O Classicismo é a escola literária do Renascimento em Portugal, e seu nome já entrega o programa: um retorno consciente aos modelos clássicos greco-romanos, depois de séculos de teocentrismo medieval.
É a escola de Luís de Camões, o maior nome da literatura em língua portuguesa antes do Brasil ter sua própria tradição literária, e figura recorrente nas provas da UERJ, tanto nos Sonetos quanto n’Os Lusíadas.
O contexto: o Renascimento
O Classicismo corresponde ao movimento renascentista, que devolve o homem ao centro do pensamento depois da Idade Média teocêntrica. É o retorno do antropocentrismo.
As marcas desse contexto:
- Valorização da razão e do equilíbrio.
- Retomada da mitologia e da estética greco-romana.
- Confiança na capacidade humana de conhecer e criar.
- Espírito de navegação e descoberta, muito presente em Portugal do século XVI.
As características do Classicismo
Mensura e equilíbrio
Em oposição ao rebuscamento que viria com o Barroco, o Classicismo busca medida, proporção e clareza. Nada de excesso.
Racionalismo
A razão organiza a criação. O sentimento existe, mas é contido pela forma.
Mitologia clássica
Deuses, heróis e temas da Antiguidade greco-romana povoam os textos, em contraste com a religiosidade católica medieval.
Universalismo
Os temas aspiram à validade universal: o amor, a beleza, o heroísmo, a fortuna.
Rigor formal
O soneto é a forma predileta: catorze versos, dois quartetos e dois tercetos, com métrica e rima organizadas.
Luís de Camões: os dois lados da obra
Camões é dividido entre duas faces, e a prova cobra as duas.
A lírica: os Sonetos
A poesia lírica de Camões trata do amor, da beleza feminina e da fortuna (o destino, os reveses da vida), quase sempre em forma de soneto.
Um traço notável: já em Camões aparecem elementos que antecipam o Barroco, sobretudo a antítese e o paradoxo, na tentativa de captar a contradição do sentimento amoroso.
- “Amor é fogo que arde sem se ver.” (metáfora e paradoxo)
- “É ferida que dói e não se sente.” (paradoxo)
Por isso Camões costuma ser descrito como uma ponte entre Classicismo e Barroco: formalmente clássico, mas já anunciando o conflito interior que definirá a escola seguinte.
A épica: Os Lusíadas
Poema épico que narra a viagem de Vasco da Gama à Índia, celebrando os feitos portugueses e usando a estrutura clássica da epopeia:
- Invocação: o poeta pede inspiração às Musas.
- Proposição: anuncia o tema a ser cantado.
- Dedicatória: ao rei Dom Sebastião.
- Narração: a viagem e os feitos históricos, entremeados de episódios mitológicos.
Os Lusíadas combina o elogio da nação portuguesa com reflexões sobre o custo humano das navegações, o que garante ao poema uma complexidade que ultrapassa o mero louvor patriótico.
O que cai na UERJ
O Classicismo aparece de duas formas:
- Obra do programa. Os Sonetos de Camões já foram adotados pela UERJ, e as questões exploram antítese, paradoxo e o tema do amor e da fortuna.
- Identificação de características. Rigor formal, mitologia clássica e busca de equilíbrio são as marcas mais exploradas em confronto com outras escolas.
Um ponto de atenção: como Camões antecipa recursos barrocos, a banca gosta de testar se o candidato reconhece a antítese e o paradoxo mesmo dentro de uma obra classicista, sem confundir a escola com o movimento seguinte.
Aula completa no YouTube
Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:
Questões comentadas
Questão 1 (Estilo UERJ)
O retorno aos modelos estéticos da Antiguidade greco-romana, com valorização da razão e do equilíbrio formal, caracteriza a escola literária conhecida como:
a) Barroco b) Classicismo c) Arcadismo d) Romantismo e) Realismo
Gabarito: b
Comentário: O Classicismo corresponde ao movimento renascentista em Portugal, e sua marca definidora é justamente o retorno consciente à mitologia e à estética clássicas, associado à busca de mensura e equilíbrio formal. O Barroco, mencionado em a, sucede o Classicismo e se caracteriza pelo conflito e pelo rebuscamento, exatamente o oposto do ideal de contenção classicista.
Questão 2 (Estilo UERJ)
Sobre a poesia lírica de Camões, é correto afirmar que:
a) rejeita completamente qualquer recurso que antecipe o Barroco. b) já emprega antítese e paradoxo na tentativa de captar as contradições do sentimento amoroso. c) trata exclusivamente de temas religiosos católicos. d) abandona a forma do soneto em favor do verso livre. e) não apresenta qualquer influência da mitologia clássica.
Gabarito: b
Comentário: Versos como “amor é fogo que arde sem se ver” e “é ferida que dói e não se sente” já mobilizam antítese e paradoxo para expressar a contradição da experiência amorosa, recursos que se tornarão centrais no Barroco. É por essa razão que Camões costuma ser descrito como figura de transição, classicista na forma e já barroco em certos procedimentos.
Questão 3 (Estilo UERJ)
A estrutura de Os Lusíadas segue o modelo clássico da epopeia, que inclui:
a) apenas a narração dos feitos históricos, sem elementos convencionais do gênero. b) invocação às Musas, proposição do tema, dedicatória e narração. c) estrutura em cantigas de amor e de amigo. d) divisão em cultismo e conceptismo. e) ausência de qualquer referência mitológica.
Gabarito: b
Comentário: A epopeia clássica segue uma estrutura convencional que Camões respeita: a invocação pede inspiração às Musas, a proposição anuncia o assunto a ser cantado, a dedicatória se dirige ao rei Dom Sebastião, e a narração desenvolve os feitos da viagem de Vasco da Gama, entremeados por episódios mitológicos que dialogam com a tradição greco-romana.
Revisão rápida
- O Classicismo é a escola do Renascimento português, com retorno aos modelos greco-romanos.
- Suas marcas são mensura, racionalismo, mitologia clássica e rigor formal, com o soneto como forma predileta.
- Camões domina a lírica, com os Sonetos sobre amor, beleza e fortuna, e a épica, com Os Lusíadas.
- Camões antecipa antítese e paradoxo, sendo ponte entre Classicismo e Barroco.
- Os Lusíadas segue a estrutura clássica: invocação, proposição, dedicatória e narração.
- A UERJ já adotou os Sonetos de Camões e explora justamente esses recursos de transição.
Leia também:
- Barroco: o conflito entre fé e razão na literatura
- Humanismo: a transição entre Idade Média e Renascimento
- Trovadorismo: as cantigas medievais e seus tipos
- Guia completo do Vestibular UERJ
Quer se preparar de verdade para a UERJ?
O DoMonteiro tem projetos completos para cada etapa do vestibular da UERJ, do 1º Exame de Qualificação ao Discursivo, com diagnóstico inicial, trilha semanal, simulados comentados e revisão por mapa de erros.
Conheça os projetos DoMonteiro em domonteiro.com.br e comece a sua preparação com quem conhece a UERJ de ponta a ponta.