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Deu Branco na Redação: o que fazer para destravar

Deu branco na redação e agora? Técnicas para destravar, o exercício da palavra aleatória e por que o repertório de leitura é o melhor antídoto contra o bloqueio.

Capa do artigo: Deu Branco na Redação: o que fazer para destravar

Você lê o tema, encara a folha em branco e não vem nada. O relógio anda, o nervosismo cresce, e quanto mais você tenta forçar, menos aparece.

O bloqueio é comum e tem solução. Neste post você vai encontrar técnicas para destravar na hora e, mais importante, entender por que ele acontece.

Uma verdade sobre temas

O Prof. Monteiro tem um exercício que faz em toda aula de redação: pede aos alunos uma palavra aleatória e escreve sobre ela na hora. Sabonete, pasta de dente, luminária, microfone, poeira. Já apareceu até “luz”.

O ponto do exercício é este: dá para escrever sobre qualquer coisa.

Se dá para dissertar sobre uma palavra sorteada ao acaso, também dá para dissertar sobre um tema social cuidadosamente elaborado por uma banca. O bloqueio, portanto, não vem da falta de assunto. Vem de outro lugar.

De onde vem o branco

Três causas, e cada uma tem tratamento diferente:

1. Nervosismo

A pressão trava o pensamento. Trata-se com respiração, não com esforço.

2. Busca pela ideia perfeita

Você tem ideias, mas nenhuma parece boa o suficiente. Trata-se aceitando começar imperfeito.

3. Repertório insuficiente

Você realmente não sabe o que dizer sobre aquele assunto. Trata-se com leitura, mas antes da prova.

Cinco técnicas para destravar na hora

1. Escreva a tese em uma frase

Não tente começar pela introdução: comece pelo meio. Escreva no rascunho, sem preocupação com estilo:

“Eu acho que ______ porque ______.”

Essa frase feia é a sua tese. A partir dela, o resto se organiza.

2. Use o método das perguntas

Interrogue o tema no rascunho:

  • Por que isso acontece?
  • Quem é afetado?
  • Desde quando?
  • O que já se tentou?
  • O que sustenta a permanência?

As respostas viram argumentos. Não é preciso responder a todas: duas já dão o texto.

3. Volte à coletânea

Na proposta há textos motivadores, ou um fragmento da obra. Leia de novo. Não para copiar, mas porque eles indicam por onde a banca pensa o tema.

Uma palavra do enunciado costuma abrir o caminho.

4. Comece pelo desenvolvimento

Nada obriga a escrever na ordem. Se a introdução não vem, escreva o parágrafo do argumento que você domina melhor. Com ele pronto, a introdução aparece quase sozinha, porque você já sabe aonde o texto vai chegar.

5. Puxe o repertório que é seu

Pergunte-se o que você conhece que dialoga com aquele tema:

  • Um livro que você leu.
  • Um filme que você viu.
  • Um episódio histórico que estudou.
  • Uma notícia que acompanhou.
  • Um conteúdo de outra disciplina.

O repertório que funciona é o que você domina, e não o que soaria impressionante.

O antídoto de verdade: ler

As técnicas acima resolvem a emergência. Mas o bloqueio recorrente tem uma causa e um tratamento de longo prazo.

Quem lê tem ideias. É simples assim.

O leitor chega à prova com repertório disponível, com modelos de raciocínio internalizados e com vocabulário para nomear o que pensa. Ele não trava porque tem de onde puxar.

E aqui a leitura não precisa ser só de clássicos. Jornal, revista, ensaio, crônica, romance, quadrinho: tudo alimenta o repertório. O que não alimenta é a ausência de leitura.

O que não fazer

  • Não deixe a folha em branco. Um texto imperfeito pontua; uma folha vazia, não.
  • Não copie a coletânea. Cópia de trecho é penalizada.
  • Não encha linguiça. O corretor identifica parágrafos vazios imediatamente.
  • Não fuja para outro tema só porque domina mais o outro assunto. Fuga ao tema zera.
  • Não fique paralisado esperando a inspiração. Comece a escrever qualquer coisa no rascunho: o movimento destrava.

O que cai na UERJ

Na prova da UERJ há um fator a favor: você sabe qual é a obra. O tema virá de um fragmento do livro adotado.

Isso significa que boa parte do bloqueio pode ser eliminada antes da prova. Ler a obra extraindo temas de cada capítulo, e anotando o que cada um permite discutir, é construir antecipadamente o repertório que você precisará.

Quem faz esse trabalho chega à prova com um mapa temático da obra e dificilmente trava.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

Diante de um bloqueio na hora de iniciar a redação, a estratégia mais produtiva é:

a) deixar a folha em branco até que surja uma ideia completa. b) copiar trechos da coletânea para preencher as linhas. c) escrever a tese em uma frase simples no rascunho e desenvolver a partir dela. d) mudar para um tema que se domine melhor. e) escrever a introdução repetidamente até que fique perfeita.

Gabarito: c

Comentário: Formular a tese em linguagem direta, ainda que sem elaboração estilística, dá ao texto um ponto de partida concreto a partir do qual os argumentos se organizam. As alternativas a e e mantêm a paralisia; a b configura cópia, procedimento penalizado; e a d caracteriza fuga ao tema, uma das falhas mais graves na correção.


Questão 2 (Estilo UERJ)

A afirmação de que “quem lê tem ideias” relaciona-se ao problema do bloqueio na redação porque:

a) a leitura substitui a necessidade de planejamento do texto. b) o repertório construído pela leitura fornece referências e modelos de raciocínio disponíveis no momento da prova. c) textos lidos podem ser reproduzidos na redação. d) a leitura elimina completamente o nervosismo. e) apenas a leitura de obras clássicas produz esse efeito.

Gabarito: b

Comentário: O bloqueio recorrente costuma decorrer de repertório insuficiente, e a leitura constrói justamente esse repertório: referências para argumentar, formas de organizar o raciocínio e vocabulário para nomear ideias. A alternativa e restringe indevidamente o alcance, pois jornais, ensaios, crônicas e quadrinhos também alimentam o repertório de quem escreve.


Questão 3 (Estilo UERJ)

Na preparação específica para a redação da UERJ, o fator que mais reduz o risco de bloqueio é:

a) memorizar modelos de introdução para diferentes temas. b) ler a obra adotada extraindo os temas que cada capítulo permite discutir. c) decorar citações de filósofos aplicáveis a qualquer assunto. d) treinar exclusivamente a proposta de intervenção. e) escrever redações sobre temas de outros vestibulares.

Gabarito: b

Comentário: Como a proposta da UERJ parte de um fragmento da obra adotada, o universo temático da prova é previsível para quem leu o livro com atenção. Mapear os temas que cada capítulo permite levantar constrói antecipadamente o repertório específico exigido. A alternativa d descreve exigência do ENEM, não da UERJ, e as alternativas a e c contrariam a valorização das marcas de autoria pela banca.

Revisão rápida

  • Dá para escrever sobre qualquer tema: o bloqueio não vem da falta de assunto.
  • As causas são nervosismo, busca pela ideia perfeita e repertório insuficiente.
  • Escreva a tese em uma frase feia no rascunho: ela destrava o resto.
  • Interrogue o tema com perguntas de causa, efeito e permanência.
  • Comece pelo desenvolvimento se a introdução não vier.
  • Ler é o antídoto de longo prazo, e na UERJ ler a obra elimina boa parte do risco.

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