prosa romântica trabalha com personagens planas e previsíveis. A herança do formato permanece visível na estrutura da novela de televisão brasileira.
Revisão rápida
- O Romantismo nasce ligado à Independência e à necessidade de criar uma identidade nacional.
- Quatro marcas atravessam o movimento: idealização, subjetividade, exagero e sentimentalismo.
- A primeira geração é nacionalista e indianista; a segunda, ultrarromântica; a terceira, condoreira.
- A divisão em gerações vale para a poesia, e uma geração não encerra a anterior.
- A prosa romântica se desenvolve pelo folhetim, publicado em capítulos na imprensa.
- Personagens planas, amor à primeira vista e final feliz definem a prosa do período.
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