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Os 3 Usos do SE: PIS, Partícula Apassivadora e PIV

Os três usos do se explicados com testes práticos. Índice de indeterminação, partícula apassivadora e parte integrante do verbo, sem confundir nunca mais.

Capa do artigo: Os 3 Usos do SE: PIS, Partícula Apassivadora e PIV

O pronome se é um dos termos mais versáteis da língua portuguesa, e também um dos mais cobrados em análise sintática. Ele pode assumir pelo menos três funções bem diferentes, conhecidas pelas siglas PIS, PA e PIV.

Neste post você vai aprender a distinguir as três com testes rápidos, sem depender de decoreba.

PIS: índice de indeterminação do sujeito

Ocorre quando o verbo está na terceira pessoa do singular, é intransitivo ou transitivo indireto, e não há como identificar quem pratica a ação.

  • Vive-se bem na cidade.” (viver é intransitivo; ninguém sabe quem vive)
  • Precisa-se de dinheiro.” (precisar é transitivo indireto, rege “de”)

Teste: o verbo está sempre no singular, e não há sujeito algum na oração. O “se” apenas indica que o sujeito existe, mas não pode ser determinado.

PA: partícula apassivadora

Ocorre quando o verbo é transitivo direto, e o termo que seguiria o verbo passa a funcionar como sujeito, concordando com ele.

  • Vendem-se casas.” = “Casas são vendidas.” (sujeito: casas, plural)
  • Aluga-se apartamento.” = “Apartamento é alugado.” (sujeito: apartamento, singular)

Teste infalível: tente reescrever com o verbo ser mais particípio. Se funcionar, é partícula apassivadora, e o verbo deve concordar com o termo seguinte.

  • “Vendem-se casas” → “Casas são vendidas.” Funciona, logo é PA, e o verbo vai ao plural.

PIV: parte integrante do verbo

Ocorre com verbos pronominais, aqueles que só existem com o “se” grudado, sem função sintática própria.

  • “Ele se arrependeu.”
  • “Ela se queixou do calor.”
  • “Eles se suicidaram.”

Teste: tente retirar o “se”. Se o verbo ficar estranho ou mudar de sentido, o “se” é parte integrante.

  • “Ele arrependeu”? Não existe essa construção sem o “se”. Logo, é PIV.

Repare a diferença para um verbo reflexivo comum, em que o “se” tem função de objeto:

  • “Ele se feriu.” (feriu a si mesmo; “se” é objeto direto, não PIV)
  • “Ele se arrependeu.” (não existe “arrependeu” sem o “se”; aqui é PIV)

O roteiro de decisão

  1. O verbo está no singular e não há sujeito identificável? PIS.
  2. O verbo é transitivo direto e o “se” pode virar “é/são + particípio”? PA, e o verbo concorda com o termo seguinte.
  3. O verbo não existe sem o “se”, ou muda de sentido sem ele? PIV.

Tabela de consulta rápida

PISPAPIV
Verbointransitivo ou transitivo indiretotransitivo diretopronominal
Concordânciasempre singularconcorda com o termo seguintecom o sujeito normal
Há sujeito?nãosim, o termo seguintesim, normal

O que cai na UERJ

Este é um dos temas mais recorrentes em análise sintática e em questões de concordância:

  • Concordância verbal com o “se”. A confusão entre PIS e PA gera o erro mais comum: “vende-se casas” no lugar de “vendem-se casas”.
  • Reescrita. A banca propõe transformar a voz passiva sintética em analítica, o que só funciona quando o “se” é partícula apassivadora.
  • Classificação em textos. Trechos com múltiplas ocorrências de “se” exigem que o candidato aplique os três testes em sequência.

Aula completa no YouTube

Assista à aula completa do Prof. Monteiro sobre este tema:

Questões comentadas

Questão 1 (Estilo UERJ)

Assinale a alternativa em que a concordância verbal está de acordo com a norma culta:

a) “Aluga-se apartamentos no centro.” b) “Alugam-se apartamentos no centro.” c) “Precisam-se de funcionários.” d) “Vive-se bem nesta cidade, dizem os moradores.” e) “Existe-se poucas vagas disponíveis.”

Gabarito: b

Comentário: O verbo alugar é transitivo direto, e “apartamentos” funciona como sujeito da oração, o que exige concordância no plural: “alugam-se”. Em c, o verbo precisar é transitivo indireto, e o “se” é índice de indeterminação do sujeito, devendo permanecer no singular: “precisa-se de funcionários”. A alternativa d está correta, mas por outro motivo: ali o “se” também é PIS.


Questão 2 (Estilo UERJ)

Em “Ele se queixou do atraso do voo”, o termo destacado classifica-se como:

a) índice de indeterminação do sujeito b) partícula apassivadora c) parte integrante do verbo d) objeto direto e) sujeito da oração

Gabarito: c

Comentário: O verbo queixar-se é pronominal e não existe sem o “se”: não se diz “ele queixou do atraso”. Como o pronome não desempenha função sintática própria, apenas integra a forma verbal, ele é classificado como parte integrante do verbo. O teste da retirada confirma: sem o “se”, a construção deixa de existir na língua portuguesa.


Questão 3 (Estilo UERJ)

Sobre a frase “Vendem-se casas nesta rua”, é correto afirmar que:

a) o “se” é índice de indeterminação do sujeito. b) “casas” é objeto direto do verbo vender. c) a frase pode ser reescrita como “Casas são vendidas nesta rua”, o que comprova tratar-se de partícula apassivadora. d) o verbo deveria estar no singular, pois o “se” sempre exige essa concordância. e) trata-se de verbo pronominal.

Gabarito: c

Comentário: A possibilidade de reescrita com o verbo ser mais particípio é o teste decisivo para identificar a partícula apassivadora, e nesse caso ela confirma que “casas” é sujeito da oração, e não objeto, o que invalida a alternativa b. Por ser sujeito, ele determina a concordância do verbo, que corretamente aparece no plural, contrariando a generalização feita em d.

Revisão rápida

  • PIS indetermina o sujeito, com verbo intransitivo ou transitivo indireto, sempre no singular.
  • PA transforma o termo seguinte em sujeito, com verbo transitivo direto que concorda com ele.
  • PIV integra verbos pronominais que não existem sem o “se”.
  • O teste da PA é reescrever com “ser” mais particípio.
  • O teste da PIV é retirar o “se” e ver se o verbo continua existindo.
  • Confundir PIS com PA é a causa mais comum de erro de concordância nesse tema.

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